Nascida em Bangu,
Zona Oeste do Rio de Janeiro, modelo profissional, dançarina e lutadora
de Kung–Fu, Rachel Blanc, a madrinha da bateria da Mocidade Independente
de Padre Miguel deste ano que dividiu as atenções com a rainha
Viviane Araújo, leva uma vida bem agitada. Na infância jogava
bola de gude e futebol com os homens, estudava, trabalhava, fazia cursos extracurriculares
(inglês e informática) e na hora do almoço ia pra academia
malhar – o que faz até hoje. Haja vitamina!
Mesmo brilhando no carnaval, a sambista Rachel, ao contrário do que
muitos poderiam imaginar, adora rock’n’roll. Ela e a irmã
Ana Rafaela ensaiam alguns acordes – mesmo que desencontrados - durante
as noites em casa: “Minha paixão mesmo é o samba. É
emocionante estar ali, à frente da bateria da minha escola. Mas eu
e minha irmã ficamos horas e horas cantando heavy metal”, explica.
Rachel ainda não sabe ao certo se dividirá com Luma de Oliveira – que deve estrear na Mocidade – a atenção dos ritmistas de Padre Miguel em 2004. Mesmo antes de pensar em desfilar, a modelo era freqüentadora assídua dos ensaios da Mocidade e amante de Bangu. Foi somente no ano passado que recebeu o convite para desfilar num carro alegórico. “Não tem problema algum. Caso saia com a Luma será maravilhoso”, garante Rachel. “Falaram muito da minha relação com a Viviane, mas não tinha nada a ver nossa suposta briga. Não nos olhávamos porque era tanta coisa a ser feita que não dava para ficar olhando uma pra outra. A gente fica cega de emoção. Foi a mídia que inventou este papo de que nós não nos falávamos. Cumprimentávamos como pessoas normais. E se sair em carro alegórico como saí na primeira vez que desfilei, saio com muita honra. Eu comecei no ano passado como destaque de um carro e este ano já estava à frente da bateria da escola que eu amo. Amar uma escola e de repente pintar uma oportunidade para sair à frente da bateria, quem é que não quer? Foi muito bom. Não tenho nada contra as pessoas famosas que desfilam como rainha de bateria, mas acho que para representar uma bateria, que é uma coisa única, que é o “coração da escola”, deveriam dar oportunidade para as pessoas do bairro, até porque existem pessoas muito bonitas aqui em Bangu e não precisava ser eu necessariamente. Gostaria muito de ser a rainha, mas se isso não ocorrer, não tem problema algum.
Mesmo tendo as medidas necessárias de um corpo escultural, Rachel não relaxa e se cuida diariamente. Mas sendo uma das mulheres mais cobiçadas do carnaval, ela acha que as pessoas, em vez de admirar seu corpo, como ocorre naturalmente, deveriam saber que por de trás desse corpo existe uma grande mulher. Uma mulher inteligente, carinhosa e amável que procura um companheiro que seja, acima de tudo, fiel. Fiel até nos costumes, pois o pique da modelo é muito grande no dia-a-dia. O candidato tem que gostar de malhar, sambar e saber respeitar o seu trabalho profissional – além de querer realmente uma coisa séria: “Minha carreira está começando agora. Aos poucos vou ficar conhecida e essas coisas vão acontecer naturalmente. Recebo cantadas diariamente e aumentou depois que comecei a ficar famosa na Mocidade. Mas eu me coloco num patamar justamente para que não ocorra a confusão de interesses de homens que se aproximam porque sou a madrinha da bateria da Mocidade”.
Malhando uma hora e meia por dia, comendo de tudo um pouco e com um corpo sem nenhuma camada adiposa, Rachel acha que não chegou à perfeição e, mesmo estando satisfeita com seu corpo, gostaria de utilizar silicone. Recebeu uma proposta para posar nua em uma revista, mas prefere não revelar o nome, pois não tem nada concretizado: “Não tenho nada contra o silicone, mas tenho medo, gostaria de utilizar nos meus seios, pois os acho pequenos. O resto está perfeito. Já recebi uma proposta para posar nua em uma revista, mas por enquanto é segredo. Não é bem um nu, é uma revista com fotos sensuais”.
Ao marcar entrevista com nossa equipe, Rachel fez questão que fosse
realizada em Bangu, pois tem muito orgulho de ter nascido e ser criada no
bairro: “Minha academia é aqui. Meu salão de beleza é
aqui. Eu adoro fotografar por aqui. Bangu tem muita história. As pessoas
têm vergonha das suas raízes, eu não. Aqui em Bangu eu
tenho meus amigos. Sou reconhecida e isso me faz muito bem. Sou muito família.
Moro com meus pais, que me dão incentivo no meu trabalho, adoro minha
avó e, inclusive, a considero um exemplo de mulher, inteligente, um
amor de pessoa. Até porque as mulheres hoje em dia estão se
preocupando muito com estética e estão esquecendo do seu interior.
Não adianta ter corpo bonito e não estar bem consigo mesma,
não ser inteligente.
Rachel tem 21 anos e pretende dar continuidade a seus estudos, formar-se em publicidade e prosseguir na carreira de modelo, ter sua vida independente, mas com naturalidade sem dar pressa ao tempo, pois ela sabe que tem uma vida inteira pela frente e que o sucesso é uma questão de tempo.
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