UNIDOS DO PORTO DA PEDRA

21-07-2008

Do discípulo Thiago
a mestre da Porto
da Pedra, uma
trajetória de
aprendizado

Por Marcelo Sperle
 

Ao lado de mestre Louro, ele aprendeu os ensinamentos da vida e, principalmente, como dirigir uma bateria. Thiago Diogo de Souza Salgado, 27 anos, carioca, morador do bairro do Riachuelo, músico e socorrista de emergências médicas, conta em entrevista ao OBatuque.com sua trajetória, desde a direção de tamborim na Aprendizes do Salgueiro até chegar ao comando da bateria da Porto da Pedra.

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OBatuque.com - Quando começou a freqüentar e gostar de samba?
Thiago - Comecei a freqüentar samba com meus pais, desde o meu nascimento. Na verdade, ainda na barriga da minha mãe (risos).
OBatuque.com - Quando começou a dirigir uma bateria?
Thiago - Comecei a dirigir bateria na Aprendizes do Salgueiro, mais ou menos em 1995, por aí, como diretor de tamborim, e em 1997 já era ajudante do Louro no tamborim do Salgueiro.
OBatuque.com - Como foi trabalhar com Mestre Louro?
Thiago - Trabalhar com Mestre Louro foi tudo, pois ele sempre me deu e me colocou nas melhores oportunidades musicais, acreditou em mim, me passou ensinamentos. Nossa amizade era tão forte que onde estava um, estava o outro, ele era um pai, um mestre... meu melhor amigo. Nos falávamos todos os dias, várias vezes por dia. Ele me colocou na roda dos grandes mestres e amigos, como Ciça, Paulinho, Mug e Odilon, os quais respeito bastante.
OBatuque.com - O que representa a perda de Mestre Louro?
Thiago - A perda dele foi muito dura, quem me conhece sabe que até a ficha cair foi dura, não só para mim quanto para o carnaval em geral, devido ao grande ícone que ele representava. A escola que ele deixou para mim, o Marcão do Salgueiro foi sensacional!!
OBatuque.com - Quais os aprendizados?
Thiago - Vamos dizer que 90% do que aprendi foi com ele.
OBatuque.com - Louro era contra rainhas de bateria e paradinhas. Você é da mesma opinião?
Thiago - Quanto às rainhas, ele era um cara tradicional, achava que a atração principal era a bateria e não as rainhas. E quanto às paradinhas, ele gostava e falava que feijão com arroz também alimenta. Na minha opinião, hoje em dia o espetáculo pede as paradinhas, o público delira mesmo. É show de bola ver a galera delirar com um batuque nosso. E quanto às rainhas... Isso é com o presidente, ter ou não ter é com ele mesmo.
OBatuque.com - Qual foi o mestre que serviu de inspiração?
Thiago - A minha inspiração, além do Louro, vem da escola dos mestres que ainda estão na ativa: Ciça, Odilon, Paulinho Mug... São caras sensacionais. Nós, da nova geração, que já está nascendo unida e aprendeu com eles, vamos ter nosso momento, mas como eles, acho muito difícil, pois tudo que ainda passaremos eles já passaram, com dificuldades que hoje em dia não vamos encontrar pela forma que se organiza o espetáculo de nossas baterias.
OBatuque.com - Quantos componentes na bateria a Porto da Pedra terá no próximo carnaval?
Thiago - No próximo ano desfilaremos com 270 ritmistas. 20 a mais que no carnaval deste ano.
OBatuque.com - Como você define seu estilo?
Thiago - Meu estilo? Sou meio rebelde, mas gosto de qualidade em cada naipe e ousadia total.
OBatuque.com - Quais as novidades?
Thiago - Novidades... Mais mulheres e mais instrumentos em cada naipe. Estamos refinando bem, para obter bastante qualidade musical em nossa bateria.
OBatuque.com – Ultimamente, as escolas têm utilizado diversas paradinhas e o público não se emociona tanto como se emocionava antigamente, devido aos excessos. Algumas delas têm feito mais sucesso por conta de uma rainha famosa do que propriamente das bossas. Como você analisa isto?
Thiago - As bossas, às vezes, são boas, mas, devido ao andamento errado, se tornam difíceis de compreender, pois são executadas muito rápido e quando a galera vê já acabou.
Mas os mestres, em geral, têm se preocupado com isso, para tornar mais ousado e agradável curtir uma boa paradinha, até porque o espetáculo, a galera, e, principalmente, os jurados pedem.
OBatuque.com - Um samba que você gostaria de comandar na Avenida?
Thiago - Samba? Soca no pilão, Salgueiro 1992, “O Negro que Virou Ouro nas Terras do Salgueiro”, de Bala, Efealves, Preto Velho, Sobral e Tiãozinho do Salgueiro.

 

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