Enredo: “Das veredas dos trilhos a um sonho de fé… A Ilha traz a conquista do pináculo, Corcovado tentação!”
Carnavalesco: Alaôr Junior e Antônio Roberto
SINOPSE
Ao entrar nas águas da Guanabara , Américo Vespúcio alçou sua luneta e viu um monte inigualável e exuberante, batizou-o de Pináculo da Tentação; na sua ilusão imaginou que o diabo se inspirara no paraíso ali presente para compor as ofertas tentadoras do episódio bíblico.
A União da Ilha, fantasiada de tentações, contará como o Corcovado foi conquistado e porque é um dos mais importantes pontos turísticos do mundo.
Enveredamos pelas trilhas, numa história de tentações com aquele que nos elevou à nação independente.
- Vou ao alto daquele monte! – Afirmou Pedro I. Capturado pelos prazeres da região, desbravou subida íngreme alternando trechos ora a cavalo, ora a pé, atingindo o cume após horas. Anos mais tarde organizou uma expedição oficial que percorreu um caminho melhor preparado, levando consigo Debret , artista francês que confirmou a concepção do antigo navegador, e através de desenhos e textos, esboçou a exuberância das matas , a singeleza das flores , a riqueza de pássaros e borboletas, o frescor dos regatos , enfim, a visão tentadora que transpirava a perfeição do Criador .
As águas que vertiam do maciço foram fundamentais para hoje termos uma cidade; por meio delas, em especial as do Rio Carioca (na língua indígena – “viveiro de acaris”) que batizou nossa naturalidade, pôde-se estruturar uma rede de abastecimento com aquedutos e reservatórios, permitindo urbanização mais confortável.
O Rio Carioca nascia aos pés do Corcovado, na Fonte do Beijo, precipitando daí até o mar; as águas desse e outros pontos alimentaram fontes e chafarizes no Rio Antigo, popularmente conhecidas como Águas Férreas. Foi o Carioca um importante eixo de ocupação dessa terra, pois pelo seu volume, limpidez e potabilidade das águas e quantidade de pescados (acaris), congregou propriedades às suas margens, nobres plantações, e na busca de redutos de paz, os homens foram tentados por águas que o monte chorou e estruturaram bairros, tais como o Cosme Velho, que conquistaram as bases e até hoje abraçam o Corcovado.
O Rio de Janeiro crescia, o Corcovado despontava como ponto turístico, atraindo a muitos, sendo lugar freqüentado pela Corte para passeios e piqueniques dominicais.
Com o passar do tempo, uma trama de trilhas já existia quando a modernidade foi arrebatada pelas tentações. Visando facilitar a subida ao monte, quando já governante, Pedro II assinou um decreto autorizando Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares, experientes engenheiros do Império, a coordenarem a construção de uma Estrada de Ferro que galgasse o Corcovado .
Tentados e aguçados a vencer os aclives, elaboraram um traçado perfeito que deu vida à 1ª Estrada de Ferro Turística do Brasil , com requintes de estar perfeitamente integrada à natureza. Mergulhada nas tentações, a engenharia leva o homem à conquista de cotas e vãos numa vereda de trilhos que enraízam sua história nas rochas por mata adentro, serpenteando a montanha para alcançar o topo e desfrutar de um das mais belas visões do Brasil.
Se Pedro I, Debret, Pereira Passos e tantos outros foram tentados, não diferente foi com o Padre Lazarista Pedro Maria Bos, visionário e idealista como que em poética coincidência, imaginava o Corcovado como pedestal natural erguido por Deus para receber a imagem do Redentor, perpetuando nesse grande sonho iluminado uma associação religiosa, ou quem sabe predestinação?! Que sagrou o monte desde o vislumbre de Vespúcio.
A idéia amadureceu durante anos, a semente que o Padre Bos plantou não germinou a tempo, dele em vida, poder vê-la florescer. O certo é que, pela inteligência humana expressão plena do Criador, através da conjugação da Engenharia, Arquitetura e Escultura , venceu-se dificuldades e sob corações múltiplos que responderam ás campanhas de donativos na Semana do Monumento, e pelas diversas mãos envolvidas diretamente na execução do projeto plasmou-se no concreto o maior monumento religioso do mundo, erguendo um verdadeiro e longo sonho de fé.
A saber, a execução da obra de tamanho vulto, só foi possível graças aos trenzinhos que conduziram todo o material e pessoal envolvido na edificação do Redentor, que faceado pela doçura, tem engastada na rocha sua presença como teoria de proteção, benção e altivez, compondo quadro multicor, maior cartão postal do Brasil. Na atualidade o Corcovado também é espaço para manifestações, pedidos de paz, etc.
Hoje, nos 120 anos da Estrada de Ferro do Corcovado, a União da Ilha é que pega o trem , e de braços abertos numa prova de amor ao Brasil, incorpora férreas tentações, e movida pelo seu sonho de fé galga o monte, clama por paz e convida a todos ao desfrute das delícias ali presentes. Percorrendo os trilhos de histórias de conquistas, apresentando um paraíso natural que envolve cultura, modernidade e fé, a Ilha reflete todo encanto e magia presentes no Corcovado , aguçando sentidos e fazendo palpitar corações no desvelar de nobre recanto que é fonte de riqueza, beleza que nos faz sonhar.
Rendemos graças ao “Pináculo da Tentação”, que rebatizado de Corcovado, recebeu com carinho esse nome… quase apelido, corporificando nos seus contemos rochosos a personalidade irreverente, solta, alegre e criativa que marca o caráter do povo carioca e a simpatia da União da Ilha.
Monte altaneiro, que inspira nos homens a presença do Divino, no seu silêncio se orgulha do vai e vem dos trenzinhos que, deslizando sobre suas curvas, conduzem os atraídos e tentados para o altar próximo ao céu e permite a bela visão afirmamos: aqui é o nosso chão, nossa raiz.
Lá em cima, e somente lá, num privilegiado momento de êxtase, nos sentimos atores da história desse gigante, tal como tantos que o conquistaram. Presenciando um verdadeiro congraçamento de nacionalidades no cume do pináculo, situação que se repete na passarela do samba. Assim, compreendemos a perfeição do Criador, logo ali próximo… no céu, no mar, na fauna, na flora, na energia das rochas, enfim, nas bênçãos que pairam nas nuvens que permeiam nossas almas.
Rogamos ao Arquiteto Universal, representado ali em imagem e semelhança como Redentor, muita paz, justiça e igualdade, com anjos conduzindo votos do povo carioca na esperança de dias melhores para esta terra, que, com certeza, foi escolhida por Ele como Pátria. Que Deus abençoe nossos trilhos na Avenida!
Roberto Antônio e Alaôr Junior
Samba-Enredo
Autores: Djalma Falcão, Bicudo e Marco Moreno
Nas ondas do mar viajou, o Sol clareou!
O brilho no olhar do grande navegador
Gente de além horizonte
Vem conquistar o monte
Oh! Bem-vinda tentação!
A Ilha segue os passos do imperador
Traz nos braços a fauna, a flor…
Na magia do Criador
A águia traz os traços do pintor
Vem meu amor, vem, vem mergulhar…
O meu Rio é carioca, as águas vão rolar (bis)
Da fonte do beijo, no calor do desejo
Vejo a cidade despertar
A Corte passeia em delírio
Das trilhas, os trilhos vêm anunciar
Que o show é lá no Corcovado
Monumento abençoado
Paisagem que seduz e faz sonhar
Eu também tô nesse trem
Vou nesse zig-zag, nos abraços do meu bem!
Os anjos sorrindo, do céu vão surgindo
Em preces estão aplaudindo de pé
Meu povo em seu sonho de fé
No alto daquela colina, tem uma Luz!
Uma imagem divina (bis)
Que nos ensina o que é paz e amor
E ilumina a Ilha do Governador



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