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o Carnaval 2003
Na noite de 16 de janeiro a Grande Rio realizava mais um eficiente ensaio técnico em sua preparação para o desfile de 2003. O Obatuque.com aproveitou a oportunidade para entrevistar Guilherme Nóbrega, o experiente diretor de Harmonia da escola de Caxias.

Obatuque - Quantos anos você tem? Onde nasceu? E onde mora atualmente?
Guilherme Nóbrega - Primeiramente, gostaria de parabenizar o OBatuque.com, que tem realizado um trabalho muito bonito. Desejo que continuem prestigiando o mundo do samba e que esse jornal na internet se estenda por muitos anos. Minha idade é 51 anos, com muita honra. Moro em Niterói, onde centralizei toda minha vida familiar. E nasci em João Pessoa, na Paraíba. Tenho 44 anos de Rio de Janeiro.

Obatuque - Você tem uma profissão fora do mundo do carnaval?
Guilherme Nóbrega - Eu me orgulho muito de trabalhar numa empresa muito bem estruturada com 1.200 funcionários, ligada ao mundo, com produtos de carnaval, que é O Caçula. Todos conhecem O Caçula, do Marco Antônio e do Tatão, onde faço a parte de relações públicas da empresa junto a todas as escolas de samba, ao lado do Ricardo Simielo. É uma equipe muito unida também na parte de papelaria. Eu me orgulho muito do meu trabalho e já estou lá há dois anos.

Obatuque - Até no seu trabalho você lida com carnaval, já que sua empresa é um grande investidora do carnaval.
Guilherme Nóbrega - Independente de ser um grande investidor do carnaval, O Caçula tem uma grande vantagem que é o preço. Para uma grande escola, que investe, haverá, sem dúvida, uma margem muito grande de economia que poderá investir em outros segmentos da escola.

Obatuque - Quando e como você começou a trabalhar com carnaval e por quais escolas passou?
Guilherme Nóbrega- Eu comecei no carnaval com 21 anos. Estou há trinta anos no mundo do samba. Fiquei 24 anos no Salgueiro e depois fui para a Viradouro, e só tenho a agradecer a essas duas escolas. Graças ao aprendizado que tive nelas, com muita ralação e muita humildade, pude chegar até a Grande Rio, fazendo esse trabalho que você viu hoje, agradecendo muito ao Milton Perácio, diretor de Carnaval, um grande amigo, agradecendo ao Jayder Soares, nosso presidente de honra, ao Helinho, esse grande presidente e administrador, e também ao patrono Leandrinho. Esses me receberam de portas abertas. O Perácio me levou nas comunidades de Caxias, me apresentou às comunidades e a todo o contingente da escola. A diretoria me deu um apoio de público e isso tudo faz a gente trabalhar feliz.

Obatuque - Qual o seu grande momento na Sapucaí? Aquele que você guarda na lembrança?
Guilherme Nóbrega- Eu tive grandes momento na Sapucaí. Felizmente, como diretor geral de Carnaval e de Harmonia, porque eu tive um grande mestre, que foi o mestre Laíla. Trabalhei com ele por dezoito anos e hoje me espelho e sigo meu trabalho. Para mim, o importante é levar o trabalho até o final, mas posso destacar que tenho muito orgulho de, nos últimos onze anos, ter conseguido chegar ao desfile das campeãs. Os 30 anos foram importantes, mas destaco esses últimos onze, sendo campeão duas vezes, com o Salgueiro em 1993 e depois a Viradouro, em 1997. E, se Deus quiser, a Grande Rio vai me fazer campeão em 2003.

Obatuque - Quem são os grandes diretores de Harmonia do passado e do presente?
Guilherme Nóbrega - Para você enaltecer um diretor de Harmonia, você tem que parabenizar a todos os diretores de Harmonia de todas as escolas de samba, essa é uma realidade. Todos trabalham, e é um trabalho muito árduo. Eu tenho um respeito muito grande por todos os que já trabalharam comigo e até me reservo o direito de apenas falar do Laíla porque foi ele, juntamente com mestre Louro, que me ajudou a caminhar. Esse eu faço questão de citar porque foi com quem realmente comecei a caminhar. Eu poderia citar aqui vários diretores, mas vou pedir licença a eles, humildemente, para homenageá-los lembrando apenas do Laíla, já que para mim ele é o grande mestre.

Obatuque - Você foi muito elegante citando o nome do Laíla, até para não desmerecer nenhum outro, já que o Laíla é um ícone em termos de direção de Carnaval e de Harmonia. Em algum momento você teve um problema mais grave? Com outro diretor de Harmonia, algum comentário particular e que depois possa ter se arrependido?
Guilherme Nóbrega -Não, eu sempre procurei, na minha linha de raciocínio, manter uma honestidade de sentimento. Sempre procurei fazer o meu trabalho. Eu não critico ninguém, porque todos temos momentos de vitória, momentos difíceis numa escola de samba. Então, acho que o diretor de Harmonia tem que sempre ser enaltecido, não importa a escola. Todos merecem o mesmo carinho, o mesmo respeito e que cada um possa fazer o seu trabalho. E é isso que o Guilherme Nóbrega faz, o seu trabalho. Agora, a verdade é a seguinte: eu só me espelho em coisas boas. Procuro fazer o meu sempre de forma positiva, nunca fui negativista. Sempre faço meu trabalho de harmonia com muito amor e muito tesão.

Obatuque -Quem é o diretor de Harmonia na escola? E dentre as funções que ele desempenha, qual é a de maior relevância para o desempenho da escola na avenida?
Guilherme Nóbrega -O Wander Pires é o nosso intérprete oficial, o Odilon é o nosso diretor de bateria e os componentes na avenida são responsáveis pelo quesito harmonia. É bom deixar isso bem claro. Eu acho que todo o contingente da Grande Rio, em torno de 4.500 componentes, vão dar nota dez ao quesito, porque vão cantar o samba. Eu acho fundamental hoje, também, você compactar a escola, você olhar o lado da evolução, aproveitando a garra do componente e não inibi-lo, juntamente com o conjunto da escola. Ter domínio nos dezesseis principais pontos da avenida de 580m eu acho que é o desafio principal para o diretor de Harmonia. Além do canto, da escola vir compacta, do conjunto estar perfeito, ele tem que conhecer esses dezesseis pontos principais, e isso eu tenho guardado comigo.

Obatuque - Como é a organização da harmonia da Grande Rio no desfile? É por setores, por alas…?
Guilherme Nóbrega -
Eu encontrei uma Grande Rio muito organizada. O Perácio já vem traçando um trabalho de organização, de chefia de setores. Temos diretores de concentração, diretores para os carros - que é um trabalho muito interessante que a Grande Rio faz. Então, nós não tivemos trabalho para isso. Se você não setorizar a escola, delegar poderes a toda a Harmonia, você não compacta a escola, ela fica desunida, um corre pra cá, o outro corre pra lá e ninguém se entende. Assim não, delegando poderes ajuda muito. Se você tem um espaço de cinco metros para um diretor de Harmonia, aqueles cinco são a Grande Rio na avenida para ele. É fundamental que os diretores sigam tudo o que é delineado, e a Grande Rio está indo para avenida pra isso.

Obatuque - A harmonia da Grande Rio participa das decisões relativas à escolha do samba-enredo?
Guilherme Nóbrega -
Felizmente, eu sempre tive a oportunidade de participar de toda escolha de samba nas escolas por onde passei. Principalmente aqui na Grande Rio, onde foi organizada uma comissão de quinze pessoas. É fundamental que todos os segmentos da escola participem. Baianas, harmonia, velha guarda, bateria….Isso gera autonomia para a escola escolher o samba.

Obatuque - Qual o seu conselho para quem está começando agora em escola de samba o trabalho dentro da harmonia?
Guilherme Nóbrega - Olha, gente, quando comecei no Salgueiro aos 21 anos, eu fui componente de ala, depois diretor de ala e depois fui para a Harmonia. A gente tem que se espelhar nos grandes exemplos das escolas de samba que estão na Sapucaí. Exemplo de humildade, o diretor de Harmonia tem sempre que ser alegre, feliz, passar isso para o componente. Ele tem que cantar, tem que brincar, além de ter pulso e respeitar a comunidade. E isso, para mim, tem sido um dos meus grandes pontos fortes enquanto diretor de Harmonia, já que você vê que no Salgueiro eu só tenho amigos, na Viradouro só tenho amigos e agora, na Grande Rio, só estou fazendo amigos.

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