Enredos: Carnaval 2007
Grupo de Acesso B
Boi da Ilha do Governador
Enredo:
"Tem Boi na linha"
Carnavalesco:
Paulo Cavalcanti
SINOPSE
Alô! Se liga! O Boi da Ilha
vem falar deste meio de comunicação que une as pessoas
distantes; que traz conforto a saudade; que faz tudo ficar
próximo.
O Boi da Ilha e sua irreverência pede passagem e quer
brincar com esse meio de comunicação. Com alegria
constante, a leveza e a sutileza para falar do telefone.
Começando lá nos primórdios, o homem das cavernas sentindo
necessidade de se comunicar, descobriu que, gritando
poderia ser ouvido à longa distância. Porém este mesmo
homem, ser pensante e criativo, desenvolveu outros métodos
de comunicação.
Tudo muito bom, tudo muito bem, mas ainda faltava alguma
coisa. Algo mais eficiente. E, vieram os índios com seus
tambores e sinais de fumaça... E, lá, ao longe, outros
índios entendiam os seus sinais.
O tempo passou, a transformação do mundo tornava o
progresso uma coisa atual. Não dava mais para pensar em
fumaças e tambores para uma comunicação ideal. Mas o que
era a comunicação ideal? Ou melhor, como seria esta
comunicação ideal?
O escocês Alexander Grahan Bell e seu assistente Thomas
Watson, faziam experimentos com um objetivo: emitir notas
musicais através da eletricidade. Bell acreditava que
transmitindo notas musicais conseguiria transmitir a voz
das pessoas. Acidentalmente, Bell e Watson conseguem a
transmissão da primeira frase por telefone: (“Mr. Watson
come here, I need you” - Sr. Watson, venha aqui. Eu
preciso de você!). E a partir daí, se liga, surge o
telefone.
Neste mesmo ano, o nosso Imperador Dom Pedro II, visitando
uma exposição em Filadélfia, exclama diante do telefone de
Grahan Bell: “Meu Deus, isso fala!”.
Meses depois, é instalado no Rio de Janeiro o primeiro
telefone do país.
Tudo que é novidade causa espanto e, às vezes,
desconfiança, o telefone, como não podia deixar de ser,
deixou as pessoas com uma “pulga atrás da orelha”.
Em terras tupiniquins tudo vira gozação, piada,
brincadeira. É esta irreverência que o Boi da Ilha quer
mostrar.
Dom Pedro II instalou o telefone. O povo se perguntava
estarrecido: “Com quem o Imperador fala ao telefone, se só
existe o seu?”. Provavelmente, esta mensagem chegara aos
nobres ouvidos e,
para não ser chamado de louco, autorizou o funcionamento
da primeira empresa de telefonia do Brasil.
No ano seguinte, foi comemorado, pela primeira vez, o Dia
da Telefonista, em 29 de junho, dia de São Pedro. Isso
porque São Pedro detinha as chaves do céu e elas, as
telefonistas, detinham a chave da comunicação.
Com a popularidade do aparelho, em 1917, foi gravado o
primeiro samba: “Pelo telefone”. Este samba provocou
muitas polêmicas entre os freqüentadores dos pagodes na
casa de Tia Ciata. Quem registrou este samba, como se
fosse de sua autoria foi Donga.
Mas nem todo mundo tinha condições de ter um telefone em
casa. Telefone era luxo, privilégio de uns poucos. Por
isso foi criado o telefone público. Primeiro usando
moedas. Depois, fichas.
A malandragem, que não perde tempo, tratou de dar um jeito
de economizar as suas fichas e, com o “jeitinho
brasileiro”, amarrava as fichas em uma linha e as prendia
ao dedo. À medida que elas caíam, o esperto tratava de
puxá-las de volta e as usavam novamente.
Em qualquer bar, qualquer farmácia ou mercearia tinha um
telefone público, porém nas ruas, nada!
Nos anos 70, uma chinesinha, naturalizada brasileira e
conhecida arquiteta paulista criou o projeto do “orelhão”.
Mas antes, de ganhar o famoso apelido, ele foi chamado de
“Chu 2” (devido ao nome da inventora, Chu Ming Silveira),
de “tulipa”, “capacete de astronauta” e, finalmente, de
orelhão.
O orelhão foi um sucesso internacional. A arquiteta que o
criou, partiu da forma acústica mais perfeita – o ovo –
que foi ao mesmo tempo, a mais econômica.
A música popular se rendeu à invenção do telefone e muitas
canções foram criadas em torno desde título:
“Alô... alô? Responde, responde com toda sinceridade...”
“Telefone ao menos uma vez para 344333”.
O Boi da Ilha, irreverente e gozador, lembra o grande
animador de auditório popular, Chacrinha, que dizia:
“Alô, alô, Terezinha!” e “Quem não se comunica se
trumbica”.
Todas as vertentes da MPB tiraram a sua fatia do invento:
A música sertaneja fez muito sucesso com a melosa “Pense
em mim/ chore por mim/ liga pra mim/ mas não liga pra
ele...”
Elis Regina gravou de autoria de Rita Lee e Roberto de
Carvalho, “Alô, alô, marciano”;
Gabriel, o pensador, em seu famoso Rap, brincou: “2345
meia 78, tá na hora de molhar o biscoito”;
Os Paralamas do Sucesso pedia encarecidamente: “Me
liga...”;
A turma do pagode dizia: “Se você sentir saudade, liga pro
meu celular...”;
O funk não podia ficar de fora e lançou: “Trim trim trim,
alguém ligou pra mim?”.
A telefonia se desenvolvia rapidamente. A década de 90
chega trazendo novidades para o Rio de Janeiro. Foi a
primeira cidade brasileira a usar a telefonia móvel
celular. Depois foi instalado o primeiro telefone público
a cartão, por ocasião da ECO-92 e, por isso, os primeiros
cartões tiveram motivos ecológicos. A arara azul foi a
primeira ave a ser retratada nos cartões telefônicos.
Hoje, a tecnologia a serviço da informação, nos gabarita a
acompanhar os tempos modernos. Em 1995, é implantada a
Internet comercial no Brasil.
A comunidade do Boi da Ilha “tá ligada” na tecnologia de
ponta. O Boi se liga nos aparelhos que salvam vidas,
naqueles que são utilizados pela mundana vida de quem
ganha a vida, nos serviços, nas informações, no despertar
de um novo dia.
A Escola alegre e irreverente não quer tratar de um tema
como o telefone, de forma austera. A idéia é mostrar o
lado irônico, satírico e gozador. Falar sobre linha
cruzada, linha cortada, escuta telefônica. Mostrar como o
telefone chegou ao Brasil. A Escola critica e se diverte
com todas as formas e intenções que o telefone é usado:
denunciar, fofocar, aterrorizar, fazer amigos...
Atualmente, o telefone deixou de ser apenas um objeto de
necessidade para se transformar e ganhar status de melhor
amigo. É aquele companheiro inseparável, indispensável,
sempre presente que não se desgruda por nada; está sempre
à mão para afogar as mágoas, contar as alegrias, medos,
deixar recados, etc...
Telefonar é se aproximar, fotografar, mandar mensagens...
O Boi da Ilha sabe que o tempo não pára e que, aqueles
velhos sinais de fumaça e tambores não passam hoje, de
memórias de um tempo distante. Hoje, o índio não quer
apito. Quer celular. E sem o telefone, a vida não tem
sentido. Percebendo isto, sem perder a oportunidade de
brincar, a Escola anuncia, em altos brados: “Alô... Alô?
Se liga, tem Boi na linha”.
Paulo Cavalcanti
e Jefferson Rocha
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Samba-Enredo
Autores:
Aloisio Villar, Cadinho da Ilha, Marquinhos do Banjo, Walkir
e Barbieri
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Vou te ligar a poesia
Sou a comunicação
Na pré história não havia, telefonia
Gritar foi solução
O índio achava pouco
Não queria ficar rouco, bateu tambor
Uma nova era a transmissão
Ao mundo assombrou
De Graham Bell a invenção
Alô você, tá curioso? com novidade é assim
No palácio orgulhoso o Imperador (bis)
Pergunta "Alguém ligou pra mim"
O chefe da polícia mandou avisar
"Pelo telefone", o samba vai rolar
Caiu a ficha, to sem dinheiro
Dou um jeitinho afinal sou brasileiro
Amor, vem atender
Por esse fio vou até você
Queria te abrir meu coração
Mas não dei sorte, tá quebrado o orelhão
Num impulso vou ao espaço sideral
Navegar pelo planeta, conectado a imensidão
Índio não quer apitar, quer e-mail pra comunicar
"Mim" só quer falar de celular
Alô, Alô, tem boi na linha
Se liga no que eu vou falar (bis)
Se o telefone tocar, tá grampeado iaiá
O Boi da Ilha vem te conquistar
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