03-03-2011
Tem gente querendo extinguir
escolas de samba por decreto... Por favor, não ria!
Esta é para não dizer que não falei só das
flores, hora dos cactos - e daqueles apinhados de espinhos
- das autoridades cariocas.
Estava lendo o
artigo de estreia do Ricardo Delezcluze no
Carnavalesco (o) e fiquei impressionado...
Ou melhor, ficaria impressionado se não soubesse da
capacidade aparentemente inesgotável das autoridades
públicas de trocarem os pés pelas mãos em praticamente
tudo que se refere à nossa cultura popular.
Veja você que mesmo com a atual Prefeitura acertando aqui
ou ali (como no caso da Cidade do Samba 2 e na decoração
da Avenida Rio Branco – singela, mas está lá), sempre há
espaço para asneiras como as criticadas pelo Ricardinho.
Lá no blog dele, deixei o seguinte comentário:
“Alguém precisa dizer a essa gente que escola de samba é
expressão de cultura popular e cultura não se limita ou
censura. Reduzir o número de escolas na caneta é algo que
nos remete à Idade Média. E tirar o desfile da Intendente
Magalhães só pode ser ideia de quem não tem o que fazer ou
não entende absolutamente nada sobre tradição de escolas
de samba e suas raízes populares, coisas estritamente
ligadas aos desfiles naquela Avenida.”
Como diabos alguém tem a ousadia de querer extinguir uma
escola de samba?
Pois é. Sabe o III Reich de Hitler proibindo e/ou
restringindo manifestações judaicas? Proibir uma escola de
samba de existir e de colocar seu carnaval na rua é algo
que soa tão ridículo quanto absurdo e que coloca qualquer
governo que cometa uma sandice dessas no mesmo patamar do
nefasto regime nazista.
Parece pegadinha.
Antes fosse.
Como sempre ocorre nesses casos, fico imaginando um
sujeito despertar para um novo dia, sair da cama e, de
repente, sentir uma lâmpada acendendo sobre sua cabeça:
“Nossa, que ideia genial eu tive! Tem muita escola de
samba no Rio de Janeiro, um absurdo, vou sugerir uma
redução, uma limitação no número delas!”
Pior que o tal sujeito pensar isso (melhor seria que da
cama não se levantasse), é imaginar outras pessoas, numa
mesa de reunião, apoiando, aplaudindo e enaltecendo tal
barbárie: “Brilhante!”; “Genial.”; “Cara, mandou muito
bem!”; “Parabéns!”; e outros salamaleques afins.
É bom tomarmos cuidado. Daqui a pouco outros gênios
tentarão diminuir o número de blocos de carnaval (“pra que
tanta gente brincando na rua?”), quadrilhas de festa
junina ("uma por bairro e olhe lá"), times de pelada (quem
gostar de futebol, veja na TV"), botequins de esquina
("desordem pública"), igrejas ("fé demais para gente de
menos"), festas de família ("perturbação na vizinhança"),
reuniões com mais de três pessoas ("terrorismo!")...
A quem leva a sério e dá corda a algo assim, só nos cabe
deixar mesmo a impagável frase que celebrizou o filme
“Tropa de Elite”: “Pede pra sair!”
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David Telio Duarte
davidelias@obatuque.com
Mais opiniões do colunista em
www.opiniaododavid.wordpress.com
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