O Mundo de Barro de Mestre Vitalino (reedição do carnaval de 1977)

OBatuque.com | | 23 de maio de 2009 0:41

Carnavalesco: Fábio Santos

SINOPSE

Vitalino Pereira dos Santos nasceu, em 1909, na cidade de Caruaru, estado de Pernambuco. Seu pai era lavrador e sua mãe trabalhava com o barro que buscava nas margens do Rio Ipajuca. As peças que modelava eram vendidas numa famosa feira folclórica localizada a poucos quilômetros da capital Recife, onde se encontrava produtos variados, dentre eles a cerâmica utilitária.

Para melhorar o orçamento da família, o pai do menino Vitalino construiu um forno para queimar as peças produzidas pela mãe, que distraía o filho dando-lhe o barro que sobrava para brincar. E assim, aos 6 anos, Vitalino teve o primeiro contato com a matéria-prima que um dia o tornaria um reconhecido, porém humilde, artista.

O pequeno Vitalino começou modelando com o barro animais como bois, cavalos e bodes, os quais iam para o forno junto às peças feitas pela mãe. Além disso, deixou de apenas acompanhar os pais na feira de variedades, passando a vender seus singelos boizinhos e os demais frutos de sua imaginação no local.

Aos 15 anos, contudo, deu asas a outro desejo. Motivado a tocar pífano, montou sua própria banda, a chamada Zabumba de Vitalino. Cinco anos mais tarde, no entanto, descobrira no folclore regional aquilo que viria ser sua grande fonte de inspiração e uma espécie de marca pessoal.

Dessa forma, com seu inigualável estilo figurativo, o jovem universalizou o cotidiano do homem sertanejo. Nascia, por conseguinte, o primeiro grupo de cangaceiros, uma de suas tão inocentes obras. Em seguida, entretanto, Vitalino também se envolveu com a esfera urbana, gerando, notoriamente, uma nova linhagem de figuras modeladas com o barro, além de uma série de auto-retratos.

Sua natural capacidade criadora tornou Vitalino o maior ceramista popular do Brasil. Algumas de suas peças eram feitas com barro de diferentes cores como vermelho tuá e o branco. Depois, o ceramista passou a usar produtos industrializados na pintura de seus bonecos que eram assinados com lápis e tinta preta. Enfim, o genial artista, ainda que analfabeto, aprendia a autenticar seus trabalhos, adotando mesmo o nome de batismo, V.P.S.

Deve-se destacar ainda a identidade daquele que revelou o talento de Vitalino para o país, o artista plástico Augusto Rodrigues. Só a partir de então, ele realizou sua primeira exposição no Rio de janeiro, o que, aliás, lhe permitira fazer ainda em vida uma doação para o Museu de Arte Popular de Caruaru. Tamanha habilidade, inclusive, fez com que seus trabalhos atravessassem nossas fronteiras continentais.

Ainda assim, Vitalino morreu pobre. Referência e orgulho do povo brasileiro, saliento, escreveu para sempre seu nome na história da arte genuinamente folclórica de nosso país. E estimulada por esse mundo de barros e fitas, animais e gente, artes e festejos, a Império da Tijuca comemorará na Avenida, durante o Carnaval 2009, o centenário do nascimento deste inquestionável talento. Para os aplausos de todos, vem aí, “O Mundo de Barro de Mestre Vitalino”.

SAMBA_ENREDO

Autores: Biel Resa Forte, Adilson da Viola e Chipolechi

Nordeste novamente é lembrado
Na figura de um humilde escultor

Vitalino, com seu mundo de barro
A terra que Deus criou, ele valorizou (bis)

Poeta no sentido figurado
De uma simplicidade sem igual
Que fascinado simplesmente
Retrata o Nordeste, sua gente
Grupo de bravos soldados
Camponês e lenhador (ôôôô)
Boiadeiros e rendeiras
Lampião e seu amor
O caçador com seu cão a farejar

Tudo isso lá na feira
É louça de brincadeira (bis)
Feita de barro-tauá

Folguedo do maracatu
Uma festa tradicional
Onde o poeta
Se fez internacional

Olha o boneco de barro
Quem quer comprar (bis)
Leva boneco freguesa
Pras crianças se alegrar

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