Enredos: Carnaval 2009
Grupo
Rio de Janeiro 2
Unidos de Cosmos
Enredo: "Tem prefeito no samba, é o dr. Pedro Ernesto
nos braços do povo"
Carnavalesco: Raphael Ladeira
JUSTIFICATIVA
Orgulhosa,
sabedora do seu papel na história do samba e consciente de
seu lugar e posição na cultura do nosso país, o Grêmio
Recreativo Escola de Samba Unidos de Cosmos, que ao longo
dos anos de luta e, sobretudo, de muita resistência,
sempre se manteve ligado aos temas que contam a história
do Brasil e de seus personagens.
Que nós escola de samba aguerrida e sem dono, escola do
povo, feita por gente do povo que também se permite
sonhar, que hoje trazemos para a avenida a vida e a obra
de um dos mais importantes políticos de todos os tempos
Pedro Ernesto do Rego Batista, nordestino nascido em
Recife em 25 de setembro de 1884, filho de Modesto do Rego
Batista e de Maria Adelina Siqueira e Silva. De família
simples e humilde, custeou seus estudos com dificuldades,
quando estava no quarto ano de Medicina na Faculdade Da
Bahia foi obrigado a fazer desenhos e gravuras para os
colegas estudantes para poder se manter no seu curso de
Medicina e ainda tocava flauta numa orquestra regional
para continuar os seus estudos. Valeu o esforço de Pedro
Ernesto , pois ele se tornou um dos mais respeitados
médicos do Rio Antigo, especializou-se em Obstetrícia,
Ginecologia e Cirurgia Médica, além de se tornar
extraordinário político.
No Rio de Janeiro, Pedro Ernesto se junta a equipe do Dr.
Pacheco Leão e de Oswaldo Cruz nas campanhas de
erradicação da Febre Amarela e de outras doenças
infecto-contagiosas que assolavam o então Distrito
Federal. E quando Pedro Ernesto conhece a gente humilde
dos morros e favelas cariocas, gente que apesar das
dificuldades e da vida dura jamais deixa de sorrir,
chamando a atenção do jovem médico. E nos altos dos
morros, em meio a becos e vielas das favelas, Pedro
Ernesto testemunha o nascimento do samba que nascia
sorrateiro escondido debaixo das anáguas das tias pretas
baianas que há tempos ocupara estas regiões.
Com o ingresso definitivo na vida política, Pedro Ernesto
se torna um dos políticos mais admiráveis de todos os
tempos, com medidas a fim de diminuir os conflitos sociais
e apaziguar as desigualdades sociais, ele inicia uma
administração revolucionária, concluiu obras em hospitais
e construiu novos hospitais. Com a ajuda do professor
Anísio Teixeira constrói inúmeras escolas e faz uma
revolução educacional, criando espaço para que de todos
pudessem estudar, padronizou ainda os uniformes colegiais
com o intuito de abolir definitivamente no âmbito escolar
as desigualdades sociais.
Foi um grande nacionalista, tinha um respeito
incondicional pela cultura deste país; fosse ela erudita
ou popular, Pedro Ernesto apoiou manifestações populares
como blocos carnavalescos, cordões e grupos de frevo,
assim como as escolas de samba que surgiam ainda tímidas
naquela época, oficializando seus desfiles. Apoiou ainda o
movimento do Modernismo no Rio de Janeiro, incentivando os
intelectuais a seguirem os rumos da Semana de Arte Moderna
de 1922 ocorrida em São Paulo.
Porém Pedro Ernesto por seu grande carisma e popularidade
acabou despertando a ira e o ódio de seus oponentes como o
padre Olimpio de Melo, Getúlio Vargas e do reacionário
chefe de policia Filinto Muller, foi perseguido e teve seu
caráter e sua honestidade postos em dúvida por jornais
sensacionalistas ligados as forças ocultas do Governo.
Execrado da vida pública por injustas prisões e
perseguições arbitrárias, Pedro Ernesto se isola num
casulo onde permaneceria até sua morte em 1942.
Mergulhando definitivamente no abismo da saudade, voando
definitivamente rumo a eternidade no coração dos mais de
duzentos afilhados que deixou órfãos na memória da gente
humilde dos morros que chora a dor de sua partida. Gente
esta que hoje não chora por ti, mas canta em tua
homenagem, o samba e o carnaval do Rio que reúnem e
congregam a todos, para entoar um hino de reconhecimento e
amor por tudo que fizeste pelo samba e pela cultura
popular deste país, em especial do Rio de Janeiro.
DESENVOLVIMENTO DO ENREDO
QUADRO 1: A chegada
ao Rio de Janeiro.
Veio concluir o curso de medicina no Rio de Janeiro. Recém
formado, o jovem médico Pedro Ernesto conhece a Cidade do
Rio de Janeiro então Capital da República.
Surge então o nosso doutor com veste de nordestino e
seringa na mão. Na chegada é saudado por uma orquestra de
mosquitos que tocam violinos em meio à beleza cintilante
da nova iluminação pública recém instalada. Pois vale
lembrar que a cidade do Rio embora passasse nesta época
por várias reformas estruturais, ainda guardava muito da
desordem herdada do período imperial no Brasil,
principalmente nas questões ligadas ao saneamento básico,
o que fazia aumentar consideravelmente a proliferação de
doenças infecto-contagiosas, principalmente nas áreas mais
carentes, outro aspecto eram os confrontos armados e
revoluções que explodiam pela cidade liderada
principalmente por militares insatisfeitos com o governo,
que buscavam fazer ali uma revolução a fim de tomar o
poder.
QUADRO 2: Morros, o
fascínio das regiões profanas.
Ao se integrar na equipe dos Doutores Oswaldo Cruz e
Pacheco Leão, durante a campanha de erradicação da Febre
Amarela e de outras doenças infecto-contagiosas, Pedro
Ernesto toma contato com a gente humilde dos morros,
homens e mulheres esquecidos a própria sorte, que ainda
carregava no semblante as lágrimas da escravidão já
abolida, nascia ali uma relação de carinho e amizade
apesar do início hostil, Pedro Ernesto conhece as
histórias desses personagens, ouviu seus sonhos,
deslumbrou-se por sua cultura como o samba que surgia
ainda tímido nos altos dos morros em meio aos becos e
vielas, descobriu a poesia e a alma carioca escondida em
cada travessa, em cada singela casa, se depara ainda com a
beleza genuína das nossas tias baianas africanas que há
muito migraram para o Rio, acalentando e embalando o samba
em meio as suas curimbas e festejos em louvor de seus
Orixás.
QUADRO 3: O PREFEITO
PEDRO ERNESTO.
Ao ingressar definitivamente na vida política, primeiro
como Prefeito-interventor, depois como primeiro prefeito
eleito da Cidade do Rio de Janeiro, então Capital Federal,
Dr. Pedro Ernesto inicia uma administração revolucionária,
inicia-se uma carreira política extraordinária. Dr. Pedro
concluiu e construiu novos hospitais, criou programas de
saúde para que todos tivessem acesso a assistência médica
pública. Com a ajuda do professor Anísio Teixeira promoveu
uma revolução extraordinária na educação, construindo
inúmeras escolas, difundindo o ensino gratuito para todos,
instituiu ainda o uso de uniformes nas escolas públicas a
fim de abolir do âmbito escolar as desigualdades sociais.
Definitivamente eternizou o seu na área educacional ao
criar a Universidade do Distrito Federal em 1935.
Pedro Ernesto fora ainda um homem, sobretudo, que amou a
cultura brasileira, tinha pelos intelectuais e pelos
poetas populares um respeito quase religioso, embora não
tivesse outra cultura além da medicina e só saber escrever
em estilo simples, com relação a cultura sempre usou o
coração, foi assim ao incentivar manifestações populares
como blocos carnavalescos, cordões e grupos de frevo, ao
institucionalizar e oficializar o desfile das escolas de
samba que iniciava-se naquela época. E ainda ao apoiar
intelectuais e artistas eruditos do Rio de Janeiro a
seguirem os rumos da Semana de Arte Moderna ocorrida em
São Paulo em 1922.
QUADRO 4: FORÇAS
OCULTAS.
Ao se tornar um homem popular e de forte influência
política, Dr. Pedro Ernesto desperta o ódio e a ira de
seus oponentes, sobretudo do Padre Olimpio de Melo, do
Presidente Vargas e do desprezível Capitão Filinto Müller,
Chefe de Policia do Distrito Federal, que promovem uma
verdadeira execração pública de sua imagem através de
notícias, acusações mentirosas que tinham como objetivo
único, atingir sua honra, ética e caráter.
Foi preso e afastado da Prefeitura do Rio de Janeiro,
Pedro Ernesto então se cansa de suportar a dor e as
humilhações públicas, cansado de toda a miséria humana, de
todos os vícios e as ganâncias dos homens de poder que lhe
acusavam.
Dr. Pedro Ernesto se afasta da vida pública e se aprisiona
no fundo abismo da saudade, levado pelo infortúnio e pela
tristeza, ele permanece assim até a sua morte em 1942.
QUADRO 5: SE ONTEM O
SAMBA CHOROU HOJE ELE CANTA EM SUA HOMENAGEM.
Mas o amor e o carinho da gente humilde dos morros e
favelas cariocas não se perderam, Pedro Ernesto quando
partiu para sua viagem rumo ao infinito deixou centenas de
afilhados órfãos do “Bom Doutor”, que tanto fez por eles.
Paulo da Portela talvez foi o que mais soube externar o
sentimento da gente dos morros, do samba, naquele momento,
contam que ele deu a seguinte declaração: “choram os
morros cariocas, chora Oswaldo Cruz, Madureira, chora
Tijuca, Estácio de Sá e Mangueira, Nosso Doutor nos
deixou". E fora realmente uma comoção geral, o samba
chorou como pobre pierrô abandonado, de novo sem dono, sem
ter quem lutasse por ele e por sua gente.
Mas hoje, nós sambistas verdadeiros, que ao longo do tempo
resistimos e provamos ser merecedores de nosso lugar na
cultura deste país, trazemos no peito com orgulho a
medalha com o nome do “Nosso Doutor”, ela que é a maior
comenda da Cidade do Rio de Janeiro, que é oferecida
àqueles que se destacam na cultura do nosso estado e do
país. Hoje para nós sambistas da Unidos de Cosmos, símbolo
de luta e dedicação ao Samba é gratificante exaltar o
Prefeito Pedro Ernesto que foi um exemplo de perseverança,
de altruísmo, de homem que lutou a vida toda pelos seus
ideais e deixou um grande legado político que estará
eternamente em nossa memória. Enquanto bater um surdo
nesta cidade, Pedro Ernesto viverá em nossos corações,
pois ele foi o Grande Benfeitor do Samba do Rio de
Janeiro.
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Samba-Enredo
Autores:
Rafael Júnior, Anderson e Geraldo Vitorino
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Cosmos viajou ao Rio Antigo e achou
O legado político que Pedro Ernesto deixou
Pernambucano e Carioca por amor
Epidemias, ratos, mosquitos em sinfonia
O “Rio Moderno” que o jovem médico encontrou
Revolucionou a saúde e a educação
Uma universidade grande criação.
Baianas, malandros, sambistas no carnaval
Arlequins, pierrôs e colombinas que legal
Fazem homenagem ao gestor (bis)
Que fez da política, um ato de amor.
Nacionalista, defendeu a cultura brasileira
Escolas de Samba, sua obra permanente
Rufam os tambores, do Estácio à Madureira
Os pobres reconhecem o seu valor
Desperta o ódio dos políticos rivais
Calunia e prisão, reagem as forças do mal
Cumprida sua missão, viaja ao infinito
Surge nova estrela no espaço sideral
Saudade Bate no peito do sambista
A medalha atesta sua obra triunfal.
Tem Prefeito no Samba
É o Doutor Pedro Ernesto nos Braços do povo
A verde e branco é pura emoção (bis)
Explode Coração
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