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o Carnaval 2003
Jorge Melodia, Rono Maia e Alexandre Alegria, são os responsáveis pelo maravilhoso samba que a Unidos da Tijuca vai levar para avenida.

O batuque.com - Quando você começou no carnaval?
Jorge Melodia - Comecei com 18 anos no Império da Tijuca, e passei pra Unidos da Tijuca há 8 anos, mas eu sou das duas, porque lá é grupo 1 e na Unidos da Tijuca é grupo especial.

O batuque.com - Quando surgiu a idéia de compor? você fez algum curso de música?
Jorge - Geralmente o compositor de escola de samba de morro, como eu sou, vem na veia, na raiz, uns têm jeito pra ritmista, outros, para passista e a minha índole é pra compositor, porque eu fui diretor de carnaval naquela época dos tempos dourados. Não existia carnavalesco, tinha diretor de carnaval , então, eu era o diretor de carnaval da Império da Tijuca e ganhei muitos sambas na Império da Tijuca.

O batuque.com - Cite um samba da Império da Tijuca que você venceu?
Jorge - Paraná eh, eh Paraná, é o Império da Tijuca na Avenida lhe exaltar...

O batuque.com - Como surgiu essa idéia, de formar uma equipe pra compor esse samba da Unidos da Tijuca 2003?
Jorge – Olha, geralmente em todas as escolas de samba, é muito difícil ter um compositor só, sempre há formas de parcerias dos amigos um é mais revista, outros gosta de botar música , mas este ano, eu estou muito feliz, porque eu fiz a cabeça do samba . O Ronald tinha uma idéia muito boa pra botar, o Alexandre Alegria também, nos refrões também completando. Depois nós passamos a peneira, tiramos o que estava demais, enxugamos, tiramos gordura e a obra tá aí

O batuque.com - O senhor compete em escola ou somente na Unidos da Tijuca?
Jorge - Com 68 anos, não tenho mais pernas pra ir a duas. Aqui já fico meio cansado. Quando eu tinha 30 anos, eu competia em 3 ou 4, agora, não dá mais pra isso não, aí vem a preocupação também da grana. A grana do samba que nós ganhamos, só vamos receber depois do carnaval, porque aí que vai começar a fazer as contas de vendas de cds da gente que ganha dinheiro roubado, o borderô da Sapucaí, quer dizer, pagar as dívidas, dividir com os perceiros, depois a gente fica devendo quase uns 7 mil reais.

O batuque.com - Quanto o samba vencedor ganha?
Jorge - Olha, dizem que ano passado, foram 120 mil reais.

O batuque.com - Quanto vocês ganham pelos direitos autorais?
Jorge - Se os fiscais anotarem direitinho, nos bailes, nas rádios, na televisão, isso aí, a escola não tem direito, é só nosso. Quanto eles pagam uma tocada? é merreca, certo. Às vezes, não tem um fiscal no lugar, no baile. Às vezes, a rádio também não manda ou a televisão também. Tanto é que, eu vou fazer umas 300 partituras do samba e espalhar pelo Brasil, na ordem dos músicos, no sindicato dos músicos, pra ver se salva algumas coisas, senão é fogo.

O batuque.com - Quanto é o cachê nas rádios?
Jorge – A gente não sabe quanto é,

O batuque.com - A rádio paga?
Jorge – Quem paga é o ECAGE, agora, quem paga ao ECAGE, deve ser a Rádio, né, a Rádio Nacional, a Rádio Globo, essas FM´s da vida,

O batuque.com - Vale a pena ou é muito pouco?
Jorge - Tá muito prejudicado também, a maioria das rádios é evangélica, não tocam músicas de carnaval, isso é uma coisa aqui no Brasil é brincadeira, os direitos autorais a realidade é essa. Se fosse nos Estados Unidos. Os compositores de sambas estavam ricos, mas aqui. É um país que o nativo não tem valor nenhum.

O batuque.com - O nome de vocês saiu errado no CD, de quem foi o erro?
Jorge - Foi a gravadora, que anota os compositores vencedores do samba e infelizmente houve essa falha aí, mas agente ficou sabendo dez dias antes, que iria ocorrer essa falha de nome de compositores. O importante é que, felizmente, a Liga Independente das Escolas de Samba, sabe que os compositores são: Ronald Maia , Jorge Melodia e Alexandre Alegria.

O batuque.com - O Dono da Terra é considerado aqui na Tijuca como o um dos melhores sambas de todos os tempos. Qual o melhor da Tijuca?
Jorge - Olha só, o samba da Unidos da Tijuca de 93, eu acho melhor que o Dono da Terra. Paz, Amor e Esperança.

O batuque.com - Na opinião de vocês qual o melhor samba enredo de todos os tempos?
Jorge - Silas de Oliveira Heróis da Liberdade – Mano Décio da Viola.
Rono Maia - Os sertões
Alexandre Alegria - Acompanho o Ronald.

O batuque.com - Vocês pensam em ganhar o Estandarte de Ouro?
Rono - O Jornal Extra solicitou aos críticos como: Fernando Pamplona, Haroldo Costa, José Carlos Rego, para que escolhessem o melhor samba e o da Unidos da Tijuca foi eleito o melhor.

O batuque.com - Vocês concordam que falta criatividade entre os compositores?
Alexandre Alegria - Tem um samba de 2003, que eu não vou falar o compositor e nem a escola, parece samba de outros carnavais aí.
Rono – O que eu posso dizer é que o samba da Unidos da Tijuca é bem diferente, de palavras bem significativas e fortes.
Jorge – Eu acho que estão usando muito, "meu amor, amor, amor, vem meu amor, vem, vem, vem". Eu sou fã do amor, que sem amor a vida não é nada, mas para com isso. As nossas palavras no samba são objetivas. O que nós temos que passar para o povo, o que a escola se propõe é uma peça teatral. Por isso o nosso foi escolhido pela crítica como o melhor. Saímos da mesmice. Sapucaí rimando com olha nós aí, ninguém agüenta mais. O Marquês de Sapucaí mesmo dentro do túmulo tá na bronca, nunca foi tão falado, nem na época que ele estava vivo.

O batuque.com - A Unidos da Tijuca é considerada uma das melhores alas de compositores. Existe alguma academia de samba dentro da escola.?
Rono – Já vem de berço. Meu pai foi diretor da escola quando eu era pequeno. Eu passei por todas as fases da escola. Comecei com passista mirim, fui passei pela bateria, hoje sou compositor. Nós somos cria da escola de samba Unidos da Tijuca.
Alegria – Meu pai ia bater e eu ia amarrado na calça dele. Eu passei a gostar dessa escola como eu gosto dos meus filhos. Comecei na ala das crianças, trabalhei no bar, fui pra bateria e depois fui pra ala de compositor e hoje estamos aí consagrados pelos Deuses, pelos Deuses do samba.
Jorge – Até o Salgueiro tem nome de academia, mas também não existe nenhuma academia. Tem Acadêmicos no nome, mas o negócio vem lá do barranco do morro, aquele barranco vermelho lá. Isso já vem do sangue. A Unidos da Tijuca é uma das escolas mais antigas. Isso vem da natureza, não tem academia como tem de Judô, Karatê. O samba já vem no sangue. Vai passando de pai pra filho. Agora estão criando as escolas mirins pra passar para as novas gerações. Isso não vai deixar as escolas morrerem.

O batuque.com - Como é feito o processo de elaboração de um samba a partir de uma sinopse do carnavalesco?
Rono – O carnavalesco faz um resumo mais ou menos de tudo que ele quer dentro do enredo, mas no dá a liberdade de criar e não copiar. Aquele que consegue acompanhar o enredo com uma boa melodia, é o que consegue ser feliz.
Jorge – tem compositor que copia a sinopse. Nós já temos outro esquema. Nós lemos, relemos e gravamos o que ele está falando e depois criamos em cima. E depois escrevemos com a nossa palavra.

O batuque.com - As escolas de samba recebem algumas crítica, porque estão fazendo tema e não samba-enredo, que como o próprio nome já diz, conta uma história. Qual é a opinião de vocês em relação a isso?
Jorge - A Tijuca sempre fez samba-enredo. Como já te disse, anteriormente, nós temos que mostrar para o povo tudo aquilo que se propõe. É uma peça teatral. É samba-enredo, tema já mais vago.
Rono – A escola nos últimos anos ganhou alguns estandartes de ouro no enredo e no ano que vem também pode ser uma forte candidata.

O batuque.com - Macobeba e Lima Barreto, foram sambas antológicos do grupo especial e no grupo de acesso vocês fizeram Belmiro Gouveia e O Dono da Terra, que são antológicos também, ou seja, tanto no grupo especial e no grupo de acesso o samba pode ser bom. Vocês concordam com a separação do estandarte de ouro para melhor samba do grupo especial e do grupo de acesso?
Rono – nós tivemos a felicidade de 1999 compôr um samba que foi eleito pela crítica, como um dos melhores sambas dos últimos dez anos.
Alegria – Esse samba, na minha opinião, abafou o melhor samba do grupo especial naquela época.
Jorge – Eu divergir um pouco deles. Tem o grupo especial são 14 escolas, então a briga é ali. Tem o grupo de acesso, a briga é ali, pra ver quem é o melhor ali. É uma separação válida. Às vezes tem um samba que extrapola, como por exemplo: O Dono da Terra, que foi melhor em todos os grupos, mas mesmo assim eles separaram. É a mesma coisa meu time é América não sei nem em que divisão está. Como é que ele vai disputar com Vasco, Flamengo que estão no grupo de cima.

O batuque.com - O hino do América é considerado o mais bonito.
Jorge – É verdade. O velho Lamartine... Hei de torcer, torcer, torcer. Hei...
Rono – Não concordo. Mais bonito é o hino do Vasco.
Jorge – O Vasco é compadre do América.
Alegria – O mais cantado é o do Flamengo.
Rono – Corta, corta.

O batuque.com - Um momento marcante na avenida?
Jorge – Ganhar um samba, depois ver o pessoal, aproximadamente 4.000 pessoas da sua escola, cantando o samba. É igual a mulher que pari um filho. A lágrima de alegria vem aos olhos. É muita emoção para um coração só. Eu me separo do meu espírito e me vejo lá cantando. Eu não sei como todo ano eu consigo isso.
Rono – Você compõe o samba numa sala fechada com 3 pessoas e de repente o samba está sendo cantado pelo Brasil inteiro e na Avenida.
Alegria – Passar de 2002 para 2003, chegar o Carnaval e ouvir toda a Passarela cantando meu samba.

O Batuque.com - Parabéns pelo samba e que a Unidos da Tijuca possa realizar um grande carnaval.

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