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o Carnaval 2003
Um dos mais conceituados mestres de bateria do carnaval carioca, mestre Odilon, da Grande Rio, esteve presente à Noite dos Campeões promovida pela União da Ilha do Governador, dia 19 de janeiro. Muito atenciosamente, Odilon deu uma paradinha na festa para atender à nossa reportagem e conceder a entrevista abaixo, onde promete: “A Grande Rio vai fazer o mar abrir na avenida”.

O Batuque.com - Onde você nasceu? E onde mora atualmente?
Odilon - Nasci na Ilha do Governador, onde ainda moro, mas brevemente vou me mudar para Niterói.

O Batuque.com – Como e quando, ou através de quem, você entrou para o mundo do samba? E quando você assumiu pela primeira vez o cargo de diretor de bateria?
Odilon – Eu comecei na União da Ilha, onde andava muito com o Didi, que é um dos diretores de bateria da União da Ilha até hoje. A amizade com ele me levou para a escola. A data certa quando comecei não lembro bem, mas, se não me engano, foi no samba do compositor Franco em homenagem ao compositor Didi, que dizia: “...Hoje eu vou tomar um porre, não me socorre, que eu tô feliz…” (“De Bar em Bar – Didi, um Poeta”).

O Batuque.com - Então foi em 1991, certo?
Odilon – Deve ser. Data eu sou difícil de gravar.
O Batuque.com - O seu começo no carnaval, então, já foi dentro da bateria? Ou foi componente de ala…?
Odilon – Quando era moleque já gostava de ver samba na televisão. Aí eu achei que ia ser sambista. Quando vim para a União, ainda lá na rua Copiuva, vim direto pra bateria, mesmo sem saber tocar. Mas com o tempo a gente foi aprendendo. Hoje eu acho que aprendi, e vamos por aí tocando a bola.

O Batuque.com - Nesse primeiro momento você até já citou o Didi, mas houve alguma pessoa que lhe serviu como um exemplo? Ou até mesmo um ídolo?
Odilon – Eu gostava muito do Paulo Faquir, que foi diretor de bateria do Boi da Freguesia, ainda um bloco. O Boi tinha a melhor bateria da Ilha. Nem mesmo a União tinha uma bateria tão boa quanto a do Boi. Depois, João Sérgio (que viria a ser mestre de bateria da União) veio pra União da Ilha e trouxe Paulo Faquir, Jaime… E eu gostava muito de ver o comando de Paulo Faquir naquela época. Daí comecei a gostar e me espelhei muito nele.

O Batuque.com - Por quais escolas passou? E quais foram seus melhores resultados?
Odilon – Eu tive bons momentos na Ilha, inclusive com o prêmio Estandarte de Ouro. Não como mestre, como integrante da bateria. Foi um bom momento que passei na escola pela qual eu tenho grande gratidão, gosto muito e é minha escola de coração. Agora, eu tive outros momentos importantes na Beija-Flor, uma escola que tem uma visão do samba diferente. Para mim, é uma das mais organizadas. Se falassem assim: “Odilon, quer voltar para a Beija-Flor?”, eu ia pensar com o maior carinho, porque é uma escola maravilhosa pra se trabalhar. Mas outro momento importante foi quando fui para a Grande Rio e cheguei para ganhar o Estandarte de Ouro logo no segundo ano. Quer dizer: se ganhei com só dois anos na escola é porque o trabalho foi bem feito e reconhecido.

O Batuque.com - Esses momentos do Estandarte do Ouro são seus momentos inesquecíveis na avenida? Ou existem outros marcantes?
Odilon – Teve também o Troféu Manchete, que até já acabou, mas graças a Deus eu ganhei o meu como melhor mestre de bateria na avenida, e a bateria que ganhou foi a da São Clemente. O prêmio acabou, só eu que tenho e acabei ficando absoluto, não desmerecendo os amigos que também merecem. Foi um grande momento esse troféu da Manchete, mas você acaba tendo que citar o troféu do O Globo, já que ele dá maior moral de mídia pra você. E pro sambista é muito bom ter reconhecimento. Mas eu vou falar uma coisa pra você: prefiro muito mais ganhar a nota 10 do que ganhar um troféu. Penso sempre no melhor resultado para a escola. Graças a Deus eu não preciso aparecer, quem tem que aparecer é a escola. Vamos fazer o 10 trabalhando com a harmonia, levando o canto da escola e garantindo o campeonato.

O Batuque.com - Como foi sua chegada na Grande Rio? E a receptividade pela direção e pela comunidade da escola?
Odilon – Toda chegada de um diretor numa nova escola é muito difícil. As pessoas estão ainda com as manias do antigo diretor, cada um tem sua opinião. Mas graças a Deus, hoje, você vai na Grande Rio e eu sou tirado como ídolo deles. No ano passado colocaram um diretor de bateria no meu lugar, já que eu queria descansar. Infelizmente, não deu certo. Rapidamente me chamaram e falei que não queria, precisava descansar. Mas a bateria foi tão vibrante pra me chamar de volta... E na quadra, quando voltei, a bateria fez um recepção das mais lindas. Eu sinto um calor humano muito grande na Grande Rio. Até hoje estou para conhecer todas as comunidades em Caxias, mas todas as pessoas querem me conhecer e eu quero muito tirar um dia pra ir até lá para conhecer toda a comunidade. Eu sou bem humilde, sou gente pra caramba, e quero conhecer essas pessoas que gostam de mim.

O Batuque.com - Em termos de bateria, você sente que seu trabalho pode ser o mesmo em todas as escolas? Ou tem que respeitar as características de cada escola?
Odilon – Vai depender muito da escola. Eu não posso ir pra Mangueira e colocar uma segunda lá. Eu não posso ir na Mocidade e mudar o rítmo de lá, que eu também gosto muito. Eu sou até suspeito pra falar. Como mestre de bateria, sou fã de uma bateria que não é a minha. Eu sou fã do ritmo da Vila Isabel. Já pra fazer uma paradinha na avenida, eu sou fã da Mocidade. A gente tem é que bater palmas pra quem é bom. Ano passado, por exemplo, eu estava na avenida falando para uma rádio lá do Rio Grande do Sul, quando passou a Mocidade e me perguntaram o que eu achava. Eu disse que, se tivesse que dar um prêmio, eu daria pra Mocidade. O comentarista ainda falou que eu ia desfilar no dia seguinte. E respondi que, se merecesse, eu levava, mas por enquanto quem levava é a Mocidade.

O Batuque.com - Qual a sua expectativa para 2003 com a Grande Rio?
Odilon – Estamos com um trabalho muito bonito na Grande Rio. Moisés fez o mar abrir, não? E nós vamos fazer o mar abrir na avenida.

O Batuque.com - Será então esse o grande trunfo da bateria de Caxias na avenida?
Odilon – Com certeza. Nós estamos com cinco paradinhas diferentes pra levar pra avenida, e o importante é que as pessoas ficam discutindo qual é a melhor. Então eu tenho certeza que o público vai gostar muito do nosso trabalho na avenida.

O Batuque.com - Qual o seu recado para os ritmistas e para a comunidade de Caxias?
Odilon – A cada ano que passo em Caxias eu sinto uma admiração muito grande pela comunidade. Respeito muito o carinho que eles têm comigo. Eu queria dizer que amo muito todo o pessoal de Caxias. É um povo humilde, simples e de muita garra e muita fibra. E a bateria... Aqueles caras ali são bons demais! Graças a Deus que eles aprenderam a tocar muito bem e agora estão tocando demais. Ontem mesmo nós fomos fazer um show da escola lá no Monte Líbano e fiquei de espectador. Pô, tinha que ver minha alegria vendo a bateria dando um verdadeiro show e o público geral aplaudindo, e muito! Queira dizer pra eles que adoro a Grande Rio. Não nego que meu coração é União da Ilha, mas hoje estou trabalhando pela Grande Rio, visto a camisa junto com eles e sempre estarei com eles, nunca vou deixar ou abandonar aquele grupo.

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