SÃO CLEMENTE

SAMBAS-ENREDOS

 

2007

ENREDO: Barrados no baile
COMPOSITOR(ES): Alemão do Táxi, Carlinho da Penha, Maninho, Gil Melodia e Jassa

Sou um vencedor
Pouco me importa se você não acredita
Em meu coração
Tem emoção
A igualdade é a palavra mais bonita
Derrubei verdades
Quero ter livre minha forma de expressão
Na arte, esporte e cultura
Abaixo a discriminação

Sou índio sou negro sou filho da terra
Meu canto de guerra é contra opressão  (bis)
Não traio a verdade eu sou diferente
Tenho a São Clemente no meu coração

Sinto a luz que me conduz
Em busca da felicidade
No meu arco íris
Não tem preconceito
Respeito o direito à sua opção
Chega de maus tratos à mulher
Justiça e trabalho sem distinção
Assumo os deveres
E exijo os direitos
Quero ser tratado como cidadão

A são clemente não discrimina
Convida geral  (bis)
Do hip hop ao axé
Com muito samba no pé
Vem para o baile do meu carnaval

 

2006

ENREDO: De Gonzagão a Gonzaguinha: em vida de viajante
COMPOSITOR(ES): Rodrigo Índio, Fabinho, Ronaldo Soares, Ricardo Goes, Cláudio Filé

"Lua" ilumina a minha escola
Pra fazer na avenida o mais bonito São João
Tem forró, maracatu, frevo, arte em argila
Num "estado" de paixão
Seu coração pernambucano bate forte de saudade
Que a "alma do sertão" resgatou
Transformando o sonho em realidade
Abre o fole sanfoneiro e encanta o mundo inteiro
Asa branca quer voar!
Espalhando a semente, é do povo, é da gente
Abre o sorriso e vem cantar

Não dá mais pra segurar, amor!
Seu grito de alerta ecoou  (bis)
Desperta o poeta genial
Explode coração no carnaval

Cantar... e não ter a vergonha de ser feliz
Viver... na escola da vida um eterno aprendiz
Amar... a mulher e a pureza das nossas crianças
No futuro há esperança
Com liberdade pra sonhar
Sangrando eu vou, eu vou
Mergulhar com você no lago do amor
E lá do céu poder reviver
Mais uma linda turnê

Levanta a poeira, sou mais São Clemente
O preto e amarelo, orgulho da gente  (bis)
Sacode bateria no compasso do baião
Cantando Gonzaguinha e Gonzagão

 

2005

ENREDO: Velha é a vovozinha: a São Clemente enrugadinha e gostosinha
COMPOSITOR(ES): Diego Mendes, Eugênio Leal, Alexandre Araujo, Rodrigo Telles, Armandinho do Cavaco e Júnior Duarte

Saravá Orixás, proteção
Giram baianas espalhando na avenida
Sabedoria, inspiração
É Aruanda a iluminar a nossa vida
Nessa troca de energia
A noite fez o feitiço
Da luz surgiu a magia
A princesinha virou a vovozinha do mar
Sai do casulo e vem sambar
Sou aposentado, tô desesperado
Desboto na fila, só levo um trocado
INS.O.S descaso e confusão
Vem do estatuto a solução

Eu sassarico, tomo uma e vou bingar
Se tá caído,vai levantar  (bis)
Tá tudo azul, eu levo a vida em alto astral
Beijo na boca pra gozar o carnaval

Em busca da eterna mocidade
Sigo os passos da ciência, o meu remédio é sorrir
Ao bailar pela cidade, sinto há felicidade
Eu tô na moda, vou brincar, me divertir
Velho é a vovozinha
Solta a voz vovó Maria, mostra todo o seu valor
A velha guarda pisa forte, arrepia
O retrato da história onde o samba começou
É gente bamba, porta voz da alegria
Que o tempo preservou

São Clemente guerreira canta pra mudar
Mostra a força do povo, faz acreditar  (bis)
Luta por dignidade, em nome da melhor idade

 

2004

ENREDO: Boi voador sobre o Recife - Cordel da galhofa nacional
COMPOSITOR(ES): Jorge Melodia, Noronha, Marcos Zero e Cesar Ouro

A cobra vai fumar
De além mar ao mar de lama
Gostoso é pecar, se lambuzar no mel da cana
Índias que não estão no mapa
Na boquinha da garrafa, cheias de amor pra dar
O tal batavo começou a avacalhar
E como brasileiro gosta de uma obra
Nassau fez até de sobra
Mascarando o leão do norte, lugarejo sem saúde
Onde a maior virtude era viver de armação
Macunaíma, anti-herói idolatrado
Aqui tudo foi tramado pra virar esculhambação


Todo mundo pelado, beleza pura
Todo mundo pelado, mas que loucura  (bis)
Ninguém segura a perereca da vizinha
É um barato a buzina do Chacrinha

Era a corte um rebu
Se ouvir um sururu vai pra ponte que partiu
Com o laranja endividado
O pedágio foi cobrado, o primeiro do Brasil
O boi voou, começou a roubalheira
A galhofa, a bandalheira pra chacota nacional
Mas tira o olho, ninguém tasca eu vi primeiro
Tem muito boi brasileiro pra comer nesse quintal

Aonde a zorra vai parar
Eu tô sofrendo mas eu gozo no final  (bis)
A São Clemente faz a gente acreditar
Que no Brasil o que é sério é carnaval

 

2003

ENREDO: Mangaratiba, uma História de Lutas para todos que Amam a Terra e a Liberdade
COMPOSITOR(ES): Alexandre Araujo, Diego Mendes  e Rodrigo Telles

Tô chamando pra sambar
Samba aí que eu quero ver
  (bis)
Deus Tupã a Trovoar
Lua faz o Sol nascer
Feito um Tupinambá, entro nessa multidão,
A São Clemente conquistou seu coração

Índio lutador,
Guerreiro pela própria natureza
Defendeu o ouro, todo seu tesouro,
Salvou sua terra da ganância portuguesa
Fez um troca-troca gostoso
Botou o colar no pescoço,
Olhou pro espelho e sorriu
Índio vaidoso, fingiu que não viu
Que os franceses tão levando o Pau Brasil
 
Capoeira dos Escravos, jogada com muita fé
Do gingado das mucamas, sinto o aroma do café
  (bis)
Da queimada o homem branco produzia o carvão
Leva banana produto de exportação
 
Hoje no recanto milenar
Preservo a vida ouço pássaros cantar
Mangaratiba eu vou
Na suas matas sonhar
Um beijo entre a serra e o mar
Escuto o Som do tan-tan, rolando até de manhã
Nas suas praias também quero namorar

 

2002

ENREDO: Guapimirim - Paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus
COMPOSITOR(ES): Rodrigo "Índio", Eugênio Leal, Fabinho, Paulo Renato e Anderson Paz

Eu vou comemorar
Contemplar a Guanabara
Tão bela visão do meu pavilhão
A minha grande inspiração (ao longe)
Ao longe
Abençoada pelas mãos do criador
Divina, pequena fonte cristalina
Gigante, vou desvendar os segredos teus
Que a magia do Dedo de Deus
Nessa viagem vai nos revelar

É lindo, é bom demais!
Por onde eu olho a natureza brota em paz
  (bis)
Tem "sambaqui", herança eterna
Dos nossos ancestrais

A cobiça te explorou
Desde os tempos imperiais
Ainda hoje pago pra ver
Não tem preço preservar os animais
Por entre as matas, rios, cascatas
Trilhar teus caminhos tão especiais
Agora, o progresso chega sem destruição
Recicla a forma de agir desta nação
E faz sua mensagem ecoar
Guapi, nessa avenida, sou criança, sou mirim
A esperança é ver o mundo todo assim
E uma nova era semear

A São Clemente chegou.... Sorria !!!
Aqui não tem racionamento de alegria
  (bis)
O nosso show é energia
Quarenta anos na pressão da bateria

 

2001

ENREDO: A São Clemente mostrou e nada mudou neste Brasil gigante
COMPOSITOR(ES): Rodrigo Índio, Eugênio Leal, Fabinho e Paulo Renato

Cantei, ah! como cantei
Eu alertei, eu critiquei, amor
Jeito moleque brincalhão eu vou
Tentando melhorar esse país (pra ser feliz)
O meu grito ecoou
E aí, o que mudou?
Mas não desisto, sou guerreiro lutador
Se correr o pardal pega
Se ficar o ladrão come
Onde a coisa vai parar?
Tô sem terra, tô sem ninho
Qual será o meu caminho
Quero casa pra casar

Tá na hora de curar minha saúde
Quem tem plano fica pobre
  (bis)
E o pobre que se cuide

Hoje o Capitão de Asfalto
Tomou de assalto as manchetes dos jornais
Marginalizado
Virou culpado da tragédia social
E o meu povão do carnaval
Não pode mais participar
No troca-troca deu lugar
Para o turista delirar
A solução então
É investir na educação
Criar emprego
Para libertar essa nação

Faz a festa, me abraça, põe champanhe na taça
A São Clemente é alegria!!!
  (bis)
Vem no peito e na raça, sacudindo a massa     
Na explosão da bateria

 

2000

ENREDO: No ano 2000, a São Clemente é Tupi, com Sergipe na Sapucaí
COMPOSITOR(ES): Helinho 107, Cláudio Filé, Reginaldo Bessa e Leonardo Alegria

Raiou a nova era
É tempo de paz na terra
Hoje a São Clemente se veste de tupi
Pra comemorar
Conta a lenda que o Deus Maíra
Sete deusas de pedra criou
E Numiar...a escolhida
Com seu filho Arapiá se casou...e gerou
No seu ventre quatro estações
Para governar a nossa vida
A lua e o sol jamais vão se beijar
Assim Maíra fez a paz reinar

Xingó, acende a memória
Vestígios da história... vem mostrar
  (bis)
Xingó, é chão que irradia
Calor, energia... vem brilhar

Oh! Sergipe...
União de culturas, folclore popular
Rendas, bordados que beleza
E a culinária sem igual
No velho Chico eu vou...navegar
Magias e mitos...encontrar
E as carrancas espantam a maldade
No novo milênio que vai chegar

A São Clemente faz...
A festa em 2000
  (bis)
E com Sergipe celebra... (amor)
Os "500 anos" do Brasil

 

1999

ENREDO: A São Clemente comemora e traz Rui Barbosa para os braços do povo
COMPOSITOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate e Antônio

Minha escola faz a festa
Traz para o povo um baiano genial
Defensor da igualdade
A liberdade, o seu ideal
Uma luta pioneira
Nossa bandeira um país melhor
Reformas sociais ele pediu
Que agitaram esse meu Brasil
Idéias liberais abolição
E "Rui Barbosa" orgulha essa nação

O amor à Pátria ele fez valer
"Águia de Haia" nos faz vencer
  (bis)
A luz de um novo amanhã virá
Seu nome nunca vai se apagar

Mesmo exilado
Jamais abandonou seus ideais
O jornalista consagrado
Que a família amou demais
Jurista e diplomata se fez imortal
Tornou-se um brasileiro sem igual
Um líder nacional
O exemplo vai ficar
A luta não pode acabar
Os jovens vão se lembrar
O sonho irá brilhar

Vem recordar ser mais feliz
A São Clemente exalta o meu país
  (bis)

 

1998

ENREDO: Maiores são os poderes do povo
COMPOSITOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate e Fernando de Lima

Vejam só que brincadeira
Bagunçaram nosso carnaval
Nossa luta é pioneira
Somos vanguarda da cultura nacional
A esperança continua
De ver um novo amanhã
Todos iguais, sem distinção
Sem fome e discriminação
Viver melhor e encontrar
Saúde e mais educação

Quero ver você zoar
Com a bateria
  (bis)
Ter certeza de brindar
Um novo dia
Energia de viver
Vem se embalar
Brincar de ser feliz quero sonhar

Vem mudar o meu país
Realizar o sonho, que o povo sempre quis
Ter um voto consciente
Cidadania um Brasil da gente
Cem pra sorrir
Vamos lutar
Todo mundo vai ganhar!

Maiores são os poderes do povo
É o grito da massa de novo
  (bis)
Se liga nessa São Clemente vem aí
Contagiando a Sapucaí

 

1997

ENREDO: A São Clemente Botafogo na Sapucaí
COMPOSITOR(ES): Ricardo Góes, Ronaldo Soares, Chocolate, Fernando de Lima e Nivaldo

Carnaval...
A minha escola é alegria
E vem contar
Sua história em poesia
Herança viva que marcou
Todo glamour de uma cidade
Na praia os romances
Lindos lances ao luar
Balneário sem igual
Da coroa imperial

Beleza e paz
Que sedução
  (bis)
Meu Rio traz
Recordação

Mais tarde...
Nosso remo virou atração
Se tornou esporte oficial
Da real sociedade
E tudo então, se transformou
Ruas, bares, zona sul
A boemia, fascinação
O berço do meu pavilhão
Nasce... A nossa escola verdadeira
Mostra o mundo em brincadeira
A consciência social
Que sensação, quanta lembrança
Nosso coração balança

São Clemente irreverente
Consciente vem aí
  (bis)
E "Botafogo" na Sapucaí

 

1996

ENREDO: Se a canoa não virar a São Clemente chega lá
COMPOSITOR(ES): Henrique Damião, Maurílio Faria e Flávio Oliveira

Quem é do mar não enjoa
Sabe com quantos paus
Se faz uma canoa
A São Clemente
Sente que chegou o dia
A bordo da fantasia
Abre as velas... Vai pro mar...
"Guerrear, guerrear!"
E sobre as ondas
Ventos e estrelas me conduzem por aí

Se navegar é preciso
Navegando num sorriso
Vou cruzando a Sapucaí

Sou cisne branco que em noite de Lua
Vem deslizando desde a Zona Sul
A alegria em meu peito flutua
A avenida é um imenso mar azul
Na batalha triunfal (triunfal, triunfal)
Vim ganhar o carnaval (carnaval, carnaval)
Galeões e caravelas
Dizem nas velas: "Rio, vou te conquistar"
(Se a canoa não virar)
A paz se veste em poesia
Feliz vou desembarcar
Do cais eu vejo a estrela-guia
Apoteose vamos festejar

Raiou o dia
Hoje tem festa no mar
  (bis)
No delírio dessa onda
Vem comigo balançar

 

1995

ENREDO: O que é, o que é, que não é, mas será?
COMPOSITOR(ES): Helinho 107, Cláudio Filé, Vaguinho e Leonardo Alegria

Da crítica eu fiz o meu caminho
Alertei e encantei
Zona Sul é São Clemente
De estilo irreverente
Vem cantar e sambar
Brasil (meu Brasil)
Com saúde pra dar e vender
De justiça e moral posso crer
Num país mais querido
Democracia e igualdade
Sinto que a felicidade
Está em nossos corações

Entra nessa onda (meu povo)
De amor
  (bis)
Com verde e amarelo
Na alma eu vou

Brasil "pé no chão"
Que vibra com a nossa seleção
Mostra sua força ao mundo inteiro
É o orgulho brasileiro
Na luta por um novo amanhã
E... essa gente guerreira
Otimista e festeira
Que sincretiza a fé e os Orixás
Tece em sua rede a confiança
Nunca perde a esperança
Em ver a sua vida melhorar

Amor, me leva
Me leva que eu quero amar
  (bis)
Um país bem diferente
Hoje mostra a São Clemente
Fazendo o meu povo delirar

 

1994

ENREDO: Onde vai a corda vai a caçamba ou uma andorinha só não faz verão
COMPOSITOR(ES): Dedeco, Cesar Neguinho e Buda

Hoje o meu Brasil está em festa
A hora é esta, oi
Vamos todos cantar
Vamos lá rapaziada, meu amigo e camarada
E ao nosso jeito vamos juntos caminhar
Vai ser difícil conseguir nos separar

Unidos companheiros
Vamos dar as mãos
  (bis)
Que uma andorinha só não faz verão
Sai pra lá bicho malandro que eu sou cara-pintada
Fomos às luta e ganhamos a parada

Brilhou o sol da liberdade
No infinito uma estrela anunciou
Que o povo unido jamais será vencido
Em sintonia um grito forte ecoou
Quero ver o mundo contente a sorrir
Fazendo a festa hoje na Sapucaí

Aonde vai a corda vai a caçamba
A São Clemente traz a paz, o amor e o samba
  (bis)

 

1993

ENREDO: O pão nosso de cada dia
COMPOSITOR(ES): Helinho 107, Chocolate, Ricardo, Ronaldo e Maurício

Clareou e o padeiro chegou
Anunciando que o pãozinho tá quentinho
Prepara mesa meu amor
Receba com alegria, o pão nosso de cada dia
Quando o imigrante italiano, ao nosso povo incentivou
O consumo do pão no Brasil
A panificação se expandiu

Tem pão de ló, tem pão francês
Mas o que vale é o bolso do freguês
  (bis)

No pão de açúcar me inspiro me encanto
Recanto de belezas naturais
No café, no almoço ou no jantar
O pão vem comprovar seu paladar
A gostosa rabanada sempre foi a preferida do natal
O pão suíço é saboroso mais eu vou de integral
Pra ficar um pão no carnaval

Prepare a festa e bote o forno pra aquecer
São Clemente traz a massa embalada na folia
  (bis)
Que contagiou você

 

1992

ENREDO: E o salário ó
COMPOSITOR(ES): Chocolate, Helinho 107, Maurício, Ricardo e Ronaldo

São Clemente... através do carnaval
Traz uma mensagem na avenida
Que transformamos em salas de aula
Cobrando urgente a solução
Para o problema da educação
A professorinha de outrora
Que permanece em nossa memória
As velhas sabatinas do colégio
Relíquias do antigo magistério
Hoje... Tudo está tão diferente
O ensino em decadência
Enriquece muita gente

Que absurdo com salário tão minguado
O nosso professorado é maior abandonado
  (bis)

Estou em greve vou gritar
A boca no mundo (vou botar!)
Professor insatisfeito
Luta pelo seu direito de ganhar pra lecionar
Mas ainda resta a esperança
De educar nossas crianças
Desperta meu Brasil é hora de união
Salvem a "educação"

Que saudade da escolinha da vovó
Terminei a faculdade "E o salário ó"
  (bis)

 

1991

ENREDO: Já vi este filme
COMPOSITOR(ES): Manoelzinho Poeta, Jorge Moreira, Severo, Jorge Melodia e Haroldo Pereira

Avancei no tempo
O mundo parou, acabou
Carnaval festa profana
Satã é o imperador Clementius do espaço sideral
Criou a terra, céu e o mar
Do clementônio fez o homem
Que a mulher originou
A longo prazo tudo se modificou
E assim viu que tudo dava certo
Desceu para ver de perto toda sua criação
Com 13 naves invadiu nosso torrão

Viu muito bumbum de fora
A missa rezou
  (bis)
Trouxe os saturnafrincanos
E os escravizou

Na evolução do tempo
Veio a voz da liberdade
Com a corda no pescoço
Se calou sem piedade
Clementius que não é bobo
Vendo o mundo diferente
Sem querer ser comandado,
tinha um plano traçado
Elegeu-se presidente
Passaram os anos foi aberta a exceção
Diretamente para as urnas o povão
Cansado, confiscado, sem saber o que fazer
Vendo Clementius novamente no poder

É brincadeira,
quá, quá, quá
  (bis)
Pau Brasil que nasce torto
Sempre torto vai ficar

 

1990

ENREDO: E o samba sambou
COMPOSITOR(ES): Helinho 107, Mais Velho, Chocolate e Nino

Vejam só!
O jeito que o samba ficou... e sambou
Nosso povão ficou fora da jogada
Nem lugar na arquibancada
Ele tem mais pra ficar,
Abram espaço nesta pista
E por favor não insistam
Em saber quem vem aí,
O mestre-sala foi parar em outra escola
Carregado por cartolas
Do poder de quem dá mais
E o puxador vendeu seu passe novamente
Quem diria, minha gente
Vejam o que o dinheiro faz

É fantástico!
Virou Hollywood isso aqui (isso aqui)
  (bis)
Luzes, câmeras e som
Mil artistas na Sapucaí

Mas o show tem que continuar
E muita gente ainda pode faturar
"Rambo-sitores", mente artificial
Hoje o samba é dirigido com sabor comercial
Carnavalescos e destaques vaidosos
Dirigentes poderosos criam tanta confusão
E o samba vai perdendo a tradição
Que saudade
Da Praça Onze e dos grandes carnavais
Antigo reduto de bambas,
Onde todos curtiram o verdadeiro samba

 

1989

ENREDO: Made in Brazil. Yes, nós temos banana
COMPOSITOR(ES): João Carlos Grilo, Ricardo Goes, Ronaldo Soares e Sérgio Fernandes

Já é hora, oi
Do gigante adormecido despertar (despertar)
Do jeito que a coisa anda
Não pode continuar
A serra que é pelada até no nome, oi
Pelada há muito está

Quero é saber de todo ouro
Onde está nosso "tesouro"
Onde estará?
Quero é saber de todo ouro
Onde está nosso "tesouro"
O tesouro onde estará?

Parece brincadeira mas não é (mas não é)
O dólar valorizado
O coitado do Cruzado
Não pode se envolver na transação
O aço volta manufaturado
Jacaré vira sapato
Lembrando até piada de salão
Exportam até nossa gasolina
Por quantia pequenina
E também nosso melhor café
Os craques se mandando de montão
Já está faltando craque
Pra jogar na nossa seleção

Eu choro, eu grito
E falo porque amo meu país (meu país)
  (bis)
Só não podem exportar
A esperança desse povo ser feliz

 

1988

ENREDO: Quem avisa amigo é
COMPOSITOR(ES): Izaias de Paula, Helinho 107 e Chocolate

Desponta na avenida "nova mente"
Mais uma vez vou cantar com altivez
Ora! Tenha a santa paciência
Por que tanta violência
Nosso mundo está sofrendo
A fauna e a flora em extinção
Ainda temos esperança
De encontrar a solução
Nosso índio perde e terra
E é massacrado

Negro sofreu com a escravidão
Sonhava chegar o dia da libertação
  (bis)

(Oh! Mulher...)
Mulher... Lute pelos seus direitos
O tabu da virgindade
Já foi desfeito
Crianças encantadas com "He-Man"
O Nordeste tão sofrido e sem amparo
Cidade grande, a polícia e o ladrão
Se defendem contra o monstro da inflação

(Liberdade...)
Liberdade
Quero mudar o meu canal pra outro mundo
Onde não existe guerra
Nem tampouco marajás
E a paz se faz reinar

Se essa onda pega
Vá pegar em outro lugar
  (bis)
"Quem avisa amigo é"
São Clemente vai passar

 

1987

ENREDO: Capitães de Asfalto
COMPOSITOR(ES): Izaias de Paula, Jorge Moreira e Manuelzinho Poeta

Pequenino triste feito um cão sem dono
Tão cansado de viver e sofrer
Por aí perambulando, não teve sorte,
Seu berço não foi de ouro,
Seu pai não teve tesouro
É triste sua vida a vagar

Seu moço dê-me um trocado
Eu quero comer um pão
  (bis)
Sou menor abandonado
Neste mundo de ilusão

Enquanto o filho do papai rico
Desfruta o bom e o bonito
Do dinheiro que o pai tem
Lá vai o menino pobrezinho
Que acorda bem cedinho
Pra vender bala no trem
Muitas vezes é abandonado
Sendo bem ou maltratado
Na chamada FUNABEM
Alô Brasil
Felicidade nunca existiu no SAM
Se hoje ele é mal orientado
Será marginalizado
Nas manchetes de amanhã

A São Clemente
Lembrou do seu existir
  (bis)
Somos capitães de asfalto
Na Sapucaí

 

1986

ENREDO: Muita Saúva, pouca saúde, os males do Brasil são
COMPOSITOR(ES): Helinho 107, Mais Velho e Nino

Desperta Brasil
Desse coma entre vorazes tubarões
Vindo por terra ou por mares
Poluindo nosso ares, explorando nosso chão
Impondo ordens em receitas estrangeiras
No acoito das saúvas brasileiras
De Norte a Sul "Brasil-Invest" por aí
E outros males como FMI
Mate a saúva antes dela te matar
O peso é muito para um morto carregar
Pouca saúde, pouca grana pra gastar
Oh! Seu ministro onde a coisa vai parar?
Oh! Que tristeza, a realidade brasileira
A malária que era só do Norte
No Sudeste chegou forte, correu a nação inteira
O arlequim ficou biruta e ri à toa
Da Colombina tão bonita e tão sacana
Dona de um banco de sangue tão bacana
Que deixou o Pierrô descascando uma banana

Fila pra lá, fila pra cá
Pra marcar a hora certa do defunto desfilar
  (bis)

(Mas que saudade...)
Mas que saudade
Dos tempos idos que não voltam mais
Vovó quando doente era curada
Com elixir, biotônico e outros chás
Jeca Tatu tão doente e explorado
Espera a salvação chegar
Mais a diligência da saúde
Vem puxada por saúvas
Que a nova república deu fim... no Delfim

Ai de mim
É AIDS sim!
  (bis)
Paetês e silicones desfilando por aí
E os meus direitos humanos
A São Clemente cobre na Sapucaí

 

1985

ENREDO: Quem casa quer casa
COMPOSITOR(ES): Rodrigo, Izaías de Paulo e Helinho 107

Nasci com a nobreza
Na pobreza me criei
Andei, andei (mas eu andei)
Aqui cheguei
Hoje mostro na Avenida
Quem foge nesta vida de aluguel
Trago chave de cadeia
E os prazeres de motel

Quem casa quer casa
Eu não tenho onde morar
  (bis)
Vou viver como índio
Até melhorar

(A natureza)
A natureza
Mostrou ao homem como a vida é
Caranguejo em casa de peixe
Só tem a sua, de acordo com a maré
No reino da bicharada
Salve-se quem puder
O forte ganha no grito
O fraco leva no bico
O negócio é se arrumar
E nessa vida de toca em toca
O rato se maloca pra poder rato criar

(Ai, ai, meu Deus)
Ai, ai, meu Deus
Guarde uma casa pra mim no céu
Veja nesta terra tudo é forma de aluguel
O meu salário é uma cascata
Eu não vou poder pagar

Vou arranjar um amor cigano
A gente faz casa de pano
  (bis)
Ainda pode aumentar

 

1984

ENREDO: Não corra, não mate, não morra - O diabo está solto no asfalto
COMPOSITOR(ES): Rodrigo e Geraldão

Neste dia de festa
Eu mostro o que resta
E aconteceu...
Trânsito maior realidade
Manchete sempre deu
E quem não tem reza forte
Procure melhor sorte
Conselho meu
Zeca Passista, ilustre nesta história
Perdeu sua memória
Quase morreu ( sonha ..sonhou...)

Sonha , sonha , sonhou...delirou
seu anjo da vida transformou
Placa de trânsito virou alegoria
Fumaça a cores fantasia
Som de motor virou tambor
O Zeca ainda inconsciente
De passista a presidente
Diretor de harmonia
Chamou seu guarda de tenente
Comandou a sua gente
Dirigiu a bateria

O sinal tá verde
Deixa o diabo solto
  (bis)
No asfalto d'avenida
Amarelo é nossa vida
O vermelho é pra parar

Não corra , não mate, não morra
Conserte esta zorra
São Clemente vai passar

 

1983

ENREDO: Criação da noite
COMPOSITOR(ES): João Carlos Grilo, Serginho e Chocolate

Mergulhei, no mar da imaginação
Procurei...
Se encontrei, se encontrei não sei
De mares nunca dantes navegados
Veio o branco navegador
Ao deparar com a bela índia
Por ela logo se apaixonou (ôôô)
Uiara... Linda como as flores
Tinha o sol, tinha natureza-dia
Mas era noite que ela queria
Noite... Como será? (como será)
Noite... Onde buscar?
Será...
No caroço da fruta vou encontrar?
Será... Com a onça preta estará?

Ou o marinheiro vai trazer de além-mar?

De solo africano
O negro aqui desembarcou (desembarcou)
Trazendo em sua pele
A cor da noite e a noite na cor
Apesar de sofrimento e dor
Com sua presença a terra prosperou
Entre tantas coisas lindas
Essa festa colorida
Ele encantou! (ôôô)

 

1982

ENREDO: As intocáveis tempestades de Dan
COMPOSITOR(ES): Wilson Magnata, Marino e Ivanildo

Olhando as 7 cores do arco-íris
Deixo voar a minha imaginação
Para uma lenda leve como a brisa
Que a São Clemente transformou canção
Dizem que uma moça muito linda
Que veio, um dia, escolhida ser
A grande dama das águas
A divindade da terra
E ter palácios no céu
Seu corpo tornou-se encanto
De mil pedras preciosas
Que se espalharam ao léu

Pega na ponta da cauda
Faz a serpente girar
  (bis)
Brinca na chuva
Deixa a água te banhar

Seduzidos por riquezas
Presos nos encantos seus
Muitos homens se perderam pela vida
No feitiço do seu véu
Não se livra da desgraça
Quem tocar com sua mão
Na poeira colorida
Semeada pela terra
Espalhada pelo chão
Vem depressa seu castigo
De repente transformada
Em pedrinha de carvão

Ela é a mãe do ouro
Ela é Dan-Dangbé
  (bis)
Ela é dona dos tesouros
Espalhados pelo mundo
Ela é Oxum-maré

 

1981

ENREDO: Assim dança o Brasil
COMPOSITOR(ES): Dario Marciano, Lorival Boa Memória e João Carlos Grilo

Em síntese apresentamos
Danças tradicionais
Do folclore brasileiro
Neste carnaval
Assim dança o Brasil
Desde os tempos coloniais
A começar do exuberante Amazonas
Sentimos aplausos da dança da sucuri
E no Pará
Quem não conhece o boi bumbá
No nordeste tão falado
Das danças do quilombos
O coco e o xaxado
Que nos faz lembrar
O cangaceiro Lampião e Maria Bonita
Que se tornaram tradição

Em Pernambuco
Vibramos com o frevo e o maracatu
Algo sublime conhecemos na Bahia
Candomblé e a capoeira
E a festa da lavagem do Bonfim

Caminhando um pouco mais
Chegamos a Minas Gerais
Aonde o calango
E a dança do mineiro pau
São tradicionais
E na região sul
Chimarrita e a quadrilha
São as danças principais
No centro -oeste
As danças serra moreninha
A rawana e outras mais
Laiá lá laiá laiá

Finalmente
Chegamos ao Rio de Janeiro
  (bis)
Capital
Do samba brasileiro

 

1980

ENREDO: A doce ilusão do sambista
COMPOSITOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

A doce ilusão do sambista
São Clemente vem apresentar
Convidando o povo a cantar

Nessa festa colorida
De luxúria e prazer
  (bis)
O sambista vem mostrar
A razão do seu viver

Na passarela da vida
Entre risos e lágrimas
Seu coração palpita
A galera se agita
E começa a cantar
Olê olá
Sobre chuva de confetes e serpentinas
Cercado de pierrôs e colombinas
Oh! Quanta alegria
Salve o soberano da folia

Mas quarta feira chegou só restou
Saudade e contas a pagar
  (bis)
E a fantasia de rei (de rei)
Foi o que ficou para lembrar

 

1979

ENREDO: Louvação às três rainhas
COMPOSITOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e Izaías de Paula

Lindo é o Rio de Janeiro
Reina quatro dias o carnaval
E o artista imaginou
Um tema genial
Começando pela rosa flor
Do jardim florido a preferida
Com seu perfume embriagador
É a inspiração da minha vida

Vai o barco navegando
Com oferenda pelo mar
  (bis)
São singelas homenagens
Nos caminhos de Iemanjá

Dora rainha do frevo e do maracatu
ninguém requebra nem bole
Melhor do que tu

Ginga ginga ginga ginga
Quero ver você gingar
  (bis)
No balanço do meu samba
Até o dia clarear

 

1978

ENREDO: Apoteose ao teatro de revista
COMPOSITOR(ES): Chocolate

Carnaval
És um palco iluminado
Onde o teatro de revista
Vem reviver suas glórias
Panorama belo
Entre bambas da comédia
Oscarito e Grande Otelo

Plumas paetês balangandãs
Num festival de vedetes
  (bis)
Aplaudidas pelos fãs

Rufam os tambores
Agita-se o pano vermelho
Favela dos meus amores
Malandrinhos lavadeiras
E as mulatas faceiras
É o teatro popular
Que a São Clemente se orgulha em mostrar
Walter Pinto
Carlos Machado e outros mais
Virginia Lane resplandece em cartaz
Carmem Miranda grande estilista
Que levou ao estrangeiro
Nosso teatro de revista

Manhã tão linda
Num céu de anil
  (bis)
Tudo é alegria
Canta canta meu Brasil

Lá laia laia laia laia
Laia laia laia laia
Laia laia laia

 

1977

ENREDO: Acredite se quiser
COMPOSITOR(ES): Chocolate, Zé Prego e Siri

Num lindo sonho de menino
Cansado da monotonia
Um jovem príncipe
Num mundo de fantasia
Partiu pro céu
Em seu cavalo voador

Aconselhado pela estrela Dalva
Coberta de luz e fulgor
Ele para a terra retornou

E encontrou
Encontrou um bosque encantado
Num festival de cores
Ornamentado pela estação das flores

Surgiu então
O engraçado saci pererê
Canta canta uirapuru
Que até o lobisomem vira pra te ver

Mas o momento culminante
Foi quando o mamão
Numa noite de raro esplendor
Com a melancia se casou
Belas sereias...
Belas sereias entoavam
Canto de fascinação

E teve início a grande festa
No castelo da floresta
Repleto de doce ilusão

 

1976

ENREDO: Recife, nosso amor distante
COMPOSITOR(ES): Sidney da Conceição, Natal e Ouvidio

Pernambuco
Oh terra de mil tradições
De violeiro e sanfoneiros
Reino das lindas canções
E a brisa como criança
Brinca nas folhas do coqueiral
Na dança mansa
Dos seus palmeirais
Seus poetas
Lhe vestem poesia
Sua gente vem pra rua
Pra cantar com alegria
Pandeiros e fitas

Dona Santa tão bonita
Leva o povo no cantar
  (bis)
É o frevo boli bolacho
Que acabou de chegar

Recife nosso amor distante
De beleza tão constante
Que se faz em samba
E a São Clemente apresenta
Com seu rosário de bamba

Maracatu senhor
Maracatu sinhá
  (bis)
Roda minha gente
Vamos todos dançar

 

1975

ENREDO: Quem quebrou meu violão - Taí, Taí Tra-lá-lá
COMPOSITOR(ES): Boca Rica, Wanderley Caramba, Risada e Jorge Canário

Entre confetes e serpentinas
Viemos exaltar
Três expoentes
Da nossa canção popular

Quem quebrou meu violão
Taí  taí tra lá lá

Relembrando o tabuleiro da baiana
A velha Lapa das boemias e canções
  (bis)
Cabaré de gente bamba
Chico viola quantas recordações

Abre a janela
Oh! Minha amada
Cantava o seresteiro
Em noites enluaradas

Foi ela oi
Foi ela
Foi ela que se consagrou
No exterior
Como nosso samba
É isso aí Carmem Miranda
E o Lamartine
Com o seu tra lá lá
Pierrots arlequins e colombinas
Pelas ruas a cantar

Linda morena, morena
Morena sem igual
  (bis)
És a rainha do meu carnaval

 

1974

ENREDO: Sonhos fascinantes de um jovem adolescente
COMPOSITOR(ES): Ouvídio e Filinho

Lá vem a São Clemente na avenida
Cantando sonhos fascinantes
Onde um jovem
De coisas lindas se encantou
Em Vila Rica
Amigo de Chico Rey se tornou
E não saiu de sua mente
Aquele baile que a preta velha o levou

Que beleza
Que esplendor
  (bis)
O minueto com sinhazinha ele dançou

Foi quando surgiu o saci pererê
Negrinho engraçado
Traquino e arteiro
Jurema linda guerreira ele conquistou
Nas matas da Amazônia
Quando lá passou
E na lagoa do Abaeté
Se arrepiou
Como as magias sobrenaturais

Ele viu
Iemanjá
Ele viu a sereia cantar

Quando ele acordou
Tudo era lindo
  (bis)
E a alegria era geral
Uma pomba branca anunciava
A paz universal

 

1973

ENREDO: Momentos inesquecíveis de Itapagipe
COMPOSITOR(ES): Sidney da Conceição e Natal

No bairro do Itapagipe
Eram montados os arraias
Palanques engalanados e barraquinhas
Com comidas regionais
É tão bonito de se ver
Os fiéis em romaria
Baianas todas de branco
Lavando a escadaria

Cantos ranchos e desafios
Capoeira e berimbau
E no largo da Ribeira
Fabuloso carnaval

Tão sublime
Recordar em poesia
E cantar na passarela
As coisa da velha Bahia

Vindo a pé ou de saveiro
Gente de todo lugar
Que beleza é ver o povo

 

1972

ENREDO: Danças de um povo livre
COMPOSITOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

Já se ouve ao longe
Os tambores a rufar
Lá vem, lá vem as congadas
Vamos festejar
Sinhazinha esta na hora
Venha logo se arrumar
A fogueira esta armada
Nosso rei já vai chegar
Menina ajeite a fita
Abre a roda e vem dançar

Kenguerê, kenguerê
Olha o congo do mar
Gira gira calunga
Na nuvem lá

O soberano tão contente
Acabava de chegar
E acenando o seu bordão
Cantava com emoção

Sou rei do Congo
Quero brincar
Cheguei agora
De portugá

 

1971

ENREDO: O beijo de três saudades
COMPOSITOR(ES): Ivo da Rocha Gomes e João Carlos Grilo

São Clemente vem cheia de glória
E empolgação
Apresentando como tema
A história da miscigenação
Índios guerreiros
Cuja a terra habitavam
Não deixaram se escravizar
Por portugueses que aqui chegavam
E que nossa terra queriam colonizar
Tiveram que trazer da África
Negros para trabalhar

Ô – ô – ô
Das senzalas vinham lamentos de dor
Negros humilhados e maltratados
Pela chibata do senhor

índios brancos e negros
Formam a nossa raça
Com orgulho e felicidade
Exaltamos o beijo de três saudades

 

1970

ENREDO: Histórias fantásticas
COMPOSITOR(ES): Dario Marciano e Lorival Boa Memória

Histórias fantásticas
É o tema que vamos apresentar

Na Amazônia entre as verdes matas
E o murmúrio das cascatas
Alguém nos falou
A história do sapo aru
E sobre o canto inconfundível do uirapuru
Pássaro de pequeno porte
Quem consegue apanhá-lo
Dizem traz muita sorte

Ê – ê – ê
Dentro do roda moinho

Vem o saci pererê
Neguinho do pastoreio
Menino escravo
De um avarento estancieiro
Por deixar o cavalo fugir
Foi açoitado
E jogado ao formigueiro

Lá lá lara
Lá lá lara
Lá lá lara

 

1969

ENREDO: Assim dança o Brasil
COMPOSITOR(ES): Dario Marciano, Lorival Boa Memória e João Carlos Grilo

Em síntese apresentamos
Danças tradicionais
Do folclore brasileiro
Neste carnaval
Assim dança o Brasil
Desde os tempos coloniais
A começar do exuberante Amazonas
Sentimos aplausos da dança da sucuri
E no Pará
Quem não conhece o boi bumbá
No nordeste tão falado
Das danças do quilombos
O coco e o xaxado
Que nos faz lembrar
O cangaceiro Lampião e Maria Bonita
Que se tornaram tradição

Em Pernambuco
Vibramos com o frevo e o maracatu
Algo sublime conhecemos na Bahia
Candomblé e a capoeira
E a festa da lavagem do Bonfim

Caminhando um pouco mais
Chegamos a Minas Gerais
Aonde o calango
E a dança do mineiro pau
São tradicionais
E na região sul
Chimarrita e a quadrilha
São as danças principais
No centro -oeste
As danças serra moreninha
A rawana e outras mais
Laiá lá laiá laiá

Finalmente
Chegamos ao Rio de Janeiro
Capital
Do samba brasileiro

 

1968

ENREDO: Apoteose à cultura nacional
COMPOSITOR(ES): Chocolate

D. Pedro II
Foi quem incentivou
Dando impulso magistral
A cultura imperial
Grandes nomes
Cobertos de glórias
Passaram para os anais
Da nossa história
Recordar...
E o nosso sublime ideal
Ladislau Neto foi
No campo da ciência
Grande pesquisador
E na pintura
Com suas obras de grande esplendor
Pedro Ernesto
Se imortalizou
Imprensa águia de Haia
Rui Barbosa
Deixou muitas saudades
Pelo seu valor
Salve o magnífico
Machado de Assis
Figura principal da nossa literatura
Exuberante como cronista
Entretanto foi o melhor romancista
Neste cenário multicor
Relembramos grandes histórias
Que através do tempo nos legou

 

1967

ENREDO: Festas e tradições populares do Brasil
COMPOSITOR(ES): Paulo Granada, Leônidas de Araújo, Barata e Chocolate

Glória ao poeta que um dia
Escreveu ... Obras tão belas
Que apresentamos hoje nesta passarela
Dizia como era festejado o ano bom
Ninguém dormia
Nos palacetes grandes bailes
A luz dos castiçais
Atendidos por elegantes serviçais
Com presentes desejava a todo o povo
Boas saídas, feliz ano novo
E ao nordeste do Brasil
No pequenino Sergipe
Numa festa de colorido sutil
Homenageavam São Benedito
E sempre a festejar
Já no Rio de Janeiro
A irmandade do rei Baltazar
Coroava o rei negro
Quando apareceu nesta cidade o carnaval
Era animado pela banda marcial
Dominós, arlequins e pierrôs
Que encantavam a família imperial
Eh, eh, eh, eh, boi
Ia o carro pela estrada cantando feliz
Levando o noivo pra o casório na matriz
Numa tradição que é só nossa
Como era lindo o casamento na roça
Eh, eh, eh, eh, boi
Foi na Bahia, que em dois de julho aconteceu
O general Labatout
A tirania combateu e venceu
Representando a vitória
Do povo sobre a opressão
Paraguassu vinha trazendo
Sob os seus pés feroz dragão
A cidade amanhecia engalanada
Num colorido febril
Para comemorar com alegria
A independência do Brasil

E ao final cantava
Já raiou a liberdade

 

1966

ENREDO: Apoteose ao Folclore Brasileiro
COMPOSITOR(ES): Carlos Correa Lopes e Robertinho Devagar

Brasil
O artista brasileiro
Idealizou esta apoteose
No teu folclore, no Rio de Janeiro
Onde o carnaval
Será o cenário desta linda tela
A nossa coreografia
Arte inicial desta aquarela
Imaginando
Na paulicéia dos saudosos bandeirantes
Os seresteiros exaltando aparição alucinante
Do lendário saci pererê
Com seus poderes sobrenaturais
Amedrontando os dançarinos
Nos fandangos de Minas Gerais
Que recordam os negros
Ornamentando a natureza
Na pescaria do xaréu
Que simboliza a típica beleza
Das baianas que dançam
Com grande alegria

Pra rainha Iemanjá
Nas noites de Luanda na Bahia

Como é bonito
Os nordestinos dançando frevo com alucinação
No Recife onde o maracatu
Relembra em outra região
Os caboclos se exibindo
No formoso boi bumba
Anunciando a cobra grande do Amazonas
Eterna guardiã do rio mar
Que é lendário até o outro extremo
Onde o negrinho do pastoreio
Surge com o seu poder supremo
Cavalgando sobre a lua
Nessa imensidão azul
Espantando os animais
Enfeitiçando o Rio Grande do Sul

Lará – lará – lará – lará – lará – lará – lará
Lará – lará – lará – lará – lará – lará – lará

 

1965

ENREDO: Relíquias e Memórias do Rio
COMPOSITOR(ES): Adilton Luz, Zezinho e Walter

Tendo como artística moldura
A majestosa baía da Guanabara
Aqui foi fundada
A cidade de São Sebastião
Quatro séculos de glória
Transformando sua história
Na mais bela desta nação
Nem mesmo o tempo
E o progresso atual
Nos fizeram esquecer
Este passado original
Passado que nos conduz aos quiosques
E dali ...
Observar os diferentes pregoeiros
E o pisar provocante
Das mulatas faceiras
Evitando medrosos valentões capoeiras
Sentir nas noites sombrias
A pálida luz dos lampiões a gás
E ver os lindos chafarizes
E o Zé Pereira nos primeiros carnavais
Ver circular o primeiro bondinho
E o primeiro automóvel no Brasil
Transpor o portão do Passeio Público
E deslumbrar a beleza sem fim
As grandes obras do imortal mestre Valentim
Prevenir toda a beleza de outrora
Nas relíquias do Rio

Cidade padrão
Memórias do Rio
Hoje quatrocentão

La-raia, la-raia
La-raia, la-raia
La-raia, la-raia
La-raia, la-raia

 

1964

ENREDO: Rio dos Vices Reis
COMPOSITOR(ES): Adilton Luz, Zezinho e Walter

Rio cidade cuja beleza
Tantos puderam contar
Tens presente a natureza
Cuidadosa e maternal
Eternamente a te enfeitar
Sempre bela e majestosa
Mesmo quando ainda era
Da colônia a capital
O céu, a terra e o mar
Que outrora inspirou poetas
Por mais de uma vez
Foi talvez a inspiração
Que tornou o nosso Rio de Janeiro
Em capital dos vices-rei
Contrastando a natureza
De alegre e belas matizes
Não era bonita a cidade
Que abrigava sem conforto
O povoado infeliz
Mas de bela muito existia
Os seus costumes e tradições populares
Bota bicos a carruagem
As cadeirinhas e os pregões
Também lembramos os seus rituais
E as festas que eram tradicionais
O divino imperador as cavalhadas
Serração do velho e as congadas
Entretanto nesta época
Nossa cidade evoluiu
Além de belos chafarizes
Obras de vulto então se construiu
E no crescente natural
Tornou-se a sala de visita do Brasil

 

1963

ENREDO: Rio de Antanho
COMPOSITOR(ES): Carlos Correa Lopes e Robertinho Devagar

Rio de Janeiro
Obra prima descendente da nobreza
Oh como é belo recordar
Os tempos remotos depois de Estácio de Sá
Rio das mucamas faceiras
Formosas sinhazinhas
Fidalgos, pregoeiros e liteiras

Rio dos lampiões a gás
Das carruagens dos boêmios
Que não voltaram jamais

Rio és recordação
O morro do Castelo
Os logradouros públicos
O vintém e o tostão
Antigamente ornamentavam
O teu encantamento
Os lindos chafarizes
E o sacro mosteiro de São Bento
Cidade maravilhosa
Foste musa dos poetas

Relíquias de encantos mil
Orgulho do Brasil

 

1962

ENREDO: Riquezas do Brasil
COMPOSITOR(ES): Carlos Correa Lopes

Historiando
A geografia deste pais altaneiro
Lembrai das fontes de riquezas
Tesouro do rincão brasileiro
E a pujança verdejante
De vegetação naturais
Rico de pedras preciosas
Matéria prima do meu Brasil
Orgulho da natureza
Gigante de riquezas mil
Brasil és uma glória na produção
Do ferro, borracha e algodão
Agora a nova fonte de riqueza
É o ouro negro
Relíquia da tua grandeza
A principal é o café
Pois cresce exuberante
Na terra roxa fertilizante
Tudo que se planta
Nasce com valor
O milagre industrial
É mais uma página
Da história nacional

SÃO CLEMENTE

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