Dudu Alabukun do Arrastão visita a terra dos Yorubás

OBatuque.com | | 16 de maio de 2006 20:54

Carnavalesco: Comissão de carnaval (Armênio Erthal, Diego Aragão, José Carlos Laete, Júlio Matos, Luis Carlos Santos e Rafael Marques)

SINOPSE

I – PARTE

Encontro com a cultura YORUBÁ

Um sambista do Arrastão resolve mexer na história negra brasileira ao viajar para Nigéria e rever seus antepassados e suas raízes da etnia Yorubá.

O Dudu Alábukun (Negro Abençoado na língua Yorubá) do Arrastão fica maravilhado, pois na Nigéria encontra culturas negras quase idênticas as encontradas no Brasil, ou seja, Brasil e Nigéria são faces de uma mesma moeda, só muda determinados conceitos. As semelhanças que o nosso viajante encontra entre os Yorubás da Nigéria são em primeiro lugar a religião dos orixás trazida pelos Yorubás. Essa religião milenar ainda praticada na Nigéria nos levou uma cosmogonia de que mostra a criação do mundo através de uma ótica peculiar do povo negro que até hoje se espalha por todos os estados brasileiros. Falar em deuses como Xangô, Obaluaiê, Iansã, Ogum, Nanã e tantos outros é falar da contribuição dos Yorubás. Caminhando pela Nigéria o Dudu Alábukun encontra os vestígios do Ilê -Ifé , a cidade sagrada do povo Yorubá, onde o guerreiro Oduduá nos tempos imemoriais comandou a criação da civilização humana depois de Oduduá uma linha de reis orixás – seus descendentes – com títulos honoríficos de Alafin comandou uma dinastia que perpetuou a saga do povo Yorubá. Nosso sambista se identifica também com a ligação deles e a natureza, o culto aos orixás sempre feito nas florestas e seus principais conceitos se revelam na natureza.

II – PARTE

Descoberta da força de Maomé na Terra dos Yorubás

Indo mais além, nosso sambista encontra e verifica na Nigéria de hoje a religião de Maomé como sendo a predominante no país, vê as tradicionais mesquitas e todos os seus mistérios. Fica maravilhado com a cultura islâmica, como ela é forte no país, o respeito que eles tem pelo seu livro sagrado, seus princípios nele revelados, mesquitas reservadas aos homens (onde eles realizam suas orações), mulheres com seus véus (mantendo seus mistérios), principalmente suas danças (momento que elas tomam o poder de enfeitiça-los) e em sua alimentação a força que a pimenta tem.

Nosso Dudu lembra então, que a religião Islam em seu país, o Brasil, foi trazida pelos Yorubás, que já haviam sido islamizados quando da invasão do Golfo de Benin.

III- PARTE

Volta ao Rio de Janeiro – A Nigéria também é aqui!

O nosso sambista, satisfeito com sua viagem e tantas descobertas feitas, retorna ao Rio de Janeiro, Brasil, nos dias atuais. Logo de cara, percebemos que seus olhos estão mudados. Já vê o que está em volta de forma diferente. Passa então enxergar a presença da Nigéria no Brasil. Principalmente nas ruas do Rio, quando vê negros usando abadas e equetés – roupas tradicionais do povo Yorubá. Vê ainda o estampado de roupas usadas por militantes negros na Nigéria, ou seja, existe uma moda afro-brasileira moldada com influência dos Yorubás. Nosso Dudu vai mais longe. Ao visitar algumas agremiações, nota o fenômeno dos blocos afro, que nascidos na Bahia, se tornaram comuns no Rio e em outras partes Brasil. Os nomes Yorubás dos blocos afro – Alafin Aye, Agbara Dudu, Orumilá, Dudui Aye, etc. Lhe chama atenção também o centro do Rio formado por bairros como Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Praça Onze, Catumbi, Rio Comprido – que sofreram influência da cultura Yorubá. O samba, conta-se, nasceu no terreiro de Mãe Ciata(uma negra criada sob forte influencia Yorubá), em 1916, na Praça Onze. Os primeiros terreiros da religião dos orixás foram instalados no bairro da Saúde. Também no Rio os negros islamizados vindos de Salvador, após a Revolta dos Malês, moravam na Pequena África ou seja Nigéria lá, Niogéria aqui, sempre um encontro de culturas que redundaram numa cultura especial: a do afro-brasileira.

Carlos Nobre – autor do enredo

Samba-Enredo

Autores: Jerônimo, Sereno, Binho, Fernandinho dos Gatos, Vaguinho, Sorriso, Carlos Junior e Paulinho da Área
Em busca da história
Dudu abençoado viajou
E ficou maravilhado
Com as belezas que encontrou
Crenças e costumes nas terras
Yorubas
Influência na cultura brasileira
Fé nos orixás
Divina integração a Maomé adoração

Tem mistério atrás do véu
BIS A mulher com o poder de sedução (bis)
Na culinária a pimenta fortalece de
Paixão

Ao retornar para o Brasil
No Rio de Janeiro
Constatou é como olhar em um espelho
Nigéria somos iguais
Na arte, estampados coloridos.
Viu os blocos afros da Bahia
Do povão a alegria
De brincar a ser feliz
E no terreiro da Tia Ciata
Foi que o samba começou.

Amor vem desfilar
É o nosso Arrastão (bis)
BIS Seu verde e branco
Faz de um jeito
Sentir a emoção em nosso peito

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