Obatuque.com
- Por que você saiu da União da Ilha?
Paulão -
Eu saí da União da Ilha, infelizmente, por política da
antiga diretoria. Eu concorri na eleição do seu Alfredo Fumaça,
e, como perdi, ele resolveu me tirar da diretoria, alegando que eu iria atravessar
a bateria por não ter ganho a eleição. Esquecia ele que
eu sou o mestre Paulão, consagrado há muitos anos, com vários
Estandartes de Ouro e jamais faria isso com a minha escola
Obatuque.com
-Como
foi a experiência no carnaval em São Paulo?
Paulão - Foi
a melhor possível. Estive em São Paulo nos três últimos
anos e fui Estandarte de Ouro um ano, ganhei todos os prêmios no outro
e no último carnaval fui sucesso. Graças a Deus hoje em São
Paulo eu sou sucesso.
Obatuque.com
-Como
foi ficar afastado da União? A comunidade sentiu muito sua falta?
Paulão - Bom,
aí a comunidade é que tem que responder a essa pergunta. Eu
senti muita falta da minha escola de coração, e sofri vendo
de longe a destruição da União.
Obatuque.com
-Você
sentiu diferença na bateria enquanto esteve afastado?
Paulão - Quem
ficou no meu lugar tentou modificar uma coisa que não tinha modificação.
Normalmente, quando você pega uma obra bem elaborada você não
tem que modificar essa obra. Se ela é bem retificada, se ela é
formosa, se ela é bem feita... Tentando modificar, modificaram para
pior, infelizmente. Agora estamos voltando, botando a Ilha no lugar que ela
merece, botando a bateria da forma que ela é. A bateria da Ilha tem
uma característica que vai voltar a apresentar a partir deste ano,
com a volta do Paulão.
Obatuque.com
-E
como foi o reencontro com a União nesta sua volta? Não só
com a bateria, mas com a escola em si?
Paulão - Hoje
estou muito feliz com a minha volta, porque as pessoas me receberam muito
bem. Elas estão vendo que o trabalho que estou fazendo já modificou
toda a estrutura da bateria. Hoje mesmo, nesta festa, chegaram ainda pouco
duas pessoas que nem conheço e vieram me parabenizar, dizendo que estão
voltando pra escola por que estou voltando pra bateria e sabem que a bateria
vai ser um sucesso.
Obatuque.com
-Quais
são as novidades que você disse que a bateria da escola vai apresentar?
Paradinhas, coreografia dos ritmistas...?
Paulão - Coreografia
tem que ter, porque quem inventou a coreografia na Sapucaí foi o mestre
Paulão, que com a bateria da Ilha foi o primeiro a fazer, o primeiro
o ter coragem, entendeu? Hoje há várias outras baterias fazendo,
mas o primeiro foi mestre Paulão. E paradinha é habitual, é
o nosso natural.
Obatuque.com
-Como
surgiu a idéia da paradinha com coreografia que vocês fizeram
no “Abrakadabra” (1994), quando toda a bateria parou e começou
a marcar o compasso batendo com as baquetas umas nas outras?
Paulão - Aquilo
surgiu de uma falha no nosso ensaio. Eu cortei a bateria pra ser feita uma
convenção. O repique teria que fazer a chamada e não
fez. Ficou aquele espaço de tempo, e no tempo certo o repique chamou
de novo a bateria pra voltar ao ritmo. Aí, resolvemos criar alguma
coisa naquele espaço. Então criamos a batida da baqueta. Neste
ano tem batida de baqueta, tem tamborim entrando no meio da bateria e também
tem uma série de novidades pra marcar a volta do mestre Paulão.
Obatuque.com
-Você
sempre disse que suas paradinhas não são aleatórias,
são em cima da marcação do samba. Você acha que
as paradinhas das outras escolas são aleatórias ou são
em cima da marcação do samba?
Paulão - Quem
sou eu pra analisar o trabalho de outras pessoas... Sei que as minhas paradinhas
são exatamente em cima da melodia do samba-enredo, tanto que as minhas
convenções de tamborim são o solo da melodia. Esse aí
é o segredo do mestre Paulão. Só quem faz isso é
mestre Paulão: bordar a melodia do samba-enredo.
Obatuque.com
-Tem
diferença a cadência da bateria no Grupo Especial e no Grupo
de Acesso?
Paulão - O
samba é o mesmo, tanto no Grupo de Acesso quanto no Grupo Especial.
A Ilha não vai mudar nada em termos de cadência do samba. Vai
mudar, sim, em termos do que foi feito nos últimos três anos.
Vamos voltar com a característica da escola, com o nosso show de bateria,
com as nossas coreografia. E teremos novidades em termos de coreografia.
Obatuque.com
-Parte
da bateria da Ilha costuma sair noBoi. Com a subida do Boi para o Grupo de
Acesso, e com a queda da União, como anda isso?
Paulão - Olha,
o que é União da Ilha é União da Ilha, e o que
é Boi é Boi. Alguns componentes desfilam na União da
Ilha e no Boi. Tá...Não faço muita objeção
a isso. Mas acho o seguinte: que quando estiverem desfilando comigo, desfilem
com alma, com garra, com satisfação e com determinação,
que é o principal. Agora, quem quiser desfilar lá no Boi, que
desfile. Eu não fico enciumado com isso.
Obatuque.com
-A
bateria vai com quantos ritmistas para a avenida?
Paulão - Vem
com 220 ritmistas. No Grupo de Acesso não é necessário
uma bateria muito grande. Houve cortes por que estamos fazendo um trabalho
de renovação. Então estamos podendo selecionar bem as
pessoas que vão desfilar.
Obatuque.com
- A
sua madrinha de bateria, Dayse Nunes, vai voltar com você?
Paulão - Com
certeza, porque ela sente nossa falta e nós sentimos a falta dela.
Obatuque.com
-Como
é feito o trabalho com os novos ritmistas da União da Ilha?
Paulão - Com
essa minha volta, estou criando uma nova bateria da União da Ilha.
Estamos com uma escolinha todas as terças-feiras. Hoje já tenho
trinta componentes que freqüentavam a escolinha e que estão fazendo
parte da nossa bateria da União. Então estamos formando, aos
poucos, uma nova bateria da escola.
Obatuque.com
-Em
entrevistas a Obatuque.com, muitos mestres dizem que se espelharam em seu
trabalho. Como você vê isso?
Paulão - Olha,
fico muito orgulhoso de saber disso, mesmo porque, graças ao bom Deus,
minha cabeça é inovadora. Então estou sempre com novidades,
estou sempre com coisas novas. Neste ano, por exemplo, nós estaremos
no Grupo de Acesso A cheios de novidades na bateria. Graças a Deus
eu tenho os guias que me orientam para ir pro lado certo.
Obatuque.com
-Quantos
prêmios como diretor de bateria?
Paulão - Aqui
no Rio foram quatro, mais um em São Paulo. Graças ao bom Deus,
mestre Paulão é o único diretor de bateria consagrado
com Estandarte de Ouro tanto no Rio quanto em São Paulo.
Obatuque.com
-Em
São Paulo estão pedindo para você voltar. Fale um pouco
sobre isso.
Paulão - O
problema é o seguinte: eu saí de São Paulo porque senti
necessidade de ajudar o atual presidente da União da Ilha, que é
o Peixinho. Na minha candidatura ele me apoio, então senti necessidade
de apoiá-lo nesta última eleição. Como ele ganhou
a eleição, voltei para o Rio, mas o presidente da escola lá
em São Paulo (Unidos do Peruche) está muito chateado comigo
por eu ter largado a escola dele. Mas se Deus quiser eu estarei de novo lá
no ano que vem. Na Peruche, na Leandro de Itaquera ou em outra escola, mas
com certeza estarei de volta à São Paulo
Obatuque.com
-Um
momento marcante na avenida?
Paulão - Houve
vários desfiles através desses anos todos. “Abrakadabra”
foi um grande desfile. “Sonhar com Rei Dá João”
(1990), “A Viagem da Pintada Encantada” (1996), “Festa Profana”
(1989), todos foram grandes desfiles da União da Ilha e todo ano, graças
a Deus, quando termina o desfile o povo consagra nossa bateria.
Obatuque.com
-O
instrumento que você mais gosta de bater ?
Paulão - Eu,
Paulão, gosto de tocar é a caixa de guerra.
Obatuque.com
-Um
samba que você e sua bateria gostariam de ter batido?
Paulão - “Domingo”,
da União da Ilha (1977).
Obatuque.com
-Quem
foi o mestre naquele desfile?
Paulão - João Sérgio.
Obatuque.com -O Obatuque.com agradece a atenção dispensada pelo mestre Paulão e deseja sorte a ele e à União da Ilha no desfile.
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