Enredo: “As águas de Oxalá”
Carnavalesco: Guilherme Alexandre
SINOPSE
Abençoada a lição que veio da África antiga, que até hoje abre nossas mentes, em busca de soluções para um mundo melhor. Uma lição embasada na tolerância, no perdão, na justiça, pois a tão sonhada paz não é a ausência da guerra, e sim a presença da justiça.
Essa lição nos é transmitida através de uma lenda africada, que inicia-se com Oxalá, que, um dia, sentindo saudades do filho Xangô, resolveu visitá-lo.
Como era costume na terra dos orixás, consultou um babalaô para saber como seria a viagem. Este recomendou que não viajasse. Mas, como Oxalá teimava em ver o filho, foi aconselhado a levar três mudas de roupa, sabão e limo-da-costa, não devendo pedir ou se recusar a dar nada que lhe fosse pedido, tendo, também, de fazer voto de silêncio, não revelando sua identidade.
Com essas precauções, o orixá partiu e, no meio do caminho, encontrou Exu por três vezes, e por três vezes foi vítima de brincadeiras de mau-gosto de Exu, sujando-se de azeite-de-dendê, àdin e pó de carvão.
Ao aproximar-se da terra do filho, avistou um cavalo que conhecia muito bem, pois presenteara Xangô com o animal. Foi mal interpretado pelos soldados de Xangô, que julgaram-no ladrão do animal, que havia fugido do palácio. Espancaram Oxalá até quebrar seus ossos e o arrastaram para a prisão.
Passados sete anos, Oyó, reino de Xangô, entra em decadência, sofrendo sua pior seca, comprometendo toda a colheita. Epidemias, doenças e mortes sucederam-se com freqüência. Xangô, preocupado com isso, consultou seu babalaô e este afirmou que os problemas se relacionavam a uma injustiça cometida no passado, pois um dos presos fora acusado de roubo injustamente. Xangô dirigiu-se à prisão e reconheceu Oxalá. Envergonhado, ordenou que trouxessem água para limpá-lo e, a partir desse dia, exigiu que todos no reino se vestissem de branco em sinal de respeito a Oxalá, como forma de reparar as ofensas cometidas.
Oxalá a todos perdoou, pois também fora teimoso em relação ao seu destino. A justiça comandou o destino dos maus juízes, e a prosperidade reinou não só em Oyó, mas em todo o mundo Yorubá! É por isso que em todos os terreiros do Brasil comemora-se as “Águas de Oxalá”!
Esta lenda serviu de base para a grande festa da Lavagem do Bonfim, onde dezenas de baianas lavam a escadaria da Igreja de Nosso Senhor do Bonfim, que corresponde no sincretismo a Oxalá, com muita água de cheiro, varrendo todo o ódio, doenças, inveja, fome e injustiças a que o povo brasileiro é acometido.
Águas de Oxalá!
Vamos lavar corpo e alma do povo na avenida! Vamos lavar nossas mentes, em preparação a um grande ato ecumênico, em reza a nossa Agremiação, para conquista do tão sonhado título de campeã, através de um canto de fé!
Um canto de fé nas Águas de Oxalá!
Axé!
Obs.: Babalaô- Cargo de quem tem o dom da adivinhação do destino, através do jogo de Ifá (ou de búzios).
Samba-Enredo
Autores: Ivan Pagodeiro, Professor, Nelsinho e Ginho
África é lenda, é poesia
E inspira o Boi da Ilha a cantar
Canto à justiça na cultura yorubá
Saudades de Xangô sente Oxalá
Filho distante coração quer visitar
Sobre o destino consultou babalaô
Há sofrimento e dor no longo caminhar!
Surge Exu na viagem
Vai com dendê, adin e carvão
Sujar as roupas do rei (do rei)
A injustiça se apresenta ao orixá!
Nos soldados de Xangô ô, ô, ô, ô
A prisão de Oxalá, pai Oxalá (bis)
A miséria se espalhou, sete anos em Oyó
Tudo tinha que mudar!
Liberdade!
Das águas do senhor felicidade
Liberdadade, o perdão, a igualdade
Salve a força da fé
Nos traga o axé, o oxaguiã
Na lavagem do Bonfim
Romaria e devoção
Caminham os fiéis
Com fogos a saudar
As águas de Oxalá
Tem água de cheiro
Baiana a girar (bis)
Meu povo cantando
A paz vai reinar!



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