Wantuir de Oliveira
Tavares, o Wantuir, mineiro de Belo Horizonte, não tinha nem um ano
de idade quando veio para o Rio, que adotou como sua cidade natal. Ovelha
negra de uma família evangélica, começou como percussionista
das bandas de Dominguinhos do Estácio, da saudosa Jovelina Pérola
Negra, Reinaldo e Marquinhos Satã. Em 1987 cantou com Dominguinhos,
na Estácio, “O Ti-Ti-Ti do Sapoti”, permanecendo por anos
na antiga São Carlos. Passou também pela Imperatriz e pela Viradouro.
Depois foi convidado a cantar na Acadêmicos do Cubango como intérprete
oficial, se transferindo, mais tarde, para a Porto da Pedra.
“Na Porto da Pedra cantei ‘...Endiablado eu tô, eu tô,
eu tô...E vou sacudir...’ (“Um Carnaval dos Carnavais -
A folia no mundo”, 1996)”, conta Wantuir. “Cantei também
‘Eu canto, eu pinto, eu bordo, Sapucaí é a tela, Porto
da Pedra enlouquece a passarela...’ (“No reino da folia, cada
louco com sua mania”, 1997). Logo depois, ‘...Vamos acender a
luz, é pra já, chega de maracutaia...’ (“Samba no
pé e mãos ao alto, isto é um assalto!”, 1998)”.
Após essas passagens como intérprete no Rio de Janeiro, Wantuir
foi convidado pela Vai-Vai para defender o samba em São Paulo, onde
se sagrou campeão em 1999. “O refrão era assim: ‘...Na
virada do milênio, a paz renascerá, clareia deixa clarear...’”,
canta. Voltando ao Rio de Janeiro, defendeu a Tradição em 2000
(“Liberdade! Sou Negro, Raça e Tradição”),
cantou na Unidos da Tijuca sambas em homenagem a Nelson Rodrigues (“Tijuca
com Nélson Rodrigues pelo Buraco da Fechadura”, 2001) e depois
à Língua Portuguesa (“O sol brilha eternamente sobre o
mundo de língua portuguesa”, 2002). Na escola do Borel ele só
lamenta não ter cantado o belo samba “O Dono da Terra”,
em 1999.
Atualmente Wantuir participa do pagode no Rei do Bacalhau e Clube dos Quinhentos,
na quadra da Império Serrano, participa do Pagodão do Comércio
às sextas-feiras, juntamente com Jackson Martins, intérprete
da Caprichosos de Pilares. “Agora estou na Império, com muita
honra, e o refrão é assim: ‘Uma prova de amor, perdão,
uma grande paixão, amor, a esperança é que me conduz,
onde houver trevas que se faça a luz’.” Um refrão
que poderá acender ainda mais as luzes da Império Serrano e
levantar a Sapucaí, embalado pela garra da comunidade da Serrinha e
pela excelente voz de Wantuir.
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