ACADÊMICOS DO SALGUEIRO

1954

Enredo: Romaria à Bahia
Autores: Abelardo Silva, Duduca e José Ernesto Aguiar

Festa amada e adorada
abençoada pelo Senhor do Bonfim
Ouvia-se o cateretê
cantavam porque
esta festa tornou-se assim
Carnaval, fantasia
lindas festas, de romaria
apresentamos o que acontece na Bahia
Lá-rá-lá-lá-rá-lá-lá-rá-lá
Lá-rá-lá-lá-rá-lá-lá-rá-lá
Lá-rá-lá-lá-lá-rá-lá-rá-lá-rá
ô, ô, Bahia
é a terra do coco
e da boa baiana do acarajé!
Ô, ô, ô, Bahia
é a terra do samba
e de gente bamba
e do candomblé
Bahia, Bahia,
orgulho desta nossa melodia
Desde o tempo do Imperador
que esta festa se glorificou
a maior que ainda existe
até hoje na Bahia
Por isso, em nosso enredo de carnaval
prestamos esta homenagem
à terra santa da São Salvador
Vejam, nossas baianas
cantam assim:
Salve a Bahia
e o Senhor do Bonfim

1955

Enredo: Epopéia do Samba
Autores: Bala, Duduca e José Ernesto Aguiar

Exaltando
a vitória do samba em nosso Brasil
recordamos
o passado de infortúnio, quando o qual surgiu
porque não queriam chegar à razão
eliminar um produto genuíno de nossa nação
Foi para a felicidade do sambista
que se interessou pelo nosso samba
o eminente Doutor Pedro Ernesto Batista
que hoje se encontra no reino da glória
mas deixou na terra
portas abertas para o caminho da vitória
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
A epopéia do samba chegou
Foi em nossa antiga Praça Onze
que os sambistas de fibras
lutaram para vencer
uniram Salgueiro, Mangueira
Portela, Favela, Estácio de Sá
resolveram resistir
até a vitória chegar
Hoje o nosso samba é feliz
em qualquer parte do mundo
nós podemos cantar
lá-lá-iá, lá-iá, lá-iá, lá-iá
contra o samba ninguém lutará

1956

Enredo: Brasil, fonte das artes
Autores: Djalma Sabiá, Éden Silva e Nilo Moreira

És Brasil, fonte das artes
cheio de riquezas mil
e os nossos selvagens
já se faziam notar
depois veio a civilização
as academias dando nova formação
à filosofia rudimentar
Hoje temos obras de talento
que vêm de longínquas eras
temos artes antigas e modernas
Brasil, Brasil, Brasil
fonte das musas, és tu, Brasil
o sonho, a glória e a vida
tesouro das artes reunidas
Exaltamos nossos mestres brasileiros
que até por outros mestres estrangeiros
foram invejados, com apoteoses laureados
tiveram exaltado seu valor
imitado no produto do seu labor
Brasil, Brasil, Brasil
fonte das musas, és tu, Brasil
o sonho, a glória, a vida
tesouro das artes reunidas

1957

Enredo: Navio negreiro
Autores: Djalma Sabiá e Armando Régis

Apresentamos
páginas e memórias
que deram louvor e glórias
ao altruísta e defensor
tenaz da gente de cor
Castro Alves, que também se inspirou
e em versos retratou
o navio onde os negros
amontoados e acorrentados
em cativeiro no porão da embarcação
com a alma em farrapo de tanto mau-trato
vinham para a escravidão
Ô-ô-ô-ô-ô
No navio negreiro
o negro veio pro cativeiro
Finalmente uma lei
o tráfico aboliu
vieram outras leis
e a escravidão extinguiu
a liberdade surgiu
como o poeta previu
Ô-ô-ô-ô-ô
Acabou-se o navio negreiro
não há mais cativeiro
(apresentamos)

1958

Enredo: Exaltação aos Fuzileiros Navais
Autores: Djalma, Carivaldo da Mota e Graciano Campos

Já vens exaltando em teu seio
há um século e meio
o auriverde pendão do Brasil
Ajudaste a Nação a crescer
dela hás de ser
sentinela varonil
por ela nunca fracassaste jamais
e temo um exemplo em cada dia
em teu garbo e valentia
Corpo de Fuzileiros Navais
tua força pioneira
da Marinha Brasileira
Lá-rá-lá-rá-lá-rá-lá-lá-rá-lá-rá-lá-lá-lá-lá-rá-lá-rá-lá-rá-lá-rá-rá-lá-rá
E por isto neste aniversário
te felicitamos
homenagem aos teus bravos prestamos
na tomada de Sebastopol
e por ato de heroísmo sem escol
no coração do Brasil repousa
o nome imortal do Sargento Cosme de Souza

1959

Enredo: Viagem pitoresca e histórica ao Brasil
Autores: Djalma Sabiá e Duduca

Obras de vulto e encantos mil
legou Debret
às nossas belas-artes, ao Brasil
Pintou
com genial saber
para sua era reviver!
Foi na verdade um grande artista
primaz documentarista
do Brasil colonial
tendo alcançado a galeria imortal
Retratou nativas maravilhas e coisas mil
série de acontecimentos nacionais
viajando através do Brasil...
Seu patrimônio histórico
hoje nos traz
o tempo imperial, revelando o valor do pintor
que exaltou a nossa vida nacional.
Lá-lá-lá-lá-lá-lá

1960

Enredo: Quilombo dos Palmares
Autores: Noel Rosa de Oliveira e Anescar Rodrigues

No tempo em que o Brasil ainda era
um simples país colonial
Pernambuco foi palco da história
que apresentamos neste carnaval
Com a invasão dos holandeses
os escravos fugiram da opressão
e do jugo dos portugueses
Esses revoltosos
ansiosos pela liberdade
nos arraiais dos Palmares
buscavam a tranqüilidade
Ô-ô-ô-ô-ô-ô
Ô-ô, ô-ô, ô-ô
Surgiu nessa história um protetor
Zumbi, o divino imperador
resistiu com seus guerreiros em sua Tróia
muitos anos, ao furor dos opressores
ao qual os negros refugiados
rendiam respeito e louvor
Quarenta e oito anos depois
de luta e glória
terminou o conflito dos Palmares
e lá no alto da serra
contemplando em sua terra
viu em chamas a sua Tróia
e num lance impressionante
Zumbi no seu orgulho se precipitou
lá do alto da Serra do Gigante.

Meu maracatu
é da coroa imperial.
É de Pernambuco,
ele é da casa real.

1961

Enredo: Vida e obra de Aleijadinho
Autores: Juca, Duduca e Bala

Foi genial
realizou
maravilhas sem igual
e de real valor
incomparável na escultura nacional
empolgando o nosso Brasil colonial
Ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô
Antônio Francisco Lisboa
Aleijadinho
o imortal
ultrapassou a sua dor
com a arte escultural
Foi o marco inicial da escultura nacional
projetando o Brasil
no conceito mundial
Este grande brasileiro
de rude formação
legou ao Brasil e ao mundo inteiro
o barroco brasileiro
nas cidades de Congonhas, Vila Rica, Sabará
e outras mais
Lá-lá-lá-lá, lá-lá-lá-lá, lá-lá-lá
Revivemos a época
deste filho de Minas Gerais

1962

Enredo: O descobrimento do Brasil
Autores: Geraldo Babão

É lindo recordar
a nossa história com seus trechos importantes
assim como o Descobrimento
do nosso torrão gigante
No dia nove de março do ano de 1500
deixaram o cais do Tejo em Portugal
treze caravelas
comandadas por Pedro Álvares Cabral
Após navegar vários dias
afastando-se da costa
evitando as calmarias
finalmente, no dia 22 de abril
Pedro Álvares Cabral descobriu
a nossa Pátria Idolatrada
dando o nome de Ilha de Vera Cruz
depois Terra de Santa Cruz
Lá-rá, lá-rá, lá-rá-lá-rá, lá-rá, lá-rá, lá-rá, lá-rá-lá
Lá,  lá-rá, lá, lá-rá, lá-rá, lá, rá-lá, rá-lá, lá-rá, lá, rá
Trazia Cabral em sua frota
homens de conhecimento
entre eles destacamos Pero Vaz de Caminha
que foi um grande talento
E o diário de viagem, ele mesmo escreveu
o autor da carta histórica
que o mundo inteiro conheceu
Quanta beleza se encerra
nesta linda terra de encantos mil
recordamos mais um trecho de glória
da História do Brasil

1963

Enredo: Chica da Silva
Autores: Noel Rosa de Oliveira e Anescar Rodrigues

Apesar
de não possuir grande beleza
Chica da Silva
surgiu no seio
da mais alta nobreza

O contratador
João Fernandes de Oliveira
a comprou
para ser a sua companheira

E a mulata que era escrava
sentiu forte transformação
trocando o gemido da senzala
pela fidalguia do salão

Com a influência e o poder do seu amor
que superou
a barreira da cor
Francisca da Silva
do cativeiro zombou ô-ô-ô-ô-ô
ô-ô-ô-ô-ô-ô-ô

No Arraial do Tijuco
lá no Estado de Minas
hoje lendária cidade
seu lindo nome é Diamantina
onde nasceu a Chica que manda
deslumbrando a sociedade
com orgulho e capricho da mulata
importante, majestosa e invejada

Para que a vida lhe tornasse mais bela
João Fernandes de Oliveira
mandou construir
um vasto lago e uma belíssima galera
e uma riquíssima liteira
para conduzi-la
quando ia assistir
à missa na capela

1964

Enredo: Chico Rei
Autores: Geraldo Babão, Djalma Sabiá e Binha

Vivia no litoral africano
um régia tribo ordeira
cujo rei era símbolo
de uma terra laboriosa e hospitaleira

Um dia, essa tranqüilidade sucumbiu
quando os portugueses invadiram
capturando homens
para fazê-los escravos no Brasil

Na viagem agonizante
houve gritos alucinantes
lamentos de dor
Ô-ô-ô-ô, adeus, Baobá
Ô-ô-ô-ô-ô, adeus, meu Bengo, eu já vou

Ao longe Ninas jamais ouvia
quando o rei, mais confiante
jurou a sua gente que um dia os libertaria

Chegando ao Rio de Janeiro
no mercado de escravos
um rico fidalgo os comprou
para Vila Rica os levou

A idéia do rei foi genial
esconder o pó do ouro entre os cabelos
assim fez seu pessoal

Todas as noites quando das minas regressavam
iam à igreja e suas cabeças lavavam
era o ouro depositado na pia
e guardado em outro ligar de garantia
até completar a importância
para comprar suas alforrias

Foram libertos cada um por sua vez
e assim foi que o rei
sob o sol da liberdade, trabalhou
e um pouco de terra ele comprou
descobrindo ouro enriqueceu

Escolheu o nome de Francisco
ao catolicismo se converteu
no ponto mais alto da cidade Chico-Rei
com seu espírito de luz
mandou construir uma igreja
e a denominou
Santa Efigênia do Alto da Cruz!

1965

Enredo: História do Carnaval Carioca
Autores: Geraldo Babão e Valdelino Rosa

Recordando a história do carnaval
sob o comando do Rei Momo
abrimos o desfile tradicional.

O povo abrilhantando
o festival de alegria
retratando trajes típicos de uma época
Entrudo em sensacional euforia
Ranchos, blocos de sujos e sociedades
alegres foliões, aqui relembrados
E o Zé Pereira
pioneiro da folia no passado
corso, tradições antigas
moças e rapazes
em carros decorados
ornamentados por confetes e serpentinas
davam um colorido multicor, ô-ô-ô
traziam a presença de Arlequim
de Colombina e Pierrô
Bonde é motivo de saudade
conduzia passageiros mascarados
que sambavam e cantavam de verdade
A inesquecível Praça Onze
sempre foi reduto de bamba
glória e consagração
da primeira escola de samba
Os imortais compositores
revivemos seus talentos, seus valores
Hoje reina mais alegria
luz e esplendor
o famoso baile de Veneza
nesta apoteose triunfal
traz sua eterna saudação
ao baile de gala do Municipal
Ricas fantasias
desfilando em passarela
tornam a nossa geografia
muito mais bela
Através destes estandartes
da união das nossa coirmãs
defendendo o mesmo ideal
a soberania da musica nacional
Salve o Rio de Janeiro
seu carnaval, seu quatrocentão
feliz abraço do Salgueiro
à cidade de São Sebastião

Ó abre alas, que eu quero passar
eu sou da Lira, não posso negar
Rosa de Ouro é quem vai ganhar!

1966

Enredo: Amores Célebres
Autores: Bala, Zuzuca e Nilo

Brasil, ó meu Brasil
revivemos neste enredo
seus romances e segredos
suas paixões imortais
o amor de grandes vultos brasileiros
seus lindos nomes altaneiros
revivendo neste carnaval
Caramuru e Paraguaçu
na Colônia eram um poema
amaram sob o signo do amor
com as lágrimas de dor
de Moema.

Em Vila Rica os lindos chafarizes
e os lendários lampiões
as liras de Dirceu tocavam pra Marília
com ternura e sedução
lá-rá-iá lá-rá-ia-lá-rá-rá-iá lá-iá

Em dias de setembro
com a Independência em flor
emoldurando a aquarela do Brasil
o mais famoso amor
cheio de encantos
irradiantes de esplendor
os olhos da Marquesa dos Santos
e o coração do nobre imperador

E revivemos com glória
a quarta história de amor
foi na Bahia de São Salvador
Castro Alves, poeta imortal
falou de seu amor em poesia
pelo amor de Eugênia Câmara divinal

Lá-iá lá-lá-iá-lá-rá-iá-lá-rá-lá-iá-lá-iá-iá

1967

Enredo: História da Liberdade no Brasil
Autor: Aurinho da Ilha

Quem por acaso folhear a História do Brasil
verá um povo cheio de esperança
desde criança
lutando para ser livre varonil.

O nobre Amadeu Ribeiro
o homem que não quis ser rei
o Manoel, o Bequimão
que no Maranhão
fez aquilo tudo que ele fez

Nos Palmares
Zumbi, o grande herói
chefia o povo a lutar
só para um dia alcançar
Liberdade

Quem não se lembra
do combate aos Emboabas
e da chacina dos Mascates
do amor que identifica
o herói de Vila Rica

Na Bahia são os alfaiates
escrevem com destemor
sangue, suor e dor
a mensagem que encerra o destino
de um menino

Tiradentes, Tiradentes
o herói inconfidente, inconfidente
Domingos José Martins
abraçam o mesmo ideal

E veio o Fico triunfal
contrariando toda a força em Portugal
Era a Liberdade que surgia
engatinhando a cada dia
até que o nosso Imperador
a Independência proclamou

Ô-ô, oba, lá-rá-iá, lá-rá-iá-iá
Oba, lá-rá-iá, lá-rá-iá!

Frei Caneca, mas um bravo que partiu
em seguida veio o 7 de abril
no dia 13 de maio
negro deixou de Ter senhor
graças à Princesa Isabel
que aboliu com a Lei Áurea
o cativeiro tão cruel

Liberdade, Liberdade, afinal
Deodoro acenou
está chegando a hora
e assim quando a aurora raiou
proclamando a República
o povo aclamou

1968

Enredo: Dona Beja, a feiticeira de Araxá
Autor: Aurinho da Ilha

Certa jovem linda, divinal
seduziu com seus encantos de menina
o Ouvidor Geral
Levada a trocar de roupagem
numa nova linhagem
ela foi debutar
Na Corte, fascinou toda a nobreza
com seu porte de princesa
e seu jeito singular
Ana Jacinta, rainha das flores
dos grandes amores
dos salões reais
com seus encantos e suas influências
supera as intrigas
e os preconceitos sociais
Era tão linda, tão meiga, tão bela
ninguém mais formosa que ela
no reino daquele Ouvidor
Ela com seu trejeito reticente
fez um reinado diferente
na corte de Araxá
e nos devaneios da festa de Jatobá
Mas antes, com seu trejeito feiticeiro
traz o Triângulo Mineiro
de volta a Minas Gerais
e até o fim da vida
Dona Beija ouviu falar
e seu nome figurar
na história de  Araxá

1969

Enredo: Bahia de todos os deuses
Autores: Bala e Manuel Rosa

Bahia, os meus olhos estão brilhando
meu coração palpitando
de tanta felicidade.
És a rainha da beleza universal
minha querida Bahia
muito antes do Império
foste a primeira capital

Preto Velho Benedito já dizia
felicidade também mora na Bahia
tua história, tua glória
teu nome é tradição
Bahia do velho mercado
subida da Conceição

És tão rica em minerais
tens cacau, tens carnaúba
famoso jacarandá
terra abençoada pelos deuses
e o petróleo a jorrar

nega baiana
tabuleiro de quindim
todo dia ela está
na igreja do Bonfim, oi
na ladeira tem, tem capoeira
zum, zum, zum
zum, zum, zum
capoeira mata um!

1970

Enredo: Praça Onze, carioca da Gema
Autores: Duduca e Romildo Souza Bastos


És carioca da gema
digna de um poema
Ó Praça Onze
eterna capital
do nosso samba brasileiro
tradição do carnaval
Nas madrugadas em festas
boêmios esqueciam serestas
para compor com um grupo de batuqueiros
iluminados pela luz de candeeiros
Tia Ciata
que era bamba pra valer
não desprezava um pagode
antes do dia amanhecer

Oi, abre a roda, meninada
que o samba virou batucada
Pau pau-pereira
pau pereira ingratidão
todo pau o vento leva
só o pau-pereira não

1971

Enredo: Festa para um rei negro (Pega no Ganzê)
Autor: Zuzuca

O lê lê, ô lá lá
Pega no ganzê (bis)
Pega no ganzá

Nos anais da nossa História
Vamos relembrar
Personagens de outrora
Que iremos recordar
Sua vida, sua glória
Seu passado imortal
Que beleza
A nobreza do tempo colonial

O lê lê, ô lá lá
Pega no ganzê (bis)
Pega no ganzá

Hoje tem festa na aldeia
Quem quiser pode chegar
Tem reisado a noite inteira
E fogueira pra queimar
Nosso rei veio de longe
Pra poder nos visitar
Que beleza
A nobreza que visita o gongá

O lê lê, ô lá lá
Pega no ganzê (bis)
Pega no ganzá

Senhora dona-de-casa
Traz seu filho pra cantar
Para o rei que vem de longe
Pra poder nos visitar
Esta noite ninguém chora
E ninguém pode chorar
Que beleza
A nobreza que visita o gongá

O-lê-lê, ô-lá-lá...

1972

Enredo: Nossa madrinha, Mangueira querida
Autor: Zuzuca

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Em noite linda
Em noite bela
Viemos à avenida
Desfilar em passarela

O batizado será lembrado
Pelo Salgueiro de agora
Alô Laurindo, alô Viola
Alô Mangueira de Cartola

Tengo-Tengo
Santo Antônio, Chalé (bis)
Minha gente, é muito samba no pé!

Ô ô ô, oh meu Senhor
Foi Mangueira (bis)
Estação Primeira
Que me batizou

1973

Enredo: Eneida, amor e fantasia
Autor: Geraldo Babão

O povo sambando
Cantando a melodia
Salgueiro traz o tema
Eneida, amor e fantasia
A mulher que veio do Norte
Para o Rio de Janeiro
Com idéia genial
Em busca da glória
Na literatura nacional
Expoente jornalista
Suas crônicas são imortais
Foi amiga dos sambistas
Fatos que não esquecemos jamais (coração)
Coração puro e nobre, foi benquista
Entre ricos e pobres
É famoso o seu Baile de Pierrôs
Onde a Colombina procura o seu amor
A escritora de lirismo invulgar
Enriqueceu o folclore nacional
Hoje o mundo a conhece
Através da história do carnaval
E açaí
E tacacá, (bis)
Coisa gostosa lá do Pará

1974

Enredo: O rei de França na Ilha da Assombração (Incredo incriuz)
Autores: Zé Di e Malandro

In credo in cruz, ê ê, Vige Maria
As preta véia se benze, me arrepia

Ô ô ô Xangô
As preta véia não mente, não sinhô (bis)

Não cantaram em vão
O poeta e o sabiá
Na fonte do Ribeirão
Lenda e assombração
Contam que o rei criança
Viu o reino de França no Maranhão

Das matas fez o salão dos espelhos
Em candelabros palmeiras
Da gente índia a corte real
De ouro e prata um mundo irreal

Na imaginação do rei mimado
A Rainha era deusa (bis)
No reino encantado

Na Praia dos Lençóis
Areia, assombração
O touro negro coroado
É Dom Sebastião
É meia-noite, Nhá Jança vem
Desce do além na carruagem
Do fogo vivo, luz da nobreza
Saem azulejos, sua riqueza
E a escrava, que maravilha
É a serpente de prata
Que rodeia a ilha

In credo in cruz, ê ê, Vige Maria
As preta véia se benze, me arrepia...

1975

Enredo: O segredo das minas do Rei Salomão
Autores: Dauro, Zé Pinto, Nininha Rossi, Mário Pedra

Miragem de uma época distante
Mil princesas procuravam descobrir
Do rei Salomão o segredo
Das minas guardadas em terras de Ofir
A rainha de Sabá apareceu
Num cortejo que jamais se viu igual
Com negrinhos que ao rei ofereceu
De olhos verdes, um presente original
Presença feita de mistério
Com fascínio e sortilégio
E da Fenícia veio o rei Iran
Em galeras alcança as terras das amazonas
Que sensação, que esplendor
A natureza em flor (bis)
Com ela numa noite enluarada
Entre cantos e magias
Eis a festa do prazer
O muiraquitã sorte
Este amor mais forte
Que jamais vão esquecer
O sol nascendo vem clarear
O tesouro encantado que o rei mandou buscar (bis)

1976

Enredo: Valongo
Autor: Djalma Sabiá

Lá no seio d’África vivia
Em plena selva o fim da sua monarquia
Terminou o guerreiro
No navio negreiro
Lugar do seu lazer feliz
Veio cativo povoar nosso país
Seguiu do cais do Valongo
No Rio de Janeiro
Com suas tribos chegando
Foi o chão cultivando
Sob o céu brasileiro
Nações Haussá, Gegê e Nagô
Negra Mina e Angola
Gente escrava de Sinhô
Foram muitas suas lutas
Para integração
Inda hoje
Desenvolvendo esta Nação
Sua cultura, suas músicas e danças
Reúnem aqui suas lembranças
O negro assim alcançou
A sua libertação
E seus costumes, abraçou
Nossa civilização

Ô, ô, ô, ô, quando o tumbeiro chegou
Ô, ô, ô, ô, o negro se libertou (bis)

1977

Enredo: Do cauim ao efó, com moça branca, branquinha
Autores: Geraldo Babão, Renato de Verdade

A moça branca é amiga
Não há quem diga que não tenha valor
Só por ser tão boa
Vive assim à toa, sem querer se impor
Ela dá coragem, dá vantagem
Dá inspiração

Não admite
Falta de apetite numa refeição (bis)

No Salgueiro tem

Tem gente que bebe pra esquecer ê ê
Tem gente que sabe beber e comer ê, ê, ê, ê (bis)

Churrasco no Sul
Buchada no Norte
Tutu à milanesa
Com pinga da forte
Comendo Efó
Jerimum com jabá
Feijoada, peixada
Ou o bom vatapá
Tem que ter cachaça. Ela não pode faltar...

... E depois quindim (bis)
E doce de elite com amendoim

A moça branca...

1978

Enredo: Do Yorubá a luz, a aurora dos deuses
Autor: Renato de Verdade

Olorum, ô ô ô
Olorum, ô ô ô

Misto de infinito e eternidade
Também teve seu momento de vaidade
Criou a terra e o céu de Oxalá
Pra gerar Angaju e Iemanjá
E Iemanjá, além de Xangô
Em seu ventre, doze entidades gerou
Pra reinarem pregando a paz e o amor, ô ô ô

Enquanto Oxumaré, com bom gosto e singeleza
Matizava a natureza
Ifá mandou Exu, o mensageiro
Abrir caminhos pelo mundo inteiro

E quando os tumbeiros aportaram
Reis, heróis e deuses de yorubá
Em seu novo mundo aclamaram
Xangô seu pai no Axé-opô-afonjá

E os pretos velhos da Bahia
Ainda seguem seus antigos rituais
Usando a mais pura magia
Nos terreiros de famosos babalorixás

Saruê! Baiana, iorubana
Da saia amarrada co’a paia da cana (bis)

1979

Enredo: O reino encantado da mãe natureza
contra o rei do mal

Autores: Bala, L. Marinheiro, Caíca

Oh! Doce Mãe Natureza
Seus lindos campos
Verdes matas e seu imenso mar
Oh! que beleza... no infinito
O Sol ardente sempre a brilhar
E o revoar da passarada
Bailando neste céu sem fim
Na primavera...
As lindas flores (bis)
Desabrocham no jardim

Mas surgiu o rei do mal
Com a chegada do progresso
Abalando a estrutura mundial
Poluindo nossa terra
Aniquilando o que Deus abençoou
E quem sofre é a Nação
Nesta batalha
Onde não há vencedor

E a Natureza
Com seu cenário multicor (bis)
Refloresce novamente
Com todo seu esplendor

1980

Enredo: O bailar dos ventos, relampejou, mas não choveu
Autores: Zé di Zuzuca, Edinho, Haydée, Moacir Arantes, Pompeu

Salgueiro se apresenta novamente
Saudando o grande povo em geral
Bailando com a pureza dos ventos
Num sonho infinito e colossal
Trazendo de uma terra tão distante
A lenda dos divinos orixás

Eparrei, Iansã, ilumine o dia de amanhã (bis)

A tarde desceu mais cedo
Quando da taça bebeu (bis)
Na caminhada, trovejou mas não choveu

Conta a lenda que a deusa Oyá
Foi aconselhada por Ifá
A buscar a cura em sabadã
Pra Obaluaê se levantar
A borboleta encantada
Enfeitiça a deusa Oyá
Que irada espalha o bem... Oyá
No reino sagrado e salva os orixás

Oxum vaidosa
Querendo Odé conquistar (bis)
Veste riqueza
E consegue se casar

1981

Enredo: Rio de Janeiro
Autores: Buguinho, Henrique Rodrigues Filho, Mauro Torrão

Só você
Enche minh’alma de alegria e prazer
Dá ao Sol o mais sublime amanhecer
Quero lhe abraçar e desejar
Muitos anos de existência
Oh! Meu Rio de Janeiro
Mar aberto sob o sol
Como é belo o seu arrebol!
Quando Estácio de Sá aqui chegou
Em plena natureza com heroísmo lhe berçou
Oh! Bela... formosa... eterna capital...
Do povo carioca tão legal

Lar doce lar que o senhor abençoou
Enchendo o Rio de amor (bis)

E a nobreza lhe abraçou
Na Colônia, na Coroa Imperial
E logo a República chegou
Sempre encantando o seu porte natural
Num turbilhão de luz e cor
A boemia e o alegre carnaval
Mulatas... poesias... e humor
Faz sua vida tão arteira e cultural

Quem pode, pode, se sacode, explode
Se sacode, explode no jogo ô...
Quem pode, pode, veste a fantasia
Ou é só folia o ano todo

1982

Enredo: No reino do faz de conta
Autores: Zedi, César Veneno

Virou, virou
Passarinho de cristal (bis)
Cantou, cantou
E deslumbrou o Carnaval

Se deu no baile mascarado
Que o rei concedeu
Existirá pergunto eu, pergunto eu
Um reino tão rico e feliz que o meu
Lá vai o rei, lá vai, na carruagem
De corcéis alados fazer a viagem
Montado no dragão, o anjo bom lhe ouviu
Com ele ao encantado seguiu
Ficou, ô ô, maravilhado
Com o rei Sol e o palácio dourado
O anjo pediu-lhe atenção
E do faz de conta transpôs o portão, larará
Vibrou extasiado
Ao ver a Lua no seu reino prateado

Clareia o coche dos leões
É de ioiô, é de ioiô, rei dos trovões (bis)
Pai Xangô, seu oxé
Justiceiro de reino de quem tem fé

Que singeleza olhar
Anfritite e Netuno, imenso mar
O polvo de prata, que beleza
Guardião da realeza
Sublime véu
O arco-íris levando água pro céu
Rainha fada, oi, serpente magia
Corra Cinderela, vai raiar o dia
No reino de cristal, pediu não percebeu
E a fonte dos desejos lhe atendeu

1983

Enredo: Traços e troças
Autores: Celso Trindade e Bala

Eu sou o Rio e rio à toa
Só rio de quem me impede de sorrir
A minha pena não tem pena nem perdoa
Mexe com qualquer pessoa
Ela quer se divertir
Será que a política não vai me censurar?
Já sei, certos momentos não se pode criticar!
Gozar, traçar, ferir
Fazendo de novo meu povo feliz
Riscando aquilo que ele não diz

Bota a banca na avenida
Edição especial (bis)
Olha aí o jornaleiro
A piada está com sal

Caricatu-rindo
Virando a tristeza pelo avesso
A arte irradiou
Com um raio de luz de humor
A melindrosa, Amigo da Onça, almofadinha
Cantando em louvor ao artista
Caricaturista, revista e jornal

O Carnaval é a maior caricatura
Na folia, o povo esquece a amargura (bis)

1984

Enredo: Skindô, skindô
Autores: David Corrêa e J. Macêdo

O quem vem de mim é pra rolar
Amor, raiou o dia
A noite trouxe o meu cantar
Enfeitado o luar da Bahia
Foi um vento tão menino
Que soprou o meu destino pelo mar
Vim de terra tão distante
Sou o negro mais amante, Skindô ô ô ô ô
Ô ô ô ô ô ô ô, a vida fica mais feliz, meu amor
A folha nasce da raiz, Skindô
O samba é a flor
Ca, ca, cadê
Cadê meu agogô (bis)
Mandei buscar o quê
Pra eu bater pra ioiô
Só por amar, querer sambar
Meu peito é um clarim de poesia
Um arco-íris nos meus olhos
Brilha a noite como o dia
Pandeiro, surdo, cavaco, ganzá
Me pega, me deixa ficar, ô iaiá
Roda, o meu Salgueiro
Roda e vem mostrar
O canto de quem ama, acende a chama
Viajando no meu doce olhar, ô ô ô
Oiá, oiá
Água de cheiro pra ioiô (bis)
Vou mandar buscar
Na fonte do senhor

1985

Enredo: Anos trinta, vento Sul - Vargas
Autores: Bala, Jorge Melodia eJorge Moreira

Soprando forte do Sul
Um ciclone feiticeiro
Venta pelos anos trinta
E traz Vargas, o mago justiceiro
Veio cumprir nobre missão
E mudar o destino da nossa nação
(No palácio...)
No palácio das Águias foi o senhor
Levantando o povo trabalhador
Do solo fez jorrar o negro ouro
E a usina do aço
Transformou em um tesouro
Ô ô ô ô ô
Getúlio Vargas (bis)
O guerreiro vencedor

(Apagou...)
Apagou a chamada rebeldia
E afirmou a nossa soberania
Deu vida à justiça social
Criou leis trabalhistas
E a tranqüilidade nacional
Com punho forte e decisão
Esmagou a trama da traição
Mandou nossos heróis além mar
Para as forças do mal derrotar
Na fantasia, do folclore do nosso povo
Festejava as vitórias no Estado Novo
Pensando no progresso da nação
Fez a moeda subir de cotação
Sucumbiu após a sanha traiçoeira
E da carta derradeira
O povo fez sua bandeira

Rufam os tambores
Do Salgueiro (bis)
Exaltando Vargas
O grande estadista brasileiro

1986

Enredo: Tem que se tirar da cabeça aquilo que
não se tem no bolso - Tributo a Fernando Pamplona

Autores: Jorge Melodia, Paulo Emílio, Bicho de Pena e Marcelo Lessa

Um dia eu fui Zambi
Rei de Palmares
Araponga na voz
Estandarte na mão
Tiê-Sangue no olhar
E o meu cinzel raiava a aurora
Jeremias, João, Daniel, Abraão
Fiz em pedra sabão
Já bebi, sambei com Chico Rei
Ouro nos cabelos
E no Carnaval com o Tenentes do Diabo
Cavalguei o alazão da liberdade

Vamos gingá, camará
Vamos gingá (bis)
Tira da cabeça
O que do bolso não dá

Ô Ana...
Ô Ana Jacintha
Eu quero te beijar
Turmalina feiticeira de Araxá
Me leva pra Bahia
Saravá Ogum, Kaô Xangô, Ave Iemanjá
Fui sambar na Praça Onze
Lá no terreiro da Ciata
Fui parar bem longe
Com o rei negro no congá
As bandeiras no varal, no varal
Manga rosa mangueiral, mangueiral
Do angú à saideira
Gostosa é a cozinha brasileira

O Salgueiro chegou
Na terra de Iorubá (bis)
O Salgueiro brilhou
No céu de Oxalá

1987

Enredo: E por que não?
Autor: Didi, Bala e Cezar Veneno

Se um dia o mundo acordar
(E vai acordar)
Verá, verá, verá
Uma luz brilhando no horizonte
E vai se transformar
Verá que tudo pode acontecer
Sorrir, sem nunca precisar chorar
Virar... um passarinho
E fazer no mundo
E por que não (por que não?)
Um belo ninho

Venham ter felicidade
Salgueirando a humanidade (bis)

Amanhã
É raio de luz agora

Vai à luta
O que deve ser teu será (bis)

O chapéu de palha
O quererê (bis)
Suor no rosto
E um chão para viver

O paraíso está na terra
E por que não acreditar
É acabar com as guerras
E vamos viver de amar

1988

Enredo: Em busca do ouro
Autor: Arizão, Alaor Macedo, Rolando Medeiros, Jorginho da Cadeira, Gilberto Tobias, Buguinho, Henrique do Salgueiro, Mauro Torrão e Rixxa

Minha fantasia vale ouro
Meu tesouro se espalha na avenida
Vem de Midas o exemplo
Esta ambição antiga
Negros de ofício e artistas
Fizeram do barroco opção
Xangô todo banhado em ouro? Chico Rei
Na festa da libertação

A saga da lavoura do café... é é...
A viga mestra da falida economia
É festa, sinhazinha, vem dançar
Os feitores vão chegar
Juntos com a fidalguia

"Bantô"... "D'angolo"...
Criolô, muito axé... (bis)
Eis o milagre do café

Um dia na Bahia apareceu
Cascatas de ouro negro
Meu mano entregando o que é seu
Em troca, presente grego
Interesses ocultos
O sangue da terra sugou
Baianas, Monteiro Lobato
Herói literato
O petróleo salvou
E hoje do ouro de fato
O sonho dourado foi o que restou
Serra Pelada já está nua
Mas minha alegria continua

Nem de ouro, nem de prata
O Cruzado tanto fez que virou lata (bis)

1889

Enredo: Templo negro em tempo de consciência negra
Autor: Alaor Macedo, Helinho do Salgueiro, Arizão, Demá Chagas e
Rubinho do Afro

Livre ecoa o grito dessa raça
E traz na carta
A chama ardente da Abolição
Oh! Que santuário de beleza
Um congresso de nobreza
De raríssimo esplendor
Revivendo traços da história
Estão vivos na memória
Chica da Silva e Chico Rei
Saravá os deuses da Bahia
Nesse quilombo tem magia
Xangô é nosso pai, é nosso rei

Ô Zaziê, ô Zaziá
Ô Zaziê, Maiongolê, Marangolá (bis)
Ô Zaziê, ô Zaziá
Salgueiro é Maiongolê, Marangolá

Vai, meu samba vai
Leva a dor, traz alegria
Eu sou negro sim
Liberdade e poesia
E na atual sociedade
Lutamos pela igualdade
Sem preconceitos sociais
Linda Anastácia sem mordaça
O novo símbolo da massa
A beleza negra me conduz
Viemos sem revolta e sem chibata
Dar um basta nessa farsa
É festa, é Carnaval, eu sou feliz

Ê baianas
O jongo e o caxambu vamos rodar (bis)
Salgueirar vem de criança
O centenário não se apagará

1990

Enredo: Sou amigo do rei
Autores: Alaor Macedo, Arizão, Demá Chagas, Pedrinho da Flor e Fernando Baster

Vim, meu amor
De uma era medieval
Para brincar, oi, o Carnaval
A folia tomou conta da cidade
A ordem do rei é cantar
Sou menestrel do divino
A poesia já vem me contagiar
Os doze pares de França
Se trançam em busca do mesmo ideal
Cristãos e mouros se lançam
Na luta do bem e do mal
Lagedo sagrado
O rei Congo aqui chegou
Pra ser coroado
Neste "Reino de Xangô"

Tumba lá e cá, é Moçambique
Tumba lá e cá, rainha ginga (bis)

Hoje os sertões se manifestam
Cariri, pageú, siridó (siridó, siridó)
É de couro e prata a coroa
Fidalgos de minha casa real (o lugar é divinal)
Tabuleiro de xadrez
Mesa de baralho
Zumbi, louvado seja o ritual
Pastorinhas brilham neste festival
E as bandeiras colorindo o visual

O Salgueiro é
Pra quem tem fé (bis)
No gingado das baianas
Vem, meu povão, diz no pé

1991

Enredo: Me Masso se não passo pela Rua do Ouvidor
Autores: Sereno, Luiz Fernando, Diogo


Eu vou
Vou daqui pra lá
E de lá pra cá, oi
Vou sorrindo
Essa Rua do Ouvidor
Virou caso de amor
Do meu Rio
A moda do francês
Ganhou freguês
Na fidalguia

Jornais
Contavam fatos e boatos do lugar (bis)
Para alegria popular

Rua do Ouvidor
Agora entendo seu papel
Desviou do mar
E virou Torre de Babel
Romances divinais
Os Carnavais
E a poesia
Ficou,
Da carne seca à Norte Dame de Paris
A nostalgia
De um Rio que era mais feliz
E hoje, eu sei
Da velha rua que não esqueci
Meu Salgueiro faz
Enredo na Sapucaí

Da primeiro de março
Falta um passo
Pra Ouvidor
E no samba faltava
Esse traço
De amor

1992

Enredo: O negro que virou ouro nas terras do Salgueiro
Autores: Bala, Efealves, Preto Velho, Sobral e Tiãozinho do Salgueiro

História
Beirando a poesia
Lenda, sonho e fantasia
Abissínia, Arábia
A natureza é tão sábia
Um quê de malícia
Trouxe esta delícia ao Pará
Dizem então, dizem então
Que foi a terra
O sol, este luar
Que o fez se apaixonar por este chão
E se espalhar feito um mar

Da cor da raça
Cheiro e sabor (sabor) (bis)
Gostoso como um beijo de amor

O ciclo do café era a riqueza
Fausto e luxo da nobreza
E suor da escravidão
Sonso, vira vício e rotina
Filosofia de esquina
Cafezinho no balcão
Tem até quem admite
Que ele dá bom palpite
Na loteria popular
Cadê o bom café, foi viajar
Onde andará... Eu sei lá!

Soca no pilão
Preto velho mandingueiro (bis)
O negro que virou ouro
Lá nas terras do Salgueiro

1993

Enredo: Peguei um Ita no Norte
Autores: Demá Chagas, Arizão, Bala, Guaracy e Celso Trindade

Lá vou eu...
Me levo pelo mar da sedução
Sou mais um aventureiro
Rumo ao Rio de Janeiro
Adeus, Belém do Pará
Um dia volto, meu pai
Não chores pois vou sorrir
Felicidade o velho Ita vai partir

Oi no balanço das ondas... Eu vou
No mar eu jogo a saudade... amor (bis)
O tempo traz esperança e ansiedade
Vou navegando em busca da felicidade

Em cada porto que passo
Eu vejo e retrato, em fantasias
Cultura, folclore e hábitos
Com isso refaço minha alegria
Chego ao Rio de Janeiro
Terra do samba, da mulata e futebol
Vou vivendio o dia-a-dia
Embalado na magia
Do seu carnaval

Explode coração
Na maior felicidade (bis)
É lindo o meu Salgueiro
Contagiando, sacudindo essa cidade

1994

Enredo: Rio de lá pra cá
Autores: Celso Trindade, Demá Chagas, Bala, Arizão e Guaracy

Meu Rio, que é um Rio de alegria
Transborda de felicidade (e vem mostrar)
Vem mostrar as tradições
O jeitinho dessa gente
E da Coroa Real
Sua beleza, seus festejos e encantos
Germinou nos quatro cantos
Sementes de amor
De lá pra cá o Rio se glorificou

Virou mar de poesia
Bate forte coração (bis)
Sou carioca
Salgueirense, sou povão

Rio Cidade Maravilhosa
Já cantada em verso e prosa
Cartão postal do meu Brasil
Rio, da mulata e do pagode
Futebol e samba forte
Como Explode Coração...
(Tá na boca do povão)
Num abraço te envolver
Rio és razão do meu viver

Balança, oi balança
Chegou a hora do Salgueiro sacudir (bis)
Deixar essa cidade louca
Com água na boca na Sapucaí

1995

Enredo: O caso do por acaso
Autores: Márcio Paiva, Adalto Magalha, Eduardo Dias e Quinho

Navegando, ô, nesse mar eu vou
(Eu vou, eu vou, eu vou)
Caravelas portuguesas
O comercio e a riqueza
D. João proporcionou
Vento forte, timoneiro rumo à sorte
A África ele conquistou
Sereias e serpentes
Lendas envolventes
O sonho se realizou
Colombo está contente
Descobre um continente
E Duarte se encantou

Amor, amor, quem foi, quem foi
Que descobriu o meu Brasil (bis)
Pois o tratado eu sei que existiu

Viajando foi às Índias
Vasco da Gama, o navegador, foi quem comandou
O acordo foi fechado
E novamente a Europa desfrutou
Então Cabral partiu, oficializou
Rezaram a missa como o rei mandou

Me leva que eu também vou, eu vou, eu vou
A festa vai começar, vou me acabar
Quero ver você sorrir (bis)
A galera sacudir
Ao ver meu Salgueiro passar

1996

Enredo: Anarquistas sim, mas nem todos
Autores: Márcio Paiva, Adalto Magalha, Eduardo Dias e Quinho

Hoje eu vou cantar
Me acabar nessa canção
Meu Salgueiro em festa vem mostrar
A influência de uma civilização
Do sonho nasce a realidade
Em cada chão de uma cidade
Em cada braço, em cada mão
Itália, fonte da civilidade
Da cultura e da religião
Com sua fé conquistou a multidão
No momento tão divino
O vinho tem a sua tradição
O imigrante veio em busca de riqueza
A colônia virou mito
Nessa terra brasileira

Se liga, meu bem
Vem nessa também (bis)
O Salgueiro faz a "massa"
E não tem pra ninguém

A princesa com a sua união
Trouxe a arte pra delírio da nação
O teatro e o cinema
O sindicato para a profissão
Com o circo a magia, Carnaval é alegria
Sacode meu povão

A nossa emoção tá solta no ar
Vem, meu amor, se acabar (bis)
O meu coração não vai agüentar
Ver essa galera delirar

1997

Enredo: De poeta, carnavalesco e louco... Todo mundo tem um pouco
Autores: Márcio Paiva, Adalto Magalha, Eduardo Dias, Tico do Gato,
Guaracy e Quinho

Vem, vem, vem, vem, vem
Vem nessa onda, amor (amor, amor)
Vou viajando, eu vou, na imaginação
Dos poetas e tradicionais fardões
É gostoso viajar
E no tempo encontrar
A Rainha em seu mundo
Num profundo delirar
Ne tela ou na escultura
Tem arte, também tem loucura
Girassóis invadem a mente
De um artista envolvente
Nossa folia é multicor
Salgueiro encanta a passarela (bis)
As cores são belas, vem ver, meu amor
Alegria da galera
Arte ou será loucura
A busca continua
Em sua liberdade de expressão
Barca, me leva, pelos caminhos do Sol
E do meu sonho eu não quero acordar
Visto a arte em fantasia
Pra fazer meu povo delirar

Eu vou zoar, eu vou
Eu vou pintar com você, amor (bis)
Enlouquecendo esta cidade
Salgueiro é felicidade

1998

Enredo: Parintins, a ilha do Boi Bumbá - Garantido e Caprichoso
Autor: Paulo Onça

Alô você, alô, do boi bumbá!
Vem salgueirar, vem salgueirar, vem salgueirar
Vem garantir, ioiô; vem caprichar, iaiá
A lenda vida do folclore está no ar
São dois pra lá, ê boi!
São dois prá cá
Dança nativa dos Parintintins
Que maravilha
Explosão na Ilha dos Tupinambás
Mostrando para o mundo inteiro
Hoje o meu Salgueiro é folclore popular

Bate tambor, cunhá poranga
É puro fogo no ar
Gira meu boi, meu boi bumbá (bis)
Um lado azul, outro vermelho
As cores do festival
É Garantido, é Caprichoso o Carnaval

Um duelo na floresta
Veio de longe o meu boi-bumbá
Entre rituais nativos, magias e lendas
Ao som do tamurá
Esse é o Brasil cultural
Raça mestiça e amor
Mostrando seu visual no Carnaval
Nossa cultura é assim
O nosso povo é de fé
Vem pro Salgueiro se banhar de axé

Eu sou índio e só sei amar
Uso arco e flecha, na cabeça um cocar (bis)
Banho de cheiro de patchouli
Olha o Salgueiro na Sapucaí

1999

Enredo: Salgueiro é sol e sal nos 400 anos de Natal
Autores: Celso Trindade, Demá Chagas, Eduardo Dias, Líbero e Quinho

O Rei Sol a brilhar
Clareia meu amor, clareia
Encantou meu olhar
Vagando neste manto de areia
Com a colonização deu início a expansão
Que maravilha!!!
Seu forte é o marco dessa terra
Tem o sal que lhe tempera
O ar é pura sedução

Tem jangadas no mar
Mareia meu amor, mareia (bis)
Eu vou deitar e rolar
Gostoso é deslizar na areia

Oh! Natal
Meu Deus do céu
Eu nunca vi tanta beleza
Obra da mãe natureza
Cartão postal do meu Brasil
Do turista que se encanta a delirar
Nesta festa popular
Salgueiro é o sol que irradia
Nesta dia de folia
E faz aqui seu "Carnatal"

É sol, é sal, é paixão, amor...
Natal é pura emoção, vem brindar ô
Bate na palma da mão (bis)
A festa vai começar
São quatro séculos de história pra contar

2000

Enredo: Sou rei, sou Salgueiro, meu reinado é brasileiro
Autores: Fernando Baster, J.C. Couto, João da Valsa, Touro, Wander Pires

Senhor, olhai por nós
Iluminai este momento
Os nossos corações
E as emoções estão ao vento
Navegando o passado
Nas águas do meu pensamento
E hoje...
A história vem mostrar
A transmigração da realeza
Chegando à Bahia, trazendo luxo e riqueza
E no Rio de Janeiro, a corte veio encontrar
No carioca maneiro, um povo festeiro a comemorar

Roda baiana bonita
Vem no balanço do mar (bis)
O teu sorriso clareia meu olhar

Mudando o rumo da economia, meu Rio seria
A grande atração comercial... Gira, gira capital
Dom João está sorrindo
Curtindo seu reinado tropical
Nova estrutura, arte e cultura
E veio a coroação
Criou-se um legado de artistas
Que ao mundo encantou
E nessa caravela futurista
Sou mais um sambista, me leva, que eu vou
Vou brincar com meu amor...
Vou brincar com meu amor, eu vou que vou
Nessa viagem de alegria, Salgueiro eu sou (bis)
Parabéns, meu Brasil
Vem comigo, arrebenta bateria

2001

Enredo: Salgueiro no mar de Xarayés, é Pantanal, é Carnaval
Autores: Augusto, Zé Carlos do Saara, Rocco Filho e Nego

Um sonho me levou
Com o Salgueiro a navegar
Na chalana da ilusão
Pelo mar de Xarayés...
Linda aquarela
Fui ao Império do Sol
Por pedras encravadas pelo chão
Caminho da paz e da cultura
Que uniu as civilizações
E a passarela vira um mar de amor
Canta Salgueiro (bis)
E o Pantanal vai dando um show de cor
Enfeitiçando o mundo inteiro
Heróicos Guaycuru
Um galopar de liberdade
Um dia o Pantanal chorou... chorou... chorou
E floresceu brasilidade
Lá se vai o predador
E a cobiça do invasor
Pantaneiro canta e dança
Num mar de felicidade
Conta lendas castelhanas
Me embala neste teu sonhar... Teu sonhar
Sinto a falta do teu cheiro
É gostoso teu tempero (bis)
Oh! Morena... Morená
Voa... Voa tuiuiú... Beleza!
Deixem em paz a arara-azul e a natureza (bis)
O Salgueiro na avenida é emoção
A voz mais alta em nome da preservação

2002

Enredo: Asas de um sonho, viajando com o Salgueiro, o orgulho de ser brasileiro
Autores: Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney Sã, Claudinhoe Nego

O sonho está no ar, vai decolar
Com o Salgueiro
Dando asas à imaginação
Alcançou a imensidão
O orgulho de ser brasileiro
Este sonho foi de Ícaro
Renasceu em Da Vinci
Pipas chinesas, aves de papel
Era mais leve que o ar
Nos balões a flutuar
Cruzava mares, dirigível pelo céu

Hoje eu vou salgueirar, da avenida voar
Com a bandeira do meu país (bis)
Vou com Santos Dumont
Tirando onda em Paris

Surgiram heróis pioneiros
Que marcaram história na aviação
Com a tecnologia romperam o espaço
Barreira do som
Riscando o céu vermelho
Estende o tapete, lá vem meu Salgueiro
Herdeiro do ar, comandante da folia
Tamanho orgulho te cantar na academia

Vou zoar
Nem melhor, nem pior, amor (bis)
O Salgueiro vai eternizar
Vida e vôo de um sonhador

2003

Enredo: Salgueiro, minha paixão, minha raiz - 50 anos de glórias
Autores: Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney Sã e Claudinho


Orgulho é viajar em sua história
No ar, o aroma de café
"Tecer" 50 anos, quanta glória
Desta raiz, nasceu samba "no pé"
"Morro" de amores e saudades...
"Embriaga" de felicidade,
"Conserva" o valor e a tradição
De unir fé e bandeiras numa só "religião"

Salgueiro, vermelho,
Balança o coração da gente
Guerreiro, é de bambas um celeiro
Apenas uma escola diferente

Porto pro navio negreiro,
Viajou com Debret pelo Brasil
Quilombo, exaltou o orgulho negro
Xica da Silva já te seduziu
História em carnaval, bênção da Bahia
Rei Negro e Rei da França
Coroaram a academia
Da magia fascinante à brilhante sedução
Das minas do Rei Salomão

Explode coração, é tanta emoção
Que embarcar na alegria, eu vou
É a consagração da minha paixão
Renovando a cada dia, amor

2004

Enredo: A Cana que aqui se planta, tudo dá... Até energia. Álcool – o combustível do futuro
Autores: Leonel, Luizinho Professor, Serginho 20, Sidney Sã e Professor Newtão


Salgueiro produz alegria
Caminha descrevendo nossa terra
Veio da Índia inspiração para o cultivo
Que dava fim a liberdade do nativo
Terra de fartura coberta de cana
Canaã, por natureza
Mascavo, açúcar escravo
Branco toque refinado
Da cobiça holandesa

Academia é doce o seu cantar
Verde eldorado, o encanto "deste lado"
Solo fértil pro samba germinar

Pelo tempo, adoçou a economia
Com a evolução ganhou outro sabor
O álcool, o progresso movia
Coisa que caminha nem imaginou
E mesmo sem destronar o ouro negro
Já desvendaram seus segredos
O nosso jeito de abastecer
Sonho vê-lo enfim em seu reinado
Meio ambiente preservado
Conquistado o "espaço" infinito alvorecer

A cana que aqui se planta tudo dá
Dá samba até o dia clarear
O combustível do futuro é brasileiro
Energia que hoje embala o meu Salgueiro

 


SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO

SALGUEIRO