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o Carnaval 2003
Após o ensaio técnico da Grande Rio em 16 de janeiro, o intérprete oficial da escola de Caxias, Wander Pires, gentilmente bateu um papo com a nossa reportagem.

O Batuque.com – Quantos anos você tem? Onde nasceu? E onde está morando atualmente?
Wander Pires – Eu tenho 30 anos, nasci em Padre Miguel, aquela área ali, Bangu, Realengo, e continuo morando entre Bangu e Padre Miguel.

O Batuque.com – Você exerce alguma outra atividade profissional, além do seu trabalho como intérprete da Grande Rio? A gente sabe que você tem uma carreira como cantor…
Wander Pires – Tenho minha carreira, canto, faço meus shows e estamos preparando mais um CD, que já está com quase um ano de trabalho. E também estudo música, canto, gosto muito de minhas aulas de natação e violão. E tenho o projeto também de retomar meus estudos, logo após o carnaval deste ano.

O Batuque.com – Quando você começou sua carreira de cantor? E quando ocorreu o pulo para o mundo do carnaval?
Wander Pires – Já começou no samba. Minha carreira de cantor começou através de meu pai, Manelão, que me passou o nome “Pires”. Nós começamos no Bloco Carnavalesco Grilo de Bangu, onde meu pai foi presidente na época. Foi um grande incentivo, um pulo pra gente aprender e foi uma escola para mim. O Bloco Grilo, lá em Rio da Prata, foi o meu professor no mundo do samba.
O Batuque.com – O termo puxador de samba o incomoda?
Wander Pires – Não. Não me sinto nem um pouco ofendido. Eu sinto até orgulho de ser conhecido como tal.

O Batuque.com – Na escolha do samba-enredo, você acha importante que a direção da escola leve em consideração o estilo de canto do intérprete? Ou você acha que o intérprete tem que ter condições de se adequar ao samba depois que vem pra ele?
Wander Pires – Eu já interpretei sambas que realmente foram difíceis de interpretar. Mas graças a Deus, Ele me iluminou e sambas que eu pensava que não iam ficar legais até ficaram. Mas sou da opinião de que o samba deve estar de acordo. A diretoria da Grande Rio se importou muito com isso, e escolheu esse grande samba que está tendo esse resultado maravilhoso que você viu hoje.

O Batuque.com – O samba mais cadenciado seria o seu estilo preferido?
Wander Pires – A Grande Rio já é uma escola cadenciada. O samba cadenciado é o meu preferido.

O Batuque.com – Quem foi - ou quem é - o seu grande ídolo entre os intérpretes no samba do Rio de Janeiro?
Wander Pires – Eu gosto muito do Jamelão, mas no samba-enredo eu gosto dele e do Neguinho. E meu ídolo é o Neguinho.

O Batuque.com – Por quais escolas desfilou?
Wander Pires – Desfilei na Mocidade, onde fui nascido e criado. Comecei lá em 1994. Fiquei ainda um ano no Salgueiro, um ano na Ilha, voltei pra Mocidade ano passado e este ano vim pra Grande Rio, onde pretendo ficar e não sair mais.

O Batuque.com – Tem um ano que tenha marcado mais? Um grande momento ou um grande samba?
Wander Pires – Tem o ano em que a Mocidade foi campeã (1996), foi um momento muito feliz. Teve o Estandarte de Ouro, que foi um sonho que consegui realizar. Para mim, foram estes os dois momentos marcantes. Não posso deixar de citar o desfile da Ilha, que foi um grande desfile para mim também, apesar de ter acontecido a queda da escola. Mas foi um ano no qual eu me senti muito à vontade. Eu pretendo fazer a mesma coisa este ano também aqui na Grande Rio e, juntamente com a comunidade, realizar o sonho da conquista do campeonato.

O Batuque.com – Já que você citou a Ilha, como você, enquanto intérprete de ponta do carnaval carioca, acostumado à conquista de campeonatos e desfiles das campeãs, absorveu o impacto da queda da União da Ilha? Como você viveu momentos tão distintos?
Wander Pires – A gente sempre sente, fica chateado, magoado, mas eu também estava passando um momento muito tranqüilo, muito legal e confiante no trabalho que realizei, juntamente com minha equipe. Mas outros setores da escola, eu não sei o que aconteceu. Apesar da escola ter descido, estava tranqüilo e de consciência limpa quanto ao meu trabalho. Tanto que na Quarta-Feira de Cinzas, após o resultado, eu fui à quadra dar um abraço na rapaziada e fui bem recebido também. A gente sempre fica chateado, mas tenho consciência de ter realizado um bom trabalho.

O Batuque.com – Qual o samba de todos os tempos que você, se tivesse a oportunidade de escolher, gostaria de cantá-lo novamente na avenida?
Wander Pires – Um samba da Grande Rio, do meu camarada Mingau, que é “Desperta Brasil” (“Carnaval à Vista – Não Fomos Catequizados, Fizemos Carnaval”, Mingau, J. Mendonça e Pedrinho Messias, 2000) e gostaria de, um dia, quem sabe, fazer um disco com uma coletânea de sambas da Grande Rio ao longo do tempo.

O Batuque.com – Quantos CDs você já gravou?
Wander Pires – Eu tenho dez sambas do Grupo Especial gravados, tenho o meu CD “Liga pro Meu Celular”, fiz um disco com o Neguinho da Beija-Flor, com sambas-enredo, fiz um sozinho também com sambas-enredo e participei de “Casa de Bamba” e outros projetos, como “Discoteca do Chacrinha”. E fiz um também muito legal, lá em São Paulo, com a Gaviões da Fiel.

O Batuque.com – Qual sua expectativa em relação à nova casa? E o samba de 2003 da Grande Rio? Vai empolgar?
Wander Pires – A Grande Rio tem um ambiente maravilhoso e eu já me sinto em casa. Apesar de estar ainda no meu primeiro ano aqui, tudo me diz que vamos fazer um grande casamento e vamos ficar juntos por muitos anos. Eu tenho certeza disso e rezo a Deus por isso também. O nosso relacionamento tem sido legal com todos os segmentos da escola. E o samba também. Respeitando os demais, não dizendo que é o melhor de todos, senão seria prepotência de nossa parte, mas é um dos melhores do carnaval 2003 e vamos dar muito trabalho. A comunidade de Caxias pode levar fé, porque a Grande Rio vai dar orgulho e podem esperar que a Grande Rio vai buscar realizar esse sonho de conquista do carnaval do Rio de Janeiro.

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