Entrevista
Mestre Capoeira
Por Cássia Novelli
Vencedor de dois prêmios de Melhor Bateria pelo S@mba-Net
e apaixonado por caixas-de-guerra, Mestre Capoeira promete
sacudir a bateria da Arranco do Engenho de Dentro no
Carnaval de 2006, apesar de não esconder sua paixão pela
Estácio de Sá.
OBatuque.com -
Nome, idade e onde nasceu?
Mestre Capoeira -
Antonio Carlos Martins de Carvalho, 41 anos, carioca.
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Como aprendeu a tocar instrumentos?
Mestre Capoeira -
Nos blocos carnavalescos do bairro do Santo Cristo e
Saúde, onde passei minha infância.
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Sabe tocar todos os instrumentos de bateria?
Mestre Capoeira -
Claro!
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Acha importante que um mestre saiba tocar todos os
instrumentos?
Mestre Capoeira -
Sim, para poder cobrar, acertar e organizar sua bateria.
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Tem algum instrumento preferido?
Mestre Capoeira -
Além da caixa de guerra, gosto muito das marcações, tendo
preocupação especial com as suas afinações. Marcação bem
afinada traduz uma certa identidade de uma bateria.
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Como começou a gostar de samba?
Mestre Capoeira -
Desde a infância, quando ia à Avenida Rio Branco assistir
aos desfiles de blocos e escolas de samba.
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Qual é a sua trajetória nas baterias?
Mestre Capoeira -
Comecei freqüentando a quadra do bloco carnavalesco Fala
Meu Louro. Nessa época, meu instrumento favorito era o
repique, suas paradinhas e convenções me fascinavam. Fui
levado pelo Jaiminho, um tio de infância, a visitar a
quadra da extinta Unidos do São Carlos (hoje Estácio de
Sá) onde pela primeira vez pude batucar numa grande
bateria. Espantei-me vendo o falecido Aguiar tocando um
instrumento que a partir daquela data decidi aprender e
amar. Era uma caixa de guerra. Daí, então, procurei tocar
diferenciadas batidas.
Hoje posso dizer, sem modéstia, que pude me formar na
melhor e na maior escola de caixa de guerra.
Meu primeiro desfile foi na Unidos de São Carlos, com o
enredo falando da Rádio Nacional no carnaval de 1977.
Desfilei até o carnaval de 1988, com o enredo "O boi dá
bode". Entre 77 e 88 desfilei também em varias escolas.
Após o carnaval de 88 tive que me afastar do samba. Fui
morar nos EUA. Ao retornar, no ano de 95, fui levado pelo
meu irmão, diretor de bateria da Vizinha Faladeira, a
fazer parte da diretoria de bateria, onde permaneci até 12
de dezembro de 2003, conseguindo ajudar a escola a
conquistar varias notas 10 e dois S@mba-Net.
Em 2005 assumi, junto com o Mestre Pica-Pau, a direção da
bateria da Arranco de Engenho de Dentro. Mais uma vez
conquistamos as notas máximas e mais um S@mba-Net.
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Você é a favor das polêmicas "paradinhas"?
Mestre Capoeira -
Claro, desde que haja coerência.
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Tem um estilo próprio à frente da bateria ou alguma marca
que faça com que reconheçam a bateria do Mestre Capoeira?
Mestre Capoeira -
Gosto de uma levada leve pra frente e muitas, muitas
caixas de guerra.
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Antes de sair da Vizinha Faladeira você tinha uma
escolinha de instrumentos para a comunidade. Pretende
repetir a iniciativa?
Mestre Capoeira -
Sim, pretendo começar uma pelo início de 2006.
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Como vê a crítica que muitos fazem hoje aos sambas e
baterias muito acelerados?
Mestre Capoeira -
Acho que cada escola tem um seu próprio estilo e cadência.
Normalmente os compositores se preocupam em compor sambas
com andamentos adequados ao ritmo e cadência da bateria.
Quanto ao andamento, se deve muito ao fator espetáculo,
onde as composições com andamento lento tendem a
comprometer outros quesitos, como evolução.
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Qual foi o seu desfile mais emocionante?
Mestre Capoeira -
O carnaval aonde a Estácio veio homenageando o Grande
Otelo, nunca vi bateria igual àquela , coisa de louco,
todos choravam e se abraçavam como verdadeiros irmãos.
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E o mais decepcionante?
Mestre Capoeira -
"Das maravilhas do mar fez-se o esplendor de uma noite",
Portela 1981. A bateria comandada pelo Mestre Cinco
conseguiu a proeza de literalmente parar, de tanto que
atravessava, tragédia total. A escola estava linda, um
belo trabalho do carnavalesco Viriato Ferreira, e foi
prejudicada por essa falha da bateria.
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Já presenciou alguma história de bastidores que vale a
pena contar para a gente?
Mestre Capoeira -
Foram tantas que fica difícil citar alguma. Mas me recordo
de um ano, quando ainda era ritmista da Estácio, acho que
no ano do enredo do Grande Otelo, a bateria estava pegando
a fantasia na quadra e a escola seria uma das primeiras a
desfilar. Na hora de começar o desfile, o diretor não
chegou e a bateria desfilou sem ninguém à frente e mesmo
assim emplacou a nota 10.
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Quem é, na sua opinião, o melhor mestre de bateria do
carnaval?
Mestre Capoeira -
Odilon, mestre dos mestres. Mestre Ciça, o melhor.
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Um samba antigo que gostaria de levar para a Sapucaí à
frente da bateria?
Mestre Capoeira -
"Quem é você?", da Estácio de Sá.
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Uma Escola?
Mestre Capoeira -
Arranco e Estácio de Sá.
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Sua escola de coração?
Mestre Capoeira -
Sempre Estácio de Sá.
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Deixe um recado para os visitantes do site
OBatuque.com.
Mestre Capoeira -
Não importa as cores da escola que você defenda, o
importante é defender o samba sem as suas cores.
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agradece pela entrevista e deseja um bom desfile em 2006
Mestre Capoeira -
Obrigado.