Preto e branco a cores

OBatuque.com | | 21 de maio de 2007 22:44

Carnavalesco: Milton Cunha

Sinopse:

“Durante minha vida me dediquei à lutar pelo povo da África.
Lutei contra a dominação branca,
e também lutei contra a dominação negra.
Almejei o ideal de uma sociedade democrática e livre,
onde todas as pessoas vivessem juntas
em harmonia e com oportunidades iguais.
Um ideal pelo qual vivo.
Mas se preciso for, também estou preparado para morrer por ele”.
Nelson Mandela

Pela dignidade e respeito a todos os seres humanos, desfila o Porto da Pedra este conceito de liberdade:
Sul-americano coração, hoje sul-africano. Que aqui não exista a praga do apartheid!

Blindada pele mágica de ébano, que em onze línguas traduz um só ideal: gente não tem cor, tem caráter.
Heróica África do Sul, ao dançares em passeata por justiça, esperança e fé, para cada horror do racismo, tens um esforçado canto de superação.

Sou africano na luta contra o “anjo-colonizador imoral e amoral”, não tolero opressão, tortura, prisão, pois não há defesa para o indefensável.

“Caveirão” elitista da maldade, abrindo fogo contra o povo; intolerante “tanque” do preconceito, indiferença, cinismo e egoísmo.

Tombam corpos de meninos mortos, outrora felizes,
pelos guetos nos quais negros foram confinados.
Quem é humano e quem é sub-humano? Quem enriquece e quem empobrece?

O Tigre encontra no “leão enjaulado” (Nelson Mandella) a inspiração maior, para fazer de um mundo em preto e branco, um universo colorido.
Das cinzas à Fênix.

Ofereço um palco para exibires tua glória de negritude repleta de cores, matizadas pelo preto e branco.
Beleza de genuína fraternidade e paz, mais preciosa que ouro e diamantes.

Mundo democrático, respeitador dos direitos humanos, livre dos horrores da miséria, fome, privação e ignorância,
aliviado da ameaça da guerra.

Museu de “vermelha favela”, banhada do sangue de heróis e heroínas, cujas esquinas de memória e herança, jamais esquecendo a luta, reconstroem um “hoje” pleno de “amanhãs”.

Comemoro este “Dia da Reconciliação” contigo, todos irmanados por dias melhores.

Embrião de um novo mundo que está nascendo, onde a sombra do racismo e da guerra já se dissipou.

Ergo um “Monumento pela Liberdade” em tua intenção.

Para que o mundo não esqueça que “é possível”: QUERO ACORDAR NUM LUGAR, ONDE EU POSSA SER, O QUE EU QUERO SER!

O DESFILE DA PORTO DA PEDRA
SETORES DO “CONCEITO DE LIBERDADE”

PRIMEIRO SETOR: O TIGRE NO MUNDO COLORIDO
DAS NOVE PROVÍNCIAS NEGRAS DA ÁFRICA DO SUL
As 11 línguas e um só pensamento: a liberdade

SEGUNDO SETOR: O RACISMO DE UM MUNDO EM PRETO E BRANCO
O “anjo-colonizador intolerante”

TERCEIRO SETOR: “CAVEIRÃO” DA MALDADE (O MELO YELOM)

QUARTO SETOR: NELSON MANDELLA, O “LEÃO ENJAULADO”

QUINTO SETOR: UM PALCO PARA A GENTE SUL-AFRICANA

SEXTO SETOR: O MUSEU DA FAVELA VERMELHA
(The Red Location Museum)

SÉTIMO SETOR: HOJE, O DIA DA RECONCILIAÇÃO, NESTE UNIVERSO COLORIDO

OITAVO SETOR: ERGO UM “MONUMENTO À LIBERDADE”, É POSSÍVEL….

Com extrema emoção, dedicamos este “Conceito” à CUFA e ao AFRO REGGAE, orgulhosos por desfilar questão tão crucial para o mundo moderno, e certos de que o Brasil precisa olhar para o exemplo sul-africano, almejando paz à humanidade,

Assinamos embaixo:
Milton Cunha
Porto da Pedra 2007

Samba-Enredo

Autores: Vadinho, Bento e Fernando Macaco

Destino a minha vida
Minha luta pela liberdade
A nove filhas de um só coração
Ao Sul do berço da humanidade
O Anjo Invasor me deu a cor, mas cor não tenho
Eu tenho raça e a cada farsa, a cada horror
O meu empenho, meu braço, meu valor
Se ergueu contra o monstro da cobiça
Caveirão da injustiça, filho da segregação
Liberto permanece o pensamento
Ele foi meu alento
Quando o corpo foi prisão

O nosso herói Mandella é
Senhor da fé, clamou o povo (bis)
E o Tigre encontra no Leão
A maior inspiração de um mundo novo

Do gueto, um palco de glória
Corre em meu sangue a história
Num mundo misturado
Matizado com as cores deste chão
Um canto a ser louvado, ser humano ante a fome e a privação
Museu da Favela Vermelha
Minha alma se espelha na face do irmão
É hoje, vou cantar
Minha gente é o lugar que eu sempre quis
Na Avenida, meu irmão, vou abraçar
Viver a igualdade e ser feliz

Liberdade, pelo amor de Deus
Liberdade a este céu azul (bis)
É minha terra, orgulho meu
Porto da Pedra canta a África do Sul

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