OBatuque.com

03-03-2005

Bate-papo com o jurado

Helenise Guimarães

Às vésperas do Carnaval 2005, durante a abertura do barracão da Imperatriz Leopoldinense para a imprensa e comissão julgadora, a reportagem de OBatuque.com conversou com alguns dos jurados presentes para saber um pouco mais da difícil tarefa de julgar as escolas de samba e ficar sempre na berlinda, jamais agradando a todos. Nesta série, estaremos conhecendo mais sobre eles e como realizam a árdua tarefa de julgar os protagonistas do maior espetáculo da Terra.

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OBatuque.com – Helenise, fale um pouco sobre sua formação, desde quando é julgadora e de qual quesito?
Helenise Guimarães – Sou professora de História da Arte da Escola de Belas Artes da UFRJ, sou pesquisadora da UFRJ e este é o 1º ano que estou julgando o quesito Alegorias e Adereços.

OBatuque.com – Considerando as orientações da Liesa no manual do julgador e a experiência que você tem como observadora do carnaval, como você entende os principais critérios de julgamento deste quesito?
Helenise Guimarães – Na verdade, a gente tem o critério da visualidade, saber se a escola colocou as alegorias condizentes com o enredo. Se elas descrevem bem o enredo. E tem a questão da leitura, a alegoria tem que ser fácil de ser lida, tem que estar bem acabada e dentro do contexto do enredo do desfile.

OBatuque.com – Você julga importante essa visita aos barracões das escola e poder observar as alegorias antes do aparecimento na Avenida?
Helenise Guimarães – Olha, você visitar o barracão e ver o desfile lá na Avenida são duas coisas totalmente desvinculadas. E também não dá pra ir a todas. A gente vem mais por essa questão do agrado e da boa convivência com as escolas. O que a gente julga é na hora que a alegoria entra lá na Avenida. Acho até legal, é uma forma da escola mostrar um pouco mais dos bastidores do samba que ela mantém.

OBatuque.com – Tem algum momento que, ao longo dos 20 anos que você acompanha o carnaval, tenha chamado a atenção no que diz respeito ao quesito?
Helenise Guimarães – A gente nunca pensa que vai ser julgadora, isso acontece e se te chamam é porque alguma ligação com o quesito você tem. A minha tese de doutorado é sobre esse tema e isso é importante. Agora, momentos importantes, você tem desde a década de 60, do Pamplona, quando ele altera a estética do carnaval, e depois com o Joãozinho Trinta, à Rosa, com vários, já que cada um contribuiu à sua maneira para que as alegorias entrassem nessa composição espetacular.

OBatuque.com – O excesso de luxo, ou a falta dele, pode atrapalhar a escola? Ou a criatividade do carnavalesco pode superar esse tema?
Helenise Guimarães – Tudo é questão de dosagem. Tem que estar condizente com o enredo. Se o enredo pedir luxo e ela vier harmônica, vai ser ótimo. Agora, na verdade, o critério de luxo ou simplicidade é muito o critério visual também. Na hora do julgamento o que está pesando hoje é justamente essa criatividade do carnavalesco. Como a escola trabalha de forma criativa e insere aquele adereço como elemento daquele repertório que vai contar a história.

OBatuque.com – Desejamos sucesso nessa nova empreitada e bom carnaval.
Helenise Guimarães – Eu é que desejo sucesso ao OBatuque.com, que é um site bacana mesmo de carnaval. Vocês divulgam a cultura, sempre têm artigos bons também. Quanto mais se divulga e quanto mais se leva a sério a cultura carnavalesca é melhor. Tem que valorizar o que nosso povo faz.

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