Enredos: Carnaval 2007
Grupo de Acesso B
Sereno de Campo Grande
Enredo:
"É carnaval, a coruja manda
avisar: deu águia, via a Portela!"
Carnavalesco: Amarildo de Melo
SINOPSE
..."A
chama
não
se apagou".
Nem
se apagará
És
luz
de
eterno
fulgor,
Candeia
O
tempo
que
o
samba
viver
O
sonho
não
vai se
acabar..."
(Candeia)
Objetivo:
Tendo
como
embasamento
a historia
do
G.R.E.S. PORTELA, objetivamos
através
desse
enredo
fazer
uma
homenagem
a
Azul
e
Branco
de Osvaldo
Cruz,
onde
abordaremos de
forma
geral
os
seguintes
aspectos:
mitos
e
personagens
que
construíram a historia dessa
escola,
momentos
de
glórias
através
de
seus
campeonatos,
suas
inovações
no
cenário
do
carnaval
e
sua
importância
como
uma das
principais
instituições
na
construção
da
cultura
popular
brasileira.
Justificativa:
Pisando pela primeira vez a passarela da Marquês de
Sapucaí, o Grêmio Recreativo Escola de
Samba
Sereno de Campo Grande inspira-se na maior campeã
do
carnaval carioca e, fantasiando-se de azul e branco,
mira-se no espelho portelense para trilhar, Oxalá!, Um
caminho de sucesso, beleza, alegria,
samba
e verdade.
Sob as bênçãos da Águia de Osvaldo Cruz e Madureira, a
Coruja da zona oeste pede licença e vem invocar
Oraniah, Oxum e Oxossi para trazer a permanente África
suburbana. Traz à história o mito de sua criação,
engendrada sob a jaqueira, fundamento de seus frutos
perpetuados em seus tambores, em sua dança, em sua
doce melodia.
Anuncia a Profecia e exalta o
samba,
força engendradora de tua missão e redentora de nossa
negra e mestiça dignidade.
Mostra a face mais exuberante de tua arte e de tua
alegria. Transforma-se no Nome: a concretude da
Glória.
Exalta teus momentos de Clara inspiração e faz
desfilar teu pioneirismo, tua grandeza, tua lição.
Sob as Candeias que iluminam esta avenida, a sábia
Coruja se faz sabiá e vem cantar com muito orgulho:
"... Abram alas, deixem a Portela passar..."
(Noca, Colombo e Gelson)
O Enredo:
É carnaval! A Coruja manda avisar: Deu
Águia... Viva a Portela!
..."A chama não se apagou".
Nem se apagará
És luz de eterno fulgor, Candeia
O tempo que o
samba
viver
O sonho não vai se acabar..."
(Candeia)
Introdução:
No tempo em que os animais falavam, havia na floresta
quatro dias de festa. Em cada canto, um baile, um
cortejo, uma folia. Eram famosas as festas
do
beija-flor,
do
leão,
do
condor... A Coruja, nova moradora
do
lugar, queria promover uma festa para que todos os
bichos dela se lembrassem por muito tempo.
Sábia como ela só, resolveu conversar com os festeiros
mais famosos para saber que tema escolheria para seu
baile. Foi ao leão, soberano da floresta, que lhe
disse: "Sou dos mais antigos aqui e sei
do
meu valor. Mas, nada se compara ao esplendor dos
bailes da majestade de outro lugar. Por que você não
vai ao beija-flor". Desapontada e curiosa, seguiu rumo
à morada da ave-bailarina.
O beija-flor, entre um gracejo e outro, diz à curiosa
coruja: "Sou das mais jovens e sei
do
meu sucesso. Mas, nada se compara ao luxo dos bailes
da majestade de outro lugar. Por que você não vai ao
condor, lá para os lados das montanhas?".
Triste parte para as enormes cadeias montanhosas. Sabe
que por lá moram alguns de seus parentes, da grande
família das aves de rapina.
O condor, entre um vôo e outro, lhe aconselha: "Tenho
linhagem e sei da minha tradição. Mas, nada se compara
ao garbo, ao luxo e ao esplendor dos bailes da
verdadeira majestade de todo este lugar. Se você
chegou aqui pode ir além. Vá àquele penhasco, porque a
Águia voa mais alto e é lá aonde você deve chegar. Por
muito tempo morei naquele ninho e presenciei o fausto
de sua corte. Ouvi histórias de deuses distantes que
lançaram sementes que forjaram sua criação. Também
soube de um começo difícil, mas muito corajoso.
Aguerrida, a Águia fez das festas grandes
acontecimentos. Ensinou a todo mundo aqui e lá embaixo
o que é ornar-se com beleza, brilho e elegância. Eis
aí um grande tema! Esta homenagem a deixará feliz e
será o segredo
do
seu sucesso! Prepare tudo porque lá ela se
surpreenderá. ·".
É chegado o dia. À entrada da clareira, a passarela
triunfal. Desponta soberana a Altaneira. Á frente, o
Cisne e o Estandarte. Os arautos anunciam:
Desenvolvimento:
Vem
do
toque
resplandecente
entre
a
nuvem
branca
e o
céu
azul,
ou
do
encontro
entre
a
gola
de
cetim
azul
e o
terno
de
linho
branco,
a
inspiração
para
nosso
carnaval.
Na
avenida,
quando
cuícas,
chocalhos,
caixas
e
tamborins
entrarem
em
comunhão
e o
som
dos
surdos
romperem o
burburinho
das
bocas,
incendiando os
pés
daqueles
que
nos
esperam, anunciaremos
para
a
cidade
em
coro:
Hoje,
nós
somos a Portela!
Em
azul
e
branco,
daremos os
contornos
de
nossa
aquarela
e cobriremos o
asfalto
cinzento
com
as
cores
imponentes
da
tradição.
Hoje
Campo
Grande
é o
vizinho
mais
próximo
de Madureira e o "sereno"
cobre
com
seu
manto
de
poesia
e
graça
as
glórias
e os
mitos,
não
de uma
Escola
de
Samba,
mas
sim,
da
mais
completa
tradução
do
que
é o
Carnaval
enquanto
manifestação
cultural
espontânea.
A
fileira
de
cabeças
brancas pede
passagem
porque
o
tempo
é
nosso
convidado.
Oitenta e
quatro
anos
se passaram
desde
o
dia
em
que
a
sombra
de uma
frondosa
árvore
foi
testemunha
do
inicio de uma
história
de
conquistas.
O
canto
das
pastoras
rompe
com
vigor
os
ares
porque
é
preciso
saudar
os
que
chegam:
Mestre
Marçal,
mais
uma
vez
vem
soprar
o
apito.
Vilma,
mais
uma
vez
rompe a
passarela
para
fazer
o
pavilhão
balançar
ao
vento.
O
som
que
vem
do
céu,
tal
como
o
gorjear
da
passarada,
anunciam a
chegada
de Argemiro, Manacea e Alcides,
enquanto
Vicentina vem
pôr
a ultima
pitada
do
tempero
do
feijão
que
ainda
ferve.
Vem! Vem
ver
mais
uma
vez
personagens
de
outrora
brincando
novamente
na
avenida.
Uma
cortina
se abriu e
com
Paulo da Portela lembramos
do
pagode
do
trem
e romperemos a
barreira
do
tempo
para
novamente
se
apresentar
ao
povo
que
o consagrou.
Um
trovão
anunciou, e
Clara
atravessou a
chuva
de
confetes
para
nos
brindar
com
seu
ultimo
sorriso
guardado,
enquanto
Natalino Jose
do
Nascimento, o
velho
Natal
vem
vestir
novamente
a
coroa
e
tomar
de
susto
o
cedro
para
reinar
absoluto
na
Avenida
que
um
dia
foi
sua.
E
gritar...
Sou
campeão!!!
Salve
ela
e
suas
tradições,
salve
os
quintais
de Osvaldo
Cruz,
salve
seus
pagodes
guerrilheiros,
salve
seus
compositores,
absolutos
na
arte
de
tocar
os
corações.
Salve
suas
tias, festeiras eméritas
que
trazem no
gesto
a ancestralidades das "Ciatas"
que
no inicio
do
século
passado
semearam o
samba
em
suas
casas.
Salve
a
alegria
espontânea
dos
seus
primeiros
desfiles,
tempos
de
Praça
Onze,
papel
crepom
e
pés
descalços.
Salve
a Portela
majestosa
da
Avenida
Presidente
Vargas, a Portela das glorias
acumuladas!
Hoje,
a "águia"
e a "coruja"
voam
lado
a
lado
e,
baseados
nos
personagens,
heróis
consagrados de
um
festivo
mundo
multicolorido, e nas
tradições
mais
autenticas de
um
universo
azul
e
branco,
vamos a
busca
das
cores,
sons
e
imagens
que
façam
um
"rio
passar",
tal
como
os
versos
apaixonados de Paulinho da
Viola,
trazendo
para
os
olhos
dos
que
vêem, o
que
é "essa
corrente,
que
faz a
gente,
de
repente
querer
sambar",
essa "cordilheira
de
montanhas,
cuja
força
é
tamanha"
e
parte
dessa historia,
que
se
eu
começar
a
contar,
hoje,
mas
do
que
nunca,
eu
não
vou
terminar.
Abram
alas,
deixa
o
Sereno
Passar...
"Tanto
riso,
oh
quanta
alegria..."
...
Eu
quero
matar
a
saudade
Vou beijar-te
agora
Não
me
leve
a
mal
Hoje
é
Carnaval
".
(Zé
Kéti)
Amarildo de Mello