Por Wellington Lopes
A reunião começa às sextas-feiras. Aos poucos, os convidados vão chegando, se acomodando e se preparando para mais um encontro entre amigos, relembrando o tradicional e costumeiro chá da tarde, que ali, começa lá pelas 20h. Logo após, os acordes começam a entoar pelo Botequim Vaca Atolada, em meio a uma cerveja e outra, os artistas afinam os instrumentos, começam a batucar e se anunciam como a grande atração da noite: o grupo “Rapaziada do Chá de Beber”.
Formado por Vando Diniz, Tupy, Ecinho do Estácio, Mineiro, David Cordeiro e Carlos Vinícius, o Rapaziada começou a se firmar na Lapa, há dois anos, oriundos da parceria com o Vaca Atolada, cuja programação semanal incluía o famoso Chá de Beber – uma das criações irreverentes de Cláudio Cruz, dono do bar.
Durante a apresentação do grupo, as dependências do botequim ficam com a sua capacidade completamente lotada e assim vai até o fim. O sucesso do grupo se deve, segundo Vando Diniz, compositor campeão do Império Serrano, em 2008, à interatividade com o público:
“A gente chama o público para cantar. E é exatamente por isso que todas as sextas-feiras o bar fica lotado. Eles se sentem à vontade para curtir. Então, isso faz com que as pessoas voltem para participar e prestigiar. Se fosse enumerar os outros motivos, ficaria o dia todo falando”.
Similarmente à opinião de Vando, Ecinho ressalta também a espontaneidade e o improviso como ponto de partida para o sucesso que o grupo vem fazendo, pois de acordo com ele, não há ensaios. É tudo de improviso:
“Nos reunimos somente no dia. Não há ensaios. Na hora, um olha para o outro, pede a nota e começa. O público ajuda muito. As pessoas sambam, cantam e se divertem num ambiente superfamiliar”.
Enquanto o chá vai esquentando, a plateia é chamada para dar seu recado. Nesse momento ocorre uma metamorfose: anônimos transformam-se em celebridades, nem que seja por alguns minutos, na qual o único quesito para isso é saber, mais ou menos, a letra. Mesmo que desafine ou não entenda de notas musicais, não há problemas, o Rapaziada arruma dali, arruma de cá e o samba vai até o fim.
Para adoçar ainda mais a reunião social, uma dose de sambas-enredos antológicos que marcaram época. Um deles é cativo, unanimidade entre os integrantes do grupo e carro-chefe da reminiscência musical: “Aquarela Brasileira”, de Silas de Oliveira. A obra é a chave de ouro para fechar mais uma noite marcada por mais um encontro de amigos, regado ao Rapaziada do Chá de Beber.



Nenhum Comentário »