UNIDOS DE VILA ISABEL

Enredos: Carnaval 2007

Grupo Especial

Unidos de Vila Isabel

Enredo: "Metamorfoses: do reino natural à corte popular do Carnaval – As transformações da vida"
Carnavalesco: Cid Carvalho

Apresentação

O GRES Unidos de Vila Isabel para o carnaval de 2007 traz como tema as metamorfoses.

O enredo apresenta um denso conteúdo científico, histórico e cultural, e tem como inspiração as constantes transformações por que passamos. O trabalho do naturalista inglês Charles Darwin é o nosso ponto de partida, uma vez que buscou decifrar o mundo natural para poder entender a origem e a transformação sofrida pelas espécies ao longo do tempo. Suas pesquisas são, portanto, o nosso fio condutor, permitindo construir uma teia de metamorfoses, um verdadeiro show da natureza e de cultura, em pleno palco do samba.
 
O enredo apresenta os múltiplos significados da palavra metamorfose, a começar pelas transformações da mãe-natureza e da própria espécie humana. A seguir, adquire um significado histórico, com a oposição Teocentrismo Medieval/Antropocentrismo renascentista, as viagens de descobrimentos e a passagem de um mundo fechado para um universo infinito, e o impacto causado pelas invenções (máquinas) para a vida social humana. Logo depois, alcança o inconsciente coletivo, com as aventuras dos super-heróis no campo da ficção-científica (de seres humanos a seres sobre-humanos). Passa pelas transformações provocadas pela genética e pela medicina estética. E, finalmente, concluiremos com a metamorfose social do carnaval, essa festa de integração, profana e igualitária, que coloca todos num mesmo patamar nos quatro dias de folia independente da condição social e de gênero. Portanto, Metamorfose significa transformação, mudança de forma física, histórica, biológica e social, geralmente profunda.

Metamorfosear, essa é a proposta. Mas, a metamorfose não é o início e nem o fim, é o meio, é o amadurecimento. O início é o que será mudado, ou readaptado ao novo meio; o fim é o ser já mudado e perfeito. A metamorfose é a mediadora, é o feito transformando-se, o casulo onde as idéias vão crescendo e tomando forma, até chegar ao templo do Samba.

Mais uma vez, o GRES Unidos de Vila Isabel estará investindo num tema de forte teor cultural, pois acreditamos que a cultura é capaz de modificar a vida das pessoas e a estrutura social em que vivemos.

SINOPSE DO ENREDO

"Na natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma".
LAVOISIER.

Hoje a Vila é senhora do tempo.

Do tempo que já passou ou do que está por vir; do sábio tempo que faz soprar o vento das transformações.
E inspirada nas constantes metamorfoses em que vivemos, faz da eterna busca pelo nunca visto e o desconhecido, o tema ideal para o seu carnaval.

Partindo das pesquisas de Darwin, naturalista inglês, que tanto fez para a origem e transformação das espécies decifrar, lá vem minha Vila, cantar e exaltar o novo, o diferente, a coragem do descontente, que sabe que a força da gente é ser divergente, de quem somente quer se acomodar.

Livre e altaneira, qual borboleta faceira que do casulo se libertou, alçará um panorâmico vôo através dos séculos, ora pra trás e ora pra adiante e através desse tema, num instante saberemos o que fomos, o que somos e até o que seremos.

Há muito tempo, lá na África distante, surgiram nossos primeiros ancestrais, mas nada de mais teria acontecido se não tivéssemos logo percebido o que nos tornava diferente dos outros animais. Então, como um menino que descobre o poder do conhecimento, fizemos da razão o nosso destino e da vontade a nossa direção.

Aprendemos a caçar e transformar peles em proteção contra o mau tempo. Lascamos e polimos a pedra, dominamos o metal e o fogo, domesticamos animais e plantas, criamos cidades e monumentos para auto-aclamação.

Nos tornamos senhores do nosso meio, cavalgando a arrogância e tomados por cega ignorância, não percebemos os lamentos da natureza, que nos abrigava e dava sustento.

Chegamos à Era Medieval. Do alto de nosso trono caótico e decadente, éramos a própria imagem do "ser caído, de Adão descendente, marcado pelo pecado original". O Renascimento humano surgiu através das mãos de escritores, escultores e pintores que passaram a nos colocar como "centro da criação", e qual Fênix, renascidos das próprias cinzas, alcançamos a nossa redenção.
Guiados por espírito heróico e guerreiro, derrotamos os monstros do "Mar Tenebroso" da nossa imaginação, e seguindo nosso instinto desbravador e aventureiro, nos lançamos ao mar em busca de outros mundos encontrar.

E, assim, o "velho encontrou o novo" e o "novo" transformou o "velho", modificando os fundamentos do conhecimento dominantes até então. Lá na "França Real, o "bom selvagem" conheceu a realeza, e, por sua natureza, inspirou a Revolução.

Mas nós temos pressa, muita pressa e embalados pelo frenético ritmo das transformações, fizemos o mundo, aparentemente, girar mais rápido. Dançávamos agora no compasso das grandes invenções: máquinas a vapor e elétricas, carros, trens, telefones, computadores e robôs fazem as pessoas e o meio mudarem com impressionante rapidez e o homem por sua vez vai sendo, aos poucos, substituído pelas máquinas que fez.

Nesta eterna busca por absorver o mundo circundante, apenas ser visto como guerreiros e heróis já não era o bastante. Então, cortejando inconscientemente nossos maiores desejos e fantasias, materializamos através da ficção, surpreendentes imagens da nossa imaginação.

Assim, transpomos o nosso "EU" curioso e faminto de mundos, até as constelações mais remotas e aos segredos profundos da ciência e tecnologia. É, neste imaginário reino de todas as possibilidades, nos tornamos senhores das estrelas e galáxias, conquistamos super poderes e nos tornamos super-homens. Se, na verdade, toda realidade nasce das mentes daqueles que conseguem sonhar, então é melhor de nada duvidar!

Com idéia fixa e decidida, descontentes com a própria imagem no espelho refletida, nos tornamos escravos da perfeição estética e procuramos interferir em nosso lado de fora: cirurgias plásticas, lipoaspiração, próteses de silicone, clareamento da pele ou bronzeamento artificial. Vale tudo transformar para o modelo ideal se tornar!
Não satisfeitos, buscamos também aperfeiçoar o nosso interior: códigos genéticos, cadeia de D.N.A., clones e bebês de projeto. Pode até assustar, mas é real, a criatura de fato, se transformou em criador. Quem será capaz de nos falar onde isso vai parar?

Mas agora é hora de festa e magia. Vista a sua mais bela fantasia, traga no peito amor e alegria, porque neste momento, como por juramento, não existe nem dor nem lamento.

Então, "abra os braços amor", olha a Vila aí, que hoje juntamente com a energia transformadora de seus componentes, promove a inversão do mundo e a eliminação de todas as diferenças entre sexos, crenças, etnias, idades e classes sociais. Através da força de seu canto convoca a todos, de todos os cantos, para participarem do grande baile da igualdade que já vai começar: o sapo vai virar príncipe, a menina simples e humilde se transformará em Cinderela, o rico será plebeu, enquanto o pobre se transfigurará em rei e rainha.
No mundo atual, especialmente no nosso Brasil, onde as grandes transformações sociais se fazem necessárias e urgentes, louvamos aqui o carnaval, pois na mágica metamorfose refletida em nossa maior festa, não existem diferenças, todos somos iguais!

Ao apresentar nesse carnaval as grandes metamorfoses da vida, gostaria de ressaltar aqui a força da nossa Agremiação, que, forte e unida, jamais se deu por vencida e soube transformar dor, amargura e decepção em alegria e emoção, para colocar no peito, com legítimo direito, a faixa de campeã.

"Arriba Vila"...viva...eterna Vila!!!

Que toquem bem alto os tambores, repeniques e agogôs...Imponente vai desfilar a tradicional escola do Bairro de Noel, pois "sambar na avenida de azul e branco é o nosso papel, mostrando pro povo que o berço do samba é em Vila Isabel".

Cid Carvalho (Carnavalesco) & Alex Varela (Historiador)

Samba-Enredo

Autores: Bocão, André Diniz, Serginho 20, Carlinhos Petisco e do Professor Wladimir


Vai brilhar minha vila
Ainda mais linda
No tempo que faz sonhar
Inspira a luz da ciência
Mantém sua essência
E segue a se transformar...
A mudar sua natureza
Pouco a pouco evoluindo
Imponente, feito um humano
Seus passos vão refletindo

Renasce a luz da sabedoria
O homem se lança ao mar  (bis)
O sonho é fonte dessa energia
E fabricando, ilusões renovar

Quero sempre me superar
Cruzar o céu, poder voar
Remodelar o que deus criou
Brincando então de criador
A vila também se modificou
No universo do carnaval
Lindamente desbrochou
e um sonho fez real

Samba não tem preconceito
Brancos, negros, iguais!  (bis)
O beijo da Vila Isabel, princesa
Metamorfose assim se faz


 

UNIDOS DE VILA ISABEL