Carnavalesco: Alex de Oliveira
SINOPSE
Introdução:
O enredo Ora pois, pois… Tem Paticumbum à Vista! É a história do carnaval. Contada pelos “portugueses de alma carioca” que influenciaram o surgimento e a evolução da maior Manifestação Popular de Cultura desse país: o Carnaval do Rio!
Sinopse do Enredo:
Vindo de Portugal, como a ternura de uma rima, a certeza, de que a magia e a beleza da paixão carnavalesca do Rio é de influência portuguesa. Ora, pois, pois sou português que sigo encantado entre o presente e o meu passado. E confesso-lhes que quando aqui cheguei pelas curvas femininas me apaixonei…
Me identifiquei com a alegria dessa terra, dia e noite, noite e dia, com o espírito carnavalesco e a magia desse paraíso da folia.
Celebramos! Num preito de pura emoção, português no samba, nos traz a inspiração. No enredo do meu samba ele é protagonista que fascina e nos conquista: Ora pois, pois… Tem Paticumbum à Vista!
Tudo começa quando no Brasil… As folias de origem portuguesa, com uma significação religiosa que vinha do céu, “batizadas” como folias de rua ou folias de poviléu. Marcam a primeira manifestação popular com canto, dança e ritual: a Serração da Velha como festa de Carnaval
Lança-se e joga-se de tudo. Folguedo alegre, mas violento é assinalado em meu estudo: o carnaval foi introduzido no Brasil pelos portugueses com o nome de Entrudo. Limões de cheiro, baldes de água, pó de cal… Num toma lá da cá nascia nas ruas do Rio um carnaval popular.
Lá vem o Zé Pereira anunciando a “festa carnal!” Com o seu tambor à cidade estremecer. Que nos dias de folia, tocando pra valer, desfila levando alegria até o dia amanhecer.
Cresce a fama do tal português de “brusca maneira”, quando no fim do século XIX o ator Vasquez elogiou a barulhada “brasileira”, encenando a comédia carnavalesca Viva o Zé Pereira.
Batucada profana! Inspiração dessa festa sem recato. Décadas seguintes o carnaval é reinventado. Sociedades Carnavalescas desfilam exibindo à população grupos fantasiados.
Por ser diferente do que outrora era praticado, os requintes cortejos de alegorias mitológicas, históricas e cívicas eram saudados pelo povo como estavam acostumados:
lançando-se limões de cheiro nos grandes carros decorados. Por esse motivo dizia à época um português arretado, Antônio Guimarães.
Tudo que se vê é inesperado. Pétalas de Rosas são jogadas para que o povo assista encantado e os passeios das Grandes Sociedades sejam apresentados.
E é assim que os Zés-Pereiras deram lugar aos piêrros, comlombinas e arlequins que bailaram buscando no amor o desejo de dizer que sim…
Numa época em que a regeneração é geral. O Rio se transforma numa Belle Èpoque Tropical. Boulevards, charutarias, cafés, confeitarias… Lugares onde a mais simples comemoração se transforma num dia de festa nacional; ainda mais, quando se desfilava a bordo de chiques automóveis em pleno dia de carnaval.
Lembremos dos corsos de uma forma que nos complete: dos seus grupos fantasiados e suas divertidas batalhas de confete. Corsos, cordões, blocos, ranchos quem já viu sabe o que é. Não insinua, reconhece e perpetua, de que são eles os grupos de origem do nosso carnaval de rua. Tanta gente a brincar tanta marchinha a cantar… Tudo nos ensina sobre a festa popular do confete e serpentina.
Ora, pois, tudo se apresenta através do seu olhar. A essa altura o português resplandece, cai no samba e agradece pra nos saudar. Ao som das marchinhas carnavalescas canta e se encanta como se fosse o “general da banda” e num Tchicachicabum homenageia a portuguesa Carmem Miranda.
Pois lhe digo, com o mesmo compromisso de que as palavras aqui têm que rimar. Que foi dos Ranchos e dos Blocos a formação das escolas de samba como criação popular… Numa alegria que parecia não ter fim negros, brancos e até mulatos saem as ruas tocando surdos, pandeiros, reco-recos e tamborins.
Escolas de Samba… Deixa Falar, Portela, Unidos da Tijuca, Unidos de Lucas e até a Vizinha Faladeira… Vem Vila Isabel, Salgueiro, Império Serrano e a Mangueira. Todas seguem, num cortejo, em homenagem a influência luso-brasileira…
Numa grande celebração nomes como Domingos Alves do Salgueiro, Manoelzinho da Vila, e Carlos Texeira… Igualmente homenageados, com a mesma consideração e alegria, tem Fernando Horta, Alfredo Português e Zeca Melodia.
Palmas! Batam palmas, é com muita satisfação que a Unidos do Jacarezinho traz para Avenida os portugueses de alma carioca! Acende as luzes da imaginação e estende na Avenida a sua maior paixão… É branco e rosa a cor do teu manto, que desse encontro mágico e universal chamado carnaval canta a conquista dos portugueses sambistas e exalta na Avenida o enredo
Ora pois, pois… Tem Paticumbum à Vista!
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Samba-Enredo
Autores: Anderson, Luiz Carlos, Moleque Silveira e Barbeirinho do Jacarezinho
Tudo começou assim
Singrando mares vindos lá de Portugal
A Serração da Velha
Trouxeram pro Brasil colonial
O Zé Pereira com seu bumbo original
A feijoada eu troquei por bacalhau
Como a historia relata seduzidos pelas curvas da mulata
Ai Jesus era tudo que eu queria
Com alma carioca nesse paraíso da folia
Tem serpentina, tem confete e euforia
Tira o dedo do pudim
Que grande sociedade (bis)
A nostalgia só me traz felicidade
Quanta saudade
Dos ranchos e blocos na avenida central
Carmem Miranda um talento musical
Na era da Rádio Nacional
E hoje….
O manto rosa e branco almejando o apogeu
Estou feliz da vida
O samba agonizou mais não morreu
Abram alas batam palmas, palmas alegria
Meu Jacarezinho chegou
Ora pois pois caramba!!! (bis)
Tem paticumbum à vista
E notáveis portugueses no meu samba



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