Enredos: Carnaval 2007
Grupo de Acesso C
Unidos da Villa Rica
Enredo:
"Carukango"
Carnavalesco: Oswaldo Luiz (Deco) e André Wendos
SINOPSE
Antigamente, os orixás eram homens. Homens que se tornaram
orixás por causa de seus poderes, de sua sabedoria, sua
força e suas virtudes. Em cada vila, um
culto se estabeleceu sobre a lembrança de um ancestral de
prestígio. E, lendas foram transmitidas de geração em
geração para render-lhes homenagem.
No Òrun, o universo, e no Àyié, a terra, a luta dos negros
contra as injustiças contou com corajosos guerreiros. E na
nossa história, se destaca Carukango, o guerreiro
feiticeiro que virou rio. Sua odisséia dá-se a partir de
Moçambique,
Em anos de intensa exploração Africana por Portugal, os
dioulas africanos não paravam de trazer negros capturados
no interior. Entre eles, estava um líder político, militar
e espiritual de sua tribo: Carukango, chefe e feiticeiro,
que fora emboscado, aprisionado, e vendido como escravo á
traficantes que os trouxeram da África ao Brasil. O
tumbeiro aportou na Ilha de Sant'anna para a quarentena.
Nela, além dos cativos do Estrela de Macahé, muitos outros
negros trazidos por outros tumbeiros, para serem vendidos
em
terras brasileira. Embora fosse coxo e meio corcunda, era
um líder, um chefe e feiticeiro, e poderia agir como
escravo, e servir de interlocutor entre seus donos e os
demais cativos. Porém, Carukango não atendeu às
expectativas
de seu novo dono, sequer aprendeu a "Língua Portuguesa",
não abandonou suas crenças, estabeleceu liderança sobre os
outros escravos da fazenda, resistiu ao trabalho com
sabotagens e negligências, não havia castigos que o
fizessem mudar.
Carukango incentivou questionamentos, inconformismo e
rebeliões, culminando em sua fuga e de outras dezenas de
escravos. Os fugitivos evadiram-se para o cume das
montanhas da Serra do Deitado, hoje, parte dos municípios
de Macaé e Conceição de Macabu, em altitudes superiores a
600 metros, lá encontraram um platô suficientemente
grande para abrigar uma comunidade. Organizados em um
trabalho coletivo, cooperativo, democrático e social;
criaram um abrigo coletivo, implementaram plantações
diversas, e aproveitaram a caça e a coleta local.
O assentamento criou fama, outras fugas em massa ocorreram
em diversas fazendas, os atritos entre
proprietários e feitores contra os fugitivos, tornava-se
cada vez mais intenso. Os ataques propiciaram grande
número de fugas e saques, tornando o“quilombo”maior e cada
vez mais forte; sendo Carukango identificado como líder.
A localização e a engenhosa proteção de Carukango tornou
este quilombo o maior da região, talvez do Rio de Janeiro,
e
quem sabe, um dos maiores do Brasil.
Deu-se inicio a fortificação do Quilombo de Carukango.
Percebendo as fraquezas militares de Cabo Frio, Macaé e
arredores, acorreram em auxílio ao chefe do Distrito
Militar
da Capitania do Espírito Santo, o Coronel Antônio Coelho
Antão, que partiu em socorro ao vilarejo de Macahé.
Às milícias do Espírito Santo, juntaram-se as polícias de
Campos, Macaé e Cabo Frio, além de populares de toda a
região. Com ataques frustrados; As milícias, armadas a
ferro e fogo, foram sucessivamente repelidas nos
confrontos
dentro das florestas e nas montanhas, especialmente por
desconhecerem o terreno e não conseguirem surpreender
os quilombolas.
Todas as trilhas foram bloqueadas, as milícias fizeram
sucessivos ataques com uso constante de armas de fogo, até
que finalmente, atingiram o platô onde se localizava o
quilombo. A batalha foi desproporcional, as milícias, bem
armadas e numerosas, já iniciavam o massacre dos
quilombolas, quando Carukango surgiu do interior da
construção paralisando o confronto, sacou uma pistola de
dois canos, disparando e matando o filho mais moço de
Francisco Pinto, o seu comprador e escravizador no Brasil.
Carukango foi linchado, massacrado e mais tarde
esquartejado pelas tropas, e, os quilombolas que não foram
massacrados, suicidaram-se atirando-se dos penhascos
e furnas da região.
A cabeça e partes do corpo de Carukango ficaram espetadas
em estacas pelas estradas que se aproximavam da região,
até que se decompusesse.
Seu corpo a céu aberto, permitiu a liberdade que o
guerreiro tanto desejava; onde a mãe natureza,
utilizando-se dos poderes de Iansã a rainha dos ventos,
soprou e derramou os seus restos, nas águas do rio que
passava as margens da estrada onde ficou sua exposição.
Foi nas águas do rio que a liberdade alcançou, indo ao mar
para os braços carinhosos de Iemanjá, que o leva em suas
“correntes”, de volta à mãe áfrica.
O rio tranqüilo que desce da serra á caminho do mar, que
me leva pra África, vou te nomear: Carukango é teu nome,
guerreiro valente! Que virou orixá.
Bibliografia:mestrado de Professor
Marcelo Abreu Gomes, Universidade
Castelo