Às vésperas do Carnaval 2005, durante a abertura do
barracão da Imperatriz Leopoldinense para a imprensa e
comissão julgadora, a reportagem de OBatuque.com conversou
com alguns dos jurados presentes para saber um pouco mais
da difícil tarefa de julgar as escolas de samba e ficar
sempre na berlinda, jamais agradando a todos. Nesta série, estaremos conhecendo mais sobre
eles e como realizam a árdua tarefa de julgar os
protagonistas do maior espetáculo da Terra.
OBatuque.com – Helenise, fale um pouco sobre sua
formação, desde quando é julgadora e de qual quesito?
Helenise Guimarães –
Sou professora de História da Arte da Escola de Belas
Artes da UFRJ, sou pesquisadora da UFRJ e este é o 1º ano
que estou julgando o quesito Alegorias e Adereços.
OBatuque.com – Considerando as orientações da Liesa
no manual do julgador e a experiência que você tem como
observadora do carnaval, como você entende os principais
critérios de julgamento deste quesito?
Helenise Guimarães –
Na verdade, a gente tem o critério da visualidade, saber
se a escola colocou as alegorias condizentes com o enredo.
Se elas descrevem bem o enredo. E tem a questão da
leitura, a alegoria tem que ser fácil de ser lida, tem que
estar bem acabada e dentro do contexto do enredo do
desfile.
OBatuque.com – Você julga importante essa visita
aos barracões das escola e poder observar as alegorias
antes do aparecimento na Avenida?
Helenise Guimarães –
Olha, você visitar o barracão e ver o desfile lá na
Avenida são duas coisas totalmente desvinculadas. E também
não dá pra ir a todas. A gente vem mais por essa questão
do agrado e da boa convivência com as escolas. O que a
gente julga é na hora que a alegoria entra lá na Avenida.
Acho até legal, é uma forma da escola mostrar um pouco
mais dos bastidores do samba que ela mantém.
OBatuque.com – Tem algum momento que, ao longo dos
20 anos que você acompanha o carnaval, tenha chamado a
atenção no que diz respeito ao quesito?
Helenise Guimarães – A
gente nunca pensa que vai ser julgadora, isso acontece e
se te chamam é porque alguma ligação com o quesito você
tem. A minha tese de doutorado é sobre esse tema e isso é
importante. Agora, momentos importantes, você tem desde a
década de 60, do Pamplona, quando ele altera a estética do
carnaval, e depois com o Joãozinho Trinta, à Rosa, com
vários, já que cada um contribuiu à sua maneira para que
as alegorias entrassem nessa composição espetacular.
OBatuque.com – O excesso de luxo, ou a falta dele,
pode atrapalhar a escola? Ou a criatividade do
carnavalesco pode superar esse tema?
Helenise Guimarães –
Tudo é questão de dosagem. Tem que estar condizente com o
enredo. Se o enredo pedir luxo e ela vier harmônica, vai
ser ótimo. Agora, na verdade, o critério de luxo ou
simplicidade é muito o critério visual também. Na hora do
julgamento o que está pesando hoje é justamente essa
criatividade do carnavalesco. Como a escola trabalha de
forma criativa e insere aquele adereço como elemento
daquele repertório que vai contar a história.
OBatuque.com – Desejamos sucesso nessa nova
empreitada e bom carnaval.
Helenise Guimarães –
Eu é que desejo sucesso ao OBatuque.com, que é um
site bacana mesmo de carnaval. Vocês divulgam a cultura,
sempre têm artigos bons também. Quanto mais se divulga e
quanto mais se leva a sério a cultura carnavalesca é
melhor. Tem que valorizar o que nosso povo faz.