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25-02-2008
Entrevista
Alex Oliveira
Por
Wellington Lopes
Dez vezes Rei Momo
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O carioca Alex de Oliveira Silva, de 35 anos, nascido no dia 4 de maio,
arquiteto, paisagista, urbanista com pós-graduação em design de interiores,
cenógrafo e figurinista, carrega no peito, pela décima vez, a
faixa de Rei Momo do Carnaval Carioca, onde ele começou como mestre-sala
mirim da Portela em 1984. Alex já chegou a pesar 225kg, quando o Rei
Momo tinha que seguir uma tradição histórica de obesidade. Hoje, bem
mais magro após uma redução de estômago, nosso rei conta aos seus súditos
um pouco da tradição momesca e de sua história no mundo do samba.
***
OBatuque.com
-
Como
surgiu a
cultura
do
Rei
Momo?
Alex Oliveira
- Na mitologia grega, Momo era o deus da galhofa e do delírio, da
irreverência e do achincalhe, tendo sido expulso do Olimpo por seu
comportamento zombeteiro. Na Roma Antiga, por ocasião das
saturnais, o mais belo soldado era coroado Rei Momo e tratado como
verdadeiro senhor, comendo, bebendo e se divertindo à exaustão.
Quando a festa chegava ao fim, o alegre monarca era levado para o
altar de Saturno e sacrificado. Morria o Rei Momo, mas no ano
seguinte elegia-se outro.
Ao correr do tempo, nas loucuras do carnaval, Momo era saudado de
forma exclamativa: "Evoe!"... "Evoe!".
No Brasil, em 1862, o caricaturista Henrique Fleuss o figurou na
Revista Ilustrada, levantando a máscara, sorrindo e tendo
na outra mão o cetro da soberania, um pesado e tosco bastão. Em
1933, no ano em que o carnaval carioca foi oficializado, o jornal
A Noite, no dia 18 de fevereiro, sugeriu que essa história
fosse atrelada à festa e publicou na íntegra toda a cerimônia de
posse, que a partir daí, passou a fazer parte do nosso carnaval.
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- O
carnaval
tem
um
ligação
com
você
desde
seu
nascimento,
como
é essa
história?
Alex
- A minha
mãe contava que, estando grávida de mim aos sete meses, foi ao
baile de carnaval dos funcionários dos Correios. Num determinado
instante, aconteceu uma briga e ela foi empurrada ao chão, sendo
socorrida no hospital, gerando um problema que ocasionou riscos à
sua gravidez, que teve o parto induzido. Por conseguinte, após 3
meses, eu nasci, ou seja, nasci de uma briga de carnaval.
A posteriori, minha infância nos subúrbios do Engenho de
Dentro e Quintino Bocayuva possibilitou meu contato próximo com os
blocos e bandas, vivenciando o verdadeiro carnaval de rua e,
então, na adolescência, mais precisamente aos 13 anos, ingressei
na ala das crianças da Portela como mestre-sala mirim, reforçando,
assim, meu amor pelo samba e o carnaval. Então, o que eu posso
dizer é que o samba e suas escolas e toda manifestação de cultura
popular do carnaval são minhas paixões, vivencio esse universo
durante toda a minha vida e me dedico, procurando fazer o melhor
possível para estar à altura da importância da festa.
OBatuque.com
-
Na
extinção
pela
Prefeitura
da obrigatoriedade de
que
o
Rei
Momo
fosse
obeso,
você
mudou
radicalmente
seus
hábitos. Como
foi
isso?
Alex
- A princípio, achava a mudança extremamente radical. Afinal,
anterior à mudança, todos os interessados em concorrer a Rei Momo
deveriam pesar, no mínimo, 130kg. Porém, o prefeito César Maia,
consciente da necessidade de combater a obesidade mórbida,
extinguiu a obrigatoriedade desse item no regulamento,
possibilitando dessa forma que todos os cariocas, gordos ou não,
pudessem participar.
Posteriormente, no concurso de 2004, eu acabei sendo preterido por
um novo candidato, que pesava 85kg. Por conseguinte, resolvi me
afastar e me adequar às novas regras, submetendo-me à cirurgia
bariátrica de redução de estômago, com o intuito de reduzir os
riscos de saúde, emagrecendo de uma forma surpreendente, 130kg. E
hoje, de volta ao concurso, pesando 90kg e resgatando a
auto-estima, a qualidade de vida e a saúde, agradeço ao nosso
prefeito por essa mudança, que me possibilitou viver melhor e
exercer da melhor maneira possível o título de Rei Momo.
E como exemplo de determinação e persistência, digo sem
pestanejar: atualmente minha vida é outra. Com ajuda de um
professor de Educação Física, Eduardo Ribeiro, pratico 3h diárias
de atividades físicas na academia, fazendo um trabalho de reforço
muscular e condicionamento físico.
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-
Como
surgiu a
idéia
de
ser
Rei
Momo?
Alex
- Durante
minha adolescência, cursando a universidade no curso de
Arquitetura, minha família, em especial meu irmão e meus amigos,
insistiam para que eu resolvesse participar do concurso. Confesso
que achava extremamente difícil a vitória, até por conta da
disputa tradicional da macarronada na rua da Carioca, e, além
disso, pesava somente 150kg. Mas como folião e sambista, fui
inscrito no concurso pelo meu irmão Moacir, em 1996. Resolvi
participar do concurso e me tornei a maior revelação daquele ano,
obtendo a 2ª colocação e me tornando vice-Rei Momo. Porém, devido
ao falecimento precoce do Reinaldo de Carvalho, o Bola (Rei Momo
da época), pude ser eleito pela primeira vez em 1997 e já são 10
mandatos. Venci em 1997, 1998, 19999, 2000, 2001, 2002, 2003,
2006, 2007 e 2008.
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-
Quais
os
pré-requisitos
para
uma
pessoa
se
tornar
um
Rei
Momo?
Alex - O folião
precisa se dirigir à Riotur, retirar o regulamento oficial para a
escolha de "Rei Momo 1º & Único". Consta nesse regulamento os
itens:
o candidato deverá ser residente do município do Rio de Janeiro;
ter idade limite entre 18 e 50 anos; nível fundamental como grau
de escolaridade; não possuir vínculo empregatício com a Prefeitura
e apresentar sua documentação. A partir desse momento, ao estar
inscrito, ele será avaliado, permitindo-o, chegar à final, quando,
enfim, será julgado por uma comissão que avaliará seus
conhecimentos gerais sobre o carnaval, seu espírito de folião, seu
carisma, sua postura, seu domínio na arte de falar em público e
em
sambar. Em suma: o folião terá que estar à altura da
responsabilidade de decretar aberto o carnaval da cidade mais
linda do mundo!
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-
Quando
o convidam para
um
churrasco
numa
casa
distante
da
sua,
você
vai
com
a
mesma
alegria
com que
freqüenta
um
evento
numa
quadra
de
samba.
Mesmo
sendo
um
ícone
do
carnaval,
como
você
analisa essa
relação
carinhosa
do
público
com
você?
Alex
- É um
reconhecimento a todo serviço prestado ao maior espetáculo da
Terra. Por isso, no dia 17 de fevereiro de 2007, pude receber das
mãos do vereador Sebastião Ferraz a Medalha Pedro Ernesto, maior
comenda da Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
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- Uma
escola
de
samba?
Alex
- Como Rei
Momo, sou impossibilitado de torcer, mas, como sambista, tenho
minha escola de coração. Sou Mocidade Independente de Padre Miguel
e toco tamborim das baterias da Beija-Flor e do Salgueiro.
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-
Existe
algum
ano
do
carnaval
carioca
que
você
considere o
melhor?
Por
quê?
Alex
- Em todos
os 10 mandatos, a emoção se renova. Contudo, acredito que o melhor
carnaval tenha sido em 1997, por ter sido a primeira vez.
OBatuque.com
- A
agenda
do carnaval
é
extensa.
Como
você
se
prepara
para
a
maratona
durantes
os
eventos
da
semana
de
folia?
Alex - Como pude
relatar anteriormente, hoje em dia pratico atividade física
regularmente, faço musculação com o objetivo de enrijecer devido
ao excesso de pele, hidroginástica para fortalecimento das
articulações, alongamento e spinning com exercício aeróbico
para melhor condicionamento físico, supervisionado pelo personal
trainer e, em paralelo, alimentação balanceada indicada por
nutricionista. E, principalmente, fazendo uso de muito líquido.
Até por que, no ano de 2006, durante os 3 meses de contrato, foi
estabelecido o recorde de 230 eventos oficiais, necessitando de
muita disposição e agilidade para cumprir essas tarefas.
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Alex de Oliveira no momento da coroação para
o reinado de 2006, em novembro de 2005

Já coroado Rei Momo do Carnaval 2006,
clicado por Denise Carla, do site
Papo de Samba,

Em 2005,
na final de samba-enredo da Mocidade
Independente de Padre Miguel para o Carnaval
2006, com Selminha Sorriso, eterna porta-bandeira da Beija-Flor

Alex de Oliveira com a rainha Ana Paula Evangelista e a princesa Elaine
Babo prestigiando
o desfile do Acesso E de 2006 em Campinho

Com Maria Augusta na Sapucaí durante
ensaio técnico da Porto da Pedra em 2005

Com a bateria da Imperatriz Leopoldinense
durante visita à escola em outubro de 2003
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