A bateria da
União de Jacarepaguá está pronta para o carnaval deste
ano. Com 210 ritmistas, a bateria promete dar um show na avenida, sob o comando
e a competência mestres de Ivo Francis, Hugo e Maurício Eduardo
Santos Queiroz, este último diretor de tamborim. À frente da
bateria da Zona Oeste, eles têm a agradável tarefa de manter
a cadência do samba de forma que a escola desfile em ritmo tranqüilo,
já que no Grupo de Acesso as escolas passam com um número menor
de componentes. A atenção fica redobrada para que um ritmista
não fuja da velocidade e comece a acelerar os outros.
- Depende também do puxador e do samba, não só depende
de estar no Grupo Especial ou no Grupo de Acesso. Nós temos no Grupo
Especial escola que tem o ritmo cadenciado, como por exemplo a Beija-Flor
,onde também sou diretor. Nós não temos dificuldades,
fazemos o carnaval para a escola. Mas se houver necessidade de colocar o ritmo
mais acelerado, nós vamos colocar. Explica Ivo
- É bem perceptível quando alguém está batendo
acelerado. Aqui na escola eu divido a responsabilidades com os colegas, porque
num desfile nós temos três alas de tamborim e fica muito difícil
saber quem está acelerado ou atrasado. Você pode perder uma virada
ou puxada que o mestre peça - Maurício acrescenta.
A preocupação maior é com a qualidade do som da avenida,
que está atrapalhando as baterias, como reclama Ivo:
- Nos últimos anos estamos tendo problemas. O primeiro problema é
o som. O segundo é a própria passarela, que não foi feita
para um espetáculo ao ar livre. As arquibancadas deveriam ser iguais.
Nós passamos de um lado o som bate no camarote. do outro lado o som
passa direto.
Fora os problemas, os diretores estão confiantes no trabalho, principalmente
nas bossas e variações que a bateria vai fazer na Sapucaí,
já que existe um grupo de amigos que os ajudam na elaboração
dessas bossas.
- Na minha opinião quem faz a primeira bossa de tamborim é o
compositor que fez o samba, pois o próprio samba já vai me dizer
o que nós temos que fazer. Nós só aprimoramos e o restante
é no braço. Eu tenho um ritmista que me ajuda muito, Marcus
Vinícios, ele já é diretor. Diz Maurício.
Nós vamos fazer as paradinhas de acordo com a necessidade da escola.
Se eu sentir que a escola está bem e o puxador está feliz, e
se os ritmistas estiverem bem, nós faremos as paradinhas. Se tudo correr
direito nós vamos dar um espetáculo na avenida. Ivo comenta.
Ivo, que adora bater um surdo de terceira, e Maurício, que bate o tamborim, sonham em realizar um projeto comunitário para de criar novos ritmistas e aproveitá-los na própria escola. O projeto existe, mas está na gaveta devido à falta de tempo, pois há a necessidade de trabalhar em outras atividades. Maurício explica a importância do projeto dizendo que as baterias das escolas dos grupos de Acesso são normalmente enxertadas com ritmistas de outras baterias, principalmente do Grupo Especial, e que alguns ritmistas se julgam no direito de bater à sua maneira quando estão nas agremiações de baixo. O próprio Maurício já teve que pedir a ritmistas de fora que tocassem da maneira que a União de Jacarepaguá toca.
Inspirados em
mestres como Paulão, Odilon e Paulinho, que foi o responsável
por sua ida para a União de Jacarepaguá, Ivo e Maurício
esperam em 2004, caso a escola suba para o Grupo Especial, uma atenção
maior do jurados. Torce para que eles não julguem pelo nome, e sim
pelo trabalho realizado. Trabalho e dificuldades não faltam para a
escola.
- Ano passado tivemos dificuldades de colocar a bateria na avenida, faltou
tudo. Colocamos as peças no caminhão, que quebrou na Linha Amarela.
Tivemos que recolocá-las em um ônibus e já estávamos
entrando na avenida. Foi quando vi meu irmão, que não conseguiu
desfilar porque estava ainda de bermuda, jogando os instrumentos por cima
das grades para que os ritmistas pegassem. A bateria passou bem, dentro do
possível. Dei um abraço no meu irmão em gratidão.
Eu fico todo arrepiado quando lembro desse fato, conta Ivo, com a voz embargada
e lágrima nos olhos.
Além desse momento marcante do Ivo, Maurício relembra outro
fato, só que na Vila Isabel, que no ano passado homenageou seu tio,
Nilton Santos, campeão mundial pela seleção brasileira
de futebol:
- Minha afilhada, que desfilou na bateria junto comigo, desmaiou de emoção. Após o desfile eu voltei para saber como ela estava e graças a Deus estava muito bem. Foi muita emoção naquele ano. Falar do meu tio, e consequentemente do Botafogo, foi demais pra mim.
Ivo, em nome
dos diretores da bateria, deixa um recado para os ritmistas da escola:
- Gostaria de parabenizar o mestre Mug, da Vila Isabel, que é uma figura
ímpar no mundo do samba. Ele completa 30 anos de carnaval. Aos meus
ritmistas: que vocês se concentrem bem, se hidratem, façam bem
os desenhos da bateria. A bateria representará os mascates, que são
os vendedores. Neste ano eles não vão vender nada, eles vão
dar. Eles vão dar alegria, ritmo e show.
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