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18-12-2007

Dinheiro para
quem precisa de dinheiro

Governo federal também
dá verbas a quem não precisa

Repetindo a ação oportunista da prefeitura do Rio de Janeiro, distribuindo verba em troca da imposição de enredo, o governo federal anunciou a liberação de milhões de reais para as grandes escolas de samba da cidade. Em contrapartida, a Liesa cede espaço publicitário em placas, camarotes e afins, como costuma acontecer com estádios e clubes de futebol.

Como já argumentamos aqui, uma ação injustificada e injusta. As escolas que desfilam no grupo Especial não precisam de mais essa "merreca". Enquanto isso, quase todas as escolas de baixo sofrem para conseguir colocar seu carnaval na Avenida. E quanto mais embaixo, maior o sofrimento. Melhor para aquelas que aceitaram o patrocínio imposto pela prefeitura: em troca de verba, celebrar os 200 anos da chegada da família real em fuga ao Brasil.

A prefeitura é que, através do blog do prefeito, conforme noticiado nas páginas dos jornais, não gostou nada da "concorrência", provavelmente entendendo que o "feudo do samba" é direito de exploração apenas dela.

E assim segue a vida dos barracões: cada vez mais para quem tem mais, aumentando sempre o abismo que separa as escolas da Liesa das escolas da AESCRJ. A prefeitura e o estado do Rio de Janeiro já nos habituaram com ações desse tipo, mandato após mandato. E é pena que em seu primeiro carnaval o novo governo estadual, parceiro na iniciativa federal, não tenha rompido com essa praxe, procurando uma distribuição justa de recursos. Mas soa pior mesmo para um governo nacional que pauta-se pelo social e por aí obtém seus melhores resultados. Pega muito mal esse bônus ofertado à elite do samba.

Vinte milhões de brasileiros ascenderam das camadas D e E para a C nos últimos cinco anos. Que bom que esse ótimo resultado fosse buscado também no mundo do samba, com Brasília ajudando as escolas que precisam a sair das camadas mais pobres do nosso carnaval.

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Trilha-enredo da coluna

Xepá, de lá pra cá xepei
Sou na vida um mendigo
Da folia eu sou rei

("Ratos e urubus... Larguem minha fantasia",
Betinho, Glyvaldo, Zé Maria e Osmar)

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Ricardinho colocou o pingo no i

Na ótima coluna "Que monstruosidade" (clique aqui para ler), Ricardo Delezcluze definiu muito bem a situação de absoluta falta de privacidade que envolve os barracões da escola de samba hoje. O voyeurismo é completo, de modo que, quando chega a hora do desfile, nada mais há a revelar, nada mais a surpreender.

O colunista aqui, particularmente, prefere a surpresa. Saber de antemão tudo o que vai acontecer na Avenida faz com que os desfiles efetivamente transformem-se em atos teatrais ou operísticos, sem nenhuma surpresa ou emoção, tudo alinhavada como numa grande ato exaustivamente encenado, sem margens para novidades ou improvisos.

É como a questão das mulheres que vivem despidas: e o mistério e a sedução, onde ficam?

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Nota 10
A homenagem da pesquisadora Marília Trindade Barboza aos 110 anos de nascimento de Pixinguinha, verdadeiro patrimônio de nossa cultura. Leia mais no artigo publicado em O Dia na Folia clicando aqui.

Nota 7
Para a ultra-super-multi-excessiva-mega-exagerada exploração de atrizes-modelos-manequins-e-afins, todas "apaixonadíssimas" pelo carnaval e pelas quadras das agremiações, por parte da maioria dos veículos de imprensa, que parecem achar que as escolas de samba só produzem notícia e atraem a atenção se houver uma mulher seminua - ou quase totalmente nua - nas manchetes. Isso é uma coisa muito chata e um conceito totalmente desvirtuado do que seja relevante no mundo das escolas de samba. Além de mau jornalismo.

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David Telio Duarte
davidelias@globo.com

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