Carnavalesco: Milton Cunha e Mário Monteiro
SINOPSE
Justificativa
O nosso enredo vai contar uma breve história da Arquitetura no Brasil, enfocando os principais estilos característicos e predominantes em cada época. Através das Alegorias, vamos mostrar a essência básica de cada estilo.
As Alas vão ilustrar as folias, modas e costumes predominantes em cada época, enfatizando festejos e manifestações do povo brasileiro, formadores da cultura popular, cuja expressão máxima originou o Carnaval Brasileiro, particularmente, o Carnaval Carioca.
Resumindo, vamos contar 2 histórias paralelas dentro do mesmo enredo; a história da Arquitetura (Alegorias) e a estória das Folias (Fantasias). Será interessante verificar que a Arquitetura sem pré esteve presente, integrada e participativa, desde as primeiras manifestações do povo brasileiro, com os índios, passando pelos gênios populares, como Aleijadinho, até culminar com a construção do templo máximo de nosso show maior, que é o Sambódromo, obra desse nosso notável Arquiteto, Oscar Niemeyer.
Um desfile que:
1 – preste uma homenagem à História de nossa Arquitetura, chamando a atenção para a relação entre ela e a vida cultural (folias) brasileira;
2 – preste uma homenagem aos arquitetos brasileiros, aqui simbolizados por Oscar Niemeyer;
3 – Seja politicamente correto, falando dos “Arquitetos” populares, como o caipira Jeca Tatu, n a casa de sapê, o talentoso mestiço Aleijadinho, os nordestinos que ergueram a moderna São Paulo, e os criativos m oradores e construtores de nossas favelas;
4 – que também seja crítico e atual, cobrando responsabilidades de n ossos construtores, das edificações perigosas que inclusive desabam, e da exploração dos corretores imobiliários, vendendo uma sub-arquitetura, camuflada por prospectos atraentes e propagandas enganosas, iludindo os incautos que só caem na real quando recebem as chaves do “apertamento” – espaço exíguo, sem luz e ventilação adequadas;
5 – que eleja a Viradouro (Niterói) como a melhor construção do carnaval no coração de nossos torcedores e componentes desfilantes.
A SEQUÊNCIA NA AVENIDA
São quinhentos e cinco anos de histórias estórias, divididos em 8 partes:
Parte 1: “OCA À VISTA”
O DESCOBRIMENTO (ANO 1.500)
ARQUITETURA INDÍGENA
FOLIA CORRESPONDENTE: FESTA PORTUGUESA NA TABA INDÍGENA
Parte 2: “ASSIM NA TERRA COMO NO CÉU”
O BRASIL COLÔNIA (ANO 1.500 A 1.822)
O BARROCO BRASILEIRO – ALEIJADINHO
FOLIA CORRESPONDENTE: PROCISSÕES RELIGIOSAS
Parte 3: “QUERENDO SER A CORTE”
O IMPÉRIO (1.822 A 1.892)
O ESTILO NEOCLÁSSICO
FOLIA CORRESPONDENTE: BATUQUE NA SENZALA
Parte 4: “QUERENDO SER PARIS”
A REPÚBLICA/ 1º PERÍODO (1.892 A 1.920)
O ESTILO ART NOUVEAU (SE LÊ AR NUVÔ)
E O ESTILO “ECLETISMO”
FOLIA CORRESPONDENTE: ENTRUDO, GRANDES SOCIEDADES, BAILES, CORDÕES DE CANAVAL
Parte 5: “ANTROPOFAGIA MARAJOARA, QUERENDO SER BRASIL”
A REPÚBLICA/ 2º PERÍODO (1.920 A 1.945)
O ESTILO ART DECO (SE LÊ AR DECÔ)
FOLIA CORRESPONDENTE: BATALHA DE CONFETE E DESFILE DE ESCOLA DE SAMBA (PEQUENA ÁFRICA DA TIA CIATA)
Parte 6: “RECONHECIMENTO INTERNACIONAL”
A REPÚBLICA/ 3º PERÍODO (1945 ATÉ OS DIAS ATUAIS)
O MODERNISMO: OSCAR NIEMEYER
FOLIA CORRESPONDENTE: VIDA NAS FAVELAS
Parte 7: “ARQUITETURA IRRESPONSÁVEL / DECONSTRUÇÃO”
A REPÚBLICA / 4º PERÍODO (ATUAL)
A MEMÓRIA DESTRUÍDA
FOLIA CORRESPONDENTE: REFÉNS PRESOS EM CONDOMÍNIOS
Parte 8: “PISANDO NOS ASTROS DISTRAÍDOS”
(FUTURO) – A ARQUITETURA ESPACIAL
FOLIA CORRESPONDENTE: A VIRADOURO É A M INHA CASA!
(SEJA LÁ ONDE ELA ESTIVER CONSTRUÍDA, POIS ANTES A VIRADOURO ESTÁ CONSTRUÍDA EM MEU CORAÇÃO)
Sinpse: “Arquitetando folias”
1 – Nossas primeiras construções, Ocas indígenas, revelam um povo solidário, partilhados, com várias famílias sob o mesmo teto;
2 – Depois, vem o Estilo “Jeca Tatu” do caipira brasileiro, com casas de sapê, que traduzem a sabedoria de nosso homem simples;
3 – O Barroco promove o Sincretismo, com negros e índios erguendo templos católicos brancos, cheios de simbologia de outras crenças (como búzios e sacis-pererês);
4 – Da Vasa Grande e da Senzala surge o Brasil mulato, brasileirinho da Silva;
5 – No Império imitávamos Portugal (NeoClássico) e um baile na Ilha Fiscal fez ruir toda uma era;
6 – Na República queríamos ser Paris (Eclético e Art Nouveau) e o Prefeito derrubou o centro do Rio para abrir a Avenida Central;
7 – O Decô Brasileiro é único no mundo pela estampa Marajoara;
8 – Nossa arquitetura Modernista é destaque Mundial, o gênio Oscar Niemeyer desenha um novo Brasil em Brasília e lança Niterói ao Espaço Sideral a bordão do Disco Voador do MAC (Museu de Arte Contemporânea);
9 – As favelas testemunham uma arquitetura da miséria econômica e da riqueza cultural brasileira, pois a “pequena África de Tia Ciata” viu nascer o Samba, até hoje cultuado nas escolas, ruelas e descidas das comunidades;
10 – Pratica-se atualmente a arquitetura da irresponsabilidade, do desrespeito à qualidade de vida, onde até prédio desaba;
11 – Mesmo flutuando no espaço, daqui a algum tempo, teremos a Cada da Família Viradouro;
12 – As Folias (religiosas, culturais, pagãs) sempre circundaram as construções brasileiras, sendo que vários de nossos conjuntos arquitetônicos são reconhecidos internacionalmente e tombados pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade;
13 – A Arquitetura Brasileira traduz as diferentes formas de nosso sentimento de “brasilidade” e por isso cada período tem sua arquitetura “falante”;
14 – A Arquitetura reflete a vida;
15 – O Arquiteto é o poeta das formas.
Um poema de Mário Monteiro para “Arquitetando folias”
A Viradouro arquitetando na folia
Hoje veste a fantasia
Do Arquiteto brasileiro
Construtor de poesias.
Como uma planta que brota no chão
O Arquiteto levanta
Do solo
A construção
Forma, função, conteúdo
Casas, edifícios
Modulados
Tem de tudo;
Habitação popular
Pré construídos
Desabados
Demolidos
Sem terras,
Sem tetos (o morro é a sua nação)
Construindo o impossível,
Salpicando de estrelas nosso chão.
E o Pedro Pedreiro?
Este humilde brasileiro,
Já falava o poetinha:
“erguendo uma casa aqui
Adiante um apartamento
Além, uma igreja, á frente
Um quartel e uma prisão.
Prisão de que sofreria
Não fosse, eventualmente
Um operário em construção”.
Darcy Ribeiro: Arquitetura é luz para a dignação de um povo
“Oscar Niemeyer é o fato cultural mais importante que sucedeu ao Brasil. Que seria de nosso passado sem o Aleijadinho? Estaríamos deserdados, empobrecidos, na mesma proporção em que de, tendo existido, dignificou o nosso povo. Demonstrou como é quanto, nossa gente mestiça é dotada da mais alta criatividade artística e cultural. Oscar é a mesma coisa, hoje. Um longo hoje, feito das décadas que ele vem iluminando com o seu talento, através de obras de esplêndida beleza, distribuídas mundo afora”
Ferreira Gullar: Poema lição de arquitetura (1976)
Arquitetura é revelar o açúcar da pedra
“ele não faz de pedra
nossas casas:
faz de asa…
… faz aterrizar uma tarde
uma nave estelar
e linda
como ainda há de ser a vida
(com seu traço futuro
Oscar nos ensina
Que o sonho é popular)…
Nos ensina a amar
Mesmo se lidamos
Com a matéria dura
O ferro o cimento a fome
Da humana Arquitetura
Nos ensina a viver
No que ele transfigura
No açúcar da pedra
No sono do ovo
Na argila da aurora
Na alvura do novo
Na pluma da neve
Oscar nos ensina
Que a beleza é leve”.
Revista Arquitetura e Construção:
Arquitetura como espírito, Imaginação e Poesia
“As Ocas são inteligentes… O índio mantém as tradições de seu estilo de morar. Curvas imponentes sustentam suas ocas, construídas da mesma forma há mais de 600 anos… Num exemplo de harmonia, ali convivem até setenta pessoas de uma mesma família…”
“Brasília é o exercício da Arquitetura como manifestação do espírito, da imaginação e da poesia… O primeiro passo foi marcar o terreno com uma cruz, como sinal de conquista bem n o centro geográfico do país. A leveza de seu estilo pousou no cerrado vazio como uma grande ave de com creto e vidro, instalando ali uma paisagem futurista”.
Roberto Segre: Arquitetura como cultura, ideologia e estética
“A Arquitetura, no Brasil e no Mundo, foi sempre condicionada pelas contradições dos processos sócio econômicos”
“Todas as leituras críticas da arquitetura brasileira coincidem em valorizar a criatividade e originalidade…”
“As múltiplas categorias da arquitetura contemporânea, leveza, transparência, distorção, complexidade, ambigüidade, hibridação, dispesão, desmaterialização, contextualismo, podem se desenvolver com linguagem diversificadas e representações formais que terão validade universal”
“Não é casual a intensa releitura das obras dos “fundadores”, não é para procurar receitas ou esquemas formais, mas para resgatar os conteúdos culturais, ideológicos e estéticos que a partir de um momento histórico, mostraram ao mundo a criatividade deste país. Sobre este embasamento dialético uma identidade mutante surgirá sempre no devir arquitetônico”
Milton Cunha, Mário Monteiro e Cacá Monteiro
Niterói – Junho de 2005
Dedidado ao sonho Alvo-Rubro de Monassa
Samba-Enredo
Autores: Waldeir Melodia, Dadinho, Evaldo, Tamiro e Peralta
Brasil! Terra de encantos mil
Que a miscigenação
Alterando os conceitos incentiva a criação
Vindos de além-mar, não poderiam imaginar
Quanta beleza, a natureza
Pros nativos era um lar
Nas obras de pedra-sabão
Barroco, fé e devoção
Nas senzalas, eu vi brotar
A nova raça brasileira
Com a moda de Paris
A burguesia faz seu carnaval (bis)
Resiste, reluz o samba
E o artista, arquiteta o visual
Chega de ver tanto sonho desabar
A humanidade deve mudar
Favela oh! favela
O teu passado, me faz lembrar
Dos tempos em que a noite estrelada
Salpicava a morada
Obrigado meu Senhor, por ter iluminado
A mente desse homem, pelo mundo consagrado
Que fez cidade sem igual,
Museu como nave espacial
Arquitetando folias
Na apoteose, sou o astro principal
De vermelho e branco amor, vou sambar
Seja onde for, terra, céu e mar (bis)
De braços abertos, que emoção
A Viradouro mora no meu coração



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