12-04-2007
O sobe e desce do
Carnaval 2007

Carnaval
passou, muita gente reclamou, alguns festejaram e - boca
pra que te quero - muita coisa para falar. No balanço da
Avenida e
inspirada na leitura das notas sempre controversas dos
jurados de escolas de samba, a coluna opina sobre quem
saiu por cima e quem deu alguns passos atrás no carnaval
carioca.
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Sobe
Beija-Flor
- Segundo a diretoria, vestiu 95% da escola e levou o
caneco. Para o ano que vem, promete vestir 100% da
comunidade.
Unidos
do Viradouro - Para o bem ou para o mal, Paulo Barros
confirmou todas as expectativas em sua estréia na
Viradouro. A escola ficou feliz? A comunidade gostou? Isso
é o que importa. Como disse José Carlos Rego, escola de
samba é para se divertir.
Salgueiro
- A escola tijucana finalmente resgatou sua história
fazendo um desfile à altura de suas tradições. Os jurados
não gostaram? Como diria o grande Nelson Rodrigues, pior
para os jurados.
São
Clemente - Ao contrário da tricolor da Ilha do Governador,
a São Clemente mostrou mais uma vez que não se contenta
com o Acesso A: fez mais um bom carnaval e volta ao
desfile principal em 2008.
Império
da Tijuca - Confirmou a expectativa gerada pelo ótimo
enredo sobre São Jorge e realizou um belíssimo carnaval.
Parabéns à comunidade da Formiga e ao carnavalesco Sandro
Gomes.
Lins
Imperial - A campeã do Acesso B foi a única escola do
Carnaval 2007 a atingir a pontuação máxima. Apenas três
notas não foram 10: três 9,9, descartados.
Carnaval
de Campinho - O carnaval da Intendente Magalhães deu mais
uma prova de vida, com a Avenida cheia, muitas famílias
acompanhando os desfiles e muita gente fantasiada
brincando e se divertindo em um ambiente (graças a Deus!)
tranqüilo e ordeiro. É o povo fazendo o carnaval para o
povo. Mais à frente falaremos mais sobre os desfiles de
Campinho.
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Desce
Mangueira
- Conseguiu a façanha de deixar fora do desfile dois dos
artistas que mais fizeram pela divulgação da escola mundo
afora: Beth Carvalho e Nelson Sargento. Começou bem a era
pós-Alvinho...
Grupo
Especial - A previsibilidade do resultado do desfile do
Grupo Especial está tirando aos poucos o interesse pela
competitividade do evento. Basta olharmos quem participa do desfile das
campeãs ano a ano. A continuar assim, logo se resumirá
apenas a um grande espetáculo. Um incrível, fantástico e
extraordinário espetáculo, mas sem maior competitividade.
Mais ou menos como a Fórmula 1 na Era Schumacher.
Marquês
de Sapucaí - Quer dizer que no setor 1, o lugar mais
família da Avenida, quem não se dispôs a desfraldar
bandeirão de determinada escola foi ameaçado por
"torcedores" armados que provocaram correria de mulheres e
crianças? Beleza...
União
da Ilha - Como bem disse Milton Cunha, a escola insulana
investiu cerca de 600 mil no desfile e não conseguiu
vestir comissão de frente e mestre-sala & porta-bandeira.
Parece que não quer mesmo voltar ao Grupo Especial.
Acadêmicos
da Rocinha - A prima rica dos grupos de acesso não
conseguiu colocar o número mínimo de baianas na Avenida.
Precisa dizer mais?
Tradição
- Infelizmente, a escola seguiu uma linha descendente de
desfiles abaixo das expectativas e caiu de novo, agora para o
Acesso B. Como disse alguém, "quem procura, acha".
Rede
Globo - A poderosa emissora do Jardim Botânico continua
achando que os desfiles das escolas de samba do Rio de
Janeiro resumem-se a domingo e segunda-feira da Sapucaí.
De quebra, tiraram Leci Brandão da transmissão do carnaval
carioca.
CNT
- Nós gostamos, curtimos muito a força que é dada ao Grupo
de Acesso A, torcemos a favor e temos a maior boa vontade,
mas tem coisas que não dá. Se contarmos o tempo que a
transmissão mostrou apresentador, comentaristas,
entrevistas com amigos de uns, entrevistas com amigos de
outros, público nas frisas, público nas arquibancadas,
público nos camarotes... veremos que pouco sobrou para
mostrar a passagem de cada escola. Fora a captação
do áudio, nada legal.
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Que coisa, hein?
Investindo mais uma vez em uma reedição, a
Estácio de Sá
estava bonita, mas sucumbiu a uma dupla maldição: veio do
Acesso A e abriu o desfile de domingo.
Para
quem acredita em sorte e azar... Ou há algo mais entre a
pista de desfile e os mapas dos jurados do que nossa vã
filosofia consegue imaginar?
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Trilha-enredo da
coluna
Superescolas de samba
S/A
Superalegorias
Escondendo gente bamba
Que covardia
Bum bum paticumbum prugurudum
O nosso samba minha gente é isso aí (é isso aí)
Bum bum paticumbum prugurudum
Contagiando a Marquês de Sapucaí
("Bum,
Bum Paticumbum Prugurundum",
Beto Sem Braço e Aluísio Machado)
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Nota
10
Para todas
as comunidades que levaram suas escolas para as passarelas
da Sapucaí e de Campinho. Todas grandes e igualmente
campeãs do carnaval carioca.
Nota 7
Para o caso Caprichosos
de Pilares x CNT. Sintetizando para quem não
acompanhou e sem entrar no mérito da questão: a escola não
concordava com o valor recebido pela transmissão e a
emissora obteve liminar que a autorizava a transmitir o
desfile da escola. Resultado: a emissora decidiu não fazer
a transmissão do desfile da Caprichosos. Conseqüência: o
telespectador e em especial a comunidade de Pilares
ficaram a ver navios. Resumo da ópera - ou do samba: mais
um caso em que interesses particulares sobrepõem-se ao
interesse público e ao compromisso jornalístico.
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David Telio Duarte
davidelias@globo.com