Enredos: Carnaval 2007
Grupo de Acesso A
União da Ilha
do Governador
Enredo: "Ripa na tulipa"
Carnavalesco: Comissão de Carnaval (Paulo Menezes, Jack
Vasconcelos e André Marins)
SINOPSE
“(...) Água, cevada, um pouco de arroz e milho, fermento e
lúpulo. A cevada tem os seus grãos secados para produzir o
malte, sendo necessário torrá-los para uma bebida mais
escura. As flores de lúpulo são responsáveis pela espuma e
pala graduação do amargor que se intenciona,
recomendando-se ainda, se necessário para melhor
aromatizá-la, a adição de mírica, louro, zimbro,
losna-maior (o mesmo que absinto), sálvia, folhas de
pinheiro, rosmaninho, gengibre ou hortelã.(...)”
Weihenstepham, Alemanha, 1040 d.C.
Herdamos dos Mosteiros da Idade Média o molde básico dos
ingredientes e do fabrico da “servisia” que consumimos
hoje. Na Quaresma medieval só era permitido uma refeição
ao dia nos monastérios e, como a proibição não se estendia
aos líquidos, os monges saciavam a fome bebendo cerveja,
pois os próprios dominavam a tecnologia de fabricação e
eram responsáveis por sua venda e distribuição; detendo,
por muitos anos, o monopólio dos Mosteiros em suas adegas
nos subsolos para a requintada degustação nas tavernas
subterrâneas dos conventos.
Mas seu rústico nascimento se esconde na poeira do tempo.
Os Sumérios já possuíam uma desenvolvida indústria
cervejeira e controlavam o plantio da cevada em larga
escala para suas várias “casas de cerveja”, e costumavam
oferecê-la, ingerida pelos sacerdotes do culto, em
sacrifício à deusa da Fecundidade.
Os Babilônicos chegaram a fabricar mais de dezesseis tipos
com cevada, trigo e mel mais de quatro mil anos antes de
Cristo.
E no Egito, o Deus Osíris teria inspirado aos homens a
preparação do suco de cevada em substituição ao vinho, e a
cerveja foi elevada ao posto de bebida nacional. Ramsés já
havia organizado um grêmio de cervejeiros com
regulamentação para venda; as mulheres usavam sua espuma
como rejuvenescedor da pele e ainda atribuíam-lhe
propriedades curativas, além de ser tradicional que as
criptas mortuárias fossem fartamente abastecidas com
jarras transbordantes.
Enquanto isso, por aqui, na América do Sul, séculos antes
da chegada dos espanhóis, os Incas já bebiam uma cerveja
preparada com grãos de milho em grandes festas e rituais
religiosos.
Bebida esta, aliás, detectada em praticamente todas as
sociedades ameríndias. Não é à toa que Cristóvão Colombo
ao pisar em solo americano, foi “brindado” pelos índios
com uma cuia cheia, logo em um dos seus primeiros contatos
com os nativos.
Nos idos anos quinhentistas, o pastor protestante francês
Jean de Léry, descreve em narrativas sobre sua “Viagem à
Terra do Brasil”, o processo de fabricação do “Cauim”
Tupinambá; onde o milho ou raízes de mandioca eram
cozidos, mastigados e fermentados, produzindo uma bebida
forte para se embriagarem em grandes bebedeiras, nas quais
os índios cantavam e dançavam ao redor dos potes noite a
dentro.
Em outubro de 1810, quando o Rei Luis I, mais tarde Rei da
Baviera, casou-se com a Princesa Tereza da Saxônia e, para
comemorar, organizou uma corrida de cavalos, acompanhada
com danças, boa música, muita comida e, é claro, muita
bebida. O sucesso da festança foi tanto, que o evento Real
passou a ser anualmente concebido com a participação do
povo da região. O local acabou sendo batizado com o nome
de Gramado de Tereza, homenageando a princesa. A
confraternização deu origem à maior festa de cerveja do
mundo, em Munique, na Alemanha: a Oktoberfest.
A cerveja demorou a chegar no Brasil, pois os portugueses
temiam perder o filão da venda de seus vinhos. Mas foi só
a Família Real Portuguesa aportar em solo Tupiniquim com
suas embarcações turbinadas com a “mais pura alegria”,
para o país se render a ela. Questão de tempo, a bebida
caiu no gosto popular criando forte identidade nacional.
Hoje, em Blumenau, ela é louvada em uma das festas mais
populares do país, onde a folia dos blumenauenses mostra
sua diversidade cultural, marcada pela honra da memória e
das tradições dos costumes dos antepassados vindos da
Alemanha, para formar colônias na região Sul do Brasil;
celebrando o casamento perfeito onde a germânica loura
gelada e o sedento calor tropical vivem felizes para
sempre...
Jack Vasconcelos
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Samba-Enredo
Autores:
Alberto Varjão, Carlinhos Fuzil, Jorginho, Mauricio Maia e
Niva
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Num toque de alegria
O doce sabor veio de lá
É tradição medieval, dá gosto no meu carnaval
Vem amor, saborear
Alimentar o corpo, bebendo com prazer
Em sacrifício à deusa, vamos oferecer
Osíris no Egito ao homem inspirou
Nasceu, o suco de cevada
É a cerveja que ao mundo encantou
Passa a espuma na pele que dá... beleza!
Vem pode chegar (bis)
Levanta a jarra amor, cai na folia
Oi, deixa transbordar!
Os incas bebiam, faziam festas e rituais
O índio abraça o descobridor
Com cauim, Tupinambá enche o pote e pede mais
Alô, Terra Brasil
Essa bebida conquistou a realeza
É canto, é dança, é pura emoção
Que delícia, sabor tropical
A “loura gelada”, sedução nacional
Faz a festa, Blumenau
Ripa na Tulipa, Ilha!
No calor da bateria, vem sambar! (bis)
Pisa forte nesse chão, incendeia o coração!
Tem mais cerveja pra comemorar! |
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