Carukango

OBatuque.com | | 21 de maio de 2007 23:32

Carnavalesco: Oswaldo Luiz (Deco) e André Wendos

SINOPSE

Antigamente, os orixás eram homens. Homens que se tornaram orixás por causa de seus poderes, de sua sabedoria, sua força e suas virtudes. Em cada vila, um
culto se estabeleceu sobre a lembrança de um ancestral de prestígio. E, lendas foram transmitidas de geração em
geração para render-lhes homenagem.

No Òrun, o universo, e no Àyié, a terra, a luta dos negros contra as injustiças contou com corajosos guerreiros. E na nossa história, se destaca Carukango, o guerreiro feiticeiro que virou rio. Sua odisséia dá-se a partir de Moçambique,

Em anos de intensa exploração Africana por Portugal, os dioulas africanos não paravam de trazer negros capturados no interior. Entre eles, estava um líder político, militar e espiritual de sua tribo: Carukango, chefe e feiticeiro,
que fora emboscado, aprisionado, e vendido como escravo á traficantes que os trouxeram da África ao Brasil. O tumbeiro aportou na Ilha de Sant’anna para a quarentena. Nela, além dos cativos do Estrela de Macahé, muitos outros negros trazidos por outros tumbeiros, para serem vendidos em
terras brasileira. Embora fosse coxo e meio corcunda, era um líder, um chefe e feiticeiro, e poderia agir como escravo, e servir de interlocutor entre seus donos e os demais cativos. Porém, Carukango não atendeu às expectativas
de seu novo dono, sequer aprendeu a “Língua Portuguesa”, não abandonou suas crenças, estabeleceu liderança sobre os outros escravos da fazenda, resistiu ao trabalho com sabotagens e negligências, não havia castigos que o
fizessem mudar.

Carukango incentivou questionamentos, inconformismo e rebeliões, culminando em sua fuga e de outras dezenas de
escravos. Os fugitivos evadiram-se para o cume das montanhas da Serra do Deitado, hoje, parte dos municípios de Macaé e Conceição de Macabu, em altitudes superiores a 600 metros, lá encontraram um platô suficientemente
grande para abrigar uma comunidade. Organizados em um trabalho coletivo, cooperativo, democrático e social; criaram um abrigo coletivo, implementaram plantações diversas, e aproveitaram a caça e a coleta local.

O assentamento criou fama, outras fugas em massa ocorreram em diversas fazendas, os atritos entre
proprietários e feitores contra os fugitivos, tornava-se cada vez mais intenso. Os ataques propiciaram grande número de fugas e saques, tornando o“quilombo”maior e cada vez mais forte; sendo Carukango identificado como líder.

A localização e a engenhosa proteção de Carukango tornou este quilombo o maior da região, talvez do Rio de Janeiro, e
quem sabe, um dos maiores do Brasil.

Deu-se inicio a fortificação do Quilombo de Carukango.

Percebendo as fraquezas militares de Cabo Frio, Macaé e arredores, acorreram em auxílio ao chefe do Distrito Militar
da Capitania do Espírito Santo, o Coronel Antônio Coelho Antão, que partiu em socorro ao vilarejo de Macahé.

Às milícias do Espírito Santo, juntaram-se as polícias de Campos, Macaé e Cabo Frio, além de populares de toda a
região. Com ataques frustrados; As milícias, armadas a ferro e fogo, foram sucessivamente repelidas nos confrontos
dentro das florestas e nas montanhas, especialmente por desconhecerem o terreno e não conseguirem surpreender
os quilombolas.

Todas as trilhas foram bloqueadas, as milícias fizeram sucessivos ataques com uso constante de armas de fogo, até que finalmente, atingiram o platô onde se localizava o quilombo. A batalha foi desproporcional, as milícias, bem
armadas e numerosas, já iniciavam o massacre dos quilombolas, quando Carukango surgiu do interior da
construção paralisando o confronto, sacou uma pistola de dois canos, disparando e matando o filho mais moço de Francisco Pinto, o seu comprador e escravizador no Brasil. Carukango foi linchado, massacrado e mais tarde esquartejado pelas tropas, e, os quilombolas que não foram massacrados, suicidaram-se atirando-se dos penhascos
e furnas da região.

A cabeça e partes do corpo de Carukango ficaram espetadas em estacas pelas estradas que se aproximavam da região, até que se decompusesse.

Seu corpo a céu aberto, permitiu a liberdade que o guerreiro tanto desejava; onde a mãe natureza, utilizando-se dos poderes de Iansã a rainha dos ventos, soprou e derramou os seus restos, nas águas do rio que passava as margens da estrada onde ficou sua exposição. Foi nas águas do rio que a liberdade alcançou, indo ao mar para os braços carinhosos de Iemanjá, que o leva em suas “correntes”, de volta à mãe áfrica.

O rio tranqüilo que desce da serra á caminho do mar, que me leva pra África, vou te nomear: Carukango é teu nome,
guerreiro valente! Que virou orixá.

Bibliografia:mestrado de Professor
Marcelo Abreu Gomes, Universidade
Castelo

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