Olumarê: das profundezas da terra ao sopro da vida

OBatuque.com | | 22 de maio de 2008 2:41

Carnavalesco:

APRESENTAÇÃO

Pelas Lendas Africanas é que a Sabedoria dos Orixás é transmitida. Acredita-se que os Orixás sejam os nossos mais remotos ancestrais e nossos mais presentes orientadores, fazendo parte do que trazemos na nossa bagagem. Os arquétipos dos Orixás são relacionados às manifestações da natureza e em sua essência mais pura, assim como nós.

No enredo “OLODUMARÊ, DAS PROFUNDEZAS DA TERRA AO SOPRO DA VIDA”, mostraremos que na tradição Yombá, Deus possui muitos nomes, sendo o mais antigo Olodumarê, que é aquele que tem autoridade absoluta sobre tudo o que há no céu e na terra e é incomparável, aquele que é absolutamente perfeito, criador, rei, onipotente, transcendente, juiz e eterno. No princípio dos tempos existiam dois mundos: O ORUM, o espaço sagrado dos orixás, e o AIYÊ, o espaço dos seres vivos. Os orixás são os santos do candomblé, representantes das forças da natureza, que têm ligação direta com os elementos água, fogo, terra e ar, e tudo o que está contido neles.

Gritamos para que o mundo alcance a paz e que a esperança de uma vida melhor esteja nos “corações amarelos” do povo brasileiro.

SINOPSE

1º Setor – ODUDUA A criação da terra dos seres vivos
No Aiyê espaço dos seres vivos, só existia água. Foi quando OLODUMARÊ resolveu recriar o espaço para a humanidade. Para essa tarefa incumbiu seu filho primogênito, ORIXALÁ. Entregou-lhe um saco contendo ingredientes especiais: a terra inicial, a galinha de cinco dedos, uma pomba..:: um camaleão. A terra deveria ser lançada sobre a imensidão das águas. A galinha de cinco dedos deveria ir ciscando a terra para alargá-la o mais que pudesse. A pomba, ao voar, orientaria a extensão da terra expandida. E o camaleão, atento a tudo, observaria a execução da tarefa atribuída a ORIXALÁ, para reportar os fatos à OLODUMARÊ. Assim, com seu cajado e o saco da criação, ORIXALÁ iniciou sua caminhada do ORUM para o AIYÊ, o planeta Terra habitado pelos seres vivos. Entretanto, no meio do caminho, sentiu-se cansado e com sede. Parou para descansar e bebeu um pouco de EMU (vinho da palmeira do dendezeiro). A interrupção de sua jornada, por outro lado, era a oportunidade que seu irmão caçula, ODUDU A, precisava para competir perante os olhos de seu pai, OLODUMARÊ, nessa tarefa de grande importância. Então enquanto ORIXALÁ dormia, ODUDUA pediu a seu pai que ele cumprisse tal tarefa, o que foi permitido. OLODUMARÊ, por sua vez, lhe disse com autoridade: “Assuma a missão de criar a terra dos seres vivos”, o que foi feito prontamente. Depois de a galinha ciscar a terra, a pomba orientar a sua expansão e o camaleão verificar se a tarefa foi cumprida, no terceiro dia ODUDUA criou a terra firme, que passou a chamar-se ILÊ IFÉ (que no idioma yorubá significa “terra que foi sendo ciscada”).

2º Setor – ORIXALÁ A criação do homem

ORIXALÁ mostrou, perante o pai, arrependimento do seu ato de irresponsabilidade. Foi então que OLODUMARÊ ordenou que ele criase o homem. ORI-X-A-LÃ Criou o homem a partir do ferro e depois da madeira, ambos eram rígidos demais. Criou o homem de pedra – era muito frio. Tentou a água, mas o ser não tomava forma definida. Tentou o fogo, mas a criatura se consumiu no próprio fogo. Fez um ser de ar que depois de pronto retomou ao que era apenas ar. Tentou, ainda, o azeite e o vinho sem êxito. Triste pelas suas tentativas infecundas, ORIXALÁ sentou-se à beira de um rio, de onde NANÃ emergiu indagando-o sobre a sua preocupação. ORIXALÁ fala sobre o seu insucesso. Então NANÃ mergulha e retoma das profundezas do rio e lhe entrega barro em forma de lama (que é chamado de argila). Mergulha novamente e lhe traz mais argila. ORIXALÁ, então, cria o homem e percebe que ele é flexível, capaz de mover os olhos, os braços, as pernas e, então, sopra-lhe a vida. Esse sopro da vida é chamado pelos Yorubás de EMU.

3º Setor – PAZ ao povo brasileiro

Assim, ODUDUA é o criador de ILÊ IFÉ, primeira cidade do mundo para os Yorubás. E ORIXALÁ é o concessor da vida, aquele que dela dispõe, por ter criado os seres humanos. Unindo os filhos de Olodumarê e com sua benção, O G.R.E.S. Corações Unidos do Amarelinho, representado pela sua velha guarda e por seus mais novos componentes, pede a paz no mundo, e luta incessantemente que se mantenha acesa a chama da alegria no carnaval carioca.

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