O Batuque.com – Qual seu nome artístico?
Renato – Gosto muito de ser chamado de “Gari
Passista”. Já me acostumei.
O Batuque.com – Quantos anos você tem? Onde nasceu?
E Onde mora atualmente?
Renato – Eu nasci no Rio de Janeiro, lá em Madureira.
Tenho 38 anos e trabalho na Comlurb já há sete anos.
O Batuque.com – Quando foi seu primeiro desfile na
Sapucai?
Renato – Como gari, foi em 1997. Isso trabalhando,
exercendo minha profissão.
O Batuque.com – Como aconteceu aquela primeira apoteose?
Quando a arquibancada se levantou para vê-lo sambar?
Renato – Foi no primeiro ano que trabalhei lá.
Eu já trabalhava na avenida, mas sempre de dia, e quando fui escalado
para trabalhar à noite eu tive a oportunidade de mostrar o que sei
fazer.
O Batuque.com – Você lembra em que intervalo de escola
foi?
Renato – Se não estou enganado, foi logo após
a passagem da Santa Cruz.
O Batuque.com – O que mudou em sua vida, ou em seu
trabalho, de lá para cá?
Renato – Bem, eu sou o mesmo, não mudei em nada.
O dia que em que eu esquecer de mim, eu esqueço de vocês. Como
nunca vou poder esquecer de mim, não vou esquecer de meus amigos. Eu
estou bem no serviço, quero mandar um abração pra diretoria
toda, pro presidente, pros garis. Eu só acho que mudou alguma coisa
porque hoje os garis acabam sendo mais valorizados, as pessoas já olham
de outro modo. Através de mim, e com empenho de todos juntos, outros
dois amigos também estão se destacando.
O Batuque.com – Nesses sete anos, apesar da grande
surpresa do primeiro desfile, houve algum momento marcante que o emociona
mais?
Renato – O que me marcou mais não foi nem o
desfile pela União da Ilha. Foi quando, desfilando como gari, um senhor
da velha guarda da Imperatriz, quando ela foi bicampeã, tirou a faixa
de campeão e me deu. Ele disse que eu era o campeão do carnaval,
e não a Imperatriz. Isso foi quando a Imperatriz foi bicampeã.
O Batuque.com – Você é sambista e ensaios
das escolas? E qual a sua escola de coração?
Renato – Eu venho só pra Ilha e pra Tijuca.
Eu sou Ilha doente. Eu tenho a cara da Ilha.
O Batuque.com – Enquanto passista autônomo, se
é que podemos dizer assim, como você a diminuição
do espaço dos passistas nos desfiles das escolas de samba?
Renato – É que hoje em dia o desfile está
mais acelerado e não tem como ficar parado. Então não
dá para os passistas mostrarem o que sabem, que é o samba no
pé. E eu tenho essa chance de sambar parado, pois como sou neutro,
ninguém bota a mão em mim. Eu vou e volto sambando.
O Batuque.com – Como surgiu a paixão pelo carnaval?
É anterior a esse sucesso ou surgiu depois disso tudo?
Renato – É anterior. Vem desde o ventre de minha
mãe. A minha família é toda de sambistas. Meus filhos,
minha mulher - um beijão pra ela que eu a amo -, meu pai, minha mãe,
são todos sambistas.
O Batuque.com – Como é que fica a União
da Ilha dentro desse coração?
Renato – Cara! É nota 10. É muito coração
pra Ilha. É muito bom ser Ilha. É muito bom ser carioca e é
muito bom ser Ilha.
O Batuque.com – No carnaval da Ilha em 2001, uma das
alegorias da escola era a representação do gari a partir da
sua representação, e você veio junto ao carro com aquela
escultura imensa. Como foi aquilo?
Renato – Não era uma representação
do Renato, e sim de todos os garis do Rio de Janeiro. Foi fantástico
estar ali naquele momento.
O Batuque.com – Qual a programação do
Renato, o Gari Passista, para o carnaval 2003?
Renato – Vou tentar desmontar uma vassoura sambando.
Vou tentar fazer isso sambando.
O Batuque.com – Durante o horário de trabalho
ou em desfile de alguma escola?
Renato – Vai ser trabalhando com os garis mesmo. E
agradecendo ao setor 1, que dá sempre o maior apoio.
O Batuque.com – Você vai desfilar oficialmente
em alguma escola?
Renato – Por enquanto, só na União da
Ilha, na Unidos da Tijuca e na escola “Unidos da Comlurb”.
O Batuque.com – O OBatuque.com agradece ao Renato, O Gari Passista,
pela entrevista.
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