11-12-2005
Entrevista
Priscila Rosa
Porta-bandeira
Priscila Rosa, 22 anos,
estréia como porta-bandeira da União da Ilha no Carnaval
2006. Formada em Jornalismo e ex-atleta de nado
sincronizado, a filha de Dona Leila e Seu Jorge, moradora
do Maracanã e integrante de uma das famílias tradicionais
do mundo do samba não vê a hora de chegar o grande dia,
para garantir a nota máxima no desfile e com isso ver a
escola voltar ao Grupo Especial.
OBatuque.com
- Atualmente está trabalhando na área decomunicação como
jornalista?
Priscila Rosa
- Eu e algumas amigas que se formaram comigo estamos
finalizando um projeto de uma micro-empresa na área de
comunicação empresarial.
OBatuque.com
- Como foi sua passagem no nado sincronizado?
Priscila Rosa
- Foi uma das atividades que mais gostei de praticar e a
que mais me dediquei. Fui atleta representando o Tijuca
Tênis Clube, mas tive que abandonar o esporte por falta de
tempo.
OBatuque.com
- Como é sua relação com os primos Mestre Louro e Almir
Guineto?
Priscila Rosa
- Minha família é o bem mais precioso que tenho. Eu e o
Louro temos uma admiração mútua. Adoro vê-lo à frente da
bateria na Marquês de Sapucaí e ele adora me ver bailando.
Já com o Almir tive uma relação muito próxima durante
minha infância. Sou fã dele desde criança e sempre ia aos
shows com a minha avó. No momento, ele está morando no
interior de São Paulo, mas sempre quando tem compromissos
no Rio nos encontramos e colocamos o papo em dia.
OBatuque.com -
Você começou como passista mirim. Conta pra gente como
surgiu o desejo de ser porta-bandeira.
Priscila Rosa
- Quando era passista mirim, ficava admirando a dança dos
casais. Assim que tive oportunidade, entrei no projeto
ministrado por Manuel Dionísio, onde aprendi tudo e aos
poucos fui me aperfeiçoando.
OBatuque.com -
Em entrevistas, alguns casais reclamaram muito das
justificativas dos jurados: "A porta-bandeira não
introduziu a bandeira", "o casal não fez o pax-du-deux"...
Como você vê as justificativas de alguns jurados?
Priscila Rosa
- Acho que deveriam criar um critério de julgamento mais
claro.
OBatuque.com -
Como dançarina, você acha que é preciso fazer esses passos
de balé?
Priscila Rosa
- Acho que todos os tipos de atividades físicas em
paralelo à dança é válido, pois aumenta o condicionamento
físico do dançarino e aumenta a flexibilidade, fatores
primordiais durante o desfile. O balé me ajudou muito na
questão da leveza das mãos.
OBatuque.com
- Como você avalia seu estilo?
Priscila Rosa
- Acho que tenho um estilo eclético, pois misturo alguns
passos de balé e jazz com o próprio samba.
OBatuque.com - Sua passagem pela Rocinha foi muito
boa, mas pela Mocidade você não teve a mesma sorte. O que
houve nesse desfile?
Priscila Rosa
- Tudo pode acontecer na Marquês na hora do desfile.
Ensaiamos muito para o carnaval, mas na hora alguns
jurados viram defeitos na nossa dança. Por exemplo, em uma
justificativa foi relatado que o mestre-sala havia pisado
na minha saia. Como poderia evitar isso? Aconteceu!
OBatuque.com - Como é assistir à apuração e na hora
não tirar o 10? Bate um desespero?
Priscila Rosa
- Procuro me manter calma na concentração e no desfile.
Nervosismo só atrapalha. O mesmo acontece na hora da
apuração, tento pensar que o que eu poderia fazer eu já
fiz no desfile. É só esperar as notas, mas os 10 são mais
bem vindos que as outras!
OBatuque.com –
Parece que você está pensando em se mudar para Ilha do
Governador...
Priscila Rosa
- Estou amando a comunidade insulana. A União da Ilha é
uma agremiação muito querida por todos. A cada ensaio me
apego mais à comunidade e à própria escola. Para juntar o
útil ao agradável decidi morar na Ilha, mas ainda estou
procurando apartamento. Sempre tive vontade de morar lá e
tenho certeza que chegou a hora.
OBatuque.com -
Por que dessa identificação com a escola?
Priscila Rosa
- Acho que por se tratar de uma escola simpática e querida
por todos. Sempre quando falo que defendo o pavilhão
tricolor insulano as pessoas elogiam a minha escola. Adoro
essa identificação positiva das pessoas com a Ilha.
OBatuque.com
- Agora que escolheram o samba, vocês estão ensaiando
algum passo?
Priscila Rosa
- A junção de dois sambas foi uma feliz decisão da
diretoria da Ilha. O enredo é rico e, conseqüentemente, a
letra do samba também. Por isso, está sendo tranqüilo para
eu e o Rogério Rosa, meu mestre-sala, montarmos uma
coreografia. Já está quase pronta, mas ainda temos muitos
ensaios e trabalho pela frente.
OBatuque.com -
Como é o seu treinamento com o Rogério Rosa?
Priscila Rosa
- Dançamos todos os sábados e segundas em um clube na Ilha
e às quartas na quadra da escola. A partir da segunda
quinzena de dezembro, faremos três ensaios por semana nas
madrugadas na Marquês de Sapucaí. Nesses ensaios,
treinaremos as apresentações para os jurados.
OBatuque.com
- Ele é seu parente? Ou é coincidência?
Priscila Rosa
- Não. O meu Rosa é nome e o dele é nome de família. Mas
adorei a coincidência. Formamos uma dupla floral!
OBatuque.com - Qual
é a emoção de carregar o pavilhão de uma escola?
Priscila Rosa
- Adoro muito ser porta-bandeira. Para mim, é um misto de
orgulho, prazer e responsabilidade. Acho que o trabalho
fica ainda melhor quando temos carinho e amor pelo
pavilhão, o que acontece comigo atualmente. Adoro a União
da Ilha e vou defendê-la com amor.
OBatuque.com - Tem diferença carregar no Grupo
Especial ou no Acesso A?
Priscila Rosa
- A responsabilidade é igual ou maior, pois todos sabem
que a União vai brigar para voltar ao ser lugar no Grupo
Especial. E eu e Rogério Rosa vamos contribuir para que
isso aconteça.
OBatuque.com - Qual foi a sua maior decepção como
porta-bandeira?
Priscila Rosa
- Ainda não tive decepção. Só tive alegrias, felicidades e
o prazer de fazer novas e maravilhosas amizades.
OBatuque.com - Você tem algum projeto para novos
casais?
Priscila Rosa
- Eu e a diretoria da União estamos montando um projeto
para meninas e meninos da comunidade, mas só vai ser
colocado em prática ano que vem. Estou ansiosa para
começar, mas acho que esse tempo vai ser bom para que as
pessoas de lá conheçam melhor meu trabalho.
OBatuque.com - E qual o melhor momento?
Priscila Rosa
- Quando fui anunciada como primeira porta-bandeira da
União da Ilha. Fiquei muito emocionada. Fui muito
aplaudida e a festa tive direito a faixa de boas-vindas e
queima de fogos.
OBatuque.com - Uma porta-bandeira?
Priscila Rosa
- Adoro e admiro o trabalho de várias meninas, como a
Selminha Sorriso (Beija-Flor), Lucinha Nobre (Unidos da
Tijuca), Geovana (Mangueira), Squel (Grande-Rio), Daniele
Nascimento (Tradição), Ruth (Vila Isabel), Andréa Machado
(Portela) e Ana Paula (Império Serrano). Mas sou fã
incondicional da classe e da leveza da eterna cisne da
passarela, Wilma Nascimento.
OBatuque.com -
Um mestre-sala?
Priscila Rosa
- Impossível mencionar um só: Rogério Rosa (União da
Ilha), Robson (Império Serrano), Júlio César (Viradouro),
Daniel (Rocinha), Ronaldinho e Mosquito(Salgueiro),
Claudinho (Beija-Flor), Marquinhos (Mangueira), Sidcley
(Grande-Rio), Bira (Tijuca), Rafael (Vila Isabel) e
Rogerinho (Mocidade).
OBatuque.com - Qual o samba-enredo que você
gostaria de bailar?
Priscila Rosa
– "O amanhã", na União da Ilha do Governador, na voz do
Ito Melodia acompanhado por seu pai, Aroldo Melodia.
Clique
aqui e leia a sinopse do
enredo e a letra do samba da União da Ilha para o Carnaval 2006!
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