Carnavalesco: Raphael Ladeira
JUSTIFICATIVA
Orgulhosa, sabedora do seu papel na história do samba e consciente de seu lugar e posição na cultura do nosso país, o Grêmio Recreativo Escola de Samba Unidos de Cosmos, que ao longo dos anos de luta e, sobretudo, de muita resistência, sempre se manteve ligado aos temas que contam a história do Brasil e de seus personagens.
Que nós escola de samba aguerrida e sem dono, escola do povo, feita por gente do povo que também se permite sonhar, que hoje trazemos para a avenida a vida e a obra de um dos mais importantes políticos de todos os tempos Pedro Ernesto do Rego Batista, nordestino nascido em Recife em 25 de setembro de 1884, filho de Modesto do Rego Batista e de Maria Adelina Siqueira e Silva. De família simples e humilde, custeou seus estudos com dificuldades, quando estava no quarto ano de Medicina na Faculdade Da Bahia foi obrigado a fazer desenhos e gravuras para os colegas estudantes para poder se manter no seu curso de Medicina e ainda tocava flauta numa orquestra regional para continuar os seus estudos. Valeu o esforço de Pedro Ernesto , pois ele se tornou um dos mais respeitados médicos do Rio Antigo, especializou-se em Obstetrícia, Ginecologia e Cirurgia Médica, além de se tornar extraordinário político.
No Rio de Janeiro, Pedro Ernesto se junta a equipe do Dr. Pacheco Leão e de Oswaldo Cruz nas campanhas de erradicação da Febre Amarela e de outras doenças infecto-contagiosas que assolavam o então Distrito Federal. E quando Pedro Ernesto conhece a gente humilde dos morros e favelas cariocas, gente que apesar das dificuldades e da vida dura jamais deixa de sorrir, chamando a atenção do jovem médico. E nos altos dos morros, em meio a becos e vielas das favelas, Pedro Ernesto testemunha o nascimento do samba que nascia sorrateiro escondido debaixo das anáguas das tias pretas baianas que há tempos ocupara estas regiões.
Com o ingresso definitivo na vida política, Pedro Ernesto se torna um dos políticos mais admiráveis de todos os tempos, com medidas a fim de diminuir os conflitos sociais e apaziguar as desigualdades sociais, ele inicia uma administração revolucionária, concluiu obras em hospitais e construiu novos hospitais. Com a ajuda do professor Anísio Teixeira constrói inúmeras escolas e faz uma revolução educacional, criando espaço para que de todos pudessem estudar, padronizou ainda os uniformes colegiais com o intuito de abolir definitivamente no âmbito escolar as desigualdades sociais.
Foi um grande nacionalista, tinha um respeito incondicional pela cultura deste país; fosse ela erudita ou popular, Pedro Ernesto apoiou manifestações populares como blocos carnavalescos, cordões e grupos de frevo, assim como as escolas de samba que surgiam ainda tímidas naquela época, oficializando seus desfiles. Apoiou ainda o movimento do Modernismo no Rio de Janeiro, incentivando os intelectuais a seguirem os rumos da Semana de Arte Moderna de 1922 ocorrida em São Paulo.
Porém Pedro Ernesto por seu grande carisma e popularidade acabou despertando a ira e o ódio de seus oponentes como o padre Olimpio de Melo, Getúlio Vargas e do reacionário chefe de policia Filinto Muller, foi perseguido e teve seu caráter e sua honestidade postos em dúvida por jornais sensacionalistas ligados as forças ocultas do Governo. Execrado da vida pública por injustas prisões e perseguições arbitrárias, Pedro Ernesto se isola num casulo onde permaneceria até sua morte em 1942. Mergulhando definitivamente no abismo da saudade, voando definitivamente rumo a eternidade no coração dos mais de duzentos afilhados que deixou órfãos na memória da gente humilde dos morros que chora a dor de sua partida. Gente esta que hoje não chora por ti, mas canta em tua homenagem, o samba e o carnaval do Rio que reúnem e congregam a todos, para entoar um hino de reconhecimento e amor por tudo que fizeste pelo samba e pela cultura popular deste país, em especial do Rio de Janeiro.
DESENVOLVIMENTO DO ENREDO
QUADRO 1: A chegada ao Rio de Janeiro.
Veio concluir o curso de medicina no Rio de Janeiro. Recém formado, o jovem médico Pedro Ernesto conhece a Cidade do Rio de Janeiro então Capital da República.
Surge então o nosso doutor com veste de nordestino e seringa na mão. Na chegada é saudado por uma orquestra de mosquitos que tocam violinos em meio à beleza cintilante da nova iluminação pública recém instalada. Pois vale lembrar que a cidade do Rio embora passasse nesta época por várias reformas estruturais, ainda guardava muito da desordem herdada do período imperial no Brasil, principalmente nas questões ligadas ao saneamento básico, o que fazia aumentar consideravelmente a proliferação de doenças infecto-contagiosas, principalmente nas áreas mais carentes, outro aspecto eram os confrontos armados e revoluções que explodiam pela cidade liderada principalmente por militares insatisfeitos com o governo, que buscavam fazer ali uma revolução a fim de tomar o poder.
QUADRO 2: Morros, o fascínio das regiões profanas.
Ao se integrar na equipe dos Doutores Oswaldo Cruz e Pacheco Leão, durante a campanha de erradicação da Febre Amarela e de outras doenças infecto-contagiosas, Pedro Ernesto toma contato com a gente humilde dos morros, homens e mulheres esquecidos a própria sorte, que ainda carregava no semblante as lágrimas da escravidão já abolida, nascia ali uma relação de carinho e amizade apesar do início hostil, Pedro Ernesto conhece as histórias desses personagens, ouviu seus sonhos, deslumbrou-se por sua cultura como o samba que surgia ainda tímido nos altos dos morros em meio aos becos e vielas, descobriu a poesia e a alma carioca escondida em cada travessa, em cada singela casa, se depara ainda com a beleza genuína das nossas tias baianas africanas que há muito migraram para o Rio, acalentando e embalando o samba em meio as suas curimbas e festejos em louvor de seus Orixás.
QUADRO 3: O PREFEITO PEDRO ERNESTO.
Ao ingressar definitivamente na vida política, primeiro como Prefeito-interventor, depois como primeiro prefeito eleito da Cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal, Dr. Pedro Ernesto inicia uma administração revolucionária, inicia-se uma carreira política extraordinária. Dr. Pedro concluiu e construiu novos hospitais, criou programas de saúde para que todos tivessem acesso a assistência médica pública. Com a ajuda do professor Anísio Teixeira promoveu uma revolução extraordinária na educação, construindo inúmeras escolas, difundindo o ensino gratuito para todos, instituiu ainda o uso de uniformes nas escolas públicas a fim de abolir do âmbito escolar as desigualdades sociais. Definitivamente eternizou o seu na área educacional ao criar a Universidade do Distrito Federal em 1935.
Pedro Ernesto fora ainda um homem, sobretudo, que amou a cultura brasileira, tinha pelos intelectuais e pelos poetas populares um respeito quase religioso, embora não tivesse outra cultura além da medicina e só saber escrever em estilo simples, com relação a cultura sempre usou o coração, foi assim ao incentivar manifestações populares como blocos carnavalescos, cordões e grupos de frevo, ao institucionalizar e oficializar o desfile das escolas de samba que iniciava-se naquela época. E ainda ao apoiar intelectuais e artistas eruditos do Rio de Janeiro a seguirem os rumos da Semana de Arte Moderna ocorrida em São Paulo em 1922.
QUADRO 4: FORÇAS OCULTAS.
Ao se tornar um homem popular e de forte influência política, Dr. Pedro Ernesto desperta o ódio e a ira de seus oponentes, sobretudo do Padre Olimpio de Melo, do Presidente Vargas e do desprezível Capitão Filinto Müller, Chefe de Policia do Distrito Federal, que promovem uma verdadeira execração pública de sua imagem através de notícias, acusações mentirosas que tinham como objetivo único, atingir sua honra, ética e caráter.
Foi preso e afastado da Prefeitura do Rio de Janeiro, Pedro Ernesto então se cansa de suportar a dor e as humilhações públicas, cansado de toda a miséria humana, de todos os vícios e as ganâncias dos homens de poder que lhe acusavam.
Dr. Pedro Ernesto se afasta da vida pública e se aprisiona no fundo abismo da saudade, levado pelo infortúnio e pela tristeza, ele permanece assim até a sua morte em 1942.
QUADRO 5: SE ONTEM O SAMBA CHOROU HOJE ELE CANTA EM SUA HOMENAGEM.
Mas o amor e o carinho da gente humilde dos morros e favelas cariocas não se perderam, Pedro Ernesto quando partiu para sua viagem rumo ao infinito deixou centenas de afilhados órfãos do “Bom Doutor”, que tanto fez por eles.
Paulo da Portela talvez foi o que mais soube externar o sentimento da gente dos morros, do samba, naquele momento, contam que ele deu a seguinte declaração: “choram os morros cariocas, chora Oswaldo Cruz, Madureira, chora Tijuca, Estácio de Sá e Mangueira, Nosso Doutor nos deixou”. E fora realmente uma comoção geral, o samba chorou como pobre pierrô abandonado, de novo sem dono, sem ter quem lutasse por ele e por sua gente.
Mas hoje, nós sambistas verdadeiros, que ao longo do tempo resistimos e provamos ser merecedores de nosso lugar na cultura deste país, trazemos no peito com orgulho a medalha com o nome do “Nosso Doutor”, ela que é a maior comenda da Cidade do Rio de Janeiro, que é oferecida àqueles que se destacam na cultura do nosso estado e do país. Hoje para nós sambistas da Unidos de Cosmos, símbolo de luta e dedicação ao Samba é gratificante exaltar o Prefeito Pedro Ernesto que foi um exemplo de perseverança, de altruísmo, de homem que lutou a vida toda pelos seus ideais e deixou um grande legado político que estará eternamente em nossa memória. Enquanto bater um surdo nesta cidade, Pedro Ernesto viverá em nossos corações, pois ele foi o Grande Benfeitor do Samba do Rio de Janeiro.
Samba-Enredo
Autores: Rafael Júnior, Anderson e Geraldo Vitorino
Cosmos viajou ao Rio Antigo e achou
O legado político que Pedro Ernesto deixou
Pernambucano e Carioca por amor
Epidemias, ratos, mosquitos em sinfonia
O “Rio Moderno” que o jovem médico encontrou
Revolucionou a saúde e a educação
Uma universidade grande criação.
Baianas, malandros, sambistas no carnaval
Arlequins, pierrôs e colombinas que legal
Fazem homenagem ao gestor (bis)
Que fez da política, um ato de amor.
Nacionalista, defendeu a cultura brasileira
Escolas de Samba, sua obra permanente
Rufam os tambores, do Estácio à Madureira
Os pobres reconhecem o seu valor
Desperta o ódio dos políticos rivais
Calunia e prisão, reagem as forças do mal
Cumprida sua missão, viaja ao infinito
Surge nova estrela no espaço sideral
Saudade Bate no peito do sambista
A medalha atesta sua obra triunfal.
Tem Prefeito no Samba
É o Doutor Pedro Ernesto nos Braços do povo
A verde e branco é pura emoção (bis)
Explode Coração



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