OBatuque.com - Nome completo?
Kiko Alves - Francisco Alves

OBatuque.com - Onde nasceu?
Kiko Alves - Nasci no interior do Ceará, no dia cinco outubro de 1965. Vim para o Rio com menos de um ano e fui morar em Realengo, Zona Oeste, onde moro até hoje.

OBatuque.com - Qual é a sua formação?
Kiko Alves - Eu sou formado em inglês pelo CCAA. Na Universidade Rural do Rio fiz Química até o 4º período e tranquei, não me formei.

OBatuque.com - Como foi essa mudança de fazer Química e, de repente, ir para o mundo do samba profissionalmente?
Kiko Alves – Depois de trancar a matrícula na faculdade, fui trabalhar na compensação de cheques do Banco Itaú, ficando por cinco anos. Em 1990 montei o meu ateliê de fantasias dentro da minha casa, onde trabalho até hoje. No ateliê, confecciono as fantasias que as Musas usam na Avenida, além de fazer roupas, objetos e outros trabalhos de artes.

Obatuque.com – Como você começou a desfilar?
Kiko Alves – Eu era criancinha e freqüentava os blocos da minha comunidade como: Modesto de Realengo, Mocidade da Mallet e Alegria da Capelinha. Com o tempo, eles foram extintos. Aos dez anos fui parar na Mocidade Independente, que fica perto daqui. Lá foi o começo de tudo. Eu desfilei em ala, fui passista, mestre-sala em um carro alegórico, destaque, fiz composição e até diretoria. Enfim, lá foi minha grande escola, onde aprendi várias coisas e aprimorei outras. Depois comecei a freqüentar outras agremiações, que me convidaram a desfilar e me deram a oportunidade de trabalhar. E aí, eu peguei carinho, respeito e consideração por outras escolas também. No meu coração criei espaço para todas as pessoas que gostam de mim, que me ajudaram, que aprenderam a me respeitar e elas estão em todas as escolas de samba e blocos que eu freqüentei. Onde houver um samba, uma bateria, onde eu encontro um sorriso aberto, eu me sinto bem. O samba para mim é a minha Segunda família, é a minha cachaça, é tudo. Não bebo, não fumo e não cheiro, mas sou viciado em uma coisa: samba. Escuto CD, ouço discos antigos de vinil, assisto vídeos antigos de desfiles constantemente, em qualquer período do ano. Sem falar que, freqüento fora do período dos ensaios, reuniões, festas de velha guarda, aniversários de escolas etc.

OBatuque.com – Como surgiu a idéia de transformar pessoas anônimas em musas do carnaval?
Kiko Alves – Sempre fui fã do saudoso Osvaldo Sargentelli. Eu acompanhava cada mulata que ele lançava. Adorava o seu trabalho de valorizar a mulher brasileira, nossa raiz, nossa cultura. Chegou uma época (dez anos atrás), que eu estava observando que não aparecia mais mulher nova no carnaval, eram sempre as mesmas, caindo de pára-quedas no samba, só aparecendo nas escolas de samba naquele período de carnaval. Foi aí que eu comecei a lançar novidades. Pegava uma mulher, levava e apresentava nas quadras e nas comunidades. Fazia roupas diferentes para ir aos ensaios, o “Kit Cabrocha”. Confeccionei lindas fantasias, inovava alguns passos, estava sempre nos lugares certos, nos momentos certos e fazendo a coisas certas. E aí começou uma história de “O Descobridor de Musas”, que não parou mais. Faço com o maior orgulho. Sou muito criterioso na hora de escolher. Vou aos ensaios, fico na minha sacando a mulherada. De repente sinto que uma possui esse “feeling”, aí verifico que, se além de bonita, ela é simpática, comunicativa, não é deslumbrada, afinal, além de bonita tem que ter esse espírito de foliã. Posso dizer que lancei a mais completa, Tatiana Pagung, a última do carnaval. Em compensação tem umas que não posso dizer que, me arrependi, mas o tempo passa e todo mundo verifica que aquele “brilho” que elas tiveram no período em que estavam ao meu lado, hoje, não possuem mais. Elas são culpadas por isso, pois quando conseguem aparecer se acham a “gostosona” a “dona do pedaço” e deixam o salto crescer e esquecem que amanhã podem tropeçar na nossa frente. No samba, acima de tudo, tem que se ter respeito pelos mais velhos, por isso que Dona Neuma e Dona Zica se eternizaram no carnaval.

OBatuque.com – Fale sobre as fantasias que a Beth Andrade doou pra você?
Kiko Alves – Conheço a Beth desde criança. Ela era um mito pra mim já naquela época. Foi a Primeira Dama mais famosa, e até hoje não tem uma mulher com aquele “glamour”. Ela me procurou depois do carnaval, porque estava preocupada com as suas fantasias, pois estavam guardadas há anos e poderiam se danificar. Então, ela resolveu me doá-las. Além das fantasias, ela me deu vestidos, bijuterias, bolsas de viagens, tudo que fez parte do seu carnaval. Eu amei, aceitei tudo “hiper” emocionado. Algumas coisas eu irei guardar para prestar alguma homenagem para ela. Outras, reciclarei e usarei nas fantasias do próximo carnaval. Além da Beth, o atual presidente, José Roberto Tenório, me procurou e me deu tudo que era da Fátima Tenório, que faleceu há 2 meses. Para mim, elas estão para a Mocidade, assim como Dona Zica e Dona Neuma estão para a Mangueira, as eternas primeiras-damas.

OBatuque.com – É verdade que sua imagem foi divulgada na China sem a sua autorização?
Kiko Alves – Um amigo me ligou de Hong-Kong dizendo que havia na cidade vários “out-door” e “banners” de 8 metros com a minha imagem divulgando uma exposição de feira de jóias e produtos para presentes. Fiquei surpreso, por usarem minha imagem sem minha autorização. Ele filmou e fotografou tudo. Eu entreguei ao meu advogado que irá abrir um processo por uso indevido de imagem. É burocrático, mas é certo. Enquanto isso não se resolve, vou dando uma de Gisele Bündchen. Além de ser passista, produtor carnavalesco, descobridor de musas, agora sou modelo internacional. (Risos)