O Batuque.com
– Quantos anos você tem? Onde nasceu? E onde está morando
atualmente?
Wander Pires – Eu tenho 30 anos, nasci em Padre Miguel,
aquela área ali, Bangu, Realengo, e continuo morando entre Bangu e
Padre Miguel.
O Batuque.com – Você exerce alguma outra atividade
profissional, além do seu trabalho como intérprete da Grande
Rio? A gente sabe que você tem uma carreira como cantor…
Wander Pires – Tenho minha carreira, canto, faço
meus shows e estamos preparando mais um CD, que já está com
quase um ano de trabalho. E também estudo música, canto, gosto
muito de minhas aulas de natação e violão. E tenho o
projeto também de retomar meus estudos, logo após o carnaval
deste ano.
O Batuque.com – Quando você começou sua
carreira de cantor? E quando ocorreu o pulo para o mundo do carnaval?
Wander Pires – Já começou no samba. Minha
carreira de cantor começou através de meu pai, Manelão,
que me passou o nome “Pires”. Nós começamos no Bloco
Carnavalesco Grilo de Bangu, onde meu pai foi presidente na época.
Foi um grande incentivo, um pulo pra gente aprender e foi uma escola para
mim. O Bloco Grilo, lá em Rio da Prata, foi o meu professor no mundo
do samba.
O Batuque.com – O termo puxador de samba o incomoda?
Wander Pires – Não. Não me sinto nem um pouco ofendido.
Eu sinto até orgulho de ser conhecido como tal.
O Batuque.com – Na escolha do samba-enredo, você
acha importante que a direção da escola leve em consideração
o estilo de canto do intérprete? Ou você acha que o intérprete
tem que ter condições de se adequar ao samba depois que vem
pra ele?
Wander Pires – Eu já interpretei sambas que
realmente foram difíceis de interpretar. Mas graças a Deus,
Ele me iluminou e sambas que eu pensava que não iam ficar legais até
ficaram. Mas sou da opinião de que o samba deve estar de acordo. A
diretoria da Grande Rio se importou muito com isso, e escolheu esse grande
samba que está tendo esse resultado maravilhoso que você viu
hoje.
O Batuque.com – O samba mais cadenciado seria o seu
estilo preferido?
Wander Pires – A Grande Rio já é uma
escola cadenciada. O samba cadenciado é o meu preferido.
O Batuque.com – Quem foi - ou quem é - o seu
grande ídolo entre os intérpretes no samba do Rio de Janeiro?
Wander Pires – Eu gosto muito do Jamelão, mas
no samba-enredo eu gosto dele e do Neguinho. E meu ídolo é o
Neguinho.
O Batuque.com – Por quais escolas desfilou?
Wander Pires – Desfilei na Mocidade, onde fui nascido
e criado. Comecei lá em 1994. Fiquei ainda um ano no Salgueiro, um
ano na Ilha, voltei pra Mocidade ano passado e este ano vim pra Grande Rio,
onde pretendo ficar e não sair mais.
O Batuque.com – Tem um ano que tenha marcado mais?
Um grande momento ou um grande samba?
Wander Pires – Tem o ano em que a Mocidade foi campeã
(1996), foi um momento muito feliz. Teve o Estandarte de Ouro, que foi um
sonho que consegui realizar. Para mim, foram estes os dois momentos marcantes.
Não posso deixar de citar o desfile da Ilha, que foi um grande desfile
para mim também, apesar de ter acontecido a queda da escola. Mas foi
um ano no qual eu me senti muito à vontade. Eu pretendo fazer a mesma
coisa este ano também aqui na Grande Rio e, juntamente com a comunidade,
realizar o sonho da conquista do campeonato.
O Batuque.com – Já que você citou a Ilha,
como você, enquanto intérprete de ponta do carnaval carioca,
acostumado à conquista de campeonatos e desfiles das campeãs,
absorveu o impacto da queda da União da Ilha? Como você viveu
momentos tão distintos?
Wander Pires – A gente sempre sente, fica chateado,
magoado, mas eu também estava passando um momento muito tranqüilo,
muito legal e confiante no trabalho que realizei, juntamente com minha equipe.
Mas outros setores da escola, eu não sei o que aconteceu. Apesar da
escola ter descido, estava tranqüilo e de consciência limpa quanto
ao meu trabalho. Tanto que na Quarta-Feira de Cinzas, após o resultado,
eu fui à quadra dar um abraço na rapaziada e fui bem recebido
também. A gente sempre fica chateado, mas tenho consciência de
ter realizado um bom trabalho.
O Batuque.com – Qual o samba de todos os tempos que
você, se tivesse a oportunidade de escolher, gostaria de cantá-lo
novamente na avenida?
Wander Pires – Um samba da Grande Rio, do meu camarada
Mingau, que é “Desperta Brasil” (“Carnaval à
Vista – Não Fomos Catequizados, Fizemos Carnaval”, Mingau,
J. Mendonça e Pedrinho Messias, 2000) e gostaria de, um dia, quem sabe,
fazer um disco com uma coletânea de sambas da Grande Rio ao longo do
tempo.
O Batuque.com – Quantos CDs você já gravou?
Wander Pires – Eu tenho dez sambas do Grupo Especial
gravados, tenho o meu CD “Liga pro Meu Celular”, fiz um disco
com o Neguinho da Beija-Flor, com sambas-enredo, fiz um sozinho também
com sambas-enredo e participei de “Casa de Bamba” e outros projetos,
como “Discoteca do Chacrinha”. E fiz um também muito legal,
lá em São Paulo, com a Gaviões da Fiel.
O Batuque.com – Qual sua expectativa em relação
à nova casa? E o samba de 2003 da Grande Rio? Vai empolgar?
Wander Pires – A Grande Rio tem um ambiente maravilhoso
e eu já me sinto em casa. Apesar de estar ainda no meu primeiro ano
aqui, tudo me diz que vamos fazer um grande casamento e vamos ficar juntos
por muitos anos. Eu tenho certeza disso e rezo a Deus por isso também.
O nosso relacionamento tem sido legal com todos os segmentos da escola. E
o samba também. Respeitando os demais, não dizendo que é
o melhor de todos, senão seria prepotência de nossa parte, mas
é um dos melhores do carnaval 2003 e vamos dar muito trabalho. A comunidade
de Caxias pode levar fé, porque a Grande Rio vai dar orgulho e podem
esperar que a Grande Rio vai buscar realizar esse sonho de conquista do carnaval
do Rio de Janeiro.
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