1981
Enredo: Macobeba - O que dá pra rir dá pra chorar
Autores: Celso Trindade, Nêgo, Azeitona, Ronaldo, Ivar, Buquinha e Edmundo
Araújo Santos
É tão sublime exaltar
Neste dia de folia
E cantar a odisséia de um valente brasileiro
Contra um monstro estrangeiro
Que com todo o seu dinheiro
Quer calar a nossa voz (e o nosso herói)
E o nosso herói
Sai no rastro da maldade
Pelos campos e cidades
Atrás do gafanhoto feroz
Tetaci, Tetaci
Agasalha com seu manto (bis)
Nosso herói Mitavaí
Mitavaí, bom lavrador e vaqueiro
Deixa o sertão brasileiro
Vai combater
Macobeba maldito, que devora o mato e o mito
Rádio, jornal e TV
Lança e com certeiro bote
Fere o monstro no cangote, pra valer
E ferido assim de morte
Bicho ruim não quer morrer
E o caboclo injuriado
Toma o caminho do mar
Jurando que um dia vai voltar
Tira daqui, leva pra lá
O que hoje dá pra rir
Amanhã dá pra chorar
Maldito bicho, se me ouviu
Se não gostou do meu samba (bis)
Vai pra longe do Brasil
1982
Enredo: Lima Barreto, mulato, pobre, mas livre
Autor: Adriano
Vamos recordar Lima Barreto
Mulato pobre, jornalista e escritor
Figura destacada do romance social
Que hoje laureamos neste Carnaval
O mestiço que nasceu nesta cidade
Traz tanta saudade em nossos corações
Seus pensamentos, seus livros
Suas idéias liberais
Impressionante brado de amor pelos humildes
Lutou contra a pobreza e a discriminação
Admirável criador, ô ô ô ô
De personagens imortais
Mesmo sendo excelente escritor
Inocente, Barreto não sabia
Que o talento banhado pela cor
Não pisava o chão da Academia
Vencido pela dor de uma tragédia
Que cobria de tristeza a sua vida
Entregou-se à bebida
Aumentando o seu sofrer
Sem amor, sem carinho
Esquecido morreu na solidão (bis)
Lima Barreto
Este seu povo quer falar só de você (bis)
A sua vida, sua obra é o nosso enredo
E agora canta em louvor e gratidão
1983
Enredo: Brasil: devagar com o andor que o santo é de barro
Autores: Djalma e Eli
Brasil, devagar com o andor, ô ô ô
Porque o santo é de barro
A natureza e a matéria Deus criou
Na bela arte o homem o valorizou
Lá no sertão
Esta matéria é transformada em modelo
E aquele que trabalha nesta arte faz valer
O sacrifício pra poder sobreviver
Bento
que bento é o barro
Bento que bento é o frade (bis)
Pra boca do forno
Sertanejo leva a arte
A
imagem do santo
Foi feita para quem tem devoção
Este santo faz milagre
Lá se vai a procissão
Deste barro se faz tudo
Neste barro piso o chão
Deus fez o homem
E o homem faz a arte
Que se alastra em toda parte
Desde sua criação
A arte é frágil
Mas o homem é muito forte
Não se quebra, é verdadeiro
Porque Deus é brasileiro
Que
maravilha
Que beleza tão singela (bis)
Que grande arte
Mas caindo se esfacela
1984
Enredo: Salamaleikum, a epopéia dos insubmissos Malês
Autores: Carlinhos Melodia, Jorge Moreira e Nogueirinha
Levei meu pensamento à Bahia
Ao berço da poesia
Em busca de inspiração
Encontrei personagens realistas
Tidas como anarquistas
Pois queriam um Brasil mais irmão
De Alah receberam ensinamentos
De Olorum não se afastaram um só momento
Negros que enxergaram as razões
E lutaram pela igualdade
Liberdade e justiça social
Salamaleikum, elo forte, triunfal
Se na veia corre sangue
Do senhor ou do plebeu
Desejavam dar ao próximo
O mesmo que queriam aos seus
Valia ouro, oi, valia prata
A inteligência e a cultura desta raça (bis)
Lá na África distante
Trouxeram o misticismo da magia
Mações e mestres alufás
Usavam estratégia e ousadia
As revoltas se sucederam
Com Luíza Mahim, Licutam e Nassim
A cidadania, oi, era o ideal destas nações
Liberdade ou a morte
Se lançaram à sorte
Olhando o mundo
Como um jogo de xadrez
Hoje eu sei, vovó
Que não foi em vão
Apesar da nossa história (bis)
Não mostrar toda a verdade
Do tempo da escravidão
1985
Enredo: Mas o que foi que aconteceu
Autores: Nogueirinha, Ivan Bombeiro, Eli Dias, Mauro Gaguinho e Djalma Leite
Oh meu Rio
Quantas saudades
Do cassino da Urca
A velha Lapa vadia
Berço da boemia
E os lampiões a gás
Uma lembrança que nem o tempo desfaz
A Praça Onze e o teatro de revista
Palco dos grandes artistas
Cadê o bonde
Tradicional (bis)
Que levava a gente
Para o Carnaval
Meu povo já deixou sangrar no peito
A dor de uma tristeza sem ter fim
Vendo tudo em evidência
Sobre carga e violência
A grande que da do cruzeiro ou coisa assim
Destruíram a própria natureza
E a pureza que Deus fez na criação
Ai que saudade do Rio antigo
Que me trazia alegria e sedução
Já não vejo a boa praça
O tempo traça o que restou neste lugar
O meu protesto levo até ao infinito
Entre o feio e o bonito
Não dá mais pra comparar
Mas o que foi que aconteceu
Meu Rio antigo (bis)
Tão bonito emudeceu
1986
Enredo: Cama, mesa e banho de gato
Autores: Carlinhos Anchieta, Vicente das Neves, Manelzinho Poeta e Azeitona
O homem orgulhoso como quê
Não se sente feliz com a sua matriz (não, não, não)
Montou uma filial
Mostra os pecados capitais no carnaval (eu falei no carnaval)
A hora é essa e vamos admitir (admitir)
Uma só mulher é pouco
Deixa o homem no sufoco
Com tantas que andam por aí
O arroz com feijão
Lá de casa é bom
Mas o cozido da vizinha é melhor (é melhor)
Dizem que eu sou machista
Com pinta de egoísta
Polígamo conquistador
Mas isso vem do tempo do vovô
Lá vai o trouxa
Crente que está numa boa
Mas não sabe que a patroa
Está com o Ricardão
E sua filha tem fama de sapatão
Tem piranha no almoço
Tem virado no jantar (bis)
Pra quem tem fome
Qualquer prato é caviar
Vida, palco desses acontecimentos
Desfilando pelo tempo
Hoje eu quero me banhar
No prazer mais prolongado
Que o banho de gato dá
(Vem meu povo cantar)
Gingam cabrochas e ritmistas
Passistas e vigaristas
Artistas de revista e TV
Que não se importam
Com o que vocês vão dizer
Bota o prato na mesa
Tudo que vier eu traço (bis)
Prepare a cama
Que hoje tem banho de gato
1987
Enredo:
Autores:
1988
Enredo: Templo do Absurdo - Bar Brasil
Autores: Beto do Pandeiro, Nego, Vaguinho, Monteiro, Ivar Silva e Carlos do
Pagode
Brasil... Bar Brasil
Berço das grandes resoluções
Pra quem se queixa que dá um duro danado
E é mal remunerado
Pro revoltado com as broncas do patrão
Ai, quem me dera se eu fosse um marajá (obá)
Ganhasse a vida sem precisar trabalhar
Mas acontece que é só a minoria
Que desfrita a mordomia
Nessa tal democracia
Apertaram o gatilho num salário baleado
Outra piada depois desse tal Cruzado (bis)
E segue o tormento
"Congelaumentos"...
É o preço da alimentação (que confusão)
O medo de sair, ser assaltado
E o plano mal traçado
A bomba que estourou em nossas mãos
As brigas com a patroa em casa
E o time que só faz perder
Não dá pra segurar, já chega de sofrer
Quero poder bebemorar
(Êta papo pra rolar...)
Êta papo pra rolar
No templo do debate popular
Pobres e ricos falam da dívida externa (bis)
Dos problemas desta terra
E se perguntam onde a coisa vai parar
1989
Enredo: De Portugal à Bienal no país do Carnaval
Autores: Beto do Pandeiro, Vicente das Neves, Gilmar L. Silva, Nêgo
e Vaguinho da Ladeira
Desperta meu Brasil, ô
Para este tema cultural
E vejam como é lindo de se ver
Todo o carisma desta arte, a bienal que Portugal
Introduziu neste país do Carnaval
Exaltamos escultores
E os senhores do pincel
Que emolduram a poesia
Modelando o dia-a-dia
De um povo, seus costumes, sua fé
Mãos abençoadas pelo céu
Que através de gerações
Do toque leve e tão sutil
Até o meu Borel ganhou cor bem mais viril
Foi João, foi
Dom rei fujão (bis)
Que trouxe a missão
Que fez da arte a profissão
(E assim...)
Ecoou, ecoou
Um grito forte: liberdade
Fecundou o modernismo em nossa arte
E na literatura nacional
Nossos artistas por aqui se propagaram
E também se consagraram com a primeira bienal
Mostrando para o mundo inteiro
Que em solo brasileiro
Tudo que se "implanta" dá
É tropical, o berço é fértil, é tropical
Hoje a arte e a cultura (bis)
Brilham em nosso Carnaval
1990
Enredo: E o Borel descobriu... Navegar foi preciso
Autores: Nêgo, Vaguinho, Vicente das Neves, Ditão, Gilmar L.
Silva, Azeitona, Valtinho da Ladeira, Ivan Bombeiro e Beto do Pandeiro
Por mares nunca dantes navegados
Meu Borel vem empolgado
Pra mostrar
Terras e eras tão distantes
Um passado emocionante
Vou contar (laraiá...)
Na Idade Média, onde tudo começou
O povo já pensava em ser feliz
Os lusitanos na guerra cristã
Contra os mouros defendiam o seu país
Salve o infante D. Henrique
A Portugal prestou serviços relevantes
Os portugueses desbravaram o oceano
Descobrindo novos horizontes
São caravelas
Ventos de liberdade e amor (bis)
E nessa onda
Seu Cabral nos encontrou
Heranças deixaram
Tantas em nosso torrão
Do idioma à religião
E essa miscigenação que originou
A nossa mulata sedução
Cá pra nós, o samba não veio de lá
Mas trouxeram o negro que, é arte, é cultura
Que nos ensinou a batucar
Terrinha boa, que saudade dá
O Borel em poesia
Hoje vai te visitar
Levar meu samba, vou cruzar o mar
Só gente bamba vai desembarcar
Vasco da Gama, bacalhau
Ouvir o fado, eu vou (bis)
Ficar mamado também
Bebendo vinho lá em Portugal
1991
Enredo: Tá na mesa Brasil
Autores: Carlinhos Melodia, Nêgo e Antonio C. Conceição
Hoje a arte e a poesia
O sonho em fantasia
Com o Borel vêm desfilar
E o meu povo se encanta
De bem com a vida a cantar, lararaiá...
De braços dados com a folia
Nesta festa popular
Tá na mesa Brasil, oh, meu Brasil
Ninguém pode censurar
Da elite à raiz
O Rei mandou convidar
Para o povo a bonança
Do norte ao sul do meu país
É batuque, canto e dança
Nesta festa que é profana
E faz o meu rei feliz
No Carnaval de rua
Tem bonecos do Nordeste
E tudo que o cabra da peste
Tem de bom para nos dar
Na comilança eu sinto cravos e canelas
Chica da Silva e Gabriela
O mais fino paladar
(É de dar água na boca...)
É de dar água na boca
Eu também quero provar, vou provar (bis)
O cheiro que vem no ar, iaiá
É do tempero da sinhá
Vem encher a pança de alegria
O rei se casa com a folia
A euforia é geral, geral
O Rock'n roll entrou no Carnaval
Ô iaiá me dê amor, amor
Me leva que é nesse embalo (bis)
Que eu vou
1992
Enredo: "Guanabaran" - O seio do mar
Autores: Gilmar L. Silva, Vicente das Neves e Beto do Pandeiro
Hoje o Borel em aquarela
Põe na passarela um pedaço de mar (de mar, de mar)
Santuário de beleza
O Guanabaran que Tupã divinou
Então eu mergulhei em tuas águas
E me encantei para te decantar (decantar)
Diz a lenda que bem antes
Outros bravos navegantes
O teu solo cobiçou
Veio de lá de Portugal
A realeza em ti desembarcou
Maré que vem, maré que vai, vai, vai
Mantendo um sonho que não se desfaz (bis)
Um cenário de beleza
Que virou cartão postal (bis)
Mãe da história
Do cinema nacional
Divina, teus milênios em poesia
Do teu seio reluziam os cassinos imortais
A vedete irreverente
Fez um mundo diferente
Na famosa Ilha do Sol (ô, mas que legal!)
Tuas águas cristalinas
Bem combinam com a magia
Do teu clima tropical
Te quero mais verde
Sem poluição (bis)
Se liga gente
Nesse canto de oração
É no balanço desse mar (amor, eu vou)
Vou navegar (bis)
Vou na proa, vou na boa
Pra ilha de Paquetá
1993
Enredo: Dança, Brasil!
Autores: Dário Lima, Espanhol, Paulo Ribeiro e Azeitona
Movimento milenar
Fez dançar terra e mar...
Uma flor brincou no vento
Tem poesia no ar... (no ar, no ar)
Deixa o vento me levar
Que no tempo eu sei voltar
Canto no céu de Acauã
Que o meu reino é o de Tupã
E lá na mata se tem lua cheia
Menina-moça faz dançar a aldeia (bis)
Bailam no mar
Velas de deuses gigantes
Pra me ensinar
O saber dos navegantes
Negro chegou
Meu Brasil morenizou...
Forte, lutou pela sorte
Cantou e dançou
Quando se libertou
Canta Borel
A tua raça hoje é cor de mel... (bis)
"Dança Brasil"
Teus acordes vêm do céu...
1994
Enredo: Só... Rio é verão
Autores: Gilmar L. Silva, Vicente das Neves, Beto do Pandeiro e Grego
Vem, meu amor...
Vem voar em poesia
Só pra ver como é que brilha o meu astral
"Divino" que clareia no horizonte
Tu és a fonte do meu Carnaval (bis)
Oh! Rio...
Berço de grandes paixões
De tantas canções
Eu quero é mais o teu calor, teu calor...
Verão sensual, sedutor
Tem gosto de festas
Tem cheiro de amor
Sou a onda tô na moda
Do vôo livre ao jet-ski (bis)
Vou brilhar em fantasia
Hoje na Sapucaí
Teu verde encanto é vida, é ar
Tens o mais belo azul do mar, do mar...
"Cidade de luz" aquarela
Se faz passarela pra ela passar
De corpo dourado a caminho do mar
(Como é lindo o meu Rio...)
Rio de Janeiro, "Cidade Maravilhosa"
É Sol, é verão... Luau sedução
Delírio desta multidão
É nesse "mar de amor"
Eu vou que vou (bis)
Vou me banhar
E depois tomar uma "cerva" bem gelada
Vendo a luz no céu brilhar
1995
Enredo: Os nove bravos do Guarani
Autores: Espanhol e Dário Lima
Do novo pro velho mundo
Eu naveguei...
"Índio mulato", guerreiro,
"Nove Bravos" conquistei:
Na contramão da história,
Compus minha glória, de amor delirei...
Musiquei minha raiz
E orgulhei o meu país por onde andei...
Guardei em "noite alta"
Segredos do castelo, seu destino
Cruzei a minha espada,
Sonho real de um menino...
Ecoou em plena mata tropical
O compasso dos tambores aimorés (bis)
Fui Peri, amei Ceci no temporal
E venci os inimigos mais cruéis...
Na "Festa das Marias" em Veneza me casei...
Entre duques e duquesas, lindas damas eu pintei...
Dancei na corte inglesa, escravos libertei
Rezei com a princesa, o Oriente desvendei...
Mas tanto tempo passou,
Que alguém me viu afinal (bis)
E hoje eu sou
Carnaval...
1996
Enredo: Ganga - Zumbi, expressão de uma raça
Autor: Beto do Pandeiro
Ecoou, novamente o atabaque de Palmares
Ressoou, é canto, é dança, é festa, é liberdade
Salve a força da cor guerreira
Herdeiros de Zumbi
A sua hora é esta
Tijuca é o quilombo, é sua a festa
Capoeira, aluã e muito mais
Tem reza forte para os orixás (bis)
Ao som do batacotô
No toque do agogô
Negro levanta a poeira
Entre oferendas para o rei Xangô
E pedras preciosas
No clarão da lua cheia
Dunga Tara Sinherê, ê, ê, ê, ê Dandara
Mãe Sabina, rei Zumbi é jóia rara (bis)
À cerca dos macacos harmonia
Dia e noite, noite e dia
Paz, amor, libertação, seu ideal
Holandeses, portugueses
Todos os mocambos do local
Traziam ouro, prata, louvação
Ao "líder pra sempre"
Cultura viva, és guerreiro imortal
Vem amor, ô, ô
Soltar seu canto livre pelo ar (pelo ar) (bis)
Alagoas é o berço
Deste mito que viemos exaltar
1997
Enredo: Viagem pitoresca pelos cinco continentes num jardim
Autores: Edson Fio e Maurílio Theodoro
Meu Rio de Janeiro em festa
Saudando a vinda da família Imperial
A corte deslumbrante então empresta
O luxo para a nova capital
Abrindo os portos ao progresso
Abrindo as portas pra cultura
O Rio busca ser cidade
De européia arquitetura
O povo e a natureza conquistam D. João
E o levam a investir na região
Já fui engenho, fabriquei a dor
Por decreto-lei, João me criou (bis)
Do imperador fui mesa e tempero
E até hoje eu floresço o ano inteiro
Em meus caminhos, a paz, a flora, a sutileza
Pelos continentes, uma viagem sem sair de um só lugar
Estou no inverno europeu, vim do jardim no Oriente
E vejo logo à frente, a Oceania aflorar
Da América, à África, o frio, o clima quente
Contraste de beleza singular
O som das águas, do vento, dos passarinhos
Abriga a pesquisa e faz o ninho
Pra espécies em extinção crecerem livremente
E o mesmo som que ao longe parece uma sinfonia
Inspirou Tom que fez as lindas melodias
Em meus recantos hei de ouvir eternamente
Jardim Botânico eu sou
História viva de amor (bis)
Eu sou o tema
E a Tijuca é multicor
1998
Enredo: De Gama a Vasco, a epopéia da Tijuca
Autores: Adalto Magalha, Serginho do Porto, Márcio Paiva e Adilson
Gavião
Através da mão divina (amor)
Naveguei, naveguei
O meu sonho de menino
Quis assim o meu destino
Portugal e toda a Europa encantei
Naveguei
E novos povos encontrei
Por tempestades e lendas eu passei
Para um almirante a coragem é a lei
Por tantos mares viajei
Na Índia, eu então cheguei
Veio o progresso nessa aventura
Descobertas e culturas
É nessa onda que eu vou
O povo vai recordar (bis)
Vem com a Unidos da Tijuca festejar
Rio de Janeiro, brasileiro, meu irmão
Sou Vasco da Gama tantas vezes campeão
Quando entra no gramado me alucina
Esse clube da colina, centenário de paixão
Estrela no céu a brilhar
Que faz essa galera delirar
Vamos vibrar meu povão (é gol, é gol)
A rede vai balançar, vai balançar (bis)
Sou Vasco da Gama, meu bem
Campeão de terra e mar
1999
Enredo: O dono da terra
Autores: Vicente das Neves, Carlinhos Melodia, Haroldo Pereira, Rono Maia
e Alexandre Alegria
Hoje a Tijuca canta
Sacode e balança esta cidade
Viaja no conto do índio
O dono da terra, que felicidade
No cantar do Uirapuru
Tantas lendas pra contar
Sob as ordens de Rudá
Iara mandou Jaci clarear
E seu caminho iluminar (bis)
Veja o orvalho vem caindo
Cheiro das matas vem surgindo (bis)
Vou navegar meu rio mar
Mistérios que vou desvendar
Por essas matas verdejantes
Têm seres sobrenaturais
Mulheres metade serpente
Curumins dançantes
E vi estranhos animais
Farturas encontrei, com as plantas conversei
Com as bênçãos de Rairu
Sentei pra meditar
Se a lua for minguante eu peço a proteção
Me deixa com as guerreiras festejar
Pedras preciosas quero me enfeitar
Encantar a índia com o meu olhar (bis)
Só Tupã sabia
Que eu não podia me apaixonar
2000
Enredo: Terra dos papagaios... Navegar foi preciso!!!
Autores: Henrique Badá, Jacy Inspiração e Edson de Oliveira
Brasil, Brasil, Brasil
Pra falar de ti em poesia
Folheando a história
No tenebroso mar da imaginação
Lembro que a viagem foi traçada
Calmaria fez mudar a direção
Hoje a Tijuca faz a festa
E mostra o valor dessa união
Caravelas ao mar, expedição
Obrigado Cabral, quanta emoção (bis)
Terra à vista!
O despontar dessa nação
O índio, a fauna, a flora
Paraíso de encanto e sedução
Nesse encontro com os portugueses
Um momento tão divino
Cada qual se fez irmão
Rezando a missa
Todo mundo em comunhão
Brasil tu já não és mais um menino
E seguindo o meu destino
Seja lá por onde for
Vou te redescobrindo a cada dia
Na grandeza do teu povo
E no teu solo promissor
É lindo ver tremular
Bem alto o seu pavilhão (bis)
E repartir esta alegria com a multidão
Paz, amor e esperança
Uma voz anunciou (bis)
É chegada a nova era
Abençoada pelo Criador
2001
Enredo: Tijuca com Nelson Rodrigues pelo buraco da fechadura
Autores: Vicente das Neves, Gilmar L. Silva, Douglas e Toninho Gentil
Fez da vida como ela é
Desenhou com arte o melhor que viu
Profano ou Querubim
Mostrou que o mundo é mesmo assim
O meu universo é Nelson
À terra do frevo eu vou
Aos amores mando um beijo
Do mais puro ao sedutor
Sou a essência da verdade sem pudor!
Nelson Rodrigues, teu pecado é humor
E a Tijuca apaixonada (bis)
Traz esse gênio jornalista e escritor
Gira, gira no meu verso, quero ver girar
Mesmo sem pornochanchada (bis)
Vem gargalhar
A dama do lotação
Flor de obsessão
Sem preconceito, sem censura
Luxúria, volúpia talvez
Será castigada a nudez
Fantasia, loucura sobrenatural (que legal!)
Neste asfalto selvagem
Eu faço a viagem no meu Carnaval
Foi
a visão do teu olhar, no meu olhar
Que eu enxerguei a vida
Nosso show está no ar (bis)
Teatro, cinema, TV
O futebol é devoção, é meu prazer
2002
Enredo: O Sol brilha eternamente sobre o mundo de língua portuguesa
Autores: Haroldo Pereira, Valtinho Júnior e Wantuir
Portugal
Nas caravelas do idioma naveguei
Nessa aventura lusitana
Os cinco continentes alcancei
"Bordei" palavras sobre as ondas do mar (Oi! Do mar)
E na linha do horizonte
A língua se fez poesia
Uma "odisséia" de amor
"Navegar é preciso", de Angola ao Timor (ô ô
ô ô)
Cultura! Riqueza!
Iluminando o mundo de língua portuguesa
Trago à mesa a alegria e amor
Que a família tijucana chegou! (bis)
Com bom papo e harmonia e samba no pé!
A minha língua é minha Pátria, é minha fé!
Sopra o vento dos deuses
Pra língua "semear"
Na costa africana, na voz dos orixás
"Temperei" com arte em Goa
E mercados de Macau
Fala Brasil! Brasil...
A "morenice" em um povo encontrei
Mundo novo, me apaixonei, hoje é só sedução
Salve a luta do Timor
Pela "liberdade de expressão"
Rasgou o céu um cometa
Explode em sete cores
A nova era, oito esplendores (bis)
A língua é força, é união
A homenagem vem na cauda do Pavão
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