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Aydano André Motta: um jornalista em defesa dos sambistas

OBatuque.com | Carnavais,Carnaval 2012,Destaques,Diversos,Entrevistas | 9 de agosto de 2011 8:54

Por Wellington Lopes
Fotos: acervo pessoal

Aficionado pelo carnaval, o jornalista Aydano André Motta nasceu em Niterói e ingressou no jornal O Globo em abril de 1992, e passou pelas editorias de cidade e país. Hoje aos 46 anos, integra a equipe da coluna Ancelmo Gois e é o editor do site Ancelmo.com (www.oglobo.com.br/ancelmo). Sua admiração pelos artistas que fazem a festa de Momo é tão grande que o levou a produzir o documentário "Mulatas! Um tufão nos quadris" e a idealizar o seminário “Carnaval, que festa é essa?”, no CCBB-Rio. Crítico da força política que algumas escolas de samba têm, ele sugere mais transparência para não desqualificar o próprio desfile.

 

OBatuque – Quando começou o gosto pelo samba e mais especificamente o carnaval?
Aydano
Minha mãe, Maria da Penha, ex-portelense que hoje ama a Viradouro, gosta muito de samba e me aproximou do carnaval. Comecei a ter o gosto por samba, bateria, passistas… O meu amor pelo carnaval carioca é tanto que eu não gosto de outro carnaval Brasil afora. Hoje, entrevistar o Delegado, da Mangueira, é mágico. Fico honrado em poder falar com essas pessoas. Eu sou encantado pelos artistas do carnaval. E essa paixão ficou mais evidente, quando fui pela primeira vez à Marquês de Sapucaí, em 1988. Fui a trabalho, pelo Jornal do Brasil, cobrir os camarotes. No ano seguinte, o desfile da Beija-Flor, "Ratos e Urubus larguem a minha fantasia", me deixou impressionado, principalmente quando vi o Joãosinho 30 jogando água na passarela. Além de passar a ter admiração pela Beija-Flor, passei também a conhecê-la a fundo, não só no carnaval, mas nos trabalhos sociais e na relação com o povo de Nilópolis. Gosto muito de ir à quadra da Mangueira. Hoje, tenho vários amigos em várias escolas. Então torço para que tudo dê certo. Fiquei triste pelo Salgueiro ter atrasado o desfile deste ano e ter se prejudicado. A Tijuca também, com alguns problemas que a prejudicaram. Tenho tantos amigos passistas na Mocidade que torço para que a escola desfile bem.

OBatuque – O que você achou da nota 9 atribuída à bateria da Mangueira?

Aydano – Ridícula. Os jurados são incoerentes. Eles têm medo atualmente da Beija-Flor e com isso são generosos. Já foi a mesma coisa com a Imperatriz e com a Mocidade. Isso desqualifica o próprio desfile. Este ano, as alegorias da Mangueira estavam pobres, daí tirar um ponto da bateria… Agora, a Beija-Flor tem um puxador que não erra. O casal desfilou sobre óleo na pista e assim mesmo foi bem. É muito difícil escolas grandes caírem, elas têm estrutura e poder político.
 

OBatuque – Você como jornalista se especializou em assuntos relacionados ao carnaval. Como você avalia o carnaval atual em relação aos das décadas de 70 e 80?

Aydano – O Rio de Janeiro quer um desfile pequeno ou um espetáculo planetário? Se o Rio quer espetáculo tem que ser da forma atual. O carnaval carioca é a nossa melhor imagem lá fora. O futebol já teve mais prestígio. Sou a favor do uso da tecnologia nos desfiles. Os sambas atuais pioraram muito, porém discordo do samba do Império Serrano de 1982, que dizia: “Superescolas de samba S/A… escondendo gente bamba… que covardia”. Hoje todos conhecem os sambistas. Vários passistas são conhecidos. A imprensa está divulgando mais o carnaval, apesar de muitos jornalistas ainda terem preconceito. Agora, estou preocupado com a infraestrutura de 2012, com o atraso nas obras na Passarela e na Cidade do Samba.

 

OBatuque – E a importância dos sites especializados no assunto?

Aydano – Eu os visito todos os dias, mais de uma vez por dia. Os sites são minha galera. Até me emociono quando falo dessa turma que trabalha nos sites especializados.

 

OBatuque – Do carnaval tradicional do Laíla e o pop do Paulo Barros qual é o de sua preferência?  

Aydano – Gosto do carnaval do Paulo Barros, mas não de tudo. Ele é necessário para o carnaval, uma novidade muito importante, porém meu carnavalesco predileto é o Renato Lage. Agora, ver o canto da comunidade da Beija-Flor é impressionante.

 

OBatuque – O que mais te fascina no carnaval?

Aydano – Os artistas de um modo geral. É maravilhoso poder falar com eles e sobre eles. Se o Brasil fosse um país que valorizasse mais a cultura, todos eles estariam ricos. Fico emocionado, por exemplo, ao testemunhar a emoção da Giovanna, da Unidos da Tijuca, quando ela acompanha sua ex-escola, a Mangueira. O Delegado, pertinho de fazer 90 anos, mantém entusiasmo de menino pelo samba e pela Mangueira. A Sônia Capeta tem uma devoção religiosa pela Beija-Flor. A Ruth e o André Diniz adoram a Vila, apesar de terem uma outra vida profissional. Toninho Professor, compositor da Imperatriz, usa o samba como instrumento pedagógico. Essa entrega dos artistas é o que há de mais espetacular no carnaval.

 

OBatuque – Você falou dos sambistas que poderiam ficar ricos, porém alguns mandatários de escolas estão bem de vida.

Aydano – A presença dos patronos teve que acontecer. Alguém tinha de cuidar do carnaval. É um processo histórico semelhante ao das favelas. As escolas estavam ali, à espera de alguém que cuidadesse delas. Depois que eles tomaram conta das escolas, e o carnaval virou um negócio milionário, só aí começaram os questionamentos. Os patronos têm muitos méritos. Qual é o espetáculo no mundo que você reúne cerca de 50 mil pessoas e que começa na hora e termina na hora? Eles têm mérito. A administração do carnaval ainda tem muitos defeitos. Falta, por exemplo, transparência.

OBatuque – Você elaborou o documentário "Mulatas! – Um tufão nos quadris". Quanto tempo você levou para executá-lo?

Aydano – O documentário levou um ano para ser elaborado. Começou em janeiro de 2010 e terminou em fevereiro de 2011. A ideia surgiu a partir do concurso Mulata do Gois, que organizei por cinco anos. Já conhecia muitas passistas e fui aumentando minha lista. Então, o diretor Walmor Pamplona, um querido amigo, me sugeriu fazer um documentário. Foram 13 mulatas de várias idades. Elas são muito desvalorizadas. Acho um absurdo a ala de passistas sair atrás do carro de som. Com todo o respeito, a Elaine Ribeiro, da Porto da Pedra, ou a Dandan, do Salgueiro, são tão artistas quanto a Ana Botafogo.

OBatuque – Fale um pouco sobre o seminário “Carnaval, que festa é essa?”.

Aydano – Durante esses anos todos cobrindo Carnaval, constatei que a gestação da festa é muito misteriosa. Ninguém conhece os bastidores, a formação de artistas e desfiles. Contei alguma histórias à Valéria Lamego, que teve a ideia de produzir um seminário sobre o assunto. O CCBB-Rio apostou na iniciativa e os eventos têm lotado. A demanda das pessoas que gostam do Carnaval é muito grande e elas não têm onde ir ao longo do ano. Se houvesse eventos na Sapucaí o ano todo, ficaria cheio. O samba tem um público enorme e o Rio e as próprias escolas não sabem aproveitar isso.

 

OBatuque – Um samba-enredo?

Aydano – Heróis da Liberdade, Império Serrano.

 

OBatuque – Uma passista?

Aydano – Eu vou citar duas, mas vou deixar muitas chateadas comigo. São representantes de todas elas: Meiri Lannes, da Mocidade, e Rose Bombom, da Grande Rio.

 

OBatuque – Um passista?

Aydano – Carlinhos Coreógrafo, do Salgueiro.

 

OBatuque – Aydano, muito obrigado pela entrevista e parabéns pelos projetos que você vem realizando.

Aydano - Eu é que agradeço, sucesso ao OBatuque.

3 Comentários »

  • admin disse:

    Será que tem um pouquinho desse documentário na internet ?

  • [...] coordenadora da Ala de Passistas da Portela, cujas palestras serão mediadas pelo jornalista Aydano André Motta. Como é o tratamento dado aos sambistas, como veem o Carnaval, como se preparam, suas [...]

  • william disse:

    Discordo quando ele critica o Samba do Império de 82, onde ele fala:
     
    porém discordo do samba do Império Serrano de 1982, que dizia: “Superescolas de samba S/A… escondendo gente bamba… que covardia”. Hoje todos conhecem os sambistas. Vários passistas são conhecidos.
     
    Eu sinceramente hoje só conheço pela TV as Rainhas e Madrinhas de baterias…como se fosse o maior destaque da escola.
    E como ele mesmo diz que acha um absurso os passistas virem atrás do carro de som para cobrir buraco.
    O samba do Império não está correto?
     
    Por isso 1982, Beto Sem Braço e Aluísio Machado fizeram este samba maravilhoso e campeão….
     
    Sou Império, sou patente
    Só demente é que não vê
    Do samba sou expoente
    Abra meu livro, pois tu sabes ler
     
    IMPÉRIO SERRANO A RESISTÊNCIA DA NOSSA CULTURA!!!!!!!!!!!!!!!!!
     
     
     
     
     

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