Enredos: Carnaval 2007
Grupo Especial
Beija-Flor
Enredo:
"Áfricas: do Berço Real à
Corte Brasiliana"
Carnavalesco:
Comissão de carnaval (Alexandre Louzada, Shangai, Fran
Sérgio, Ubiratã Silva e Laíla)
SINOPSE
Voa Beija-Flor em seu sonho alado, a cintilar na
imensidão do universo de Olorum e faz rufar tambores
ancestrais, explodindo em luz como sopro divino da
mágica da criação. E no espaço disperso, abrindo
caminhos de Legbará, no vento, nos leva na viagem do
tempo ao berço real da humanidade, Baobá da vida no
esplendor de seu despertar.
Resplandece qual visão aos olhos do imenso infinito e
traz Oduduá, iluminado mito, unindo quatro elementos
para dar forma e movimento a obra de Obatalá. Da vida
em transformação, faz surgir o mundo, a África, a
majestade viva, fervilhante dádiva, diva sob o sol
dourado coroada de poder e nobreza, soberana mítica e
mística altiva alteza, coberta pelo manto ébano da
noite, na pele negra de seus filhos e com a cabeça
erguida, ungida do axé dos orixás.
Hoje o samba vem mostrar seu legado e faz do pranto
lembranças distantes, das lágrimas, pérolas e
diamantes, do sofrimento e da resistência, o seu rico
tesouro.
Vem transformar o banzo, o sentimento acorrentado num
elo forte de ouro, uma aliança com Aruanda, da
trajetória dos tumbeiros, criar uma odisséia de
bravura de quem venceu o inferno mar, na travessia da
Calunga levar uma oferenda como quem se entrega ao
destino no doce abraço de Iemanjá e no violento jogo
do oceano, uma dança a cada onda, vislumbrando no
horizonte a esperança de outra África por encontrar.
Que se abram os braços do Brasil, os portões das
senzalas, pequenas Áfricas de quintais; que se
iluminem os terreiros à luz da "Lua de Luanda" para
reinarem na noite seus bravos guerreiros que sob o
braço do açoite não se curvaram jamais. Que se torne a
luta pela liberdade, a volta por cima da capoeira e
que o ferro que marca e fere, forje a África
brasileira.
Ave Bahia! Na graça de todos os santos da África pois
o sangue e o suor te fazem sagrada e as correntes do
cativeiro te bordam um manto de fé, com a nobreza de
princesa de Nação Nagô, de alma africana livre,
embalando o berço do Candomblé.
Que se faça aportar Mina Jeje à Cidade dos Azulejos,
tão azuis quanto as águas profundas desse grande mar,
Agoê revolto que separa as terras de Agongolo, dessa
África de cá. Que faça morada dos espíritos, dos
tambores da noite e da realeza de Daomé, que seja o
trono místico da escrava-rainha, essa ilha África
imaginária, a terra da encantaria, dos Voduns, da
feitiçaria, das divindades da terra e do ar. O gomé do
gentio, a corte do além, impregnada de magia e
transbordante de fé.
Que venha nos mostrar as trilhas ocultadas nas brenhas
das matas dos "Cafundós" do Brasil, os caminhos de
determinação e coragem, da fuga para a libertação. Ser
mais um quilombola guerreiro nas Áfricas deste sertão,
formando assim um grande exército, uma livre nação,
guardiã de Zumbi dos Palmares, anjo negro, rei da luta
e rompimento, consciência e razão.
Louvado seja "Galanga do Congo", negro Francisco,
Chico-Rei, escravo das minas dessa Vila África, Rica.
Que o ouro guardado em seus cabelos venha coroar de
fato a sua africana realeza e que ele venha dourar
também a liberdade de tantos irmãos de seu sangue
nobre, que o pranto derramado no templo da escravidão
se transforme em rosário de lágrimas de alegria ao
lavar suas almas com a consciência negra, o orgulho,
sua eterna alforria.
Abençoado se torne esse novo mundo, o grande reino de
todas as Áfricas a desfilar seus cortejos, seus
reinados e reisados, sob o céu protegido por Deus em
seus diversos nomes. Que em seu solo venha brotar uma
árvore vida, de raízes que se entrelacem e unam
novamente suas partes, que a sua sombra abrigue a
lembrança, como dança, que em sua volta bailem: Afoxés,
Jongos, Maculelês e Caxambus, que a sua copa se torne
a grande coroa da Congada e que seus ramos formem
nações de frutos-reis e de flores-rainhas de livres e
lindos Maracatus.
E pousa enfim de seu vôo, minha escola majestosa,
nesta "África Pequena" que a gente do Rio resolveu
assim batizar. Terra dos "Zungus", do "Rei das Ruas",
do "Príncipe Negro", Dom Obá.
Oh! Cidade Maravilhosa, do Samba, da "Rainha Ciata"e
dos bambas, de tantas Áfricas a reinar. Receba, assim,
Mãe soberana, a reverência de todos os súditos dessa
Corte Brasiliana e permita que a mais bela entre todas
as Áfricas de Samba, a Princesa Nilopolitana, como
Beija-Flor te beijar.
Alexandre Louzada, Fran Sérgio,
Luiz Fernando "Laíla"Ribeiro do Carmo,
Carlos "Shangai" Fernandes e Ubiratan Silva
Justificativa:
Celebrar a África é, acima de tudo, um momento de
memória, o resgate da herança que vem reafirmar o
nosso compromisso genético.
É um instante precioso, de lembrança ao povo
brasileiro mestiço, esse povo brasileiro que é também
africano.
É uma exaltação a todos que viveram o horror do
cativeiro, mas que não se deixaram aprisionar o
espírito, a alma africana, a fibra que une o indivíduo
à ancestralidade.
O objetivo, porém, foge da narrativa do sofrimento
vivido nas terras de escravidão; o avesso dessa
história vem coroar a majestade africana.
Falamos não apenas de uma África, este enredo faz
emergir muitas Áfricas, cacos de um mesmo pote que na
diáspora ocorrida nas travessias dos tumbeiros, vieram
se espalhar pelo novo mundo e que nessas terras de
exílio, os filhos e filhas da África-Mãe tiveram que
colar, juntando fragmentos das suas e de outras
Áfricas originárias, pincelando com tintas e vernizes
dessa nova terra, criando assim novos potes, novas
Áfricas.
Assim como quartinhas, nelas foram guardando suas
identidades tribais, suas crenças, costumes,
lembranças, ferramentas da reconstrução de suas
humanidades.
Mostramos em desfile a África-Mãe e sua gênese, a
realidade e a realeza e outras tantas Áfricas
realizadas, onde, de uma forma ou de outra, existiram
reis e príncipes, rainhas e princesas, de reinados e
reisados, de cortes e cortejos.
Por isso, a Beija-Flor que é, uma entre tantas outras
pequenas Áfricas, vem tecer o fio da memória, evocando
sua ancestralidade para unir dois mundos: - Á África
real e a Corte Brasiliana.
Alexandre Louzada, Fran Sérgio,
Laíla, Shangai & Ubiratan Silva
Setores do Desfile:
Abertura - A Gênese África a Realeza Mítica
Setor 1 - A Majestosa África - De realidade e beleza
Setor 2 - África-Mãe - Bahia - Reino de todos os
deuses, berço do Candomblé
Setor 3 - Querebentã de Zonadônu - Ilha - África de
magia, o reino dos Voduns
Setor 4 - Rei Zumbi - Anjo guerreiro guardião do reino
negro de Palmares
Setor 5 - Vila - África - Rica - Dourada corte de
Galanga do Congo - Chico Rei das "Minas Geraes"
Setor 6 - Abençoado novo mundo, o grande reino de
todas as Áfricas - De cortejos, reinados e reisados
Setor 7 - Cidade maravilhosa - Pequena África dos
Zungus, de D.Obá à corte brasiliana do samba.
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Samba-Enredo
Autores:
Cláudio Russo, J. Veloso, Carlinhos do Detran e Gilson
Dr.
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Olodumaré, o Deus maior, o Rei Senhor
Olorum derrama a sua alteza na Beija-Flor
Oh! Majestade negra, Oh! Mãe da liberdade
África: O baobá da vida Ilê Ifé
Áfricas:Realidade e realeza, axé
Calunga cruzou o mar
Nobreza a desembarcar na Bahia
A fé nagô-yorubá,
Um canto pro meu orixá tem magia
Machado de Xangô, Cajado de Oxalá
Ogum yê, o onirê, ele é Odara
É jeje, é jeje, é querebentã
A luz que vem de Daomé, reino de Dan (bis)
Arte e cultura casa da mina
Quanta bravura negra divina
Zumbi é rei
Jamais se entregou, rei guardião
Palmares hei de ver pulsando em cada coração
Galanga pó de ouro e a remissão enfim
Maracatu chegou rainha ginga
Gamboa, a pequena África de Obá
Da Pedra do Sal viu despontar a Cidade do Samba
Então dobre o run
Pra Ciata d`Oxum imortal
Soberana do meu carnaval na princesa nilopolitana
Agoye o mundo deve o perdão
A quem sangrou pela história
Áfricas de luta e de glória
Sou quilombola Beija-Flor
Sangue de rei, comunidade (bis)
Obatalá anunciou
Já raiou o sol da liberdade |
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