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26-01-2010

Enredos para todos os gostos
 

Talvez o mais aguardado a cada ano no mundo das escolas de samba seja o enredo que cada uma delas escolherá para apresentar no carnaval. Acho que enredo de escola de samba é um dos fatores culturais mais importantes de nossa cultura popular. E, principalmente, sempre foi um meio democrático de disseminar informação e conhecimento, principalmente em épocas em que a informação era muito mais restrita a classes privilegiadas.

Hoje os enredos já não são limitados a temas nacionais, o que ainda é um ponto de controvérsia no meio do samba. Afinal, essa limitação contribuiu para que as escolas muitas vezes ajudassem a tornar pública a verdadeira história do país, fugindo às versões oficiais que aprendíamos nas escolas. A cultura afro, por exemplo, muito popularizou-se a partir do momento que o Salgueiro começou a contá-la em seus enredos nos anos 60.

Hoje os tempos são outros, a globalização está aí, o dinheiro manda e as escolas não deixariam de pegar esse bonde, garantindo seu lugar assim que ele partiu. E aí tivemos que aprender a conviver com os enredos de patrocínio - normalmente bem chatos.

Mas ainda há espaço para bacanas enredos históricos ou lúdicos. Para auto-exaltações e até mesmo enredos patrocinados às vezes são trabalhados de forma muito interessante e atraente por carnavalescos criativos que procuram fugir da simples propaganda.

Assim, a coluna decidiu listar, sem entrar em maiores detalhes, alguns dos enredos que achou mais legais neste ano, após um passeio pelos diversos grupos de escolas de samba do carnaval carioca.

  • "João das ruas do Rio" - Império Serrano
    - O predileto do autor da coluna, que sem vergonha admite que o cronista João do Rio foi referência durante sua formação como jornalista. Se o Império apresentar um desfile à altura de seu enredo, com certeza estará perto de seu retorno ao Grupo Especial.

  • "Noel: a presença do poeta da Vila" - Vila Isabel
    - A Vila Isabel homenagear Noel Rosa dispensa comentários.

  • "Com que roupa... Eu vou? Pro samba que você me convidou" - Porto da Pedra
    - Esse é um enredo que dá desfile, do tipo que o povo facilmente entende e gosta. Paulo Menezes sempre foi bom de figurino, o que pode ser um trunfo para a escola.

  • "Dom Quixote de La Mancha, o Cavaleiro dos Sonhos Impossíveis" - União da Ilha
    - Há um componente comercial em relação á Espanha no meio dessa escolha, mas Quixote é um dos personagens literários mais apaixonantes e nas mãos de Rosa Magalhães só podemos esperar coisa boa.

  • "Suprema Jinga - Senhora do Trono Brazngolo" - Império da Tijuca
    - O Império da Tijuca tem sido uma das escolas mais felizes na escolha de seus enredos. E a história da rainha guerreira angolana é mais uma escolha bem interessante. 

  • "Eneida de Moraes" - Paraíso do Tuiuti
    - Assim como Noel, Eneida de Moraes é outra personagem que dispensa maiores comentários. É sempre bom vê-la lembrada.

  • "Choque de Ordem na Folia" - São Clemente
    - O enredo é a cara da São Clemente. E sempre que a São Clemente escolhe um enredo com a sua cara costuma ser bom para a escola, bom para quem assiste e bom para o carnaval.  

  • "Ykamiabas" - Acadêmicos da Rocinha
    - A coluna gosta de enredos que contam histórias que não lemos nos livros escolares.

  • "A Origem de uma Estrela! De Niterói para a História... De Deixa Falar à Estácio de Sá, Ismael Silva, sua vida o Dendê contará!" - Acadêmicos do Dendê
    - O longo título do enredo do Dendê tem Ismael Silva. Só esse nome já bastava.  

  • "Através das Lentes de Augusto Malta vejo a Modernidade: Retratos do Rio" - Unidos da Ponte
    - Se João do Rio foi uma referência como cronista na formação do colunista, pode-se dizer que Malta é seu equivalente em relação á fotografia.

  • "No domingo de folia, o parque de diversões é a nossa fantasia" - Difícil é o Nome
    "Uma viagem fantástica viagem no mundo do pirlimpimpim" - Vizinha Faladeira
    "Respeitável público!!! Abram as cortinas, e com vocês o espetáculo do nosso grande circo Paraíso da Alvorada" - Paraíso da Alvorada
    - São enredos que costumam funcionar muito bem na Intendente Magalhães e que caem fácil no gosto do público.

  • "Eu quero é botar meu bloco na rua..." - Unidos do Cabral
    - Outra boa aposta para o carnaval popular de Campinho.

  • "De Neguinho da Vala, a Neguinho da Beija-Flor. Um príncipe negro na corte do Leão" - Leão de Nova Iguaçu
    - Neguinho merece.  

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Trilha-enredo da coluna

Eu queria saber agora
O que será?
Vou perguntar
A menininha do Gantois

Pode ser um grande Herói
Índios, africanos ou magia
Ou será um tema da velha Bahia?
Já ouvi dizer que é Debret
Ou antigos carnavais

Mas se for candomblé
Eu peço axé

Aos meus orixás

Depois no barracão
Suor, amor e fantasias
Alas, figurinos e passistas
Harmonia e ritmistas
Até o raiar do dia

E as lágrimas de alegria e dissabor
Modificam o rosto do poeta
No meio de um cenário multicor

Está na hora, é Carnaval
O artista descreveu

Um enredo original

"O que será?"
Didi e Aroldo Melodia
União da Ilha
1979

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É ver para crer

31/10/2009
Melhorias na folia da Intendente Magalhães
Prefeitura promete investir no polo de Carnaval da Zona Norte. Pesquisa aponta soluções para profissionalizar Grupos de Acesso, incluindo construção de sambódromo e barracões
Publicado no ODia na Folia (http://odia.terra.com.br/portal/odianafolia/html/2009/10
/melhorias_na_folia_da_intendente_magalhaes_43809.html
)

Rio - A Prefeitura do Rio quer profissionalizar as escolas de samba dos grupos de acesso C, D e E — hoje classificados como Rio de Janeiro II, III e IV — e melhorar a infraestrutura da Estrada Intendente Magalhães, em Campinho, onde desfilam 59 agremiações. O objetivo é fortalecer o segundo polo da folia carioca, gerando renda e empregos. Entre as sugestões apontadas por especialistas estão a construção de uma segunda Cidade do Samba, como a da Gamboa, e de um novo Sambódromo na estrada.

“A região tem grande potencial de crescimento”, afirma o secretário especial de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, que pretende aumentar investimentos e divulgação da festa. Hoje, cerca de 15 mil pessoas assistem ao desfile a cada noite. “Para o Carnaval 2010 esperamos melhorar ainda mais a organização do show e o entorno da Estrada Intendente Magalhães”, prometeu.

Desafios e soluções para pôr em prática a intenção estão no livro ‘Cadeia Produtiva da Economia do Carnaval’, raio-x da festa popular que será lançado dia 5, no Centro de Referência do Artesanato Brasileiro, na Praça Tiradentes. “O livro é ferramenta para ajudar a prefeitura a potencializar essa atividade econômica, que não recebe os devidos investimentos”, diz Luiz Carlos Prestes Filho, coordenador do Núcleo de Estudos da Economia da Cultura do Instituto Gênesis (PUC-Rio).

Vice-presidente social da Associação das Escolas de Samba da Cidade do Rio (AESCRJ), que reúne as agremiações da Intendente Magalhães, Fernando Leopoldino diz que o apoio ao Carnaval da Zona Norte virá em boa hora: “Será nosso sétimo desfile. Com todas as dificuldades, os últimos seis foram um sucesso. Se tivermos mais apoio, não ficaremos devendo ao Carnaval do Centro (onde desfilam grupos A e B)”.

No livro, parceria entre a Associação Comercial do Rio, Sebrae e Escritório Central de Arrecadação e Distribuição, lideranças do Carnaval apontam quesitos nos quais as agremiações precisam evoluir para sair do amadorismo. Espaços de ensaios, reforma de quadras, construção de ateliês e galpões perto da Intendente e qualificação de mão de obra (ritmistas, baianas e cuiqueiro) estão entre as necessidades.

Outras reivindicações da AESCRJ são melhoria da estrutura de arquibancadas e elevação dos cabos de energia. Para Prestes, é apenas uma questão de investimento: “A festa na Intendente Magalhães já se tornou tradicional. Está pronta. Basta haver interesse na aplicação de mais recursos”.

12 horas para levar alegoria até Campinho

As 59 escolas que vão desfilar dias 14, 15 e 16 de fevereiro de 2010 sonham com investimento. “Ter barracão próximo à Intendente Magalhães é um sonho”, diz o presidente da Unidos do Cabuçu, Valdir Merchioro, que usa galpão improvisado no Santo Cristo. “Ano passado, gastamos R$ 1.100 com guincho para cada um dos três carros alegóricos que montamos. Eles saíram às 22h de sábado de Carnaval do Santo Cristo e só chegaram a Campinho às 10h do dia seguinte. Mesmo assim, com boa parte do trabalho destruído por causa de árvores e buracos no asfalto”, lembra Valdir. 


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Nota 10
Qualquer pessoa que tenha lido duas ou três colunas Opinião de OBatuque.com sabe que o colunista não vê com bons olhos o uso descarado como forma de propaganda e divulgação que as modelos-atrizes-manequins fazem das escolas de samba - e até a forma como algumas escolas não só se prestam a esse papel, como correm atrás disso.

Principalmente as que - até literalmente - brigam para sair em frente à bateria. Amor à camisa que é bom, nada. Poucas permanecem fiéis a uma escola.

Por isso saudamos a presença da ainda jovem, mas já veterana, Raíssa mais uma vez à frente dos ritmistas da Beija-Flor. Essas coisas que fazem da agremiação de Nilópolis uma escola realmente diferente das outras.

Nota 8,5
A prefeitura prometeu para este ano decorar a Avenida Rio Branco para os desfiles dos blocos de carnaval. A previsão é que tudo esteja pronto dia 30 de janeiro. Tomara que esta nota vire 10.

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David Telio Duarte
davidelias@obatuque.com

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