ARRANCO

SAMBAS-ENREDOS

2007

ENREDO: A sinfonia brasileira das quatro estações
COMPOSITOR(ES): Carlinhos Maciel, Marcelo Poesia, Jairo do Recreio, Zilmar Conde

Bravo Arranco!
Na passarela, o concerto é poesia
A batuta brasileira rege em aquarela a sinfonia
Desenha no arranjo a consciência
O tom da natureza risca notas musicais
Pinta harmonia com um traço
Mescla tinta no compasso
Colorindo as quatro estações
Faz da partitura uma pintura
Do coro um recital de emoções

Brisa dança no quintal aos olhos seus
Fruta madura do pomar aos lábios meus  (bis)
Sabiá, o lamento ecoou... Outono amarelou...
As folhas secas o vento levou...

Na ilusão o firmamento é bordado
Paetês de prata... São estrelas lá do céu
O inverno invade a alma e o ar gelado
Se perde junto à fogueirinha de papel
Brota um buquê, é primavera
A vida se transforma num jardim
Pássaros e borboletas bailam no doce perfume
Orvalho é o pranto de uma linda flor
Clamando ao mundo a paz e o amor!

Fim de tarde, raio e trovão
A chuva passa, reacende a sedução (bis)
É verão... ! O sol abraça o mar azul
Explode em alegria o país de norte à sul
 

 

2006

ENREDO: Guelédés, o retrato da alma
COMPOSITOR(ES): Sylvio Paulo, Juan Espanhol, Fernando, Bola e Bira Só Pagode

E foi-se a luz: trevas, raios, bruxarias ...
E foi-se a paz: pesadelos e agonia ...
E desde então, os Orixás,
Ou aliados ou rivais,
Formam correntes de paixão
Nos Rituais...
Aí eu personalizei
O Bem, o Mal de cada Ser
Que eu ajudei a definir
Sem escolher...

Mascarei a Liberdade
E pintei poder e fé  (bis)
Semeei desigualdade
Sob o olhar de Eleié

Assim, na Grécia filosofei...
Em Roma eu conquistei...
Lá no Egito fui Rei...
Vesti Ali Babá, fui ladrão...
Já fui Gueixa no Japão...
No Nordeste Lampião...
Mas, não me leve a mal,
Hoje sou Poeta, é Carnaval...

Sou a Alma, sou a cara
Sou o retrato  (bis)
Que retrata o que na Alma
Eu sou de fato!

 

2005

ENREDO: Quem vai querer???
COMPOSiTOR(ES): Juan Espanhol, Sylvio Paulo e Jarbas da Cuíca

Chegou o carnaval
Sou liberdade nesta avenida
Meu canto é o grande astral
Desmascarando a própria vida
Na dança me embalei
A contradança é a magia
E no avesso que criei
Você pode ser o rei desta folia!

Vem, vem me querer ...
Eu acendi a luz da sedução  (bis)
Quem, quem vai querer
Ser mais um elo na corrente da ilusão ?

A terra não deixou matar a flor
O índio conquistou a caravela
Ai, amor, amor
Vem ser a dama da noite mais bela !
O craque vende o cartola
O réu condena o juiz
A mulata deita e rola
Na inversão do meu país

Enquanto há samba
A festa continua  (bis)
Canta meu povo
Que a avenida é sua

 

2004

ENREDO: Maria Augusta, o sonho nas estrelas
COMPOSiTOR(ES): Bira só pagode, Tuil Pontes, Lula e Gutinho

Vem, ver meu amor
O arco-íris que encanta essa cidade
Oh! Quanta magia, que felicidade
Subindo o morro "Chico Rei" lhe abençoou
Estrela mística...
Na mente um sonho de artista
Estava escrito seu destino em alto-astral
Sua vida é brilhar no carnaval

Odoiá, oh! minha mãe Iemanjá
Ilumine nossos caminhos
  (bis)
Faça o sonho se realizar

É bom, bonito e barato
Esse é o retrato do teu carnaval
Por onde passou deixou saudade
É chama que arde, lenda viva na folia
Colorindo a nossa fantasia
Gira meu mundo, deixa a sorte entrar...
Que o futuro, "o amanhã", "o que será"?
De azul e branco eu peço Axé
Quanta energia! Um exemplo de mulher

Arranco de dentro
Do meu coração
  (bis)
Mil versos de amor... canção!
"O sonho nas estrelas", um brilho divinal
Maria Augusta é o nosso carnaval

 

2003

ENREDO: Saravá! Negritude, saravá!
COMPOSiTOR(ES): Edsom Batista, Neguinho do Pagode e Silmar da Silva

Oh! mãe África
Terra de encanto e magia
Homem branco sem alma e coração
Dizimou a liberdade de um povo
Trazendo dor e sofrimento na linda Ilu Aye
E na senzala...
Um canto de lamento se ouvia
Negros na fé dos orixás
Buscavam Maleme aos seus castigos
De sinhôs impiedosos e cruéis
Que tanto lucravam com a escravidão

E no cativeiro
Pesadelo e agonia
  (bis)
Negro escravo suplicava
Pelo fim da covardia

Os costumes africanos
Deixaram traços tão marcantes no Brasil
Cultos, folclores e pinturas
E o batuque que encanta a passarela
De geração em geração
A arte negra é beleza tão singela

Tem jongo e capoeira
Tem Maculelê...
  (bis)
Vem comigo... Vem dançar
Vem pro Cateretê

 

2002

ENREDO: Feira de São Cristóvão, o Nordeste também é aqui!
COMPOSiTOR(ES): Jorge Touro, Barão e Luizinho

Eu sou do Nordeste
Cabra da peste, sim senhor
Sou filho do Ate, não se avexe
Sou nordestino, um sonhador
A seca assola a minha terra
Quase faz meu povo sucumbir
Sou um "arretirante"
Vou pra cidade grande
Mainha, eu volto
Mas, agora vou partir
Num pau de arara vou pro Rio de Janeiro
Peito cheio de esperança, de um dia prosperar
Oh, meu padim padre Ciço
Oh meu padroeiro vem me abençoar
Um pedacinho do Nordeste
Em São Cristóvão encontrei
Cordel, folclore e crenças
E a culinária de bom paladar
Doce lembrança, faz a vida adoçar
O repentista e o forró, a alegria está no ar
A saudade aperta, dá vontade de chorar
Não se apoquente, porque a gente
Pra semana volta a se encontrar
Tem cangaceiro no samba
Muié rendê, muié rendá
O Arranco traz a feira pra avenida
E com o nordestino vem sambar

 

2001

ENREDO: Oh! Que saudades que eu tenho
COMPOSiTOR(ES): Wandrey Dedeco, Jorge Vela, Carlinhos Maciel e Edson Batista

Oh! Saudade...
Vovó me embalou na ilusão
Sou magia, felicidade, doce sonho e recordação
Viajei na imaginação de um menino
As portas do meu circo inusitado
E fiz do circo o meu palácio encantado

O trapézio balançou... balançou
Na leveza de um guri... de um guri
  (bis)
Vi no olhar de um palhaço
Meu picadeiro refletir

Vou de encontro ao vento
Brinca o tempo e gira meu pião
Tem festança tem
Pé-de-moleque e algodão na mão
Meus devaneios na escuridão
Sou fonte de energia, sou paz, pureza então
A bruxa não me pega não
Heróis da fantasia, amigos de verdade
Me afastam do perigo e da maldade
Pulei e no céu cheguei
Corri na mata e o Sací não encontrei
Rodei e cirandei
Dei meia volta, com Emília já voltei

Bate bola, pique esconde
Um... dois... três...
  (bis)
Desfilando no Arranco
Sou criança outra vez

 

2000

ENREDO: Brasil, 500 anos em três raças
COMPOSiTOR(ES): Wandrey Dedeco, Jorge Vela e Edson Batista

Vai ecoar,
A alegria nos acordes da canção, da canção
De Norte a Sul do meu país
Reluz a mais sublime emoção
Meu Brasil moreno
De olhos verdes
Nossa mata ao mundo encantou
Em nossas matas verdejantes
Cada tribo fascinante
Trouxe a cultura que o povo consagrou
Branco, negro, índio vão curtindo
No carnaval são as três raças se unindo
Foi em Porto Seguro
Onde tudo começou
Seu Cabral desembarcou
E houve a 1ª missa
Oi Ilha de Vera Cruz
Oi Terra de Santa Cruz
Virou Brasil, oh meu Brasil...
Ecoou nos quatro cantos
Nossa pátria mãe gentil
Em seus 500 anos
Parabéns Brasil,
É a homenagem do Arranco
Nesse carnaval 2000

 

1998

ENREDO: A lenda do Aguapé, na tribo de Yacaré
COMPOSiTOR(ES): Tião Malandro, PC e Bira Só Pagode

Eu mergulhei em devaneio
Deixei me levar pela ilusão
Foi uma viagem fascinante
Flutuei na imaginação
E o Arranco desencanta essa história
De um povo migrante, guerreiro, remador...
Com suas pirogas
Saiam a navegar em busca de terras a explorar

Sobe o rio, io io
Sobe o rio, ia ia
  (bis)
Pra esquerda ou pra direita (amor)
Deixa a correnteza te levar

Assim...
Um paraíso se descortinou
Ao longe o gigante Monte Negro,
Misterioso, assustador...
As águas...
Refletiam uma paixão
Onde a linda índia se banhava
Yacaré deixou seu coração
Chegando a um destino
Fez aldeia e ansioso retornou
Levou a mestral do sol nascente
Tudo pelo seu amor,
Temendo o castigo pelo seu Deus
A virgem no Guaíba se atirou
E quando o chefe pulou para salvar
Repetia-se a lenda milenar

Lá no Rio Grande
Nasce a flor do Aguapé
  (bis)
Na rodada da baiana é que se vê
O vulto de um jacaré

 

1997

ENREDO: Chico Anysio, 50 anos de humor
COMPOSiTOR(ES): Ormindo, Juan Espanhol, Fernandinho, J. Comunidade e Nylson

Maranguape foi meu chão,
Sertão do meu querido Ceará...
Vim pro Rio ainda menino
Navegando nas ondas do mar...
Me encantei...
Ao ver tanta beleza me apaixonei!
Copacabana...
No "Rio Antigo" a poesia encontrei
Caminhei...
Vi que a arte imita a vida
E se a vida imita a arte
Esta arte eu imitei
Sem querer
Fui quem sou...
Foi o destino
Quem pro mundo me levou
Divulguei a voz e a imagem
E a cada personagem
Dei um clima tropical
Livros, melodias e pinturas
Criador e criaturas
Eu sou o "Chico Total"

50 anos vou compondo a história
E renovando a arte nacional
  (bis)
Filhos, amigos, futebol, vitória...
Hoje eu sou carnaval!

 

1996

ENREDO: Ser Brasil, ser brasileiro
COMPOSiTOR(ES): Nylson, Ormindo e J. Comunidade

Sobrevoando a passarela
Um lindo falcão apareceu
Protegido por cavalos alados
E o majestoso palco se acendeu
O aroma das flores no ar
Vem perfumar o meu cantar
Um grito ecoou nos quatro cantos
É a união de várias raças,
É arte, é cultura popular
Assim nessa aquarela de beleza tão sutil
Com singeleza e poesia
Meu canto é você Brasil...

Toca a bola, deita e rola
Canarinho tetra campeão (Campeão !)
  (bis)
Na terra do Tio Sam
O samba teve a consagração

Hoje tudo é festa, é folia
Neste momento todo mundo é igual...
O homem esqueceu o dia-a-dia
Se vestiu de alegria
Para brincar o carnaval
Vem, vem pra mim meu amor,
Vem do jeito que for
Vem ser a minha colombina
Eu sou o seu pierrô
É seu meu coração
Bailando neste mundo de ilusão

Eu vou me acabar
Sambar, pular a noite inteira
  (bis)
Sei que essa felicidade
Amanhã será saudade

 

1995

ENREDO: Ria... Se puder
COMPOSiTOR(ES): Elias, Serafim, Leoci, David e J. Alberto

Tudo começou a 22 de abril
Quando um navegante português
Perdeu-se no caminho para as índias
E descobriu
Este palco chamado Brasil
Ria-se puder aplausos que o show entrou no ar
Divulgando a piada
Costinha e Juca Chaves

Tem piadas, vai ter risos
Hoje na Sapucaí
  (bis)
Campeões em gargalhadas
Vem nos divertir

Ilustres personagens piadistas
Cada qual com seu estilo
Vem mostrar o seu valor
Tem piadas engraçadas
Outras que são mais pesadas
Com requinte de humor

O Juquinha na escola
A do padre quem já viu
  (bis)
Aquela dos marajás
E do salário que sumiu

 

1994

ENREDO: Sapucaia Oroca
COMPOSiTOR(ES): Marinho da Dina e Neguinho do Pagode

Reluziu
O luxo e a riqueza
Numa cidade
De fascínio e esplendor
Com seus palácios de ouro
De beleza colossal
Ruas enfeitadas de brilhantes
Mais cintilantes
Que as estrelas lá no céu
A lenda...
A lenda conta
Quem por lá passar
Ouvirá o galo cantar

Canta galo, galo canta
Faz ecoar
  (bis)
Canta galo, galo canta
Esta crença popular

Os índios...
Os índios desobedeceram
Tupã irado não perdoou
E a cidade de alagou
Feiticeiros com magia
Neste lugar
Faziam peixes em galhos brotar

Oh! Linda...
Linda princesa
Com cabelos de ouro
Que beleza é a nobreza
A encantar

A lenda fascinante
Está toda aí
  (bis)
É "Sapucaia Oroca"
Na Sapucaí

 

1993

ENREDO: Acredite, se quiser...
COMPOSiTOR(ES): Elias, Edimar, Davi, Zezé, Tião Malandro e Paulo Passaporte

Buscando uma resposta na ciência
Apesar da inteligência
O homem não consegue desvendar
Sua origem e seu destino
E se apega ao misticismo
Há energia em todo lugar
Nas pirâmides, no Egito
No espaço infinito
Na palma da minha mão
Um mistério fascinante
Envolvente a cada instante
Horus com cabeça de falcão

A cabala
Chave do ocultismo e saber
  (bis)
Astrologia
Minha cigana
O meu destino venha ler

Bruxa malvada
O seu feitiço não vai me pegar
Não pode me pegar
Já consultei o tarô
E com muita sorte posso desfilar
Círculo dos Anjos
I Ching, um jogo oriental
Duende gênio travesso, sobrenatural !
Atlântida um mundo esquecido
E outros mistérios atrás
Se eram deuses astronautas
Não saberemos jamais

Com perfume de alfazema
Acredite se quiser
  (bis)
Vou tirar todo quebranto
Pra vocês um grande axé

 

1992

ENREDO: Mandacaru, fruta-flor do querer
COMPOSiTOR(ES): Adil, Evandro Bocão e André Diniz

Deixei a minha mente vadiar
Na ilusão...
Vi o meu Nordeste renascendo
Mandacaru florescendo
No sertão
O proso caminhou
De riquezas germinou
E fez do solo um delírio tropical
"Violeiro-metaleiro" e "sanfona-eletrizante"
No Arranco hoje é carnaval

"Morte e vida Severina"
"Jubiabá"...
  (bis)
Pra ganhar Oscar de barro
Em festival no Ceará

Inspirados na transformação
Surgem artistas geniais
"Cangaceiro-astronauta"
Escultura que retrata
O povo em sua grande evolução
No esporte, no comércio e na indústria
Faz em tudo exportação...
Vai crescendo dia a dia
O Nordeste quem diria
É potência da nação

Tem robô que tece rendas
Pra rendeira namorar
  (bis)
Tem boates, tem cassinos
Mil letreiros reluzindo
Você pode acreditar

 

1991

ENREDO: Barracão, pregos, panos e paetês
COMPOSiTOR(ES): Capelo, Marcus do Cavaco e Edimar

Abro a cortina deste palco de ilusão
Reino da magia e da imaginação
Canto, comigo todo povo canta
E uma festa se levanta
Deste enredo que encanta
É prego, é pano, é paetê
Tudo começa pela mão do artesão
(No barracão)
Carpinteiro, serralheiro, escultor e vidraceiro
Trabalhando em mutirão

As costureiras, bordadeiras
Verdadeiras operárias da folia
Viverão lindas baianas, belas damas
Exibindo a fantasia
E já se tem a visão
Da total dimensão
Da futura alegria
Ver a escola passar
É se gratificar, é ser rei por um dia
E, do sonho a realidade
Quanta dificuldade
Para se superar
Mais força de vontade
É arma na verdade
Que faz o sonho se realizar

Entra, canta, gira, roda
Que o barracão agora é teu (todo teu)
  (bis)
Carnaval é minha moda
Todo ano o rei sou eu

 

1990

ENREDO: Do leite de cabra ao silicone
COMPOSiTOR(ES): Mazola e José Carlos

Vem do tempo do Egito imperial
A rainha esnobava a realeza
Leite de cabra, banho muito especial
Para realçar sua beleza
Vai longe o tempo
E nada se modificou
Para as mulheres isso é compensador
Greve de fome, muito creme, silicone
Se o cabelo está molhado
Vai direto ao secador
Oh menina !
Se liga no que eu vou lhe dizer
Picada de abelha
É um santo remédio
Faz a celulite desaparecer
Será que todo esse artifício
Torna a mulher mais bela
Implante, sacrifício
Tortura e muito mais
Para deslumbrar na passarela
Corta pra cá, tira daqui, puxa pra ali
Faz sofrer mas querem ver no bicho que deu
Faz a pergunta: Espelho meu ! Espelho meu !
Existe mulher mais bela do que eu?

Morena linda da cor de canela
O Arranco é a tela, eu sou seu pintor
  (bis)
Com seu encanto e a pura beleza
Que a mãe natureza lhe presenteou

 

1989

ENREDO: Quem vai querer???
COMPOSiTOR(ES): Juan Espanhol, Sylvio Paulo e Jarbas da Cuíca

Chegou o carnaval
Sou liberdade nesta avenida
Meu canto é o grande astral
Desmascarando a própria vida
Na dança me embalei
A contradança é a magia
E no avesso que criei
Você pode ser o rei desta folia !

Vem, vem me querer ...
Eu acendi a luz da sedução  (bis)
Quem, quem vai querer
Ser mais um elo na corrente da ilusão ?

A terra não deixou matar a flor
O índio conquistou a caravela
Ai, amor, amor
Vem ser a dama da noite mais bela !
O craque vende o cartola
O réu condena o juiz
A mulata deita e rola
Na inversão do meu país

Enquanto há samba
A festa continua  (bis)
Canta meu povo
Que a avenida é sua

 

1988

ENREDO: Pra ver a banda passar
COMPOSiTOR(ES): Juan Espanhol e Sylvio Paulo

Tudo estava em seu lugar
Mas veio o Carnaval
O Arranco explode na avenida
Num sonho tropical ...
E o meu Brasil se alegrou
O seu povo afastou a miséria e a dor ...
As bandeiras tremulantes no ar
São as sindicais do amor ...

Tio Patinhas, “Tuti-Multi-Tio Sam”,
Não conta mais a “verde” exploração

O “faroleiro” perde o rumo de Brasília
E se filia a este imenso coração ...

Vai “bailarina”, na ponta do pé
Tua guerra “soldadinho”, é esperança e fé
  (bis)
Dançando no desejo mais ardente
O “velho fraco” se fez presidente
A bruxa da inflação queria
Aplausos que não merecia

E lá do céu
Estrelas vêm acompanhar (sempre a brilhar)
A lua cheia, nas baianas a rodar ...
Bate que bate, bate forte tamborim ...
Lá vai a banda semeando a mutação
Tudo são flores, a cidade é um jardim
A igualdade brota em cada folião!
Tudo tomou seu lugar
A magia acabou, quando a banda passou
A moça volta a ser triste ...
A rosa já se fechou ...

Vou pegar minha bandeira
Vem me acompanhar!
  (bis)
Que a ilusão é passageira
Chega de sonhar!

 

1987

ENREDO: Tradição de uma raça
COMPOSiTOR(ES): Ormindo

Vou abrir
Nesta avenida o meu coração
Lembrar dos vales e dos rios
Pedaços coloridos de recordação
Eu sei nem sempre vale o escrito
São leis que vivem em conflito com a realidade
Mas não há revolta em meu peito
E nele eu guardo com respeito
Crenças de uma raça milenar

Ora, iê, iê, ô, mamãe Oxum
A Lua brilha em teu louvor
  (bis)
Clareia o meu sonho de amor

Numa transversal desta história
A vida tece os seus descaminhos
Vento forte é tempestade
Palmares, um clamor de liberdade
Ô ô Ogum, a tua força vou buscar até morrer
Na fé de Oxalá a vida ganha outro matiz
Verdades vão raiar
Odoyá mãe Yemanjá

O mar serenou, serenou
Rosas brancas eu vou ofertar
  (bis)
Os meus versos nas ondas vagueiam
São oferendas pra Yemanjá

 

1986

ENREDO: Sai mais uma
COMPOSiTOR(ES): Nylson, Sylvio Paulo e Juan Espanhol

Desce mais uma meu senhor,
Que a primeira não deu pra sentir o sabor...
Vou me embriagar na fantasia,
Extravasar a ilusão nesta folia. (eu sou)
Eu sou um sonhador!
Deixa eu beber, quero desabafar
Esquecer meu dia-a-dia
Tô me lixando pro que vão falar. (oi)

Fulano disse que o sicrano já sabia
E até chamava o Ricardão quando saía
  (bis)
E que o beltrano é um tremendo “171”,
Num botequim o que mais tem é zum-zum-zum

(mas chora)
Chora, chorão!
Estanca o sangue desse pobre coração:
Uma cachaça e um limão
São o bastante pra matar a solidão
De gole em gole, sem ter compromisso,
Vem pra cá morena, vamos morrer disso
Que não dá pra confiar na seleção...
Desde ‘70”, é só desilusão
Tira o copo da democracia
Pra que não beba como a inflação
(amanhã)
Amanhã quando a ressaca passar,
Volto pros bares da vida, pra novamente sonhar

Soma a saideira
Acho bom saber:
  (bis)
Se tem roubalheira,
Não vai receber

 

1985

ENREDO: Chuê-chuá, Moronguetá cruz credo
COMPOSiTOR(ES): Sylvio Paulo e Juan Espanhol

Fui buscar
Na luz de um falcão
Toda a poesia,
Pra cantor
Meu canto de amor
Folclore e magia...
O meu corpo é a floresta,
Onde as aves fazem festa,
Minhas veias são os rios
Em meu seio seringueiros,
Pescadores e vaqueiros,
Vivem os meus desafios
Meu sangue corre
E adoça o sabor domar,
Explode e morre
No eterno chuê-chuá
Ao meu filho mais querido,
Empresto as cores para se enfeitar;
Devolve em arte nativa
A cultura secular

ô ô ô ô ô e quando o luar é candeia
ô ô ô ô ô, a moça é mulher na dança da aldeia

Muitas lendas eu criei
Lindas mulheres guerreiras
Da tribo, o nome adotei,
Fiz suas flechas certeiras;
Tamba-tajá
Grande amor te fez brotar;
Uiara, percorre o meu sangue
E entre vitórias-régias vem reinar

Cadê meu boi? Boi-bumbá
Dança comigo carimbó e siriá
  (bis)

 

1982

ENREDO: Como vencer na vida sem fazer força
COMPOSiTOR(ES): Nylson, Juan Espanhol e Dimas Cordeiro

Venham ver
E sentir a fortuna encostar
  (bis)
O Arranco, na ilusão mais colorida
Banca o jogo na avenida
Quem quer apostar?

No trevo, as quatro folhas da alegria
Na ferradura, os pólos do prazer......
Transforme no real a fantasia,
Faça o sonho acontecer
Um, dois e já
E a roleta vai girar
Bailam fichas, rolam dados
21 e bacará
Coloridas vão chegando
Lindas damas, cavalheiros e brasões
É a sorte cavalgando
Grandes prêmios conduzindo os campeões
E o globo da loteria
No milhar, traz seus milhões
E a zebra rondando os estádios,
Vai listrando os corações

Olha aí
A borboleta a voar
  (bis)
Tigre faminto a caçar
A quina solta no ar
Venha alcançar

 

1981

ENREDO: Ou isto ou aquilo
COMPOSiTOR(ES): Wandrey Dedeco, Sylvio Paulo e Ormindo

Noite e dia
Eis a vida gargalhando seu prazer
Com poesia
E sutileza nos levando a escolher
Fico entre o preto e o branco
Bem o mal o destino me traz
Se há alegria ou pranto
Me envolvo no canto em busca de paz
Não sei se amanhã ou depois
Vou contar com a força da sorte ou azar

E lá vou eu
Amando ou desamando
  (bis)
Roda viva gira a roda
E lá vou eu cantando

Mas será...
Será
Que Morfeu me trará pesadelo angustiante
Ou lindo sonho fascinante
Não sei não sei não sei
Que bom se seria se o sol o chuva
De beleza e encanto
Através do seu manto
Semeasse a paz
Sigo agitado ou tranqüilo
Na escolha do melhor
Entre isto ou aquilo
Samba prova a liberdade
Tradição nos carnavais
Na pobreza ou riqueza
Os direitos são iguais

 

1980

ENREDO: O Guarani
COMPOSiTOR(ES): Paulo Samara, Gilson e Pipico

Beleza
Uma história em passarela
Do Rio Paquequer
Que a natureza arquitetou,
Construiu e conservou
Assim surgiu Peri, filho de Ararê
De origem Goytacaz, o imortal
Que no solar de D. Antônio de Marins
Passou a ser figura principal
Que mostrou a sua habilidade
Ao salvar da morte a senhora, ô
Sonhada deusa dos cabelos cor-do-sol
Que em seu devaneio apareceu
Peri depois de ser convidado
De Ceci foi ser escravo, ela agradeceu

Índio valente, guerreiro, guarani
Tudo fez pra salvar Ceci
  (bis)

Ao se fazer prisioneiro de três Aymorés
Peri... Foi salvo por aventureiros
Que chegaram da cidade de São Sebastião
Daí o valente guerreiro
Voltou ao solar e depois foi embora
Levando consigo a senhora, desceu rio afora
Ouviu a explosão
Travou luta contra a enchente
Venceu, foi em frente sua embarcação

Tu viverás, tu viverás
Comigo eternamente junto a ti (bis)
Falou Peri
Eis a corrente viva de amor
Do Romance "O Guarani"

 

1979

ENREDO: Quem conta um conto aumenta um ponto
COMPOSiTOR(ES): Juan Espanhol e Nylson

Contam que na voz de um violeiro
Detalhes acrescentam mais um ponto
Ao amor de um rico forasteiro
Por uma condessa em mais um conto

Meu Arranco é luz, mistério e paz
E um grande enredo agora traz
  (bis)
Vem contar seu conto
E nesse conto um ponto a mais
É a viagem, é kabuki, é jardim
É o centauro, a ninfa, é o mandarim

Num palácio em Atenas
A mais linda donzela vivia
E uma vez por ano apenas
Ao seu povo aparecia
Encantos de uma deusa
Fizeram João Batista
Comprar o retrato de Creusa
Para o Irmão Evangelista
Mãos misteriosas construíram um pavão
Fechado era uma caixa e aberto um avião
Das folhas de uma palmeira
Na mais estranha nave decolou
E libertando a amada prisioneira
Seus dotes e riquezas conquistou

É bico, é pena, é leque, fogo no olhar
É fantasia, é o mistério a brilhar
  (bis)

 

1978

ENREDO: Sonho infantil
COMPOSiTOR(ES): Aldyr e Silval

A natureza esta em festa
É natal no meu Brasil
Rena e trenó não tem
Papai Noel vem de trem
Dorme filhinho ou Papai Noel não vem,
Vê se sossegas ou Bicho Papão te pega
No sonho infantil, tudo foge a realidade
Uvas se transformam em belas damas
Presentes chegam dançando
Surge o mundo de ilusão
Nas histórias que contava a vovozinha
Onde Dom Ratão todo feliz
Casava com a Dona Baratinha
(chegou)

O macaco cozinheiro, divertindo a bicharada
Vai correndo p’ra cozinha, preparar a feijoada
  (bis)
Num castelo fascinante, bate o sino na capela
É hora do desencanto, sai correndo Cinderela

E o príncipe encantado, o seu sapatinho encontrou
E a alegria foi geral, quando com ela se casou
A orquestra tocou

Lará, lará, lará, lará, lará, lará, lará
E dançando esta valsa a corte festejou
  (bis)

 

1974

ENREDO: Estrela D'Alva
COMPOSiTOR(ES): Juan Espanhol e Nylson

Abram alas nova escola
novo samba nova glória, o ARRANCO surgiu
e nos corações guardados um lugar já reservado
sob o sol proseguiu

Traz no balanço este azul,
no gingado este branco, este céu esta paz
traz no seu tema a saudade da estrela que agora
já não brilha mais

Porém no céu permanece
Cantando entre os anjos, aumenta a alegria
pois lá também escurece
e no morro ou no céu isto é Ave Maria
E se Deus ao ouvir tua prece
e uma outra canção te pedir
cruza os braços no peito e oferece
Segredo ou Kalú e ele irá te aplaudir

Quantas saudades ...
Quantas saudades Dalva
do teu brilho que já se ofuscou
mais da imagem que sempre ficou, nos carnavais,,,

Bandeira Branca Dalva
pela dor que o meu peito passou
pelo muito que o povo chorou
Descanse em Paz...

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