MUSA DE JANEIRO A JANEIRO
Uma
das estrelas do último Carnaval 2003, Thatiana
Pagung brilhou na Avenida e virou musa da mídia
e do público. Atriz profissional, com formação
também em canto, Thatiana é uma foliã
de mão cheia, que gosta de prestigiar o mundo do
samba o ano inteiro, e não apenas durante os festejos
de Momo. Conheça aqui um pouco mais da história
e da carreira da simpática e atenciosa Thatiana
Pagung.
OBatuque.com – Nome
e data de nascimento?
Thatiana Pagung - Thatiana
Pagung, 20 e poucos anos, porque se ainda me pedem
documento pra confirmar que sou maior, então, parei de dizer
a idade. Só digo que meu aniversário em
2004 cai na Quarta-feira de Cinzas, dia da apuração
dos desfiles.
OBatuque.com – Onde
mora no Rio?
Thatiana Pagung - Praça
Seca, em Jacarepaguá.
OBatuque.com – Onde passou a infância? Sua família
gostava de brincar o carnaval quando você era criança?
Thatiana Pagung – Passei
minha infância na Praça Seca mesmo. Meu pai
tem um parque de diversões, e sempre quando chega
essa época ele o monta em uma praça que
tenha festa de rua, com blocos, coreto etc. Então,
sempre aproveitamos o carnaval pra brincar bastante e
cair na folia.
OBatuque.com – Você acompanhava muito o carnaval, as escolas?
E como foi sua aproximação com o mundo
do samba?
Thatiana Pagung - A magia do
carnaval sempre me encantou. Quando eu era pequena, adorava
me fantasiar e ficar na frente da TV, imitando as pessoas
que desfilavam. Fui crescendo e sempre pedia ao meu pai
para me levar a alguma escola de samba pra desfilar,
mas ele sempre repetia que eu era muito nova, e não
teria como me levar sempre, me acompanhar. Só que,
como a vontade era tanta, não desisti, até
que em 99 ele decidiu me levar à Tradição,
pois tinha um amigo que era diretor de uma ala e poderia
ver para mim um lugar para desfilar. Foi quando pela 1º
vez entrei em uma quadra, e logo me deram um lugar no
carro abre-alas, onde desfilei por quatro anos. Mas a
minha aproximação com o mundo do samba,
mesmo, foi depois de conhecer Kiko Alves. Nós logo
nos identificamos, porque somos dois foliões. Nós
vamos sempre aos ensaios das escolas de todos os grupos,
vamos aos blocos, vamos aonde tenha samba e pessoas alegres.
Kiko me ensinou muita coisa sobre o carnaval, tanto na
teoria quanto na prática, porque embora soubesse
sambar, e tivesse experiência com o palco, ensaiamos
muito para entrarmos juntos na Avenida, como uma dupla
a participar de um grande musical itinerante.
OBatuque.com – Parece
que houve uma passagem do saudoso mestre das mulatas
Oswaldo Sargentelli em seu caminho...
Thatiana Pagung - Oswaldo Sargentelli, “Sá”, como eu o chamava, era uma pessoa
que tinha um coração que não cabia
dentro dele. Em outubro de 99 ele estava estreando um
programa na rádio Manchete. Antes de entrar no
ar, ele estava em uma sala com alguns amigos, e o dono
da revista Agito Rio chegou até ele e mostrou a
revista. Folheando as páginas, uma chamou a atenção
dele: era uma página inteira com uma foto minha
e uma entrevista do lado. Assim Sargentelli me conheceu,
tornou-se amigo de minha família e fui ser sua
bailarina. Sargentelli era como um pai, sempre preocupado,
um amigo e botafoguense, como eu.
OBatuque.com – Aí, antes do carnaval, você foi
capa da revista Rio, Samba e Carnaval deste ano.
Thatiana Pagung - Mauricio
Mattos viu uma foto minha em um ensaio de uma escola
de samba, numa coluna de jornal, e pediu à escola meu contato.
A princípio, a capa seria só de rosto, meu
sorriso na foto que chamou sua atenção.
Mas ao me conhecer pessoalmente, decidiu que seria de
corpo inteiro.
OBatuque.com – Você saiu em cinco escolas, mas a estréia,
mesmo, foi na Vila. Como foi pisar a Avenida pela primeira
vez?
Thatiana Pagung - Estrear como
destaque na Avenida foi como estar em um ritual a Dionísio,
o Deus do Teatro, do êxtase e do entusiasmo. Foi
sair de mim e deixar toda a magia me envolver e sentir
a vibração de toda a Apoteose, que não
tem esse nome à toa, pois vem da Grécia,
onde nasceu o Teatro, e que significa “o momento
máximo”. Senti-me em um grande musical, onde
cantei, dancei, interpretei, vesti figurinos lindos, mas
sem deixar de ser eu, a Thatiana-foliã, que estava
ali pra se divertir e levar alegria para as pessoas. Lembro
que assim que terminou o desfile da Vila, a primeira em
que desfilei, virei pro Kiko e falei “Quero mais!”.
OBatuque.com – Bem, entre a Vila e a Estácio você
teve bastante tempo para se trocar e se preparar para
o desfile; mas no domingo, entre a Viradouro e a Caprichosos
só tinha uma escola de intervalo; e da Apoteose
à concentração é um bom chão;
como foi esse vai-e-vem, trocando fantasia às
pressas?
Thatiana Pagung - É uma
loucura esse vai-e-vem, trocar de fantasia, sem misturar,
sem esquecer nada; aí você percebe que está
arranhada, com bolhas, dolorida, mas é só
entrar na outra fantasia, os fogos começarem a
te ensurdecer de novo, o coração acelerar,
pra esquecer tudo isso e mais uma vez comungar com o público
esse prazer que é desfilar.
OBatuque.com – E há boas condições para
as passistas se trocarem na Sapucaí?
Thatiana Pagung - É um
mega-espetáculo, e a quantidade de pessoas que
participam dele é imensa, fora os que assistem.
Enfim, não dá pra ter um lugar específico,
é tudo no improviso, e é a vontade de estar
ali que faz com que qualquer cantinho que você possa
pelo menos parar e tomar uma água seja o melhor
lugar do mundo.
OBatuque.com – Como foi desfilar atraindo tantos olhares, câmeras
e flashes fotográficos? Em algum momento sentiu-se
menos à vontade, ou constrangida, pelo figurino
sensual que vestia? E como foi a receptividade do público?
Thatiana Pagung - Quando você
faz o que gosta e está onde gosta, costuma-se usar
o termo “estou me sentindo em casa”, sabe,
à vontade e feliz, e isso o público percebe
e te recebe com muito carinho.
OBatuque.com – E aí acabou eleita musa do Carnaval na
6ª edição do Tamborim de Ouro, premiação
do jornal O Dia. Como recebeu isso?
Thatiana Pagung - Ter sido
eleita a Musa do Carnaval pelo jornal O Dia e também pelo
jornal Extra, ao mesmo tempo, algo do qual não
esperava, me deixou muito feliz, pois estamos falando
do maior espetáculo do mundo. Ser musa é estar
em sintonia com o corpo, a mente e a alma.
OBatuque.com – Mas esses não foram seus primeiros títulos
de musa; durante a Copa foi a “Musa do Alzirão”,
na tradicional festa que a rua Alzira, na Tijuca, promove
para acompanhar os jogos da seleção brasileira.
Thatiana Pagung - Na Copa aconteceu
da mesma forma, só que mais à vontade, sem
tanto corre-corre. Fui assistir aos jogos lá, e
por estar sempre levando um pouco da minha alegria pras
pessoas, me elegeram a “Musa do Alzirão”.
Com o penta, me elegeram a Musa da Copa, a “pé
quente”.
OBatuque.com – Um fato bastante notado após os desfiles
é que a Thatiana não foi musa apenas durante
o carnaval. Você tem sido vista o ano inteiro em
vários eventos ligados às escolas de samba
e, inclusive, quando começávamos a agendar
esta entrevista você estava de saída para
um desses eventos.
Thatiana Pagung - Eu vou aos
eventos, aos ensaios, porque eu gosto de samba, encontro
pessoas com as quais eu fiz amizades, vou pra me divertir.
OBatuque.com – Nessa variante de sua carreira, como modelo e
"musa" na Avenida, você tem espelhos
a se inspirar e tomar como exemplo, seja de desfile,
postura, conduta...
Thatiana Pagung - Sim. Luiza
Brunet e Luma de Oliveira, cada uma no seu estilo.
OBatuque.com – E sua carreira de atriz, fale um pouco sobre ela.
Você começou muito cedo, certo?
Thatiana Pagung - Comecei a
fazer teatro profissional aos 11 anos. Fazia curso no
Retiro dos Artistas, onde aprendi bastante durante três
anos. Depois fiz Tablado, mais uma grande escola, até
que fui fazer o curso profissionalizante de Formação
de Atores na Univercidade. Nesse período, procurei
sempre estar aprendendo outras coisas, principalmente
em assuntos que me tornassem uma atriz completa, como
a música e a dança. Também sou formada
pela Escola de Música Villa-Lobos, em Canto Popular
(MPB). Semestre que vem me formo em Canto Lírico
e continuo me aperfeiçoando em percussão.
OBatuque.com – Ouvimos dizer que você bate
alguns instrumentos direitinho...
Thatiana Pagung - Aprendi lá
na Villa-Lobos, com o Mestre Riko, a tocar alguns instrumentos
de bateria de escola de samba. Toco no Grupo de Percussão
Feminina da escola, que foi a primeira bateria de escola
de samba formada apenas por mulheres a desfilar na Avenida.
OBatuque.com – Na sua carreira de atriz, quais são
seus projetos imediatos?
Thatiana Pagung – Fiz
há pouco tempo algumas participações
na Turma do Didi e estou gravando a minissérie
de Maria Adelaide Amaral e Alcides Nogueira “Um
Só Coração”. Será meu
primeiro papel de destaque na TV, uma produção
de época com direção geral de Carlos
Araújo e direção de núcleo
de Carlos Manga, que tem a estréia marcada para
o dia 6 de janeiro, na Rede Globo.
OBatuque.com – Para o futuro, o
que você planeja para sua carreira?
Thatiana Pagung – O futuro
será o fruto de tudo que estou plantando hoje.
Eu sou uma eterna amante da arte em todos os seus meios
de expressão, e estarei sempre estudando, pesquisando
sobre, tanto na teoria quanto na prática.
OBatuque.com – No Carnaval 2004,
onde a veremos brilhar novamente?
Thatiana Pagung – Até agora,
Ilha do Governador, Caprichosos e Mocidade,
mas ainda é cedo pra dizer ao certo.
OBatuque.com – Gostaria de deixar uma mensagem para os foliões?
Thatiana Pagung – Vamos
festejar muito, muito, mas com consciência dos
nossos atos.
OBatuque.com agradece a atenção dispensada por Thatiana
Pagung e de antemão deseja um bom carnaval e muito
sucesso em sua carreira de atriz.