Enredos: Carnaval 2009
Grupo
Rio de Janeiro 1
Corações Unidos do Amarelinho
Enredo:
"O
grito de amor e rebeldia de uma pátria livre"
Carnavalesco:
Humberto Abrantes
SINOPSE
"O Hino Nacional
Brasileiro é uma das mais belas obras
Do repertório nacional.
Uma bem estruturada composição musical somada a um
"Poema de rara inspiração cívica".
Introdução
A identificação do povo com o Hino Nacional é muito
importante para que ao ouví-lo ou cantá-lo possa se
ter a sensação de que ele é realmente o porta voz da
nação, da alma do povo.
Você mesmo já não se emocionou várias vezes ouvindo o
Hino Nacional brasileiro?
Este é um tipo de sentimento patriótico do qual mesmo
as pessoas mais frias e calculistas não conseguem
escapar.
A música do Hino Nacional foi composta em 1822 por
Francisco Manoel da Silva para comemorar a
Independência do Brasil. Sua Letra foi composta em
1909 por Joaquim Osório Duque Estrada e oficializada
em 1922 pelo Decreto número 15.671 de 06 de setembro
de 1922 para as comemorações do centenário da
Independência.
Comemoramos em 2009, 100 anos da letra de nosso Hino
Nacional que apresenta algumas variantes, mas em
linhas gerais segue o original de 1909. Seu projeto
original encontra-se na Biblioteca Nacional.
HINO NACIONAL BRASILEIRO
Música - Francisco Manoel da Silva
Letra - Joaquim Osório Duque Estrada
Ouviram do
Ipiranga as margens plácidas
De um povo heróico o brado retumbante
E o sol da liberdade, em raios fúlgidos
Brilhou no céu da pátria nesse instante
Se o penhor dessa igualdade
Conseguimos conquistar com braço forte
Em teu seio, ó liberdade
Desafia o nosso peito a própria morte
Ó Pátria amada
Idolatrada
Salve! Salve!
Brasil, um sonho intenso, um raio vívido
De amor e de esperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido
À imagem do cruzeiro resplandece.
Gigante pela própria natureza
És belo, és forte, impávido colosso,
E o teu futuro espelha essa grandeza
Terra adorada
Entre outras mil
És tu Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria Amada,
Brasil!
Deitado eternamente em berço esplendido,
Ao som do mar e a luz do céu profundo,
Fulguras, ó Brasil, florão da América,
Iluminado ao sol do novo mundo!
Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nosso bosque tem mais vida"
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
Ó Pátria amada,
Idolatrada
Salve!Salve!
Brasil, de amor eterno seja símbolo
O lábaro que ostentas estrelado
E diga o verde louro desta flâmula
Paz no futuro e glória no passado
Mas se ergues da justiça a clava forte
Verás que um filho teu não foge à luta,
Nem teme, quem te adora, a própria morte.
Terra adorada
Entre outras mil,
És tu, Brasil,
Ó Pátria amada!
Dos filhos deste solo és mãe gentil
Pátria amada,
Brasil!
Primeiro Setor
"DA DECLARAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA À ABDICAÇÃO AO TRONO"
A
COMPOSIÇÃO DO HINO NACIONAL.
No final de agosto de 1822, D. Pedro viajava para a
província de São Paulo para acalmar a situação depois
de uma rebelião contra José Bonifácio.
Apesar de ter servido de instrumento do interesse da
aristocracia rural à qual convinha a solução
monárquica para a Independência, não se deve desprezar
seus interesses próprios. Tinha formação absolutista e
por isso se opusera a revolução do porto, liberal.
Da mesma forma a política recolonizadora das cortes
desagradou à opinião pública brasileira. É é nisso que
se baseou a aliança entre D. Pedro e o partido
brasileiro. Assim, se a independência do Brasil pode
ser vista, objetivamente como obra da aristocracia
rural, é preciso considerar que teve início um
compromisso entre o conservadorismo da aristocracia
rural e o absolutismo do príncipe.
Ao voltar de Santos, parando as margens do Riacho
Ipiranga, D. Pedro de Alcântara recebeu uma carta com
ordens de seu pai, para que ele voltasse para
Portugal, se submetendo ao Rei e as cortes. Vieram
juntas duas cartas, uma de José de Bonifácio que
aconselhava D. Pedro a romper com Portugal, e a outra
da esposa, Maria Leopoldina, apoiando a decisão do
ministro. D. Pedro de Alcântara impelido pelas
circunstâncias pronunciou as famosas palavras.
INDEPENDÊNCIA OU MORTE!
Rompendo os laços de união política com Portugal, em
07 de setembro de 1822. Ao chegar à capital, Rio de
Janeiro em 12 de outubro foi aclamado Imperador com o
título de D. Pedro I e coroado em 01 de dezembro.
"O NASCIMENTO DO HINO BRASILEIRO"
Para comemorar a Independência do Brasil, Pátria livre
de Portugal, Francisco Manoel da Silva compõe a música
do Hino Nacional, símbolo sagrado da Pátria. O
compositor ainda não chegara aos 30 anos e escreveu os
primeiros compassos no balcão de um armarinho situado
na Rua Senador dos Passos esquina com Regente Feijó.
Essa casa comercial era também o ponto de reunião de
um grupo de amigos e cultores da música: Francisco
Manoel da Silva, Laurindo Rebelo, o célebre poeta
lagartixa, Bento Fernandes das Mercês, José Rodrigues
Cortes, e o proprietário da loja, o clarinetista
amador, José Maria Teixeira. O Compositor fez a música
sobre uns versos do desembargador e poeta Ovídio
Saraiva de Carvalho e Silva que circulava entre os
patriotas.
OS BRONZES DA
TIRANIA
JÁ NO BRASIL NÃO ROUQUEJAM
OS MONSTROS QUE A ESCRAVIZAM
JÁ ENTRE NÓS NÃO VICEJAM
EIS QUE DESATA
DO AMAZONAS
ATÉ O PRATA.
Com a
independência começou o Primeiro Reinado. D. Pedro I
foi aclamado imperador no dia 12 de outubro de 1822, e
no início de 1823 convocou a Assembléia Constituinte.
A intenção de D. Pedro I era de organizar
politicamente o país, fazendo um Império exemplar para
o resto da América. Mas ele fracassou, pois havia
muitas divergências entre os deputados e o Imperador
oriundas da ambição deste em ter um poder pessoal
(Poder moderador) acima do Judiciário, do Executivo e
do Legislativo. Queria o Imperador ser um soberano
absolutista, e ao perceber que não teria o apoio da
burguesia, dissolveu a Assembléia Constituinte em
novembro de 1823, após o envio de tropas, e mandou
prender alguns deputados. Aquela época queria os
liberais a criação de uma constituição nos moldes da
Carta Constitucional Americana, com ampla participação
da aristocracia agrária, apoiada em ideais
democráticos.
Acabaram por criar um prospecto que, dentre outras
medidas, limitava a participação tanto do Imperador,
grande parte das decisões seriam tomadas pela Câmara e
Senado, quanto das camadas médias e baixas da
população, bem como os comerciantes. Tal documento
passou a história como a "Constituição da Mandioca"
por ter se baseado em alqueires de mandioca para criar
o voto censitário. Portugueses, ricos comerciantes,
porém sem mandioca, não poderiam participar, camadas
médias e baixas urbanas, também não. Uma vez
dissolvida a Câmara que criaria a constituição, D.
Pedro I, reuniu 10 cidadãos de sua inteira confiança
pertencente ao parido português que, após algumas
discussões a portas fechadas, redigiram a "Primeira
Constituição do Brasil", outorgada no dia 25 de março
de 1824 na forma como queria o Imperador. Foi criado
assim o Poder Moderador que conferia amplos poderes a
D. Pedro I. Dentre as arbitrariedades poderia o
Imperador dissolver a Câmara dos Deputados, nomear e
destituir Senadores, eleger interventores provinciais.
Embora a Constituição de 1824 determinasse que o
Regime fosse Liberal, o governo de D. Pedro I foi
sempre autoritário e ele, frequentemente, impunha sua
vontade. Este impasse constante gerou um conflito com
os Liberais, que cada vez mais o viam como
autoritário. Preocupa a todos também o seu excessivo
envolvimento com a política interna portuguesa. Na
Constituição de 1824 foram definidas as primeiras
regras do sistema eleitoral brasileiro. Foi criada a
Assembléia Geral, órgão máximo do Poder Legislativo
Nacional, composta pelo Senado e pela Câmara dos
Deputados, cujos integrantes eram escolhidos pelo voto
dos cidadãos.
As eleições no Império eram indiretas, isto é, o
pleito se dava em dois graus. No primeiro grau,
exercido pelos eleitores de paróquia, votavam os
cidadãos de no mínimo 25 anos de idade e 100 mil réis
de renda anual, e eram escolhidos os eleitores de
segundo grau, estes também conhecidos como eleitores
de província, elegiam os Deputados. Os Senadores eram
eleitos pelo Imperador. O voto era obrigatório para os
cidadãos, mas
brasileiros revoltosos atacaram com pedras e garrafas.
Foi na verdade uma disputa entre aliados do partido
português favorável ao imperador e os Liberais do
partido brasileiro, opositores ao mesmo. Este episódio
teve importância primordial na crise política que
resultaria na abdicação de D. Pedro I em 07 de abril
de 1831.
Por ocasião da abdicação de D.Pedro I, um "Hino"
começa a se popularizar sob o título de "HINO 07 DE
ABRIL", a mesma música de Francisco Manoel da Silva,
que foi composta para homenagear a independência do
Brasil ganha nova letra para expressar um novo
sentimento de sua população. Nos primeiros dias de
abril as ruas viviam momentos de grande inquietação:
grupos exaltados passaram a defender a necessidade de
um governo republicano. A imprensa pregava o dever
sagrado de resistência à tirania. A pressão continuava
e no dia 05 de abril D.Pedro I constitui um novo
ministério. O Ministério dos marqueses, no dizer do
historiador Werneck Sodré, "todos notáveis pela sua
impopularidade". No dia 06, desde o amanhecer
numerosos grupos concentraram-se no campo da
aclamação, local onde D. Pedro I fora feito imperador
constitucional e Defensor Perpétuo do Brasil, onde
circulava boatos de represálias do Imperador a
oposição.
Às 23 horas, a população ali reunida veio juntarem-se
os corpos de tropas sob o comando do brigadeiro
Francisco de Lima e Silva. Na madrugada do dia 07 de
abril de 1831, não conseguindo contornar a crise, D.
Pedro I apresentou o ato de abdicação ao trono.
Naquela mesma madrugada deixou o palácio sem se
despedir do filho de cinco anos, seu herdeiro, mas
enviando-lhe posteriormente uma correspondência na
qual assinalava que:
"Me retiro para a Europa para que o Brasil sossegue, o
que Deus Permita, e possa para o futuro chegar aquele
grau de prosperidade de que é capaz. Adeus meu amado
filho, receba a benção de seu pai, que se retira
saudoso e sem mais esperança de o ver".
No dia 08 de abril, D. Pedro I envia esta mensagem a
Assembléia em que comunica ter nomeado como tutor de
seu filho, segundo a Constituição, Capítulo V, artigo
130, José Bonifácio de Andrada e Silva e pede:
"A Augusta Assembléia Geral que se digne confirmar
esta minha nomeação", eu assim o espero, confiado nos
serviços que de todo meu coração fiz ao Brasil, e em
que a Augusta Assembléia Geral não deixará de querer
aliviar-me desta maneira um pouco as saudades, que me
atormentam, motivadas pela separação de meus caros
filhos e da Pátria, que adoro.
Segundo setor
"DA ACLAMAÇÃO À COROAÇÃO
DE D.PEDRO II"
"O
FORTALECIMENTO DO HINO NACIONAL"
Este novo acontecimento histórico, a coroação de D.
Pedro II, faz a música do "Hino Nacional brasileiro"
sofrer uma adaptação em sua letra para exaltar o novo
soberano brasileiro.
"Negar de Pedro as virtudes
Seu talento escurecer
É negar como é sublime
Da bela aurora, o romper".
E colocar a música cada vez mais fortalecida no
coração dos brasileiros.
Do período de Regência até o Golpe da Maioridade
grandes revoltas aconteceram pelo Brasil, entre elas:
Guerra dos Farrapos ou Revolução Farroupilha: são os
nomes pelos quais ficou conhecida uma revolução ou
guerra regional de caráter republicano contra o
governo imperial do Brasil, a então província de São
Pedro do Rio Grande do Sul, e que resultou na
declaração da independência da província como estado
republicano, dando origem à República Rio-Grandense.
Foi de 1835 a 1845, é o conflito armado mais duradouro
que ocorreu no continente americano. Em 01 de março de
1845 assinou-se a paz.
Revolta dos Malês: A chamada revolta dos Malês,
registrou-se de 25 a 27 de janeiro de 1835 na cidade
de salvador, capital da então Província da Bahia.
Consistiu num levante de caráter racial, de escravos
africanos das etnias hança e nagô, de religião
Islâmica, organizados em torno de propostas radicais
para libertação dos demais escravos africanos.
Cabanagem: Foi uma das mais importantes revoltas
nativistas do período da regência. Ocorreu entre 1835
e 1840 e destacou-se pelo seu caráter eminentemente
popular, onde os cabanos (moradores de cabanas nos
vilarejos ribeirinhos e que deram nome ao movimento)
índios, negros e mestiços foram os personagens
principais.
A Cabanagem representa um prosseguimento das
manifestações que se desenrolaram na província do
Grão-Pará desde a independência do Brasil.
Balaiada: A Balaiada foi uma revolta que eclodiu na
província do Maranhão, entre os anos de 1838 a 1841.
Recebeu este nome devido ao apelido de uma das
principais lideranças do movimento, Manoel Francisco
dos Anjos Ferreira, o Balaio, (devido aos cestos,
objetos que ele fazia). A Balaiada se distingue das
outras revoltas que eclodiram no período regencial por
ter sido um movimento eminentemente popular contra os
grandes proprietários agrários da região. As causas da
revolta estão relacionadas às condições de miséria e
opressão a que estava submetida a população pobre da
região.
A Assembléia Nacional, entretanto, tinha poderes para
antecipar a maioridade de D. Pedro. Foi então fundado
o Clube da Maioridade, organização política cujo
objetivo era lutar pela emancipação da maioridade do
príncipe afim de que ele pudesse assumir o trono. O
Clube da maioridade teve o apoio das classes
dominantes e uniu políticos e progressistas e parte
dos regressistas. Em 1840, a Assembléia nacional
aprovou a antecipação da idade do príncipe Pedro de
Alcântara. Era a vitória do Clube da Maioridade. Assim
o jovem Pedro foi aclamado Imperador-mor, com o título
de D. Pedro II em 23 de julho de 1840. Iniciava o
Segundo Reinado, período que durou quase meio século.
(1840-1889).
Terceiro setor
"A PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA
E A
"OFICIALIZAÇÃO DO HINO NACIONAL"
A CRISE
NO SISTEMA MONÁRQUICO E O FORTALECIMENTO DO HINO.
A crise no sistema monárquico brasileiro pode ser
explicada através de algumas questões como a
interferência de D. Pedro II nos assuntos religiosos,
provocando um descontentamento na Igreja Católica.
As críticas feitas por integrantes do exército
brasileiro que não aprovavam a corrupção existente na
corte. Além disso, os militares estavam descontentes
com a proibição imposta pela Monarquia, pela qual os
oficiais do exército não podiam se manifestar na
imprensa sem uma prévia autorização do Ministro da
Guerra.
A falta de apoio dos proprietários rurais,
principalmente dos cafeicultores do oeste paulista,
que desejavam obter maior poder político já que tinham
grande poder econômico.
A classe média mudara também. Com o surto empresarial
ela ganhou muito mais oportunidades, crescendo em
número e importância. O palco em que se exibia era a
cidade: São Paulo, Salvador, Recife, Belém... Um pouco
por toda parte, mas onde de fato se podia constatar
seu avanço era na rua do ouvidor, no Rio. No footing
de todas as tardes, viam-se moças e rapazes vestindo a
moda parisiense, consumindo coisas raras e
sofisticadas, comentando acontecimentos de além-mar
como se tivessem ocorridos a dois passos dali.
Empregados de bancos, da justiça, médicos, advogados,
militares, estudantes, padres, artesãos, multidão
colorida e pretensiosa acotovelavam-se numa viela
estreita como as de Roma antiga. O espetáculo hoje nos
faria rir, miúdo e ridículo, mais era o que o tempo
poderia oferecer de novo.
Ao mesmo tempo a princesa Izabel havia apostado com o
Senador Cotegipe que faria a abolição. Na verdade ela
não o fez. A abolição resultou de um lado, do
desenvolvimento econômico do país e do outro da
campanha abolicionista. A princesa apenas assinou a
lei que declarava extinta a escravidão e que o
Parlamento votara por unanimidade. Lei Número 3.355 de
13 de maio de 1888.
Art. 1º - É declarada extinta a escravidão no Brasil.
Art. 2º - Revogam-se as disposições em contrário.
Assim que a princesa Izabel encontrou com o Senador
Cotegipe ela lembrou-lhe:
Então, ganhei ou não a aposta?
E Cotegipe respondeu: Ganhou, mas perdeu a coroa.
Cotegipe podia ser chamado de tudo, menos de burro. Se
a princesa não tivesse entendido sua profecia, ele lhe
mostraria que o regime imperial se apoiava nos donos
de escravos e, com a abolição, perdera este apoio
Ao ser proclamada a República os que pretendiam apagar
todos os vestígios do velho regime, pensaram logo em
substituir a música de Francisco Manoel da Silva e não
sossegaram enquanto não foi aberto um concurso para a
escolha de um novo Hino Nacional brasileiro. Foi
marcada para a tarde de 20 de janeiro de 1890 a
escolha solene do melhor Hino concorrente. Mas, no dia
04 desse mesmo mês, um vibrante artigo do crítico
musical, Oscar Guanabarino, abriu a questão em favor
do "velho Hino" de Francisco Manoel da Silva.
Argumentava que o Hino Nacional Brasileiro, nunca fora
considerado pelo povo como o Hino de D. Pedro II, mas
como o Hino da Pátria.
... E perguntava a Deodoro da Fonseca:
"Marechal, nos campos do Paraguai, quando a frente das
colunas inimigas a vossa espada conquistava os louros
da vitória e as bandas militares tangiam o Hino
Nacional. Qual era a idéia, o nome que acudia a vossa
mente no instante indescritível de entusiasmo. Pátria
ou o Imperador? E apelava: Decidi, portanto, digno
cidadão, de acordo com a resposta de vossa
consciência..
No mesmo dia Deodoro da Fonseca, declarava
pessoalmente a Guanabarino: "Li seu artigo e estou de
pleno acordo".
Quando no dia 15 de janeiro, a Marinha, tida por
alguns como monarquistas foi saudar o Ministro
Wandenkolke e o novo governo, no palácio Itamaraty, o
Major Serzedelo, em nome da imprensa e do povo, fez um
pedido a Deodoro da Fonseca: Que o antigo Hino
Nacional fosse considerado o da Pátria. O Marechal deu
um sinal de assentimento a Benjamim Constant, e este
declarou que o Hino Nacional seria conservado como o
"HINO DA NAÇÃO BRASILEIRA".
Logo depois as bandas de música do exército e a do 23º
de Infantaria atacaram o Hino de Francisco Manoel da
Silva e Deodoro comovido, foi aclamado no meio de um
delírio geral. Em o PAIZ, dois dias depois,
Guanabarino comentando o ocorrido, exortava os
milhares a guardar: "Esse HINO que ouviste na
infância. Ele representa uma idéia nobre, um nome
respeitável, encerra a história de vossas glórias e
atesta vossa gratidão" E como não era mais possível ao
governo provisório, cancelar o concurso, ficou
resolvido que este apontaria não o "HINO NACIONAL
BRASILEIRO", que continuava sendo o de Francisco
Manoel da Silva, mas o Hino da Proclamação da
República.
E foi assim, que às 13 horas do dia 20 de janeiro de
1890, no Teatro Lírico diante do Marechal Deodoro, com
seus ajudantes de ordens, dos Ministros, do Interior,
da justiça, da Guerra e da Agricultura, foram
executados, sucessivamente, por banda regida por
Carlos de Mesquita, os quatro hinos finalistas:
Francisco Fraga, J. Queiroz, Alberto Nepomuceno e
Leopoldo Miguez. Muito aplaudidos, a comissão
julgadora composta por, Alfredo Bevilaqua, Frederico
do Nascimento, Carlos de Mesquita, Paulo Porto Alegre
e Miguel Cardoso, confirmou o veredicto do público,
concedendo a palma ao hino de Leopoldo Miguez, que
como os demais, fora feito sobre os versos de Medeiros
e Albuquerque.
Deodoro e os Ministros assinaram então, os decretos de
oficialização do HINO NACIONAL e o do HINO DA
PROCLAMAÇÃO DA REPÚBLICA, e retornaram ao camarote, de
onde o Ministro do Interior fez a respectiva leitura.
A Banda repetiu o hino escolhido e, a pedido do
público, foi também executado o HINO de Francisco
Manoel da Silva, o que iria produzir no público
presente uma emoção indescritível..
Confirmava-se assim, entre todos, a impressão do
Marechal Deodoro, o qual, ao ouvir pela primeira vez,
o hino de Miguez, dissera:
"PREFIRO O VELHO"
Quarto Setor
"O HINO DA NAÇÃO BRASILEIRA"
Ao "HINO
NACIONAL BRASILEIRO", só faltava uma letra a altura. O
escritor Coelho Neto, em 1906, subiu a Tribuna da
Câmara dos Deputados e propôs que se fizesse, para
ele, "UM POEMA CONDIGNO".
Em 1908, O Ministro da Justiça, Dr. Augusto Tavares de
Lira, nomeou uma comissão para rever esse HINO,
integrada por Alberto Nepomuceno, então Diretor do
Instituto Nacional de Música, e dos Maestros Francisco
Braga e Frederico Nascimento, sugerida a abertura de
um concurso para a escolha da melhor letra, e
autorizado o governo a criar um prêmio de Dois contos
de Réis. Vários poemas concorreram, destacando-se o de
Joaquim Osório Duque Estrada. Data de outubro de 1909
o seu "PROJETO DE LETRA PARA O HINO NACIONAL
BRASILEIRO", cujos versos iniciais eram o seguinte.
"OUVIRAM DO IPIRANGA
ÀS MARGENS PLÁCIDAS
DA INDEPENDÊNCIA O BRADO RETUMBANTE
E O SOL DA LIBERDADE EM RAIOS FÚLGIDOS
BRILHOU NO CÉU DA PÁTRIA NESSE INSTANTE".
Em 1916,
o poeta introduziu modificações no poema. A 21 de
agosto de 1922, o Decreto nº 4.559 autorizou o Poder
Executivo a adquirir a propriedade dos versos e a 06
de setembro do mesmo ano, isto é, na véspera do dia
que se comemorou o Centenário da Independência, o Dec.
Nº. 15.671, declarava oficial esta letra.
Á partir de 07 de setembro de 1922, o Hino Nacional
Brasileiro se completa. Agora a música de Francisco
Manoel da Silva aliada a letra de Joaquim Osório Duque
Estrada representa a Pátria brasileira, neste momento
numa completa ebulição. A Semana de arte moderna de
1922, marco do modernismo brasileiro ganha novas
formas e cores com as idéias revolucionárias de Mário
de Andrade, Anita Malfati, Oswald de Andrade e Manoel
Bandeira, entre outros, abalou as estruturas da
cultura vigente alterando definitivamente os caminhos
da arte brasileira no século XX. Os modernistas
brasileiros buscavam novos procedimentos estéticos,
que traduzissem melhor a nossa nova realidade,
incorporaram elementos dessas vanguardas européias, do
cubismo, do futurismo e do expressionismo.
Em 1936, Getúlio Vargas determinou a obrigatoriedade
da execução do Hino Nacional em todos os
estabelecimentos de ensino públicos ou privados do
país, através da lei 259/1936, de 01 de outubro de
1936. A obrigatoriedade, estabelecida neste artigo
refere-se aos estabelecimentos de ensino primário,
normal secundário e Técnico-profissional e as
associações esportivas, de rádio-difusão e outras de
finalidade educativas. Caso descumprisse a lei, o
estabelecimento poderia ser fechado.
Em 1942 ao lado dos Aliados o Brasil entra na segunda
guerra mundial, enviando a Força Expedicionária
Brasileira (FEB) e permitindo que o nordeste
brasileiro servisse de base a navios dos Estados
Unidos. Um fato marcante para a Força Expedicionária
Brasileira aconteceu em 29 de outubro de 1944. O HINO
NACIONAL BRASILEIRO,é cantado pelos soldados, sob
pesado bombardeio e transmitido do interior da
Catedral de Pisa, na Itália pelo correspondente de
guerra da BBC, Francis Hallawell.
O sonho do Hino Nacional encontra-se também nas
olimpíadas, a emoção nos jogos olímpicos cativa as
pessoas e todos desejam ver a vitória de seu país.
Nasce nos jovens o desejo de correr atrás dos sonhos e
a conquistá-los, fomenta o orgulho de ser brasileiro,
de pendurar no peito uma medalha olímpica e emocionar
um país inteiro no momento mais importante da
competição. A entrega da medalha de ouro durante a
solenidade de premiação ao som do HINO nacional eleva
o país à grande condição de ter o melhor atleta do
mundo.
Quando a seleção brasileira entra em campo e soam os
primeiros acordes do HINO NACIONAL, todos se emocionam
e, compenetrados, entoam as primeiras estrofes. No
começo, tudo bem. Apesar da letra do Hino soar, em
alguns momentos, ininteligível, com muitas palavras
que não são do conhecimento do cidadão comum, todos
cantam em alto e bom som, o "Ouviram do Ipiranga às
margens plácidas" até, pelo menos, o trecho que diz
"Desafia o nosso peito a própria morte", daí pra
frente, porém a coisa começa a complicar.
Principalmente na hora de mudar de estrofe, quando
muitos costumam confundir "Brasil de amor eterno seja
símbolo" com "Brasil de um sonho intenso, um raio
vívido" Este fato acaba gerando constrangimento em
algumas pessoas. Vislumbramos o desconhecimento da
letra do HINO NACIONAL BRASILEIRO.
Em momentos marcantes para o país, como competições
nacionais e internacionais ou em casos de premiações
esportivas, os atletas demonstram publicamente não
saber cantar o HINO NACIONAL na íntegra. Tal fato
expõe uma das grandes vergonhas nacionais, a
demonstração de que os brasileiros não conhecem seu
próprio HINO, "titubeando, errando a letra, alterando
a ordem das estrofes ou permanecendo calados enquanto
ouvem a sua execução solene. Fato que deveríamos
evitar não só em eventos mais também no nosso
dia-a-dia. Deveríamos aprender que a repetição, a
participação conjunta e a audição do HINO possibilitam
a vivência patriótica, o exercício da cidadania, a
exteriorização dos sentimentos comuns como povo e
nação.
Outro momento de extrema importância do nacionalismo,
onde o povo demonstra força na busca de um Brasil
melhor, ganha o nome de "Diretas já" movimento civil
de reivindicação por eleições presidenciais diretas no
Brasil em 1984, na época a possibilidade de eleições
diretas para a presidência da República no Brasil se
concretizaria na aprovação da proposta de Emenda
Constitucional Dante de Oliveira pelo Congresso
Nacional.
Em 10 de abril, no Rio de Janeiro, na Igreja da
Candelária um comício envolvendo 1 milhão de pessoas
buscava o sonho das "Diretas Já". O movimento, um
grito de amor e Rebeldia em busca do nacionalismo teve
grande importância na redemocratização do Brasil. Suas
lideranças passaram a formar a nova elite política
brasileira. O processo de redemocratização termina com
a volta do poder civil em 1985 com a aprovação de uma
nova constituição Federal em 1988 e com a realização
das eleições diretas para Presidente da República em
1989.
Em agosto de 1992, com a força da contestação, os
estudantes secundaristas ultrapassam os limites da
sala de aula e saem às ruas para pedir o impeachment
do Presidente Fernando Collor de Mello. Insatisfeitos
com o rumo do governo eles fazem ecoar ao som do HINO
NACIONAL, o nacionalismo mais puro e latente de um
povo em busca de seus direitos de cidadãos e exigem a
ética na política. Ficam conhecidos como os caras
pintadas e trazem no rosto o selo de qualidade de uma
geração: " A cara pintada com as cores do Brasil".
Os movimentos estudantis no Brasil tem uma longa
história de lutas e sempre vamos encontrar o Hino
Nacional Brasileiro aliado a estes grandes movimentos
em defesa de nossa nação.Com certeza,nesta multidão
muitos cantaram o Hino nacional somente com o
sentimento, pois não saberiam cantá-lo na íntegra se
não houvessem outras pessoas no comando. Este quadro,
esta busca foi alcançada, mas outra, o conhecimento da
letra do HINO NACIONAL, que expressa amor a nossa
nação, ainda é uma luta a ser conquistada.
No Estado do Rio, Legisladores vem tentando tornar
obrigatória a execução do HINO NACIONAL nas escolas. A
idéia dos legisladores que se preocupam com a questão
é que o povo brasileiro se torne mais patriota e
valorize mais seus símbolos e o seu espírito de
cidadania. Também discutem que esta seria uma maneira
de levar as escolas a discutir os valores nacionais e,
sobretudo, de ensinar a composição do HINO, cuja
letra, toda composta em ordem inversa de significado
ainda é minimamente conhecida pelos estudantes.
Este é o
"O GRITO DE AMOR E REBELDIA DO G.R.E.S. CORAÇÕES
UNIDOS DO AMARELINHO" visando conscientizar nosso povo
da importância do "HINO NACIONAL", símbolo de nossa
Pátria Livre.
Humberto Abrantes