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o Carnaval 2003


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Presidente da Vila Isabel “EVANDRO BOCÃO

O Batuque - Evandro, como e quando você entrou no
mundo do samba?
BOCÃO - Desde que o meu avô Dunga era compositor da escola. Dunga, foi um ótimo compositor que já faleceu - e que Deus o tenha. Ele me trouxe para a escola. Eu sempre gostava de cantar e de estar junto com ele, e comecei a participar mais da escola

O Batuque - E em que ano foi isso?
BOCÃO - Isso foi em 85, 86. Depois dei um tempo com o negócio de Flamengo, que eu caí pra esse lado, e quando foi em 91 pra 92 eu voltei para a escola direto. Fiz um teste na e passei pra ser compositor da ala.

O Batuque - E você como compositor da Vila Isabel? Sabemos que você tem um histórico repleto. Quantos sambas-enredos você conquistou?
BOCÃO - Eu ganhei cinco sambas aqui na Vila Isabel. Ganhei o bonde - “...Peguei o bonde passei no Boulevard...”, ganhei o cauri - “...O cauri que eu vou jogar, já foi dinheiro...”, ganhei João Pessoa e ganhei o índio, que foi o ano em que a escola desceu. Desfilou super bem, mas desceu. E no ano do Nilton Santos, que participamos do samba, não assinamos, mas ajudamos a Vila.

O Batuque - Vila Isabel 2003, grupo Especial ou grupo de Acesso? Eis a questão?
BOCÃO - É a Vila Isabel numa questão dela, que era campeã mesmo. Nós entramos na justiça e ganhamos o direito de voltar ao grupo Especial, sendo que todos nós sabemos que a justiça brasileira é muito vagarosa. Então nós tivemos que fazer um acordo com a Santa Cruz. Eles vão e nós vamos continuar no grupo de Acesso A. Vamos ficar, mas mandando pra comunidade um recado que nós vamos ganhar o carnaval. Jogador não vai chutar o pênalti duas vezes na trave, nós vamos ser campeões do carnaval.

O Batuque - Carnaval 2003 então no grupo de acesso A. Qual o enredo? O que ele pretende?
BOCÃO - Bom o enredo é sobre um grande homem, Oscar Niemeyer. Sua obra e seus projetos, como Brasília, a Pampulha em Minas, o sambódromo onde ele vai ser homenageado. Eu acho que só de você falar no sambódromo você já tá falando tudo, a história de um cara que nunca foi lembrado e de repente a Vila Isabel, por Martinho da Vila, faz isso e vai até o Niemeyer pedir pra ele vir desenvolver o enredo. Eu acho que é uma cultura, uma oportunidade pra um garoto novo, que está aprendendo as coisas, estar sabendo quem é o Oscar Niemeyer, um cara que na época foi exilado e foi pra fora do País e acharam que ele ia se dar mal. Mas ele foi pra lá, fez o nome dele e voltou cheio de banca. Então o enredo da Vila Isabel é pra contar a História desse mito da arte, que é o Oscar Niemeyer.

O Batuque - Uma mensagem pra comunidade e para os simpatizantes da escola.
BOCÃO - Saber que aqui é garra, coração, vontade e dizer para eles que nós vamos para a Avenida, que nós não vamos chutar a bola na trave duas vezes. Fomos campeões e não levamos, mas agora vamos levar. Então, peço à minha comunidade pra cair dentro, que nós vamos ser campeões. Com a garra de vocês, com a vontade de vocês, nós vamos conseguir trazer esse campeonato pela 2ª vez. Ganhar duas para valer uma!!!!

O Batuque - A nossa equipe agradece a sua gentileza e deseja à Vila Isabel um excelente carnaval. Muito Obrigado.