Durante a Noite dos Campeões promovida pela União da Ilha do Governador em homenagem aos vencedores de samba-enredo do carnaval de 2003, OBatuque.com encontrou a porta-bandeira Irinéia, vencedora do prêmio Samba-Net de Melhor Porta-Bandeira do Grupo de Acesso A em 2002. Atualmente sem escola, Irinéia conversou com nossa reportagem, contando um pouco de sua história e de seus planos caso não surja convite para defender algum pavilhão em março na Marquês de Sapucaí.
OBatuque.com
– Qual a sua idade? Onde nasceu? E onde mora atualmente?
Irinéia – Eu tenho 23 anos. Nasci na Tijuca,
onde morei no morro de São Carlos, no Estácio, e hoje moro em
Duque de Caxias.
OBatuque.com – Como surgiu seu gosto pelo samba? E
como se descobriu porta-bandeira?
Irinéia – Desde os seis anos de idade eu desfilava
na Mangueira do Amanhã. Tanto meu pai como minha mãe eram sambistas.
Meu pai era passista do Salgueiro e minha mãe desfilava na Unidos de
São Carlos, que hoje é a Estácio de Sá. Daí
começou o gosto pelo samba. E a oportunidade de ser porta-bandeira
surgiu pelo fato de meu pai ser diretor de um bloco em Duque de Caxias. Eu
assistia e achava muito bonita aquela dança. Acabei me entusiasmando
e procurei entrar pra escola (de porta-bandeira) do Manoel Dionísio.
E, por acaso, vim na Ilha participar do concurso de casais, mesmo o Manoel
Dionísio não gostando que a gente disputasse vagas sem a indicação
dele. Antes eu desfilava na Unidos do Cabral, lá de Cachambi. Mas no
concurso a Harmonia era totalmente diferente e o Arizinho, diretor na época,
me qualificou para o posto de segunda porta-bandeira, junto com a Marluce,
que era muito conhecida no mundo do samba, ao contrario de mim, que tinha
pouco tempo e não tinha padrinho. Mas acabei ficando como segunda porta-bandeira.
Hoje não estou na escola, infelizmente, mas meu sonho é continuar
fazendo o que eu gosto.
OBatuque.com – Como foi a sensação de
desfilar a primeira vez no Grupo Especial? E depois, a responsabilidade de
levar o 1º pavilhão da escola?
Irinéia – O Grupo Especial é muito difícil,
especialmente para quem desfila pela primeira vez. Desfilei a primeira vez
em 2000 pela União da Ilha e tive muita dificuldade com a roupa. Tinha
30 quilos acima do meu peso e eu tendo que administrar aquilo tudo. No segundo
ano, eu tive que dançar com dois mestres-sala. Foi o último
ano da Ilha no Especial. Dancei com o Eduardo, que atualmente é o primeiro
mestre-sala da Santa Cruz, e com o Guga, que está na Inocentes da Baixada,
e foi muito difícil porque eu que tinha que determinar o trabalho.
E no terceiro ano, já no grupo de Acesso A, o Fumaça, que era
o presidente, determinou que eu seria a primeira porta-bandeira e ia dançar
com um grande mestre-sala, o Paulo Roberto, mas em cima da hora ele teve que
viajar, já que seria melhor financeiramente para ele, e eu dancei com
o Jorginho, que venceu o concurso realizado pela escola. E acabou dando tudo
certo na avenida.
OBatuque.com – E a emoção na hora de
entrar na avenida?
Irinéia – Nossa Senhora, você perde a
noção de tudo! Você dá tudo de si, tantos meses
de ensaios e quando entra, não tem jeito. É ali, é a
vera e agora. Você tem que simplesmente fazer o seu melhor. Mesmo quando
fui segunda nos dois primeiros anos, eu sabia que se acontecesse alguma coisa
com a Ana Paula (primeira porta-bandeira da União da Ilha em 2000/2001),
eu tinha que entrar e me sair muito bem, já que o Fumaça sempre
falava que queria ter sempre duas porta-bandeiras em primeiro nível.
A responsabilidade era muito grande.
OBatuque.com – Você recebeu alguma premiação
nesses primeiros anos?
Irinéia – Eu tive uma premiação
que foi muito importante pra mim. Quando a União da Ilha desceu para
o Acesso A (2001) eu era a porta-bandeira da escola. E em determinado momento,
com a saída do Paulo Roberto, eu não tinha um mestre-sala -
que só chegou vinte dias antes do carnaval. Eu ensaiei e lutei muito
para que não acontecesse nada de errado. Tive dificuldades com minha
roupa no desfile, já que choveu muito ano passado e tive que arrancar
metade da fantasia, senão não teria como entrar na avenida.
A roupa estava literalmente caindo. Com toda aquela dificuldade no Grupo de
Acesso A - eram doze escolas disputando uma vaga - eu consegui passar, toda
ferida, muito machucada, na cintura e nos ombros, mas não estava confiante
em tirar a nota máxima. Na avenida eu não prestava atenção
em mais nada, só sei que as pessoas viram, ao longo do desfile, uma
borboleta, não sei se era uma borboleta ou uma viúva, como chamam,
só sei que parecia ser uma grande borboleta preta que me acompanhou
do início ao fim do desfile e todo mundo viu, menos eu. Minha mãe
viu, as pessoas que trabalharam junto comigo viram e a minha roupa era uma
borboleta. Isso tudo me impressionou muito. E acabei conseguindo a nota máxima
para a escola. Em todo o Grupo de Acesso A somente quatro casais conseguiram
nota máxima e ganhei a premiação de melhor porta-bandeira
do Samba-Net, o que foi muito importante pra mim, porque passamos naquela
avenida molhada, cheios de problemas com a roupa e ainda assim conseguimos
nos superar.
OBatuque.com – Você destaca uma porta-bandeira
que tenha lhe servido de exemplo?
Irinéia – Eu tenho um exemplo muito grande.
Hoje em dia ela não é mais porta-bandeira, é a Ivone.
Ela foi porta-bandeira da Unidos da Ponte há muito tempo e eu me espelhava
muito nela. Quando a via dançando eu prestava muita atenção.
Eu queria muito ser porta-bandeira e tinha que superar uma polêmica,
já que as pessoas diziam que não podia ser porta-bandeira porque
eu dançava na ponta do pé. E não é assim. Então
eu tinha muita admiração por ela.Ela desfilou na Unidos da Ponte
e na Grande Rio.
OBatuque.com – Onde veremos a Irinéia no carnaval
2003?
Irinéia – Eu fui convidada para desfilar no
abre-alas da Porto da Pedra, no abre-alas da Tuiuti e no abre-alas da Santa
Cruz, mas essa não é a minha praia. Eu sou porta-bandeira e
não vou mudar. Até que surja alguma coisa que seja financeiramente
boa pra mim. Por enquanto, não devo passar o carnaval aqui. A menos
que surja algum problema e eu seja convidada. Senão estareiu indo para
a Espanha, vou trabalhar por lá.
OBatuque.com – Sempre com o samba?
Irinéia – Claro. O samba é minha vida.
Não tem como viver sem o samba. Faço parte de um grupo que elabora
shows de mulatas e, além disso, nossa empresária monta espetáculos
de axé, lambada, pagode, entre outros. E a gente faz esse show por
toda a Europa.
OBatuque.com – O jornal OBatuque.com agradece à
Irinéia e deseja boa sorte nessa nova caminhada.
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