Nadinho

OBatuque.com apresenta Nadson Oliveira Villar, o Nadinho, mineiro nascido em Caratinga há 34 anos que com seu trabalho de aderecista empresta mais brilho ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. Apesar de morar em Coroa Grande, no estado fluminense, Nadinho vive mesmo é em seu ateliê em Inhaúma, onde, com sua equipe, dedica-se vinte e quatro horas por dia ao carnaval carioca. Gentilmente, Nadinho cedeu um pouco de seu escasso tempo para atender à nossa reportagem e contar um pouco de sua história e seu trabalho.

OBatuque.com – Como foi sua vinda para o Rio de Janeiro? Teve a ver com o samba? E como foi sua entrada nesse mundo de fantasias das escolas de samba?
Nadinho - Na verdade eu vim para o Rio de Janeiro muito novo, então não tinha nada com o negócio de carnaval. Mas logo aos 13, 14 anos, comecei a tomar gosto pelos desfiles das escolas de samba, pela própria televisão mesmo. Aí partiu a vontade de desfilar e de trabalhar, e acabei ingressando nesse mundo com muita vontade de brilhar também no carnaval.

OBatuque.com – Você começou desfilando em alguma escola em especial?
Nadinho - Sim. Comecei desfilando numa escola chamada Acadêmicos do Engenho da Rainha. Foi minha primeira escola de desfile e minha primeira escola de trabalho também.

OBatuque.com – E como e quando foi esse seu primeiro trabalho lá na Engenho da Rainha?
Nadinho - Eu comecei trabalhando com o Raí Menezes no ano de 1989. Nós trabalhávamos com alas da comunidade. Ajudávamos a escola até mesmo pedindo ajuda em outras agremiações, dando o suor mesmo. Começamos bem baixinho, pra alcançar um lugar no mundo do carnaval, e continuamos tentando.

OBatuque.com – Como é o hoje o Nadinho nessa questão da preparação do carnaval das escolas de samba? Você tem muito trabalho para o Carnaval?
Nadinho - Olha, tenho muito trabalho, sim. São praticamente treze anos trabalhando, então você vai criando um espaço. E eu consegui criar esse espaço através do Paulo Menezes. Foi ele quem me deu esse grande espaço, já que confiou as primeiras peças na minha mão, os primeiros carnavais, e eu acabei correspondendo às expectativas dele. Com isso as pessoas vão confiando mais na gente, então eu tenho bastante trabalho para o carnaval.

OBatuque.com – Qual foi o trabalho que deu bastante satisfação em realizar? Uma fantasia, uma alegoria, uma ala, uma composição de carro...Seja pelo tema ou mesmo pelo trabalho com o material empregado?
Nadinho - Acho que foi em 2000, na Tuiuti, quando a escola ascendeu ao Grupo Especial. Acho que por isso, pela escola ter subido, e por a gente ter trabalhado muito, pra mim aquele ano foi muito especial.

OBatuque.com – Pode-se dizer que a pessoa que trabalha com confecção de fantasias acaba tendo um pouco do seu trabalho atrelado a um carnavalesco ou uma pessoa de uma escola que já tem uma certa confiabilidade no trabalho?
Nadinho - Também. Normalmente eu acompanho o Paulo Menezes, mas de certa forma você acaba criando um vínculo com a escola. Não tem como você trabalhar por uma agremiação e não se apaixonar, não criar amigos. Se você não passar a gostar da escola com a qual você trabalha, você não vai fazer um bom trabalho. Então, tem essa parte de ligação ao carnavalesco, mas tem também essa relação que se cria a cada passagem por uma escola diferente. É o caso da Engenho da Rainha, da Tuiuti...São escolas que ficam um pouquinho dentro da gente.

OBatuque.com – Como é hoje seu trabalho aqui no ateliê? Quantas pessoas? Como é a organização do trabalho?
Nadinho - Olha. Eu trabalho com uma equipe que já vem junta há anos. É um grupo maravilhoso, que me ajuda e que tem muita seriedade com o trabalho, e entendem a falta de recursos às vezes. Então, acho que o principal eu tenho, fazer com que minha equipe, junto com o Raí Menezes, faça parte de tudo o que a gente faz. Porque eles aprendem a amar o que estão fazendo, a gostar do trabalho, a se empenhar para entregar cada encomenda no tempo certo, e ver a escola passar brilhante, bonita…Nós conseguimos uma coisa muita legal com essa equipe. Eles me ajudam em tudo, até a pagar a conta da luz ou do telefone, se precisar. Estou hoje com dezoito pessoas nesse grupo.

OBatuque.com – E seu esquema de trabalho? Fins de semana e cervejinha, só depois do carnaval?
Nadinho - Nós não temos mais isso. Inclusive, acabei de conversar com uma componente que estava aqui que a última vez que fui na minha casa foi no Ano Novo, não voltei mais. Minha hoje é aqui no ateliê. Até o final do carnaval, quando a última escola passar na Avenida, eu não tenho casa, não tenho final de semana, não tenho praia, não tenho cervejinha, nada. É só carnaval.

OBatuque.com – Fale um pouco da sua expectativa para o carnaval 2004. E uma mensagem para sua equipe e para os foliões.
Nadinho - Eu espero que o carnaval 2004 seja o melhor possível. Tem havido carnavais belíssimos, até mesmo o índice de criminalidade vem caindo nessa época. Então espero assim, um carnaval gostoso, cheio de brincadeiras, alegre e de paz. E, não sei se é legal falar, mas vou falar, espero que minha Ilha do Governador volte ao Especial, porque ela não pode ficar fora de lá. Quero também agradecer em primeira mão ao Peixinho, presidente da Ilha, aos amigos da Engenho da Rainha, aos amigos da São Clemente, ao Raí Menezes, que divide esse ateliê comigo, e a essa equipe de estrelas que eu tenho. E podem aguardar que, se der tudo certo, nosso trabalho vai estar belíssimo na Avenida.

OBatuque.com – O jornal OBatuque.com, agradece ao Nadson Villar, o Nadinho, pelo tempo cedido para receber nossa equipe em seu ateliê em Inhaúma.