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13-02-2010
Grupo de Acesso segue processo
Eu gostaria muito de ver minha União
da Ilha desfilar em sua volta ao Grupo Especial. Sem
chances, claro. Os ingressos mais baratos (arquibancadas
do mau setor 4 e cadeiras dos distantes 6 e 13)
custam R$ 110,00. Daí, só para cima: R$ 180,00, R$
200,00, R$ 240,00 e R$ 300,00. Fora as longínquas
arquibancadas populares dos setores 6 e 13, onde, apesar
da má localidade, a oferta nunca atende à imensa
demanda.
Há também para o povão os ingressos
do setor 1 distribuídos às escolas de samba, mas esses
também não são para qualquer “povão” assim,
rola uns conhecimentos dentro das próprias escolas para
ser, digamos, sorteado. Os demais
preços (frisas e camarotes) são simplesmente extorsivos
para o cidadão carioca médio, mas é óbvio que não são
lugares destinados ao povo. Isso não é novidade alguma.
Enfim, mesmo que não fosse cobrir o
realmente popular (por enquanto, nunca se sabe...)
carnaval da Intendente Magalhães, não haveria como assistir ao
desfile do
Especial na Sapucaí, a não ser que recorresse ao velho
quebra-galho viaduto de São Sebastião.
Mas até aí morreu o Neves. Estamos
carecas de saber. Preocupa mais a paulatina, mas
ininterrupta, caminhada feita pelo desfile do Grupo de Acesso, de sábado
em direção à mesma elitização que tomou conta do desfile
principal, o que se acentuou após sua organização passar para as mãos da
Lesga.
Em 2008, as frisas das filas B, C e D
custava R$ 600,00, enquanto as da fila A saíam por R$
900,00. Já em 2009, primeiro ano sob nova direção, as
frisas variavam de R$ 800,00 a R$ 1.500,00. Em 2010, as
cadeiras das frisas mais distantes da pistas valem R$
1.500,00 e a primeira fila custa simplesmente R$
2.000,00. Nas arquibancadas, apesar de números bem
inferiores em termos de valores, houve aumento de R$
15,00 para R$ 20,00, mantendo R$ 30,00 para o setor 9,
destinado aos turistas, lembrando que os ingressos dos
setores 6 e 13, assim como do 1, são gratuitos. Reparem
como o percentual de reajuste dos ingressos mais caros
(superior a 100% em dois anos) é bem superior ao dos
mais baratos (em torno de 33%). Há argumento econômico
para justificar essa diferença? Não sei, mas monetário,
com certeza há: ganha-se mais aumentando mais o que
custa mais. Simples assim.
Todos sabemos que há grande afinidade entre
as duas entidades, o que leva a crer que, logo, logo, o
desfile de sábado será uma filial em menor escala dos
desfiles de domingo e segunda, expulsando mais ainda as
pessoas de menor poder aquisitivo da Marquês de Sapucaí.
Restariam os mal programados desfiles das crianças de
sexta e o do antigo Acesso B, agora Rio de Janeiro 1, da
terça (desfiles esses que deveriam, ao menos, ter seus
dias trocados entre si). Mas até quando?
Sempre gosto e faço questão de
lembrar que essa elitização jamais passou pela cabeça do
então governador Leonel Brizola (que jamais teve meu
voto, mas a Cesar o que é de Cesar) e muito menos do
arquiteto Oscar Niemayer, idealizadores do Sambódromo.
A
cobrança extorsiva pelo ingresso das
frisas, por exemplo, não passa de pura ganância das
autoridades responsáveis pelo carnaval. No projeto de
Niemayer, com o aval de Brizola, onde hoje existem
frisas, deveria haver gerais, um setor a preço bem
popular, para que o povão pudesse assistir aos desfiles
como assistia (naquele tempo, hoje também não existe
mais isso) aos jogos de futebol nas gerais do Maracanã. O que importa é faturar - até no Mangue
Mas o dinheiro fala sempre mais alto
em nossa sociedade. Como no caso das arquibancadas
montadas e desmontadas a cada ano sobre o Mangue – lugar
que as autoridades devem achar mais adequado para o
povo, já que o tirou de onde estão as frisas para
jogá-lo ali.
Pode até haver quem ache que essas
arquibancadas do mangue são legais, pois “assim o povo
pode ver um pouco das escolas”. Ou seja, já estão
contentando-se com restos, com sobras, quando o lugar do
povo seria o prato principal, lá, na Sapucaí, no
Sambódromo, no local que a ele foi destinado no projeto
original. Garanto, inclusive, que isso diminuiria muito
a frieza dos desfiles de hoje.
E um dos principais motivos que
exigiam a criação do Sambódromo era a necessidade de
acabar com o eterno gasto municipal com o monta-desmonta
de arquibancadas tubulares ano após ano.
Pois agora não só temos de volta o
monta-desmonta, como esse monta-desmonta ainda arrecada
patrocínio! Passem na Presidente Vargas e vejam os
tapumes, todos, aproveitados com publicidade –
obviamente, nada gratuita. O lugar é para o povo, para
"pobre", mas a receita dessa propaganda deve ser coisa de
bacana.
Resumindo,
como diria aquele âncora de telejornal sempre metido
a dono da razão, mas que hoje todos sabemos não
passar de um elitista preconceituoso, uma vergonha,
uma imoralidade. Até o preço de comes e bebes dentro
do Sambódromo é absurdo. “Ah, mas não há nada de
ilegal nisso”, dirão alguns. É, não há nada de
ilegal. Pelo menos, creio que não deva ser, até
porque ser imoral não significa necessariamente ser
ilegal, certo? Infelizmente.
*** *** *** *** *** Trilha-enredo da coluna
Ei, você aí!
"Me Dá um Dinheiro Aí" *** *** *** *** ***
Nota
10
Nota
10
Nota 7
Nota 5 *As notas da Liesa passaram a ser de 8 a 10, com variação de um décimo. A coluna Opinião de OBatuque.com decidiu voltar aos tempos simples do 5 ao 10, com variação de meio ponto. *** *** *** *** *** David Telio Duarte |
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