Uniao da Ilha
Depois de uma ausência de três anos, o consagrado mestre Paulão, verdadeiro ídolo da comunidade insulana, está de volta à União da Ilha. Durante a Noite dos Campeões, realizada na quadra da escola, em 19 de janeiro, Paulão deu um tempinho na festa para atender à nossa reportagem, e, entre outras revelações, falou dos motivos de seu afastamento e do que seus ritmistas vão apresentar na avenida no próximo desfile.

Obatuque.com - Por que você saiu da União da Ilha?
Paulão - Eu saí da União da Ilha, infelizmente, por política da antiga diretoria. Eu concorri na eleição do seu Alfredo Fumaça, e, como perdi, ele resolveu me tirar da diretoria, alegando que eu iria atravessar a bateria por não ter ganho a eleição. Esquecia ele que eu sou o mestre Paulão, consagrado há muitos anos, com vários Estandartes de Ouro e jamais faria isso com a minha escola

Obatuque.com -Como foi a experiência no carnaval em São Paulo?
Paulão - Foi a melhor possível. Estive em São Paulo nos três últimos anos e fui Estandarte de Ouro um ano, ganhei todos os prêmios no outro e no último carnaval fui sucesso. Graças a Deus hoje em São Paulo eu sou sucesso.

Obatuque.com -Como foi ficar afastado da União? A comunidade sentiu muito sua falta?
Paulão - Bom, aí a comunidade é que tem que responder a essa pergunta. Eu senti muita falta da minha escola de coração, e sofri vendo de longe a destruição da União.

Obatuque.com -Você sentiu diferença na bateria enquanto esteve afastado?
Paulão - Quem ficou no meu lugar tentou modificar uma coisa que não tinha modificação. Normalmente, quando você pega uma obra bem elaborada você não tem que modificar essa obra. Se ela é bem retificada, se ela é formosa, se ela é bem feita... Tentando modificar, modificaram para pior, infelizmente. Agora estamos voltando, botando a Ilha no lugar que ela merece, botando a bateria da forma que ela é. A bateria da Ilha tem uma característica que vai voltar a apresentar a partir deste ano, com a volta do Paulão.

Obatuque.com -E como foi o reencontro com a União nesta sua volta? Não só com a bateria, mas com a escola em si?
Paulão - Hoje estou muito feliz com a minha volta, porque as pessoas me receberam muito bem. Elas estão vendo que o trabalho que estou fazendo já modificou toda a estrutura da bateria. Hoje mesmo, nesta festa, chegaram ainda pouco duas pessoas que nem conheço e vieram me parabenizar, dizendo que estão voltando pra escola por que estou voltando pra bateria e sabem que a bateria vai ser um sucesso.

Obatuque.com -Quais são as novidades que você disse que a bateria da escola vai apresentar? Paradinhas, coreografia dos ritmistas...?
Paulão - Coreografia tem que ter, porque quem inventou a coreografia na Sapucaí foi o mestre Paulão, que com a bateria da Ilha foi o primeiro a fazer, o primeiro o ter coragem, entendeu? Hoje há várias outras baterias fazendo, mas o primeiro foi mestre Paulão. E paradinha é habitual, é o nosso natural.

Obatuque.com -Como surgiu a idéia da paradinha com coreografia que vocês fizeram no “Abrakadabra” (1994), quando toda a bateria parou e começou a marcar o compasso batendo com as baquetas umas nas outras?
Paulão - Aquilo surgiu de uma falha no nosso ensaio. Eu cortei a bateria pra ser feita uma convenção. O repique teria que fazer a chamada e não fez. Ficou aquele espaço de tempo, e no tempo certo o repique chamou de novo a bateria pra voltar ao ritmo. Aí, resolvemos criar alguma coisa naquele espaço. Então criamos a batida da baqueta. Neste ano tem batida de baqueta, tem tamborim entrando no meio da bateria e também tem uma série de novidades pra marcar a volta do mestre Paulão.

Obatuque.com -Você sempre disse que suas paradinhas não são aleatórias, são em cima da marcação do samba. Você acha que as paradinhas das outras escolas são aleatórias ou são em cima da marcação do samba?
Paulão - Quem sou eu pra analisar o trabalho de outras pessoas... Sei que as minhas paradinhas são exatamente em cima da melodia do samba-enredo, tanto que as minhas convenções de tamborim são o solo da melodia. Esse aí é o segredo do mestre Paulão. Só quem faz isso é mestre Paulão: bordar a melodia do samba-enredo.

Obatuque.com -Tem diferença a cadência da bateria no Grupo Especial e no Grupo de Acesso?
Paulão - O samba é o mesmo, tanto no Grupo de Acesso quanto no Grupo Especial. A Ilha não vai mudar nada em termos de cadência do samba. Vai mudar, sim, em termos do que foi feito nos últimos três anos. Vamos voltar com a característica da escola, com o nosso show de bateria, com as nossas coreografia. E teremos novidades em termos de coreografia.

Obatuque.com -Parte da bateria da Ilha costuma sair noBoi. Com a subida do Boi para o Grupo de Acesso, e com a queda da União, como anda isso?
Paulão - Olha, o que é União da Ilha é União da Ilha, e o que é Boi é Boi. Alguns componentes desfilam na União da Ilha e no Boi. Tá...Não faço muita objeção a isso. Mas acho o seguinte: que quando estiverem desfilando comigo, desfilem com alma, com garra, com satisfação e com determinação, que é o principal. Agora, quem quiser desfilar lá no Boi, que desfile. Eu não fico enciumado com isso.

Obatuque.com -A bateria vai com quantos ritmistas para a avenida?
Paulão - Vem com 220 ritmistas. No Grupo de Acesso não é necessário uma bateria muito grande. Houve cortes por que estamos fazendo um trabalho de renovação. Então estamos podendo selecionar bem as pessoas que vão desfilar.

Obatuque.com - A sua madrinha de bateria, Dayse Nunes, vai voltar com você?
Paulão - Com certeza, porque ela sente nossa falta e nós sentimos a falta dela.

Obatuque.com -Como é feito o trabalho com os novos ritmistas da União da Ilha?
Paulão - Com essa minha volta, estou criando uma nova bateria da União da Ilha. Estamos com uma escolinha todas as terças-feiras. Hoje já tenho trinta componentes que freqüentavam a escolinha e que estão fazendo parte da nossa bateria da União. Então estamos formando, aos poucos, uma nova bateria da escola.

Obatuque.com -Em entrevistas a Obatuque.com, muitos mestres dizem que se espelharam em seu trabalho. Como você vê isso?
Paulão - Olha, fico muito orgulhoso de saber disso, mesmo porque, graças ao bom Deus, minha cabeça é inovadora. Então estou sempre com novidades, estou sempre com coisas novas. Neste ano, por exemplo, nós estaremos no Grupo de Acesso A cheios de novidades na bateria. Graças a Deus eu tenho os guias que me orientam para ir pro lado certo.

Obatuque.com -Quantos prêmios como diretor de bateria?
Paulão - Aqui no Rio foram quatro, mais um em São Paulo. Graças ao bom Deus, mestre Paulão é o único diretor de bateria consagrado com Estandarte de Ouro tanto no Rio quanto em São Paulo.

Obatuque.com -Em São Paulo estão pedindo para você voltar. Fale um pouco sobre isso.
Paulão - O problema é o seguinte: eu saí de São Paulo porque senti necessidade de ajudar o atual presidente da União da Ilha, que é o Peixinho. Na minha candidatura ele me apoio, então senti necessidade de apoiá-lo nesta última eleição. Como ele ganhou a eleição, voltei para o Rio, mas o presidente da escola lá em São Paulo (Unidos do Peruche) está muito chateado comigo por eu ter largado a escola dele. Mas se Deus quiser eu estarei de novo lá no ano que vem. Na Peruche, na Leandro de Itaquera ou em outra escola, mas com certeza estarei de volta à São Paulo

Obatuque.com -Um momento marcante na avenida?
Paulão - Houve vários desfiles através desses anos todos. “Abrakadabra” foi um grande desfile. “Sonhar com Rei Dá João” (1990), “A Viagem da Pintada Encantada” (1996), “Festa Profana” (1989), todos foram grandes desfiles da União da Ilha e todo ano, graças a Deus, quando termina o desfile o povo consagra nossa bateria.

Obatuque.com -O instrumento que você mais gosta de bater ?
Paulão - Eu, Paulão, gosto de tocar é a caixa de guerra.

Obatuque.com -Um samba que você e sua bateria gostariam de ter batido?
Paulão - “Domingo”, da União da Ilha (1977).

Obatuque.com -Quem foi o mestre naquele desfile?
Paulão - João Sérgio.

Obatuque.com -O Obatuque.com agradece a atenção dispensada pelo mestre Paulão e deseja sorte a ele e à União da Ilha no desfile.

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