O Imperador morava ali, do outro lado do Tuiuti

OBatuque.com | | 16 de maio de 2006 21:21

Paraíso do Tuiuti

Enredo: “O Imperador morava ali, do outro lado do Tuiuti”
Carnavalesco: Marcelo Andrade e Marcos Januário

SINOPSE

São Cristóvão é um bairro com alma imperial. Aqui, podemos sentir ainda hoje esse espírito de ontem , de passado grandioso e aristocrático. Em largas avenidas, casarões parecem abrir-se para que entrem carruagens com damas da Corte voltando de seus passeios diários.

História que se inicia com a doação das sesmarias de São Cristóvão aos padres jesuítas, pelo então governador geral Estácio de Sá, que exploravam as terras acumulando poder e riquezas.

A partir da expulsão dos jesuítas no Brasil essas terras foram divididas em diversas propriedades com características de quintas e chácaras. Uma delas adquiridas pelo rico comerciante Elias Antônio Lopes. Com a chegada da família Real ao Brasil, Elias doou a sua propriedade a D.João transformando-a em residência do Monarca. Começa aí toda a realeza do bairro.

O imenso jardim que cerca o Palácio, seu gramado verde que acolhe famílias com seus farnéis de piquenique, prática comum até hoje, as árvores centenárias estão lá, como testemunhas silenciosas que agitam ao vento, o mesmo vento que arrancou perucas de duques e marquesas que chegavam para as festas e audiências nos salões imperiais, donde emanava o poder e as questões que comandavam esse imenso belo país dividido em províncias quase sempre nas mãos dos seguidores fiéis do Imperador.

Ah, e a paixão? Em sua casa, a Marquesa de Santos, a adorada Titila, esperava por seu grande amor, evocando o romantismo libertino de D.Pedro I, casado com a imperatriz Leopoldina, amor proibido que afrontava o convencionalismo da Corte.

Passado, tradição, aristocracia, mas nunca a acomodação retrógrada. Sempre em mudanças constantes. Neste bairro de contrastes é possível ver dali, das janelas do Palácio, a casa que mudaria por diversas vezes a história da região. De casa da Marquesa à residência do Barão de Mauá, símbolo de ousadia, progresso empresarial, onde a burguesia capitalista, baseada em monopólios, confabulava a respeito dos interesses financeiros e comerciais, minando a estrutura do poder escravagista, trazendo à região inúmeros progressos: os bondes, os carris, as fábricas, companhias nacionais, os curtumes e até as feiras no Campo de São Cristóvão.

Vindos no “pau-de-arara”, desembarca no Campo de São Cristóvão toda a riqueza cultural do Brasil, Jardim das Delícias regionais: carne de sol, queijo de coalho, boas pingas, rapadura, fumos; feira do chamego ritualizado no forró, que se dança agarradinho, anjos e demônios no “bate-coxas”.

Feira da saudade da terra árida, inóspita, mas presente e relembrada após uma semana de árdua lida. Pedacinho da terra natal, improvisado debaixo do céu azul de lonas. Nada menos imperial e mais plebeu, nada mais povo, mais gostoso.

São Cristóvão tem mais. Andando por suas ruas vemos os contrastes remanescentes até hoje. Grandes casarões transformados em bares, restaurantes pensões e lojas de comércio. Coincidência ou não, é o santo padroeiro dos condutores, e é no bairro que se concentra o maior comércio de autopeças e automóveis do Rio. Donde terá surgido essa aproximação entre o divino e o comércio? Coincidência ou providência?

Ao andar pelos arredores graças aos Pedros I e II, as culturas, as artes, as ciências valorizam nosso bairro. Colégios conceituados, os mais disputados em tempos atrás pela burguesia da Guanabara. Centros de Arte, Museu de Astronomia e Ciências e Observatório Nacional. Este que aproxima o nosso bairro das estrelas, de onde se pode observar o maravilhoso e inigualável céu do Brasil.

E domingo? Domingo é dia de Quinta! Andar por suas alamedas, empinar pipa, comer algodão doce, jogar bola – reviver nossa porção criança, aquela que procuramos preservar a qualquer preço – tudo isso, nos jardins da realeza. E a Quinta ainda reserva o Jardim Zoológico! A bicharada orgulhosa se exibe aos visitantes – tudo nos evoca, pelos sentidos, tempos idos, excursões com a turma do colégio, os passeios com a família e parentes.

Se a pelada acabou nos gramados do Rei, é porque está na hora do jogo ficar sério. Clubes de regata e futebol do nosso bairro conquistam títulos e glórias em gramados mundo afora.

Se a realeza se foi, ficaram tesouros de sua época. Que São Cristóvão possa nos abençoar e conduzir nessa viagem pela Avenida. Nossa Escola saúda o povo e pede passagem exaltando as belezas do Bairro Imperial.

Somos imperiais porque o Rei morava ali, do outro lado do TUIUTI!

Sandro Carvalho

Samba-Enredo

Autores: Du Pagode, Fábio Malafaia, Alemão e Diogo Rosa

São Cristóvão meu bairro imperial
Que já foi morada… da família real
O imperador, a marquesa e o barão
Moravam logo ali
Do outro lado do meu Tuiuti
Me fascina o teu passado de glória
Casarões e avenidas
Retratando história
Quinta da Boa Vista
Meu jardim de rara beleza
Presente da Mãe natureza

Tem cultura do nordeste
Culinária de primeira… lá na feira (bis)
Bebo uma pinga boa
E no embalo do forró
Vou dançar a noite inteira

E arte, ciência, indústria
E o comércio se alastrou na região
Louvor ao padroeiro
Que protege a direção
Parece obra divina
Variedades, autopeças, oficinas
No esporte o cadete e a Cruz de Malta
Tem lugar no coração
E o Jardim Zoológico
Pra família é lazer e diversão

No domingo eu vou à Quinta passear
Me divertir e extravasar (bis)
Meu Paraíso, pode aplaudir
É orgulho do meu Tuiuti

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