a Imperio Serrano

Neide Dominicina de Queiroz, mais conhecida como Dona Neide, presidente da Império Serrano. Nascida no Rio de Janeiro em 1941, começou seus estudos no Colégio El Salvador. Anos mais tarde ingressou na faculdade, se formando em Emfermagem. Antes de chegar à presidência da escola, Neide passou por todos os setores, sendo até mulata. Hoje, como presidente, sofreu preconceito dos machões. Ela nos conta com exclusividade sua trajetória.

Obatuque - Quando começou no samba?
Dona Neide - Sempre gostei de carnaval. Quando criança, desfilava em blocos. Desfilei nos Decididos de Quintino, Aliados de Quintino e Aliança de Quintino. Infelizmente, existia aquele preconceito das famílias em relação ao samba, então nós íamos para os ranchos. Sempre gostei de samba e um dia descobri que meu pai freqüentava a Império Serrano. Eu vinha aqui escondida. Minha mãe, que era italiana, descobriu e me impediu por ser perigoso, era muita preocupação. Aos 16 anos me casei e não deu certo. Depois que me formei em Enfermagem fui trabalhar, e no trabalho conheci uma pessoa, que hoje é minha amiga. Com ela reclamava que meu atual marido ia muito à Mocidade e me deixava sozinha. Então essa amiga me trouxe para a Império, e foi tudo pra mim. Hoje estou aqui há 36 anos. O primeiro mestre-sala da escola é meu filho, o Claudinho, e a porta-bandeira é minha neta Fabiana. Comecei no abre-alas, que antigamente era no chão. Fui a Miss Elegância da escola. Foi nessa época que meu carnavalesco atual, Ernesto Nascimento, que era o diretor de Carnaval, me convidou para trabalhar com ele. Comecei na diretoria, onde estou até hoje. Só não trabalhei na diretoria do Sr. Oscar Lino, mas não fiquei fora da escola. Já fiz de tudo um pouco aqui, já fui até mulata, e agora sou presidente.

Obatuque - Houve preconceito dos homens?
Dona Neide - Houve preconceito dos machões, mas tiveram que me engolir. Eu cheguei por desafio. Me desafiaram, me disseram que eu não tinha capacidade, depois de fazer tudo que fiz pela escola. As pessoas me falavam: “Neide, você já ajudou a tanto presidente, agora é a sua hora”. Depois de tudo isso que passei, será que eu não aprendi?

Obatuque - Como está o projeto de reforma da quadra?
Dona Neide - Recebemos a visita do ex-ministro da Cultura, Francisco Weffort, no ano passado, na Festa de Encontro da Velha Guarda Show. Estava muito calor e eu havia feito uma rabada que entrou pra história. Todos comeram e começaram a suar, dá pra imaginar como ficou a quadra. O ministro falou que ia me ajudar a fazer a climatização. As obras estão começando, como você pode ver. Estará pronta daqui a dois meses. O novo ministro, Gilberto Gil, veio aqui para dar continuidade ao projeto. Este projeto está orçado em R$ 300,00. Também recebi do ex-ministro Francisco Dornelles um kit de máquinas industriais e dois kits de cozinha industrial. Depois do carnaval iremos começar cursos com garçons, cozinheiras e cursos de corte e costura.

Obatuque - A Império está tendo algum gasto?
Dona Neide - Não. A Império não está gastando nada. Temos um parceiro.

Obatuque - Como a Império Serrano consegue seus recursos?
Dona Neide - Com o dinheiro da Liesa. Não censeguimos patrocinador. Nosso carnaval é feito como muita garra, muito amor e muita força de vontade de querer realizar.

Obatuque - Quando termina seu mandato?
Dona Neide - Se Deus quiser, em maio de 2005.

Obatuque - Por que “se Deus quiser”? A senhora é candidata à reeleição?
Dona Neide - Não. Já é meu segundo mandato e pelo estatuto não posso mais me candidatar. Mas estarei aqui colaborando, porque sou imperiana até morrer.

Obatuque - Quanto vai ser o gasto da escola no carnaval deste ano?
Dona Neide - É difícil falar com exatidão. Aproximadamente R$ 2.000.000,00. Agora, eu vou ficar devendo, isso é certo. Eu tenho que apresentar o carnaval e não tenho medo. A escola está com 32 alas e deve vir com 4.200 componentes.

Obatuque - Com quantas alas de comunidade virá a escola?
Dona Neide - Cinco. Sem contar bateria e baianas. Não adianta, a comunidade é a que canta e vibra, por isso tenho que fazer um pouco mais de sacrifício.

Obatuque - Quais os projetos para a comunidade?
Dona Neide - Assim que passa o carnaval, nós temos vários projetos na quadra. Aulas de cabeleireiro, manicure, costura, cursos de inglês e informática.

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